Dacia Sandero TCe 90 Bi-Fuel Adventure – Ensaio Teste

By on 19 Agosto, 2019

Dacia Sandero TCe 90 Bi-Fuel Adventure

Texto: Francisco Cruz

O expoente da poupança

Produto de uma marca automóvel ela própria assumidamente low-cost, o Dacia Sandero TCe Bi-Fuel é, por assim dizer, um dos expoentes desta postura de poupança extrema. Não apenas pelo preço de aquisição verdadeiramente mais acessível, mas também e principalmente, pela poupança que em si revela e depois permite ao longo da vida!…

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Mais:

Preço/Custos de utilização; Autonomia; Habitabilidade      

Menos:

Qualidade de construção e de materiais; Ergonomia; Conforto em mau piso  

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 8/10 Ok, trata-se de um produto pensado em função do preço, a anunciar custos de utilização mais baixos, mas a verdade é que isso não significa que não tenha de cativar ao olhar! Pelo contrário, o Dacia Sandero Bi-Fuel é inclusivamente proposto, hoje em dia, numa edição limitada, denominada “Aventure”. A qual, embora com um aspecto exterior mais cuidado e aventureiro, nem sequer é penalizada por aí além, no preço! Assim e com os pouco mais de 14 mil euros que a Dacia pede por este Sandero, é possível garantir um utilitário de aspecto agradável e até algo audaz. Mercê não só das várias protecções de carroçaria em plástico e barras no tejadilho, mas também de pormenores como as novas jantes em liga leve de 16″ e os retrovisores pretos, com risca na mesma cor vermelha utilizada no logótipo da marca que figura nas jantes. E se a isto juntarmos equipamentos de segurança como a câmara de marcha-atrás ou o sistema de ajuda ao estacionamento traseiro, dois itens propostos de série nesta edição limitada, não restam dúvidas – este Sandero é barato, sem dúvida, mas não deixa de ter o seu charme!…

Interior

Pontuação: 7/10 Concebido – e produzido – sob o signo da poupança, o Dacia Sandero confirma, na plenitude, essa mesma ideia, através do ambiente que proporciona no interior do habitáculo. Com alguns laivos de cor, nomeadamente, no tecido dos bancos, a não esconderem uma qualidade de construção não muito convincente e, principalmente, uma qualidade de materiais que facilmente se resume a uma só palavra: plástico. Um ambiente de plástico rijo e rugoso, no qual até mesmo alguns revestimentos (plásticos) em preto brilhante têm dificuldade em se destacar… A melhorar, no entanto, um pouco o panorama, uma habitabilidade que, com espaço bastante mesmo para cinco adultos (o túnel de transmissão praticamente não existe…), é um dos bons argumentos deste Sandero. O mesmo acontecendo com a bagageira, que, com os seus 133 litros, ou 1.200 l com as costas dos bancos traseiros rebatidas 60/40 praticamente na horizontal (mas sempre um pouco mais alto que o piso da mala…), garante espaço suficiente para todas as bagagens… e à vista – porque, por baixo do piso falso, só cabe mesmo o tanque do GPL! Levando a que, por exemplo, as ferramentas tenham de surgir arrumadas num alçapão na lateral e, até o adaptador para o bocal do depósito de gás, apareça dentro de um saquinho azul, pendurado na bagageira… Num habitáculo de linhas simples e com vários comandos, funcionais, a remeter para os modelos da casa-mãe Renault – é o caso, por exemplo, de toda a consola central, em que os componentes Renault vão da manche da caixa de velocidades, até aos comandos do ar condicionado, às saídas de ar e ao (básico) ecrã táctil do sistema multimédia… -, não deixa de surpreender que seja, precisamente, nos comandos genuinamente Dacia, que maior desleixe pareça ter existido. É o caso, por exemplo, da colocação inexplicável dos comandos dos quatro vidros para o condutor, com os da frente situados nas portas e os das janelas traseiras na base da consola; da discrição e pouca precisão do botão que, colocado junto à manche da caixa de velocidades, serve para trocar entre Gasolina e GPL; ou ainda do enorme e tosco botão rotativo que serve para nivelar a altura dos faróis, colocado por baixo (!) da coluna de direcção… E a verdade é que não era preciso gastar muito para oferecer melhor! Finalmente, uma palavra para a posição de condução um pouco elevada, a facilitar a visibilidade e acesso a comandos, tudo a partir de um banco em tecido personalizado, mas também um pouco curto e sem apoio lateral. Embora e ao contrário do volante, grande mas com ajuste apenas em altura, com todas as regulações indispensáveis…

Equipamento

Pontuação: 8/10 Embora com um posicionamento assumidamente low-cost, a verdade é que o Dacia Sandero não deixa, ainda assim, de propor, nesta nova série limitada Adventure, um equipamento de série mais completo; inclusive, face à já conhecida (e apreciada) versão Stepway, que lhe precede. Assim, garantido, com esta nova série especial, surgem não só duas novas cores – Vermelho Fusion e Cinzento Highland -, mas principalmente novas jantes de 16″, ar condicionado automático, sistema multimédia com ecrã táctil e função de replicação do smartphone, câmara de marcha-atrás e sistema de ajuda ao estacionamento traseiro. Sem a possibilidade de integrar “modernices” como um sistema de manutenção na faixa de rodagem ou o alerta de embate frontal, como opcionais surgem, depois, a pintura metalizada (350€), o pack Cool&Sound (Ar condicionado manual + Rádio MP3 com Jack, USB e Bluetooth + Comandos no volante, por 1.300€) e cartografia da Europa Ocidental (80€). Opcional que, diga-se, tem a sua justificação, até porque o sistema de navegação é de série…

Consumos

Pontuação: 7/10 Ponto preparatório: o funcionamento a GPL consome sempre mais que a Gasolina. O que faz com que, utilizando exclusivamente o depósito de 32 litros de Gás Petrolífero Liquefeito, o Sandero consiga fazer pouco mais de 350 quilómetros, ao passo que, recorrendo apenas aos 50 litros do depósito de gasolina, a autonomia ultrapassa os 650 quilómetros. Procurando fazer a média sem qualquer ajuda do básico computador de bordo do Sandero, médias (reais) a gasolina a rondar os 7 l/100 km (a marca fala em 6,5 l/100 km), contra cerca de 9 l/100 km (8,2 l/100 km), a Gás Petrolífero Liquefeito. Diferença que, no entanto, o preço mais baixo do GPL rapidamente se encarrega de atenuar…

Ao volante

Pontuação: 7/10 Proposta de posicionamento mais familiar, ainda que marcado por uma estética “aventureira”, o Dacia Sandero reafirma esse mesmo princípio basilar, ta l como o próprio primado da poupança, também quando na estrada. Nomeadamente, apostando quase única e exclusivamente numa atitude descontraída, sem descurar a segurança, em detrimento de tudo o resto. Sem ambições de prazer ou envolvimento na condução, o modelo romeno assume-se assim como um meio de locomoção agradável, em praticamente todos os cenários, mesmo quando a suspensão permite algumas oscilações da carroçaria. As quais, diga-se, quando levadas ao extremo, acabam mesmo beliscando o bem-estar a estar. De resto, esta postura mais permissiva da parte da suspensão, nem sequer encontra justificação no domínio do conforto e, em particular, nos momentos em que decidimos enfrentar pisos mais esburacados ou até mesmo lombas mais exageradas. Desafios a que o Sandero responde com uma baixa capacidade de filtragem do mau piso. Perante tais atitudes, ao condutor pouco mais resta que adoptar uma postura ao volante mais descontraída, aproveitando uma direcção que tem na leveza para as manobras em cidade, a sua melhor qualidade. Também ela confirmando que, neste Sandero, a Poupança não deixou sequer de fora quaisquer pretensas ambições dinâmicos…

Concorrentes

Opel Corsa 1.4 FlexFuel, 90cv, 13,9s 0-100 km/h, 175 km/h, 6,7-6,8 l/100 km (8,3-8,5 l/100 km GPL), 151-154 g/km CO2 (134-138 g/km GPL), 16 190€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Renault Clio 0.9 TCe Bi-Fuel, 90cv, 12,2s 0-100 km/h, 180 km/h, 5,5 l/100 km, 122 g/km CO2, 18 110€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   SEAT Ibiza TGI (Gás Natural Comprimido), 90cv, 12,1s 0-100 km/h, 180 km/h, 3,3 g/km CO2, 107 g/km CO2, 20 443€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação: 7/10 Ora vamos a números: numa altura em que a maior parte dos construtores optou por centrar atenções na mobilidade elétrica, a Dacia aproveitou igualmente um certo adormecimento da Opel (um dos poucos construtores a propor ainda versões a Gás de Petróleo Liquefeito), para tomar conta do mercado nacional do GPL. Disponibilizando uma gama completa de veículos – Sandero incluído -, com a qual garantiu, em 2018, mais de metade (67%) dos cerca de 1.900 veículos a GPL vendidos em Portugal! A justificar esta opção, num país onde a rede de abastecimento ronda os 370 postos de abastecimento em território continental, custos de utilização, na versão Bi-Fuel, quase 50% mais baratos que com um motor idêntico exclusivamente a gasolina, e cerca de 15% menos, quando comparado com um Diesel. E se a isto juntarmos não só o facto de um 1 litro de GPL custar à volta 0,7€, contra os cerca de 1,5€ que custa 1 litro de gasolina, como também os “preços de combate” que os Dacia apresentam no momento da aquisição… está tudo dito! Passando aos aspectos técnicos e falando especificamente do Sandero Bi-Fuel, um pequeno três cilindros de 898cc. a debitar 90 cv de potência às 5.500 rpm e 140 Nm de binário às 4.000 rpm. E que, podendo funcionar tanto a gasolina como a GPL, anuncia prestações de 11,3s na aceleração dos 0 aos 100 km/h, a par de 168 km/ de velocidade máxima. Números que, reconheça-se, não sendo propriamente impressionantes, conseguem, ainda assim, garantir desenvoltura agradável (especialmente, acima das 2.500 rpm…), com as recuperações a não descartarem a ajuda da caixa manual de cinco velocidades, mas, acima de tudo, sempre com um funcionamento discreto e suave. Não será um poço de emoções, ou até mesmo um tricilíndrico para grandes explorações; mas, enquanto automóvel para uma utilização mais familiar… basta.

Balanço final

Pontuação: 7/10 Espécie de materialização daquilo que é o conceito de Poupança aplicado à indústria automóvel, o Dacia Sandero TCe 90 Bi-Fuel assume-se como a proposta ideal para famílias de rendimentos mais limitados, que procuram um automóvel barato, atraente, com bastante espaço e equipamento, além de – não menos importante – com baixos custos de utilização. Sendo que, encarado desta forma, apetece mesmo afirmar: melhor, é (quase) impossível de encontrar!

Ficha técnica

Motor Tipo: três cilindros em linha a gasolina e Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), com injecção multiponto Cilindrada (cm3): 898 Diâmetro x curso (mm): 72,2 x 73,1 Taxa compressão: 9,5 : 1 Potência máxima (cv/rpm): 90/5.500 Binário máximo (Nm/rpm): 140/4.000 Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de cinco velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson; Eixo de torção Travões (fr/tr): Discos ventilados/Tambores Prestações e consumos  Aceleração: 0-100 km/h (s): 11,3 Velocidade máxima (km/h): 168 Consumo ciclo misto gasolina (l/100 km WLTP): 6,5 Emissões de CO2 Gasolina (g/km WLTP): 147 Consumo ciclo misto GPL (l/100 km WLTP): 8,2 Emissões de CO2 GPL (g/km WLTP): 133 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,089/1,761/1,615 Distância entre eixos (mm): 2,589 Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,489/1,492 Peso (kg): 1.089 Capacidade da bagageira (l): 320 Depósito de combustível Gasolina (l): 50 Depósito de combustível GPL (l): 32 Pneus (fr/tr): 205/55 R16 / 205/55 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 14404€