Automóveis que nunca chegaram à produção em série

By on 11 Junho, 2019

O investimento num novo automóvel é colossal, mas nem isso impede que, algumas vezes, as marcas tenham de arrepiar caminho e arrumar esse veículo na prateleira das recordações. As razões podem ser muitas: acaba-se o dinheiro para o produzir, o mercado muda durante o período de gestação do veículo, o departamento de marketing receia uma má reação do mercado, ou o segmento desapareceu e deixa de fazer sentido produzir o modelo. São muitas razões e entre elas estará a justificação para fazer cair a guilhotina sobre um modelo. O AUTOMAIS procurou e encontrou alguns desses veículos que perderam a vida antes de serem lançados para o mercado. 

Porsche Studebaker Type 542 (1952)

A marca Studebaker tem as suas raízes primárias em 1852, mas só produziu o seu primeiro carro em 1902 e em 1954 deu-se a fusão com a Packard. Se a Studebaker nunca foi muito sólida, esta fusão só piorou as coisas e á beira do estertor final, a Porsche foi chamada para ajudar com o desenvolvimento de uma berlina de quatro portas com motor V6. Mas o responsável da engenharia na Studebaker, John Z. DeLorean (conhecem?) entendeu o carro ser pouco refinado e dinamicamente fraco, além de que odiava o desenho do carro. Percebe-se porque razão o carro não passou de protótipo e a Studebaker acabava pouco depois em 1963.

Volvo Philip (1952)

Quando o Volvo “Marreco”, PV444, teve de ser substituído, a casa sueca pensou em alguma coisa radical. Nascia assim o Philip, um nome estranho, mas que foi dado devido ao facto das especificações do modelo terem ficado decididas no dia 2 de maio, o dia do rei Filip, na Suécia. Foi desenhado por um jovem de 20 anos, Jan Wilsgaard (1930 – 2016) e tinha um motor V8 de 3.6 litros. O estilo era radical e pensado para o posicionar no topo do mercado. O período de gestação foi tão longo que a Volvo mudou de ideias e ficou sem efeito. Só há um Philip e está no museu da Volvo.

Volvo P179 (1952)

Falhado o Philip, eis que a Volvo criou outro modelo, o P179, cujo desenvolvimento começou em 1952 e voltou a ter Jan Wilsgaard como estilista. Tudo era igual ao PV 444 em termos mecânicos e de chassis e, também, o tejadilho. Enorme e deselegante, o P179 acabou por não ir adiante: o único protótipo existente acabou por se destruído nos testes e por isso nada resta, senão fotos, do P179.

Mercedes 600 (1960)

O modelo poderia ter sido assim, numa tentativa de agradar aos americanos, mas graças a Deus que a Mercedes ponderou e desistiu deste modelo em favor do 600 com um estilo mais alemão.

Ford Mustang Shooting Brake (1965)

O que é que pode acontecer quando se juntam um “account” de uma agência de publicidade (Barney Clark da agência da Ford, a J.Walter Thompson), um designer (Robert Cumberford), um maluco por automóveis (Jim Licata) e uma empresa italiana de construção de carroçarias? Um Ford Mustang Shooting Brake! A Intermeccanica fez o carro, com uma porta traseira com dobradiça inferior, bocal de abastecimento reposicionado, vidro traseiro rebatível e banco traseiro rebatível. A ideia era vender o projeto a Ford. Debalde! A casa da oval azul rejeitou pois já tinha pensado nisso quando mudou o Mustang.

Ford Comuta (1967)

O futuro dos trajetos pendulares casa-emprego, versão 1967! Chamava-se Comuta, era espetacularmente compacto, tinha 2+2 lugares e estacionava-se em metade do espaço necessário para um carro convencional (como se vê na foto, dois Comuta tinham o comprimento de um Cortina). Fazia 64 km a uma velocidade máxima de 40 km/h. Foram construídos dois Comuta, sendo que um deles está no Museu da Ciência de Londres.

Audi 100 Cabrio (1969)

O Audi 100 foi lançado em 1968, dois anos depois chegava o modelo de duas portas e entre os dois, a Karmann desenvolveu e apresentou um 100 Cabrio. O Salão de Frankfurt de 1969 foi o palco para a revelação de um carro que não chegou à produção em série, pois a Audi não chegou a acordo com a Karmann. E não voltaria a existir um cabriolet até 1992, quando a Audi lançou o 80 Cabrio.

Rover P8

O P6 tinha dado lugar ao SD1 em 1976, tendo conseguido uma longa carreira com 13 anos. Mas pelo meio, a Rover fez um carro denominado P8 que era uma berlina de quatro portas de generosas dimensões e generosamente motorizado. Infelizmente, Sir Williams Lyons entendeu que o carro iria canibalizar o Jaguar XJ6 e para piorar a situação, um dos seis protótipos produzidos, dizem algumas fontes, destruiu-se ao fazer os testes de resistência à colisão, o que levou a Rover a abandonar o projeto.

Nissan MiD4 (1985)

Foi revelado no Salão de Frankfurt de 1985 e mostrava um carro elegante que tinha como missão seguir as pisadas da Porsche com o 911. Tinha um motor V6 de 3.0 litros, quatro rodas motrizes e direcionais e era capaz de chegar aos 250 km/h. O estilo era agradável até á traseira, mas não passou disso mesmo, de um protótipo.

BMW M5 (E34) Cabrio (1989)

Se o M3 sempre teve uma versão descapotável, o M5 não. Mas esteve quase a acontecer no final dos anos 80 com o E34 M5. O protótipo foi feito, estava proto a ser revelado no Salão de Genebra, mas á última hora foi tudo cancelado pois os homens do marketing tiveram medo que o Série 3 cabrio fosse comido, mastigado e deitado fora pelo M5.

Porsche 989 (1989)

O primeiro Porsche de quatro portas só chegou em 2009, mas em 1989, ou seja, 20 anos antes, os engenheiros da marca de Zuffenhausen criaram o 989, um carro que seguia na esteira do relativo sucesso do 928. Pegando no 911, esticaram-no e iriam colocar no eixo dianteiro um V8 com 2.8 litros com tração traseira. Mas levou tanto tempo que uma boa ideia dos anos 80 tornou-se numa péssima ideia nos anos 90 e a Porsche arrepiou caminho. E ainda bem!

Volvo 480 Cabrio (1990)

Foi mostrado no Salão de Genebra de 1990 e, dizia a Volvo, estava pronto para a comercialização. Foram feitos quatro carros, dois na Holanda e dois na Bélgica, mas nunca chegou à produção em série porque a Volvo decidiu entregar o projeto de um Volvo Cabrio á TWR e dar lugar ao C70 Cabrio. 

BMW M8 (1991)

Foi durante décadas negado pela BMW até que, finalmente, a casa bávara mostrou o protótipo do M8 que nunca saiu dessa fase. Com um V12 com mais de 550 CV, o M8 tinha todas as características de um desportivo, como os travões de competição, a caixa de velocidades e até a carroçaria musculada que assentava perfeitamente nas formas equilibradas do Série 8. A recessão dos anos 90 e as preocupações ambientais negaram a possibilidade do M8 ver a luz do dia. A nova geração do Série 8 conheerá, finalmente, um M8.

Mercedes C112 (1991)

Era para ser a versão de estrada do Sauber C11 de Grupo C e para lhe adicionar algum “pedigree” o C112 foi ligado á herança do 300SL original, tendo também asas de gaivota. A performance era de supercarro, claro, graças ao V12 6.0 litros montado a meio do carro, que debitava mais de 400 CV. Com peso baixo e uma aerodinâmica cuidada, o C112 tinha tudo para ser um super desportivo de qualidade. Foram feitas 700 encomendas do carro logo depois de ter sido revelado, mas a Mercedes teve receio de se espalhar ao comprido e colocou o C112 na prateleira preferindo concentrar-se na sua presença na competição.

Porsche C88 (1994)

O nome da Porsche foi surgindo associado a projetos estranhos como este C88. Os chineses, já na década de 90 do século passado, tentavam seduzir os construtores mundiais, pedindo-lhes o desenvolvimento de veículo que tivessem o mercado chinês como objetivo. A Porsche quis contribuir com um modelo de baixo ciusto denominado C88, desenvolvido em apenas quatro meses e revelado no Salão de Pequim de 1994. A verdade é que foram quatro meses e muito dinheiro jogado ao lixo, pois os chineses optaram por copiar as ideias do C88 do que comprar o projeto e por isso o C88 não passou do protótipo construído para o salão.

Lamborghini Cala (1995)

Quando a empresa fundada por Ferruccio Lamborghini mudou de mãos, da Chrysler para a Megatech, quase que se afundava tal a falta de dinheiro que existia. Foi nesse período que a ItalDesign se lembrou de fazer um mini supercarro e lhe chamou Cala. O motor V10 com 4 litros posicionado no centro do carro, serviria para o modelo de produção em série. A falta de dinheiro não deixou o carro avançar e quando a Lamborghini foi vendida ao grupo VW em 1998, o Cala foi imediatamente rejeitado e nunca viu a luz do dia. 

Mazda MX-6 Cabrio (1995)

O MX-6 é um carro raro no Velho Continente, mas a existência, ainda que em protótipo, de uma versão descapotável, mais rara é. Mas foi verdade, existiu um MX-6 Cabrio pensado para os Estados Unidos. Porém, embora não haja nenhuma informação oficial, este era um projeto paralelo à Mazda e este modelo era um protótipo de avaliação. Não foi avaliado de forma afirmativa e por isso desapareceu sem deixar rasto.

Volkswagen W12 (1997)

Porque tinha na prateleira de peças um motor W12 inédito e diferente de tudo o que existia, a VW decidiu soltar o fogo de artificio e fazer algo diferente: um super carro com motor central, o dito W12, chamou-lhe… W12 e prometia ser o primeiro VW desta categoria. O carro foi construído e andou a bater recordes de velocidade, nomeadamente, na pista de Nardo em 2002. Porém, Ferdinand Piech decidiu que seria a Bugatti a ter a honra de levar para a estrada um híper desportivo sem limites, colcoando o W12 na prateleira das recordações e iniciando uma jornada muito, mas mesmo muito, dispendiosa para o grupo VW, com o Bugatti Veyron, equipado com o motor W16 com 8 litros de cilindrada.

Seat Formula (1999)

Um rival espanhol para o Lotus Elise, numa altura em que a Seat era uma marca com aspirações desportivas. Com ume estilo cativante e pintado com a cor verde berrante do Ibiza Cupra, o Formula tinha motor central, no caso um quatro cilindros turbo com 2 litros e 250 CV, pesando apenas 900 quilos. Chegava dos 0-100 km/h em menos de cinco segundos! Estava ali a forma de dar um cunho definitivamente desportivo á Seat, mas a direção do grupo VW decidiu dar prioridade a modelos como Ibiza Cupra e outros, deixando de lado o fantástico Formula.

Lancia Fulvia (2003)

Foi rainha nos ralis, tem uma história muito longa no livro das recordações da industria automóvel mundial, mas hoje quase desapareceu e está confinada a Itália e vende, apenas, um modelo, o Ypsilon. Quando este acabar, a Lancia irá desaparecer. Mas em 2003, quando o grupo Fiat andava a vender, disparatadamente, carros da Chrysler com nome Lancia, surgiu o Fulvietta, uma reinterpretação do Fulvia. Que não tinha nada de revolucionário e poderia ter sido produzido com custos mínimos, oferecendo a possibilidade de recuperar a marca. O chassis já existia, o motor também, portanto tinha tudo para ser um sucesso. Uma oportunidade perdida de uma maneira que não fez sentido absolutamente nenhum. Daqueles erros que não se podem perdoar…

Dodge Slingshot (2004)

No início deste século, os construtores automóveis tinham passado pelo “bug” do milénio sem problemas. A Dodge tinha o Viper com o motor V10 com 8 litros e, de repente, decidiu fazer um desportivo com dois lugares, mas com um motor de três cilindros e pouco mais de 100 CV. A base era o smart Roadster e, olhando assim, o Slingshot até era uma boa ideia para lançar a marca na Europa. Mas a Daimler Chrysler teve medo que as vendas do smart Roadster fossem afetadas e acabou com o carro.

Ford Fiesta RS (2004)

Este foi uma dor de alma não ter ido para diante. O Focus RS era um carro fabuloso que a Ford quis replicar no Fiesta. O ST tinha “apenas” 150 CV e a ideia era colocar-lhe um motor com 200 CV, alargar-lhe as vias e oferecer-lhe pneus de dimensões pouco vistas em carros destes. Um modelo prontinho a ser produzido foi revelado no Salão de Genebra de 2004, debaixo do nome RS Concept. O interesse foi enorme, mas o Focus RS tinha feito a Ford perder muito dinheiro e por isso o Fiesta RS foi direitinho para a prateleira dos esquecidos.

Rover 75 Coupé (2004)

O 75 terá sido um dos melhores carros da marca e ainda hoje há alguns a circular em Portugal. Foi a época em que a BMW contribuiu para esse sucesso. Porém, a MG Rover nunca teve dinheiro para as muitas ideias que desejava colocar em prática e esta versão coupé do 75, elegante, foi uma delas. Não passou deste protótipo, até porque pouco depois a MG-Rover esfumou-se e o 75 Coupé acabaria por existir, mas feito por um entusiasta da marca. E acabou por influenciar outros pelo que o carro pode acabar por ter uma produção. De uma mão cheia de carros feitos á mão.

Audi R8 TDI Le Mans (2008)

A casa de Ingolstatd ganhou Le Mans com um carro diesel, as vendas de carros diesel eram fantásticas e a Audi tinha um V12 TDI que era oferecido no Q7. Ora, tudo isto teria como destino final aplicar o V12 TDi no R8, fazendo deste o primeiro super desportivo a gasóleo. Foi revelado no Salão de Los Angeles de 2008, foi construído um carro, mas a Audi refez as contas e financeiramente não fazia sentido pelo que é um carro único este R8 V12 TDI.

Saab 9.5 SportCombi (2011)

Quando a segunda geração do 9-5 entrou em produção, já a Saab estava a caminho da extinção. Apesar disso, a marca lutou e com esta segunda geração da sua berlina, tentou lançar uma carrinha denominada SportCombi. Foi revelada no Salão de Genebra de 2011, foram produzidas 40 unidades que nunca chegaram ao mercado, pois a marca faliu e depois esteve envolvida em histórias pouco dignas. 

Toyota GT86 Cabrio (2013)

Chegou a Genebra de 2013, na forma de um protótipo prontinho para começar a ser produzido. Mecanicamente igual ao GT86 coupé, o cabriolet tinha um belíssimo aspeto. Pouco meses depois, sem justificações, a Toyota confirmou que o GT86 Cabriolet era um nado morto.

Audi R8 e-tron (2014)

Mais um R8 envolvido numa novela mexicana com tradução em brasileiro. Ávida de mostrar serviço na mobilidade elétrica que se avizinhava, a Audi criou 10 modelos do R8 e-tron e até permitiu que alguns jornalistas conduzissem o modelo. Com uma aceleração 0-100 km/h em 4.2 segundos, os motores elétricos do R8 e-tron debitavam mais de 375 CV. Porém, para não esgotar as baterias, estava limitado aos 200 km/h. O carro deixou boa impressão, primeiro foi renegado, depois entusiasticamente colocado no plano de produto da Audi, até que, uma vez mais, as contas não batiam certo e o R8 e-tron juntou-se ao R8 V12 TDI na prateleira das recordações.

Mini Superleggera Vision (2015)

A Mini aproveitou uma parceria com a Touring Superleggera, carroçador italiano de famosa estirpe, para criar um rival para o Mazda MX-5. Foi revelado com pompa e circunstância no Concours d’Elegance Villa d’Este, em Itália, recebendo elogios de muitos quadrantes. O entusiasmo da BMW foi muito e foi equacionado pegar na base e fazer o carro. A verdade é que não sucedeu e o Superleggera Vision não deixou a fase de protótipo.

Morgan EV3 (2018)

O AUTOMAIS anunciou, aqui, que a Morgan estava pronta para fazer um EV3, versão elétrica do ThreeWheeler. A ideia era fazer um carro divertido com motor elétrico. Desenvolvido em conjunto com a Frazer Nash Research, o carro acabou por não ir para diante, pois a relação entre as duas marcas terminou e o EV3 “borregou”.

Range Rover SV Coupé (2018)

O Salão de Genebra do ano passado foi o palco escolhido pela Jaguar Land Rover (JLR) para revelar a versão coupé do Range Rover. A ideia era vender 999 unidades do modelo a endinheirados compradores. Mas as coisas começaram a andar ao contrário, os prejuízos afloraram as contas da empresa e para evitar gastar dinheiro que fazia falta nas contas da JLR. 

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