Makoto Uchida poderá não “sobreviver” à pressão que se abate sobre a Nissan

By on 19 Fevereiro, 2020

Casa onde não há pão, todos ralham e poucos têm razão, e a Nissan está a atravessar um período terrivel onde nem o recente CEO, Makoto Uchida está a salvo.

O novo CEO da Nissan está sobre enorme pressão e tem pouquíssimo tempo para provar que conseguirá erguer uma marca atirada para o chão com o escândalo Carlos Ghosn e muitas tropelias feitas pelos seus antecessores.

Uchida tem uma missão: provar ao conselho de supervisão que é capaz de acelerar o programa de corte de custos e recuperar a empresa para o lado dos lucros e, depois, provar que ele desenhou o projeto para reparar a aliança com a Renault que, pelo visto, não era assim tão indesejada por parte da Nissan.

Adicionando à pressão o prejuízo, Makoto Uchida viu a Nissan anunciar o primeiro trimestre negativo em quase uma década e teve de cortar, seriamente, a previsão de lucro no final do ano fiscal.

Perante tudo isto, o conselho de supervisão da Nissan composto por 10 membros colocou Makoto Uchida sob escrutínio e dependendo dos seus esforços e do sucesso da sua estratégia, uma decisão sobre o seu futuro será tomada a meio do ano. Ou seja, Uchida está, claramente, a prazo e no pior dos cenários pode ser despedido caso as coisas não coram bem.

A Nissan rejeita estas alegações feitas por pessoas próximas do processo e divulgadas pelo Automotive News Europe, dizendo que “não existe essa ideia de escrutínio ou colocar um CEO em observação. Ele é o CEO!” Por outro lado, Uchida só está há dois meses no cargo e ainda nem teve o tempo necessário para avaliar tudo o que há para ver e ler. Até porque o negócio da Nissan está em queda livre desde 2017. O grande problema está no agressivo e mal executado processo de expansão global levado a cano por Carlos Ghosn e por Hiroto Saikawa, o alegado “master mind” por trás das acusações a Ghosn e que acabou por ver o seu nome na lama por ter feito o mesmo que o brasileiro.

Makoto Uchida referiu que “a Nissan está no bom caminho para a recuperação, mas isso pode ser um processo gradual” numa mensagem vídeo que o anterior patrão da Nissan China enviou aos colaboradores em outubro.

Porém, apesar destas declarações, o começo de Uchida como CEO da Nissan foi torto, ou seja, a tomada das rédeas não tem sido fácil. Quando chegou a CEO, chamou a si Ashwani Gupta como o nº2 e Jun Seki como o nº3 da hierarquia, dizendo o CEO que esta era uma equipa una e indivisível. Em dezembro, Uchida reuniu-se com dois membros do conselho de administração onde lhe foi sugerido que ouvisse mais Gupta e Seki, pois a sua nomeação para CEO tinha como pressuposto um trabalho próximo com aqueles dois. A verdade é que a equipa indivisa não o tem sido, com Jun Seki a despedir-se da Nissan em dezembro para abraçar a presidência da Nidec, fabricante de motores elétricos. Quanto a Gupta, já confessou a alguns colegas que tem uma relação de trabalho disfuncional com Uchida, mas compromete-se em trabalhar com Makoto Uchida para mudar a Nissan.

A Nissan não tem tempo para estar parada á espera que as coisas funcionem rapidamente e a casa japonesa respondeu á Reuters dizendo que “Uchida e Gupta estão a cooperar estreitamente, compartilhando informações e estão envolvidas na execução do plano de desempenho e em todas as ações, incluindo o programa de corte de custos.”

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