Accademia di Guida Alfa Romeo: os segredos da “nova” Alfa Romeo (Parte 1)

By on 4 Dezembro, 2018

Balocco é uma pacata localidade nos arredores de Milão cujos encantos não estão nos monumentos, nas igrejas ou nas verdejantes paisagens com a montanha como pano de fundo, mas sim no “santuário” que á a pista de testes de Balocco, uma infraestrutura onde viveram, entre outras, a Autodelta, a divisão de competição da Alfa Romeo. Foi onde estive nos últimos dias. Conto-lhe tudo em dois episódios, pois as novidades são tantas que tudo de chofre seria violento.

Aceitei o convite com o mesmo entusiasmo que a minha filha exibe sempre que lhe ofereço uma boneca LOL (quem tem filhas vai perceber, quem não tem, lamento, mas não tenho tempo para explicar o que são), adicionando um sorriso de orelha a orelha porque iria regressar a um local, perdão, santuário, onde não colocava os pés há mais de 15 anos.

Confesso que me arrepiei ao cruzar os portões do “Centro de Experimentazionedi Balocco”, hoje tão diferente dos portões e dos muros que no passado anunciavam a chegada. “A Alfa Romeo não é apenas uma marca de automóveis e os seus carros são algo mais que automóveis construídos de maneira convencional. Este entusiasmo por um meio de transporte é uma espécie de doença. É uma forma de viver, uma forma totalmente nova de conceber um veículo motorizado, algo que ilude uma definição. Os seus elementos são como aquelas características irracionais do espírito humano que não se conseguem explicar usando uma terminologia lógica!” Quem o disse foi Orazio Satta Puliga, um engenheiro da Alfa Romeo que conseguiu condensar nestas frases aquilo que é a Alfa Romeo. E eu estou perfeitamente de acordo com Orazio Satta Puliga: a paixão pela Alfa Romeo não se explica… sente-se!

Entrar no “santuário” que foi palco para o desenvolvimento de modelos deliciosos e casa da Autodelta, a divisão de competição da Alfa Romeo foi, admito, uma emoção que tentei esconder. Pode parecer ridículo este sentimento e podem pensar que vacilei perante a minha obrigação de ser isento, mas para mim que vivi a minha infância e a minha adolescência entre carros, motores e “snifando” gasolina e CO2, entre outras coisas saídas dos escapes, rodeado de Alfa Romeo, Fiat e Lancia, a paixão pela casa de Arese é apenas lógica. O meu querido e amado pai, já desaparecido, disse-me quando comprei o primeiro Alfa Romeo “finalmente tomaste uma decisão acertada!” Dei-lhe um desgosto quando o vendi. A ele e a mim…

Já perceberam que foram dois dias emocionantes, primeiro com a visita ao “Museu Storico Alfa Romeo” em Arese (pode encontrar a reportagem noutro artigo) e depois com a passagem pela pista de Balocco para conduzir o Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio e o Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio. Já imaginaram uma pista só para mim com estes dois carros fabulosos?!

Para muitos há uma Alfa Romeo AF e uma Alfa Romeo DF. O que quer isto dizer? Não elevando a casa do Biscione ao nível divino, quer dizer que Antes da Fiat (AF) e Depois da Fiat (DF) a marca conheceu faces diferentes. Na era AF, a Alfa Romeo deu-nos a conhecer dos carros mais brilhantes e as mecânicas mais exuberantes: o V6 Busso, uma peça de arte por fora e por dentro, com performances espetaculares; os quatro cilindros com cabeças de motor e alimentação que replicavam os modelos de competição; o Giulia, o GTV, o 75, enfim, uma série de carros que estando longe de ser perfeitos – os problemas de fiabilidade e uma forma muito, digamos, italiana, de fazer carros faziam parte do charme – deixavam e, ainda hoje deixam, o coração a bater mais forte. Que saudades tenho dos meus Alfa Romeo 75!!!

Já a era DF foi um amontoado de equívocos de erros básicos e de um quase abandono que não foi total porque Ferdinand Piech, presidente do grupo VW, “embirrou” que tinha de juntar ao seu portfólio de marcas a Alfa Romeo, esbarrou contra a teimosia de Sergio Marchionne, CEO da Fiat Chrysler Automobiles que disse um dia “nem por cima do meu cadáver”. Piech já não manda na VW e Marchionne, infelizmente, partiu cedo de mais. Mas deixou um projeto, um plano para a renovação da Alfa Romeo, colocando ponto final nas experiências e no mau trato dado à marca nos últimos 30 anos.

Além de ter “curtido ao molho” (como diz a minha filha) ter tido a pista de Balocco e os Giulia e Stelvio Quadrifoglio só para mim, a razão de ter acordado às cinco da manhã e ter andado várias horas de avião, foi conhecer os segredos que fazem do Giulia e do Stelvio, automóveis deslumbrantes e desejáveis. Enfim, conhecer de forma mais profunda o legado deixado por Sergio Marchionne que tinha como objetivo trazer de volta a eficácia e o prazer de condução que só um Alfa Romeo oferece!

Accademia di Guida Alfa Romeo

Consegue determinar, com clareza, qual o nível de divertimento ao volante um carro oferece? É capaz de identificar uma tecnologia com as boas sensações experimentadas ao volante? Eu, porque essa é a minha função, consigo, mas a maioria dos meus queridos leitores, porventura, não consegue. Mas se experimentar um Alfa Romeo depois de ler este artigo, verá que vai identificar tudo aquilo que a equipa de engenheiros da marca desenvolveu para nos oferecer essas boas sensações ao volante.

Como disso acima, os responsáveis da Alfa Romeo estão determinados em trazer de volta o verdadeiro, “Cuore Sportivo” da era AF através da “Meccanica delle emozione” onde cada uma das escolhas dos engenheiros da marca, durante o desenvolvimento do projeto Giorgio (a plataforma que serve de base ao Giulia e ao Stelvio) tinha como objetivo, sem constrangimentos ou compromissos, trazer de volta o prazer de condução… Alfa Romeo.

Para avaliar tudo isto, nasceu a “Accademia di Guida Alfa Romeo”, uma experiência que nos leva da mecânica às emoções sentidas ao volante, descobrindo os segredos de quatro soluções desenhadas, especificamente, para o Giorgio e que foram implementadas no Giulia e no Stelvio e como elas impactam de forma decisiva a condução. A “Accademia di Guida Alfa Romeo” é um “workshop” dividido em quatro grandes áreas teóricas-práticas – suspensão, dinâmica do veículo e sistemas de controlo, tração e travagem – onde o foco está as escolhas que foram feitas para o Giuilia e para o Stelvio.

Para conhecer todos os segredos leia o artigo seguinte onde lhe conto, tudo, mas mesmo tudo, sobre os segredos, possíveis, de serem revelados sobre a plataforma Giorgio, a base do Giulia e do Stelvio.

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