Afinal qual é o limite de emissões de CO2 na Europa? O AUTOMAIS explica tudo!

By on 28 Fevereiro, 2020

Continua a haver muita desinformação, muita gente que fala do que não sabe e até mesmo em alguns observadores há dúvidas sobre que limites existem e como se chega ás multas.

A regulamentação funciona de forma mais ou menos simples. O valor de referência são as 95 gr/km, mas nas habituais negociações do “puxa e empurra” ficou escrito que o peso seria tomado em linha de conta para os cálculos de uma forma que, em teoria, funcionasse para os pesadões SUV e carros de luxo como para os utilitários e os mais levezinhos.

A verdade é que as coisas não são bem assim e se a Fiat Chrysler Automobiles (FCA), com uma gama dominada pelos carros pequenos e leves, terá de cumprir um limite de 92 gr/km (3 gr/km abaixo do limite de 95 gr/km), o grupo BMW terá um limite de 102 gr/km (7 gr/km acima do limite de referência). Isto em 2020, pois só será contabilizada para a média de emissões de CO2 95% da produção total, deixando de fora 5% onde vão viver os modelos mais poluentes. Isso só durará até ao final de 2020. 

Há a possibilidade de usar os “super-créditos” de 2020 a 2022, ou seja, incentivos para os construtores desenvolverem novas tecnologias e produzir carros com baixas emissões de CO2 (menos de 50 gr/km de CO2). Como funcionam? Esses carros terão um valor a duplicar na contabilidade da média da gama, com um limite de 7,5 gr/km de CO2 nos três anos de vigência desta benesse (2020 – 2022). Ou seja, o valor final da média pode ser reduzido até ao máximo de 7,5 gr/km de CO2 desde que existam carros com emissões abaixo das 50 gr/km de CO2. Percebe-se, agora, porque todos estão a correr para os híbridos Plug In e depois para os elétricos quando a “malha” apertar mais a partir de 2022. 

Agora, como se calcula o valor de CO2 de um carro?

Há um peso de referência de 1379,88 kgs e a fórmula utilizada é esta: o limite de Co2 (95) + [0,033 x o peso de referência (1379,88 kgs)]. Ora, peguemos num carro dos mais vendidos em Portugal, o Mercedes A180d que pesa 1400 kgs.

As contas são as seguintes 95 +[0,033 x (1400 – 1379,88)] o que é igual a 95 + [0,66] ou seja, 96 gr/km. Como o carro está anunciado com 108 gr/km, a diferença é de 12 gr/km. Como cada grama a mais tem como multa 95 euros, a Mercedes pagará por cada carro vendido 1140 euros. Um BMW 116d pagará 1330 euros e um VW Up GTI com um peso de 1100 kgs e emissões de 120 gr/km, encara uma multa em redor dos 3253 euros por cada carro vendido!

Perante estas contas, pela primeira vez na história, os construtores terão de colocar as emissões de CO2 como maior preocupação, na frente do estilo, performances ou a forma como seduzir os consumidores. A partir de agora, a venda de carros na União Europeia terá um limite médio de emissões de CO2 de 95 gr/km. Uma discussão que durou 10 anos e, como sempre sucede com os políticos, acabaram por decidir precipitadamente.

Muitos nas redes sociais atacam quem fala desabridamente desta temática e eu, particularmente, tenho recebido alguns impropérios. Vindos de vários quadrantes, uns mais esclarecidos, outros nem por isso e alguns mais apenas porque, como diz o povo, “emprenham pelos ouvidos”.

Olhando de uma forma mais abrangente para a situação global, ninguém tem dúvidas que a crise ambiental é uma preocupação absoluta e que há que fazer algo para proteger o planeta e deixar um lar aos nossos descendentes. Isso é uma verdade inalienável que todos defendemos. Posso brincar com a defesa dos “ursos polares”, mas todos somos responsáveis e todos desejamos o melhor para a nossa prole.

Isso não significa que tenhamos de ser ovelhas obedientes e fazer aquilo que os políticos querem para servir os seus interesses.

Porque razão os construtores foram atirados para o lume com o acento tónico nos carros elétricos? Porque razão temos de rodar em carros híbridos “Plug In”? A demagogia em Portugal é gritante, com partidos políticos a cavalgarem a onda ambiental sem perceberem patavina do que estão a dizer e associações ambientais a procurarem protagonismo e a habitual corrida ao subsídio.

Pensemos todos um pouco: não seria muito mais barato acabar – acabar mesmo! destruindo e valorizando o que puder ser valorizado – com todos os carros, todos os camiões, os autocarros e os meios de transporte urbano, substituindo por modelos mais eficientes? Porque querer subsidiar carros caríssimos e que dão prejuízo, para que impor multa pornográficas para quem não cumprir as draconianas regras de emissões de CO2, mas não subsidiar o abate total e absoluto de carros com mais de 10 anos de idade e profundamente poluentes?!

Porque será que querem os políticos, os grupos de pressão, os grupos ambientalistas e alguns defensores daquilo que lhes contam ao ouvido, querem tanto os carros elétricos? Sabem, por acaso, que ao longo da vida útil de um carro elétrico as emissões de CO2 são inferiores às de um carro com motor de combustão, mas por curta margem? Sabem, por acaso, que a fonte da energia que alimenta os carregadores tem influência decisiva nos valores de emissões de CO2 de um carro elétrico? Sabem que a maior ou menor emissão de CO2 de um veículo elétrico é influenciada pela região onde é utilizado? Enfim, conseguem perceber que os automóveis elétricos não são suficientes para tornar os países neutrais em termos carbónicos? Voltarei a este assunto com um estudo feito no Japão juntando um estudo europeu sobre as opções de compra dos europeus.

Para encontrar justificação para uma evidência – não vão haver compradores para o volume de carros elétricos necessários para gerar, pelo menos, o retorno do investimento – já se procura tábuas de salvação e alguns já dizem que serão as frotas, ou seja, as empresas, a acelerar a transição para a mobilidade elétrica. Ou seja, serão as empresas a pagar a fatura. Veremos!

Entretanto, alguns construtores andaram a fazer stocks de carros elétricos para que as emissões não possam gerar multas. Como? Reduzindo a oferta de modelos mais poluentes, ”forçando” os consumidores a adquirir carros elétricos, piscando o olho aos subsídios, perdão, incentivos governamentais e indo ao bolso para ter preços mais convidativos.

José Manuel Costa

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