Audi A3 e BMW Série 1: cada vez mais parecidos

By on 28 Março, 2019

O primeiro vai receber a quarta geração, o segundo a terceira; o primeiro manter-se-á com tração dianteira, o segundo passa a ter tração às rodas dianteiras. Audi A3 e BMW Série 1 são sérios rivais do Mercedes Classe A e estão cada vez mais parecidos.

A história dos dois carros é diferente, pois a Audi foi peregrina entre as marcas Premium a lançar-se no segmento dos familiares compactos. Quando apareceu, redondinho, muito sensual e apelativo (com desenho de Dirk van Braeckel), em 1996, o Audi A3 deixou o mundo boquiaberto e o sucesso foi imediato tendo já passado por três gerações – 1ª geração entre 1996 e 2003, 2ª geração entre 2003 e 2013 com desenho de Gary Telaak e a 3ª geração entre 2012 e 2019, com desenho de Dany Garand e Markus Gleitz.

Já a BMW andou onze anos a tentar impor o Série 3 Compact, feito com base, numa primeira fase, no Série 3 E30, depois usando a plataforma do Série 3 E36 e, finalmente, a do Série 3 E46. As coisas não correram bem e, finalmente, em 2004 a BMW fez o mesmo que a Audi, e lançou um automóvel dedicado ao segmento, porém, com tração traseira. O que nos carros de segmentos acima é uma vantagem, nos compactos nem por isso.

Se o Audi A3 continuará como até agora, já o BMW Série 1 mudará radicalmente, pois adotará a nova plataforma de tração dianteira que partilhará com o X1, X2, Série 2 Active Tourer, Mini Clubman, Countryman e, também, o Série 2 GranCoupe. Ou seja, enorme poupança de recursos com a utilização desta base, mas acima de tudo uma enorme melhoria em áreas chave: habitabilidade e volume da bagageira.

Como disse, o A3 será menos revolucionário, continuará a acolher a plataforma MQB, mas com muitas alterações. Muitas delas orientadas para a redução de peso que rondará os 50 quilos versão a versão, preparando o carro para a hibridização. Manterá quase tudo aquilo que tem feito o sucesso do modelo, mas com atualizações para o manter competitivo no segmento.

Já o novo Série 1 não terá mecânicas híbridas antes do segundo ou terceiro ano de vida do modelo, pois são demasiadas alterações no modelo. Por exemplo, o Série 1 vai perder o motor de seis cilindros em linha que era a alma do M140i. Tal como sucede com o Mercedes Classe A e com o Audi S3, terá de se contentar com um bloco de quatro cilindros com 2.0 litros e sobrealimentação a debitar 306 CV. Nascerá, assim, o M135i xDrive. O único modelo diferente e com sonoridade certa será o futuro RS3, caso vá para a frente, com o cinco cilindros e mais de 400 CV.

Tanto o Audi A3 como o BMW Série 1 não irão tão longe como o Mercedes Classe A, no interior. Ou seja, não haverá dois enormes ecrãs de dimensões generosas a servir de painel de instrumentos e sistema de info entretenimento. No caso da Audi, o A3 manterá o bom gosto, mas o ecrã central em cima da consola central será fixo tal como sucede no novo Q3, surgindo uma novo arranjo das saídas de ar da ventilação, podendo, naturalmente, receber o Audi Virtual Cockpit, a instrumentação digital. 

No caso do BMW Série 1, a inspiração vem do Série 3 e por isso terá uma instrumentação digital nas versões de topo e um ecrã generoso para o sistema de info entretenimento. Mas tudo sem grandes radicalismos e seguindo aquilo que é tradição em ambas as marcas.

Sem compromissos será o equipamento, pois tanto um como o outro modelo terão aquelas coisas que todos desejam: carregamento sem fios do telefone, função de condução semi-autónoma, conectividade, enfim, tudo aquilo que hoje os clientes reclamam. O BMW Série 1 utilizará caixas de dupla embraiagem nos motores mais pequenos por troca com as unidades com conversor de binário.

Passando a ser um tração dianteira, o BMW Série 1 perderá aquele aspeto de sapato, com o capot muito comprido e a traseira encolhida, deixando de ter aquele aspeto mais radical da primeira geração que foi sendo amaciado ao longo do tempo. O carro não terá versão de três portas, sendo que o Audi A3 também vai perder uma versão, neste caso, o Cabriolet pois já não há variante de três portas do A3.

Refira-se que a tradicional grelha de duplo rim da BMW será maior que até agora – ainda não se percebeu se é uma ideia fixa dos estilistas da BMW ou seja é alguma coisa com os rins de alguém… – enquanto que na Audi se espera que a grelha também seja maior e mais próxima do A6 e do A7.

Contas feitas, temos aqui dois rivais que vão estar lado a lado na luta pela liderança do segmento, com o Mercedes Classe A que em 2018 “despachou” 155 815 unidades, dominando o mercado europeu dos compactos Premium na frente do Audi A3 com 143 115 unidades e do BMW Série 1 com 126 450 unidades.

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