Mercado europeu vai contrair 2% em 2020 segundo previsão da ACEA

By on 24 Janeiro, 2020

A Associação Europeia dos Construtores Automóveis (ACEA) acredita que 2020 será um ano de recuo nas vendas de automóveis novos no Velho Continente.

Esta previsão da ACEA de um recuo de 2% nas vendas em 2020 é a primeira previsão negativa da associação em sete anos, deixando no ar a preocupação que tempos muitos difíceis estão a caminha e que o tempo das vacas gordas já passou.

O mercado europeu acabou positivo em 2019, com um crescimento de 1,2% depois de um mês de dezembro que assistiu à antecipação de vendas devido à entrada em vigor de limites mais apertados de emissões no Velho Continente. Por outro lado, os construtores quiseram ver-se livres do stock de carros mais poluentes, juntando-se, como diz o povo “a fome com a vontade de comer”.

A ACEA, pela palavra do seu presidente, Michael Manley, refere que “um dos maiores problemas para a mudança no setor é encarar as preocupações ambientais. As boas notícias é que a neutralidade carbónica é possível no setor automóvel e dos transportes.” Para isso, os reguladores têm de desenhar políticas que reforcem a competitividade global da indústria e mantenham a mobilidade e o transporte rodoviário acessível a todos.

Para Manley, “ao mesmo tempo que a nossa indústria faz investimentos massivos nos veículos zero emissões, o mercado começa a contrair, não só na União Europeia, mas globalmente, pelo que a transição para a neutralidade carbónica precisa de ser muito bem gerida pelos políticos.”

O problema para a indústria automóvel não reside infelizmente, apenas nas vendas à mingua ou na neutralidade carbónica ou ainda nas draconianas regras de emissões na Europa. Para lá destes ventos contrários, ainda apanham com “rajadas” como as tensões comerciais entre China e EUA e a impossibilidade de alinhar todo o mundo num acordo comercial, para lá das dificuldades com as divisas.

Portanto, a mobilidade elétrica é o oásis onde os construtores querem se agarrar e começa a ser uma luz ao fundo do túnel o crescimento das vendas destes modelos. É a isto que os construtores começam a se agarrar, mesmo desconhecendo se a tal luz é a esperança ou a luz de um comboio. A verdade é que as vendas de veículos elétricos continuam a bater recordes, com 2020 a ser o ano de maior crescimento, com uma previsão de qualquer coisa como 32%. Porém, temos de perceber que o ponto de partida é mínimo e que a espetacularidade dos números ainda não representa volume. 

Seja como for, será vital que a mobilidade elétrica seja bem sucedida e sobreviva no Velho Continente que, tomando a liderança mundial e sem muito cuidado para proteger um dos motores da sua indústria, decretou o limite de 95 gr/km de CO2 por carro para toda a gama de um construtor. 

Infelizmente, não será apenas a Europa a conhecer um ano de 2020 complicado, pois a China, o maior mercado mundial, voltou a contrair em 2019 pelo segundo ano consecutivo e com perdas significativas de 18 e 19 por cento em novembro e dezembro. Ou seja, adivinham-se anos complicados para a indústria automóvel.

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