BMW Z4 sDrive20i – Ensaio Teste

By on 19 Novembro, 2019

BMW Z4 sDrive20i

Texto: Francisco Cruz

Baralhar…. e ganhar de novo?

Sexta geração de um roadster dado a conhecer, pela primeira vez, em 1989, o novo BMW Z4, desvendado em 2018, surge como uma espécie de “baralhar e dar de novo” – na concepção, no estilo, e até no regresso da “obrigatória” capota de lona. Resta agora saber se é também para voltar a ganhar…

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Mais:
Menos:
Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 8/10 Embora não deixando de concordar com a máxima segundo a qual “O design, no automóvel, é, de todos os aspectos, o mais subjectivo”, a suportar, de certa forma, a nossa opinião, surgem os comentários dos amigos e conhecidos a quem perguntámos o que achavam do novo Z4: “Humm… “, “É estranho…”, “Quase não parece um BMW…”. Sendo que foi também algo parecido aquilo que nos apeteceu dizer, quando olhámos para este Z4 – “Humm… É estranho…. Quase não parece um BMW!”. Mesmo exibindo todos os principais predicados que “definem” um BMW, a começar na grelha frontal tipo duplo rim, a verdade é que este novo Z4 acaba transmitindo uma imagem muito própria e até, de certa forma, algo diferente, da dos restantes BMW – veja-se, entre outros exemplo, o caso da assinatura luminosa dianteira, construída na vertical e integrada numas ópticas não tão agressivas quanto à partida seria de esperar. Com os sinais de família a fazerem-se notar, pelo contrario, bem mais na traseira, onde uns farolins rasgados e com um desenho tipo L, envolvem uma tampa de bagageira com generoso airelon integrado, ao mesmo tempo que, em conjunto com o pára-choques fortemente esculpido e de ponteiras de escape integradas, apelam à emoção. Igual e intocada, mantém-se a política da chamada Personalização, sinónimo de investimento acrescido, de forma a poder contar, por exemplo, com os predicados da linha desportiva M (4.626,02€), sinónimo de jantes em liga leve de 19″ com kit de reparação de pneus, suspensão desportiva M, pack aerodinâmico específico, frisos exteriores Shadow Line Individual, painel de instrumentos em Sensatec, e volante e bancos desportivos. Já para não falar de outros opcionais como a pintura exterior Preto Sapphire metalizada (764,23€) ou as luzes adaptativas em LED (1.016,26€)…

Interior

Pontuação: 9/10 Revolucionado exteriormente, a terceira geração Z4 revela bem menos audácia no interior do habitáculo. Onde prefere apostar, sim, num “obrigatório” elevar da qualidade dos materiais, bem acompanhada pela já reconhecida qualidade de construção. Igualmente em patamar superior, a ergonomia de um ambiente onde também não faltam comandos e botões, uns tácteis, outros físicos, assim como alguns espaços de arrumação – o que está na base da consola, com tampa, mas também a servir de carregador de smartphones por indução. Ao passo que, por detrás dos bancos, surge uma espécie de prateleira, com parede em rede, e com uma gaveta com acesso à bagageira. Ainda assim, mais difícil, sem dúvida, o acesso acentuadamente baixo ao habitáculo, em particular, com a capota de lona colocada. Esta última, um regresso que se saúda, ainda que, mais pelo encanto que transmite, que por quaisquer vantagens em termos de insonorização. Sem esquecer o facto de poder ser rebatida, de forma totalmente automática, em apenas 10 segundos, e até mesmo em andamento; desde que a velocidades até 50 km/h… Quanto ao acesso difícil, importa dizer que rapidamente se esquece, a partir do momento em que nos sentamos/encaixamos num dos dois excelentes bancos de inspiração desportiva, em couro, e muito confortáveis. E que, no caso do banco do condutor, assegura não somente uma posição de condução extremamente baixa e uma integração perfeita no cockpit (culpa também do óptimo volante…), como um fácil e correcto acesso à generalidade dos comandos. Com o olhar a dirigir-se invariavelmente para o painel de instrumentos 100% digital e configurável consoante o modo de condução escolhido, assim como para o generoso ecrã a cores e táctil que ocupa o topo da consola central, ligeiramente virada para o condutor. O qual se destaca não somente pelas linhas estilizadas, mas também pelo layout personalizado… e funcionamento facilitado pela presença do tradicional botão rotativo sobre o túnel de transmissão, acompanhado de botões de acesso directo a cada uma das funcionalidades. Pior, sem dúvida e como já seria de esperar, a bagageira, cuja capacidade não ultrapassa os 281 litros, com a agravante de ter um acesso tipo alçapão. Ainda que, elogie-se, não abdicando sequer da oferta de ganchos porta-sacos, além de um pequeno espaço independente à esquerda!

Equipamento

Pontuação: 8/10 Tal como já referimos, este é um aspecto que a evolução pouco ou nada trouxe em termos de abordagem, com o novo Z4 a pautar-se pelo mesmo princípio dos restantes modelos da marca. E que passa pela já famosa Personalização, i.e., concepção do carro à imagem do seu proprietário. Ou seja: se estiver disposto a acrescentar mais uns milhares de euros ao já de si alto valor de aquisição (alto) do Z4, então, é certo que terá um carro capaz de encantar; caso contrário… Falando especificamente da “nossa” unidade, destaque, entre os vários opcionais, para a presença quase obrigatória do pack desportivo “M” (4.626,02€). Garantia não apenas de umas bonitas jantes em liga leve de 19″ (com kit de reparação de pneus), suspensão desportiva M, pack aerodinâmico específico e frisos exteriores Shadow Line Individual, mas também painel de instrumentos em Sensatec, e volante e bancos desportivos. A acrescer a estes argumentos, o “nosso” Z4 exibia ainda uma pintura exterior Preto Sapphire metalizada (764,23€), luzes adaptativas em LED (1.016,26€), sistema de acesso Confort (495,93€), pack de espelhos interior e exterior (414,63€), bancos dianteiros aquecidos (317,07€) com apoio lombar (211,38€), BMW Head Display (821,14€), sistema de som Hi-Fi (292,68€), conectividade para aparelhos móveis por Bluetooth e USB (337,40€), e serviços digitais Profissional (170,73€). Ao todo, mais de 11 mil euros de opcionais. Isto, a juntar aos 51.500€ que o Z4 sDrive20i já custa…

Consumos

Pontuação: 7/10 Impulsionado a gasolina e com um posicionamento genuinamente desportivo, o novo BMW Z4 dificilmente poderia ser encarado como uma proposta de consumos baixos. Com a confirmação a surgir logo nos primeiros quilómetros e primeiras avaliações, com a constatação dos valores e médias exibidas no computador de bordo. No caso específico da nossa unidade e nosso ensaio, realizado nas mais diferentes condições e ambientes, uma média final muito próxima – demasiado!… – dos 10 litros, mais precisamente, de 9,4 l/100 km. E, isto, já com alguma utilização do modo de condução mais vocacionado para a poupança de combustível, Eco Pro, opção em que também o Stop&Start se torna mais interventivo. Embora não o suficiente para fazer baixar consideravelmente o apetite deste quatro cilindros…

Ao volante

Pontuação: 9/10 Construído sobre uma nova plataforma e equipado com um 2,0 litros a gasolina com força e espírito suficientes para agradar à grande maioria – se não mesmo a totalidade – dos condutores, o novo BMW Z4 sDrive20i é hoje uma proposta não só mais versátil, confortável e fácil de conduzir, como também bem mais equilibrada. A justificar esta convicção, a presença, desde logo, de uma maior rigidez torcional e de uma suspensão desportiva M a denotar já alguns rasgos de preocupação com o conforto, ainda que e neste último caso, sempre dependente da escolha dos pisos; aliás, dos maus, o melhor é mesmo fugir!… Em prol da diversão ao volante, não apenas a já proverbial tracção traseira, acrescida de um eixo traseiro particularmente ágil e que segue na perfeição o caminho traçado pelas rodas da frente, apoiadas por numa direcção pesada, precisa e informativa. E que, todos em conjunto, acabam contribuindo igualmente para uma maior envolvência e prazer na condução, ambas proporcionadas sempre de forma muito controlada e segura. Bem calçado, ao novo Z4 não falta sequer o já conhecido sistema de modos de condução com quatro opções – Normal, Eco Pro, Sport e Sport+ -, a garantir diferenças notórias na resposta, consoante o modo escolhido, acrescido, já no capítulo da segurança, de mais-valias como o sistema de manutenção na faixa. Embora de intervenção muito curta… Também porque este é um automóvel que, claramente, merece ser conduzido…

Concorrentes

Audi TT Roadster 2.0 TFSI, 250cv, 6,0s 0-100 km/h, 5,9 l/100 km, 140 g/km CO2, 52 940€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Mercedes SLC 200 Auto, 184cv, 7,0s 0-100 km/h, 7,0 l/100 km, 173 g/km CO2, 50 192€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Porsche 718 Boxster PDK, 300cv, 4,9s 0-100 km/h, 275 km/h, 7,9 l/100 km, 194 g/km CO2, 70 068€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação: 9/10 Envergando a motorização de entrada na nova família Z4, o “nosso” roadster contava assim com um quatro cilindros 2,0 litros turbocomprimido a gasolina, a debitar 197 cv de potência e 320 Nm de binário. E que, complementado, de forma quase perfeita, por uma caixa automática Steptronic de dupla embraiagem e oito velocidades, além de com óptimas patilhas no volante, acaba resultando numa opção excelente! Exibindo uma sonoridade sempre entusiasmante, seja qual for o regime de funcionamento, motor e caixa tornam-se, em conjunto, garantia de elevada emoção e prazer ao volante, fruto não somente de uma óptima capacidade de aceleração – 6,6s nos 0-100 km… -, como também das convincentes recuperações. Depois e a juntar ainda a estas qualidades, uma suavidade e linearidade na forma como sobe de regime, que facilmente agrada em momentos de condução mais descontraída, já para não falar no nervosismo e genica denunciados, em particular, quando com o Sport seleccionado no sistema de modos de condução. Ou seja, será mesmo preciso pedir mais?…

Balanço final

Pontuação: 9/10 Claro salto em frente num percurso que começou há várias décadas atrás, com o inesquecível Z1, o novo BMW Z4 assume-se, hoje em dia, como uma proposta mais madura, capaz de juntar ao elevado prazer e emoção ao volante que sempre procurou proporcionar, uma versatilidade, em termos de condução, que só se pode elogiar. De resto e a transmitir exclusividade por todos os poros, é caso para dizer que, nem mesmo a imagem exterior quiçá não tão consensual, já para não falar que um motor à partida menos “nobre”, como é o caso deste quatro cilindros 2,0 litros de “apenas” 197 cv, parecem ser suficientes para que impedir que a sexta geração da linhagem “Z”, continue a ganhar…

Ficha técnica

Motor Tipo: quatro cilindros em linha a gasolina, com injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler Cilindrada (cm3): 1.998 Diâmetro x curso (mm): 94,6 x 82,0 Taxa compressão: 10,2 : 1 Potência máxima (cv/rpm): 197/4.500-6.500 Binário máximo (Nm/rpm): 320/1.450-4.200 Transmissão e direcção: Traseira, com caixa automática Steptronic de dupla embraiagem e oito velocidades; direcção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica Suspensão (fr/tr): Duplos triângulos sobrepostos/eixo multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos ventilados Prestações e consumos Aceleração: 0-100 km/h (s): 6,6 Velocidade máxima (km/h): 240 Consumo urbano/extra-urbano/combinado (l/100 km): 7,4/5,4/6,1 Emissões de CO2 (g/km): 139 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,324/1,864/1,304 Distância entre eixos (mm): 2,470 Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,609/1,616 Peso (kg): 1.405 Capacidade da bagageira (l): 281 Depósito de combustível (l): 52 Pneus (fr/tr): 225/50 R17 / 225/45 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 65184€
Preço da versão base (Euros): 51500€