Conheça os carros que salvaram as suas marcas da falência

By on 8 Agosto, 2019

Surpreendentemente, são vários os carros que em dado momento salvaram a sua marca. Seria exaustivo falar de todos eles, por isso reunimos os mais famosos e importantes.

O universo automóvel é uma máquina trituradora que não tem piedade de ninguém e ao longo da história, longa, da indústria, algumas marcas estiveram muito perto do abismo e acabaram salvas por um único modelo. Alguns destes automóveis ganharam estatuto de lendas, outros ficaram na história como salvadores, outros não passam de uma nota, positiva, na história da marca salva. Fique a conhecer alguns dos automóveis que salvaram construtores à beira da ruína.

Volkswagen Carocha (1948 – 2003)

Aqui estamos perante uma situação curiosa: o Carocha salvou a VW, o Major Ivamn Hirsch salvou o Carocha. Como? Foi este militar que limpou a fábrica e a colocou a funcionar, levando o exercito britânico a comprar 20 mil unidades do Carocha. As vendas começaram a subir e o diretor da fábrica, Heinz Nordhoff começou a alargar a rede vendas e rapidamente começaram a sair cada vez mais carros da linha de montagem e o primeiro milhão de unidades foi alcançado em 1955. O dinheiro ganho com estas vendas, permitiu que a VW iniciasse o caminho rumo à construção do império que hoje conhecemos. Foram vendidos 21 529 464 unidades do Carocha, de todos os tipos e feitos em todo o lado. Os últimos foram feitos no México em 2003. Com 10,83 milhões de unidades, o grupo VW é o maior grupo mundial.

Ford 1949 (1948 – 1952)

No final da Segunda Guerra Mundial, a Ford ficou com um problema nas mãos: quase todas as suas fábricas estavam transformadas para produzir aviões, tanques, camiões militares e jipes, o governo não precisava das fábricas e abandonou-as, os soldados regressavam a casa e era preciso ter oferta de veículos para eles. Para abreviar caminho, a Ford recuperou veículos pré-guerra, perfeitamente desatualizados. Perante uma hemorragia financeira e um funil onde tudo emperrava, o neto de Henry Ford assumiu a liderança da marca da oval azul em 1945 com apenas 28 anos. Juntou uma equipa de engenheiros, analisadores de mercado e em apenas 19 meses, criou o Ford 1949, sendo a primeira marca de Detroit a colocar no mercado o primeiro carro totalmente novo depois da segunda grande guerra. Cem mil encomendas foram entregues no dia da revelação, em junho de 1949. Tinha vários tipos de carroçaria e debaixo do capô estava um V6 com 3.7 litros ou um V8 de 3.9 litros, a suspensão dianteira era independente e tinha uma direção diferente do habitual. Foram produzidos 1,12 milhões de unidades com a Ford a embolsar mais de 177 milhões de dólares e a salvar-se de uma falência que estava eminente. Acabou por entrar no mercado bolsista de Nova Iorque em 1956.

Mercedes 300SL (1954 – 1963)

Se a Ford tinha as fábricas ocupadas com produção militar, a Mercedes ficou sem fábricas durante a Segunda Guerra Mundial, devido aos bombardeamentos dos Aliados. Levou algum tempo, mas a marca germânica foi-se erguendo e para se manter, foi fazendo carros glamorosos e destinados aos ricos, mas a estratégia quase foi pelo esgoto pela ausência de um carro que funcionasse como catalisador. Esse carro foi o 300SL, um automóvel fabuloso que foi muito bem sucedido e ficou na história da Mercedes e da história da industria. As portas asa de gaivota, o excelente motor com injeção, velocidade acima dos 200 km/h, a solidez e a qualidade, tudo contribuiu para que o 300SL fosse um carro decisivo para a Mercedes. Foram produzidos 1400 unidades do coupé, depois chegou o descapotável, um carro ainda melhor devido à suspensão traseira melhor que a do coupé, um chassis mais rígido e uma melhor acessibilidade. Foram vendidas mais 1856 unidades. Mas o mais importante não é o número de vendas – que o tornam num carro raro e caríssimo hoje em dia – mas sim a tecnologia que passou para outras gamas e permitiram que a Mercedes chegasse ao patamar que hoje ocupa.

Fiat 500 (1957 – 1975)

Mais uma marca que estrebuchava com as feridas da Segunda Guerra Mundial, tal como o país. Em Itália, a exigência de mobilidade barata foi assegurada pelas “scooter”, mas a Fiat conseguiu tirar um coelho da cartola com o 500. Pequeno, ladino, diferente dos microcarros como o Isetta, com quatro lugares, um motor colocado na traseira e muito económico. Vendeu como pãezinhos quentes – 3,5 milhões de unidades – nos 18 anos que esteve à venda. Sendo fácil de conduzir e ainda mais fácil de manter, o Fiat 500 foi um verdadeiro mealheiro para a casa de Turim, ajudando a construir um império industrial que ainda hoje se mantém.

BMW 700 (1959 – 1965)

Acredita que a BMW que hoje conhecemos esteve à beira de fechar portas no final dos anos 50 do século passado? Aconteceu numa época e que a BMW estava meio perdida com carros luxuosos que não vendiam o suficiente para oferecer lucro e os Isetta eram demasiado baratos para oferecerem lucro. Foi então que apareceu o 700 e salvou, literalmente, a BMW. Afinal, é o carro que estabeleceu as bases para vendas robustas da casa bávara e que é o antepassado do Série 1. O 700 foi o primeiro BMW com chassis monobloco e começou a carreira como coupé, depois surgiu a versão de 4 portas e só esta variante vendeu 154 557 unidades, adicionando o coupe e o cabriolet mais 33 500 unidades. O motor instalado na traseira tinha 697 c.c. e era um boxer de dois cilindros de uma moto BMW. O 700 foi o recomeço da BMW e a tábua de salvação.

Jaguar XJ6 S1 (1968 – 1972)

Sir William Lyons conheceu alguns sucessos ao longo da sua carreira e o XJ6 foi um deles. O primeiro XJ6 deixou os rivais de boca aberta não percebendo como é que conseguia a Jaguar oferecer um carro de luxo a um preço que, à partida, não deixava margem de lucro. Recordamos que na época, a Jaguar estava a tentar sair do pântano que foi a Leyland e as finanças não estavam lá grande coisa. Ainda assim, lançou o XJ6 e foi um enorme sucesso com quase 79 mil unidades vendidas, tendo terminado a sua vida em 2019 com o XJ atual. Ficará por aqui, pois o XJ passará a ser elétrico. Mas foi decisivo para que a Jaguar tivesse se mantido de pé.

Alfa Romeo Alfasud (1972 – 1983)

Lindos mas pouco fiáveis, os Alfa Romeo nunca foram fonte de grande rendimento para a casa do Biscione. Eis que surge o Alfasud, um carro de tração dianteira, com um motor boxer de 4 cilindros, com uma carroçaria de dois volumes. Foi a ideia que a VW aproveitou quando dois anos depois lançou o Golf. Chamava-se Alfasud pois era feito em Nápoles… no Sul de Itália. Infelizmente, nunca conheceu o sucesso que o Golf desfrutou, pois tinha demasiados problemas de fiabilidade e de corrosão. Ainda assim, o excelente comportamento e o motor entusiasmante, permitiram encontrar 387 734 compradores nos 11 anos que esteve á venda. O suficiente para assegurar a sobrevivência da Alfa Romeo até aos anos 80.

Volvo Serie 700 (1982 – 1992)

A Volvo sempre teve uma imagem de durabilidade e segurança, mas precisava de algo mais, pois o dinheiro era escasso e apenas aquelas características não geravam lucro. Com a chegada da Série 700, a casa sueca deu um salto em frente e entrou no segmento dos modelos executivos como uma excelente alternativa às carrinhas Mercedes. Bagageira enorme, um estilo de linhas direitas, mas agradável á vista, qualidade de construção à prova de bala e, sobretudo, confortável, fácil de conduzir e com um comportamento muito saudável. Com tração traseira, o Série 700 tinha motores atmosféricos e sobrealimentados que ofereciam vivacidade no andamento. Quando deu lugar à Série 900, a Volvo tinha vendido 1,23 milhões de unidades do Série 700. Foi o modelo que ajudou a recuperar as finanças da casa sueca e cimentou o caminho para uma imagem Premium de que ainda hoje goza.

Land Rover Discovery (1989 – 1998)

A Land Rover sempre teve dois braços, o mais rural onde vendia o Defender e o mais urbano com o Range Rover. Apesar disso, o lado que vendia o Defender começava a perder terreno e dinheiro para os rivais japoneses e americanos e o que ganhava com o Range Rover era claramente insuficiente. O Discovery veio resolver os problemas: com uma linha elegante, um habitáculo espaçoso e bem iluminado pelas escotilhas laterais por cima da terceira janela e um interior decalcado do Range Rover, foi um sucesso imediato. Mantendo a excelência fora de estrada, o Discovery conseguia andar em estrada e ser usado quotidianamente sem problemas. O topo de gama era servido por um V8, mas os motores diesel é que foram a base do sucesso do carro, tendo sido vendidos 391 443 unidades turbodiesel. A chegada da versão de cinco portas aumentou o sucesso do Discovery, que chegou a ser vendido no Japão como Honda Crossoroad. Um carro que fixou um marco na história da Land Rover.

Ford Mondeo (1993 – 2000)

Poderia ter aniquilado a divisão europeia da Ford e até ter prejudicado a casa mãe. O Mondeo, como o nome indica, era um carro global da Ford que oferecida versões de 4 e 5 portas e carrinha, tinha motores e caixas de velocidades totalmente novos e obrigou a um elevadíssimo investimento em novas fábricas. Na época, o arrojo foi imenso, mas hoje sabemos que o Mondeo foi um enorme sucesso, mesmo que alguns tivessem desdenhado o facto de o carro ter tração dianteira e não traseira como no Sierra. Mas o soberbo comportamento, o conforto, a qualidade (para a época) e o espaço interior, deixou os rivais à distância e forjou um sucesso que ficará assinalado na história da casa da oval azul. Mais uma vez, foi um automóvel que ajudou a Ford a reerguer-se depois de alguns anos, na Europa, a sofrer.

Aston Martin DB7 (1994 – 2004)

A marca britânica andou a saltar de mão em mão até que a Ford decidiu comprar a Aston Martin em 1987, a última decisão tomada por Henry Ford II, antes de falecer em setembro desse ano. Com dinheiro fresco e a ajuda de Keith Helfet e Ian Callum, no que toca ao estilo, a Aston Martin criou o DB7. Um modelo que foi um sucesso devido à sua forma elegante e ao motor de seis cilindros sobrealimentado com 3.2 litros e um preço aceitável para um coupé desportivo de luxo. O DB7 criou um ponto de entrada na gama da marca e a verdade é que o carro foi um enorme sucesso com mais de 7 mil unidades vendidas. Foi um carro que ajudou, muito, a pavimentar o caminho da Aston Martin.

Skoda Octavia (1996 – 2004)

Este é um carro muito importante pois permitiu que a Skoda passasse de uma marca com história no passado e alvo de chacota pela antiguidade da gama, para um construtor de sucesso dentro do grupo Volkswagen. O Octavia recuperou um nome do passado, mas agora com a plataforma da quarta geração do Golf. A Skoda tirou o melhor partido desse sopro de modernidade, fazendo um carro com enorme habitabilidade, qualidade e equipamento generoso, a um preço muito acessível. Ainda por cima, o Octavia tinha um excelente comportamento. A cereja no topo do bolo foi a versão vRS, que ajudou a vender milhares de Octavia. Foi o ponto de viragem para a Skoda!

Porsche Boxster (1996 – 2004)

Não foi muito vem recebido pelos puristas, mas não fosse o Boxster lançado e hoje a Porsche poderia ser, apenas, uma marca recordada com saudade. O 911 era o cavalo de batalha da casa de Estugarda, mas as vendas de um carro anacrónico, com motor refrigerado a ar e com poucas evoluções devido à falta de meios, estava a cair a cada mês e era necessário fazer alguma coisa. A solução chamava-se Boxster e porque o dinheiro não abundava, utilizava a frente do 911 996 (que na altura ainda não tinha sido revelado). Foi o primeiro roadster da Porsche desde o 914 dos anos 70 e quando chegou ao mercado foi um enorme sucesso. A casa de Zuffenhausen vendeu mais de 160 mil unidades da primeira geração do Boxster, injetando dinheiro nos cofres da Porsche de uma maneira nunca vista. Claro que o carro tinha problemas e os primeiros Boxster com motor 2.5 litros tinha, realmente, pouca potência, mas isso foi rapidamente resolvido e o sucesso já estava conseguido e o dinheiro ajudou a forjar o futuro que hoje, como se sabe, é absolutamente brilhante, particularmente depois de Wendelin Wiedeking, o controverso ex-CEO da Porsche arriscou com o Cayenne, o primeiro SUV da Porsche.

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