Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 Sport TCT – Ensaio Teste

By on 6 Fevereiro, 2020

Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 Sport TCT

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Último fôlego

Aproxima-se, a passos largos, o fim desta geração do Giulietta que nasceu em 2010 e que se manteve, mais ou menos, inalterada até aos nossos dias. Conseguiu ser o segundo classificado no Carro do Ano europeu de 2011 e a Alfa Romeo já vendeu mais de 400 mil unidades de um carro com um estilo intemporal e que, apesar da idade, manteve o estatuto de Alfa Romeo mais vendido até o ano passado, ultrapassado pelo excelente Stelvio. Quando foi lançado, a marca italiana apostou numa frase fantástica: “Sem coração, seríamos meras máquinas”. O Giulietta continua bonito, mas o tempo avança inexoravelmente e a erosão já se faz sentir num carro feito em outra época mesmo tendo recebido atualizações em 2014 e depois em 2016.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Estilo, Comportamento, Consumos    

Menos:

Posição de condução, Habitabilidade, alguns materiais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10 Já lá vão quatro anos desde que a Alfa Romeo atualizou o Giulietta, com um novo para choques dianteiro e uma nova grelha, jantes de liga leve com outro estilo e cores novas. Não mudou muito porque problema que o Giulietta não tem é no que concerne o estilo. Pode já ter uns aninhos, mas continua a ser um dos carros mais bonitos do segmento com aquele gostinho italiano que, sendo “alfista” ou não, ninguém consegue criticar. E face a rivais mais conservadores, o Giulietta mostra-se, ainda, inovador com as pegas das portas traseiras escondidas, os faróis minimalistas com luzes LED, enfim, o escudo dianteiro com o símbolo da Alfa Romeo, fá-lo destacar-se dos restantes.

Interior

Pontuação 5/10 Franqueada a porta do Giulietta, voltamos a ser esbofeteados por uma onda de estilo italiano, onde tudo faz sentido, onde tudo é simples e ao mesmo tempo complexo. É um interior feito com bom gosto sendo fácil de utilizar quotidianamente, mas com aquele gostinho especial de um carro italiano… ou melhor, de um Alfa Romeo! O maior problema é que na época deste Giulietta, a Fiat encarava a Alfa Romeo de uma outra forma e embelezando-lhe o manto e oferecendo-lhe o melhor do estilo interior, negou-lhe uma qualidade maior. É verdade que com o último “restyling” a casa de Arese retificou algumas coisas, como por exemplo a pele do volante, as maiores bolsas nas portas e várias zonas revestidas com material anti-risco. Porém, não disfarçam os plásticos de pouca qualidade nas zonas inferiores do interior. E face aos rivais mais poderosos do segmento, o Giulietta parece aquela moça rústica linda de beiços pintados de um vermelho que fomenta o desejo, mas que quando abre a boca mostra dentes desalinhados e amarelados que afastam qualquer um. É uma pena, mas a idade do projeto é o que é e até chegar um novo Giulietta (agora só depois de fechada a fusão com a PSA) será assim. Ainda assim, fica a nota para o estilo que é, realmente, muito agradável. A bagageira, com o banco possível de ser rebatido na proporção 60/40, tem 350 litros de capacidade. A expansão com o rebatimento do banco não é muito grande e a forma da bagageira, do acesso e a forma como o banco rebate, não são muito práticos.

Equipamento

Pontuação 6/10   Esta versão Sport do Giulietta exibe um completo equipamento de série. Da lista destacamos o volante em pele, os comandos no volante do sistema Uconnect, o ar condicionado automático bizona, cruise control, vidros traseiros escurecidos, tejadilho com forro preto, faróis de nevoeiro, saias laterais mais compridas, spoiler traseiro, sistema de ajuda ao arranque em declive, diferencial autoblocante eletrónico Q2 e mais um par de coisas sensores de chuva e luz, espelho interno electrocromático, espelhos retrovisores rebatíveis, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, apoio de braço traseiro, regulamento do banco em altura e regulação lombar elétrica no banco do condutor. A Alfa Romeo oferece 4 anos de garantia com manutenção incluída ou até aos 120 mil quilómetros, tendo intervalos de manutenção de 20 mil quilómetros. Como opcionais temos o Pacote Racing Yellow, composto por volante em pele com pesponto amarelo, alavanca da caixa de velocidades e do travão de mão também são forrados a pele e com pesponto amarelo, para choques desportivos com frisos amarelos e maxilas de travão pintadas de amarelo. Custa 550 euros. As jantes de 18 polegadas adiamantadas custam 400 euros e a pintura branca Alfa fica por 450 euros.

Consumos

Pontuação 6/10 O bloco 1.6 litros a gasóleo é um motor económico que a Alfa Romeo reclama gastar 3,9 litros por cada centena de quilómetros com emissões de 103 gr/km de CO2. É verdade que é económico, mas nunca consegui igualar esse valor. Andando sem grandes preocupações, mas dentro de todos os limites legais, este Giulietta turbodiesel devolveu-me um consumo de 5,3 l/100 km, valor que baixou, com alguns cuidados e aproveitando o binário do motor, para os 4,9 l/100 km. Com uma outra aceleração menos económica e um percurso feito no meio da serra para avaliar as capacidades do chassis, a média subiu para os 6.4 l/100 km. Contas feitas, a cifra final ficou nos 5,2 l/100 km, longe daquilo que a Alfa Romeo reclama, mas anda assim, muito bom.

Ao volante

Pontuação 7/10 Tenho de começar por dizer que a posição de condução não é brilhante e que nem todos a vão conseguir encontrar. Fosse igual á do Giulia e nada teria a dizer. Depois, dizer que o Giulietta também tem os modos de condução DNA (Dynamic, Natural, All Weather) que influenciam a resposta ao acelerador, a direção e a resposta da caixa, além do controlo de estabilidade. No Giulietta, as afinações do DNA não são muito felizes, com o modo Dynamic a ter demasiado peso na direção e o acelerador a ficar algo “dormente” nos modos Natural e All Weather. Se no segundo se percebe, para que o equilíbrio seja possível em zonas de baixa aderência, no primeiro nem por isso. A suspensão do Giulietta está afinada para o lado duro e num piso mais degradado, sente-se que o carro italiano é durinho. Não chega a ser desconfortável como um Mini, por exemplo, mas abaixo dos seus rivais como o Golf ou até o Focus. Com este motor de 120 CV, o Giulietta não é nenhum foguete, mas a verdade é que cumpre a sua função e no que toca ao comportamento, o chassis do Giulietta, oriundo dos Fiat Stilo, Bravo e Lancia Delta, consegue portar-se muito bem, aproveitando a afinação mais dura das suspensões para controlar muito bem os movimentos da carroçaria, com um eixo dianteiro que não cede depressa e que mantém a trajetória sem grande esforço, tendo o eixo traseiro multibraços a funcionar da melhor forma. Claramente, o motor não coloca em causa as capacidades do chassis.  

Concorrentes

Ford Focus 1.5 TDCI ST Line 1500 c.c. turbo diesel; 120 CV; 300 Nm; 0-100 km/h em 10,5 seg,; 191 km/h; 4,7 l/100 km, 123 gr/km de CO2; 32.276 euros (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Renault Megane Blue dCi 115 GTLIne 1461 c.c. turbo diesel; 115 CV; 260 Nm; 0-100 km/h em 10,6 seg,; 190 km/h; 4,5 l/100 km, 120 gr/km de CO2; 32.468 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Seat Leon 1.6 TDI 115 FR DSG 1598 c.c. turbo diesel; 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 9,8 seg,; 197 km/h; 4,1 l/100 km, 108 gr/km de CO2; 33.371 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   VW Golf 1.6 TDI Highline 1598 c.c. turbo diesel; 115 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 10,5 seg,; 198 km/h; 4,0 l/100 km, 105 gr/km de CO2; 35.546 (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)  

Motor

Pontuação 6/10 O motor 1,6 litros turbodiesel tem apenas 120 CV, pelo que o Giulietta não é, neste formato um carro emocionante. Chega dos 0-100 km/h em 10,2 segundos e alcança os 195 km/h, cifras normais num motor que é facilmente utilizável e que acoplado á caixa TCT de dupla embraiagem, se mostra ainda mais tranquilo. A caixa, com patilhas no volante, é mais agradável no modo manual. É uma unidade que passa de mudanças de forma calma e suave, não sendo particularmente rápida. É suficiente para o motor deste Giulietta e, no meu entender, melhor que a caixa manual. Ainda assim, nota-se que há arestas que deviam ser limadas, pois a caixa algumas vezes dá um sacão absolutamente desnecessário.

Balanço final

Pontuação 6/10 Se fosse pelo estilo, o Alfa Romeo Giulietta teria outra pontuação, mas a verdade é que temos de olhar para ele de todos os ângulos e, assim, não posso evitar dizer que tem uma habitabilidade fraca, alguns materiais de menor valia e um sistema DNA que não está bem afinado para o motor 1.6 JTDM e para a caixa TCT de dupla embraiagem. O conforto também não tem nota máxima e para quem gosta de um Alfa Romeo a lembrar o “Cuore Sportivo” ou até espera sentir “la mechanica delle emozione”, terá de procurar outro modelo da gama. O motor 1.6 turbodiesel é económico, mas não é capaz de grandes fulgores. Enfim, o Giulietta já está pronto para reforma e merece uma nova geração.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilindros em linha com injeção direta e turbocompressor com intercooler Cilindrada (cm3): 1598 Diâmetro x Curso (mm): 79.5 x 80.5 Taxa de Compressão: 16,5 Potência máxima (CV/rpm): 120/3750 Binário máximo (Nm/rpm): 320/1750 Transmissão: dianteira com caixa de dupla embraiagem com 6 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): Independente, McPherson/eixo multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 10,2 Velocidade máxima (km/h): 195 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 3,3/4,9/3,9 Emissões CO2 (gr/km): 103 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4351/1798/1465 Distância entre eixos (mm): 2364 Largura de vias (fr/tr mm): 1554/1554 Peso (kg): 1320 Capacidade da bagageira (l): 350 Deposito de combustível (l): 60 Pneus (fr/tr): 225/45 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 34391€
Preço da versão base (Euros): 34391€