MERCEDES A35 AMG – Ensaio Teste

By on 3 Maio, 2019

MERCEDES A35 AMG – Ensaio Teste

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Desportivo com classe

O refinamento que a AMG tem vindo a experimentar ao longo dos anos impressiona e nesta versão “descafeinada” A35 feita a partir da nova plataforma do Classe A, as sensações são bem melhores que aquelas sentidas ao volante do A45 AMG da anterior gerarção. Não há a mínima dúvida que a casa de Estugarda e os rapazes de Affalterbach corrigiram o tiro com esta espécie de “amuse bouche” para o próximo A45 AMG. São “só” 300 CV, mas com um belíssimo chassis e muita classe á mistura.

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Mais:

Motor, Comportamento, Qualidade    

Menos:

Demasiado refinado?

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10 A unidade cedida pela Mercedes para este ensaio estava equipada com o pacote “AMG Aerodynamics” que oferece uma asa traseira absolutamente “tuning”, uma lâmina no difusor traseiro que o faz parecer maior e pequenas asinhas á frente das rodas da frente. Sinceramente? Gosto mais do carro sem esses tão exuberantes apêndices, mas concordo com o que algumas pessoas me foram dizendo. “O carro fica mais ‘racing’” ou então “muito giro com essa asa violenta na traseira!” ou mesmo “o carro fica sexy!”. Cada cabeça sua sentença, lá diz o povo. Seja como for, o A35 AMG não difere de forma absurda de um Classe A, mas faz-se notar pelas jantes de maiores dimensões e pouco mais. O estilo é o mesmo e apenas os para choques fazem a diferença, nomeadamente atrás, com a dupla saída de escape. Ou seja, simples, musculado nos locais certos, agradável á vista.

Interior

Pontuação 8/10 Por dentro o discurso é quase o mesmo, ou seja, a AMG não exagerou em nada. O volante AMG destaca-se, claramente, os bancos possuem enorme suporte lateral, “abraçando-nos” nas curvas e na consola central percebemos que este é um AMG devido aos muitos botões para controlar diversas funções ligadas ao chassis e à mecânica. O ecrã que serve de painel de instrumentos é um bocadinho psicadélico, com muitas cores, gráficos, enfim, podia ser um nadinha mais sóbrio. Mas outros diriam que a AMG não fez nada para mudar o interior da versão desportiva. Portanto, aceita-se a ideia. Felizmente que essa forma de exibir a informação se limita apenas ao painel de instrumentos. Se tiver tempo disponível, entretenha-se a mudar o esquema de fornecimento de informação. Verá que tem ali umas horitas de empenho. E vai acabar, como eu, por escolher a forma mais simples. Mas pelo menos fica entretido um par de horas. Tudo isso é controlo através de um par de “joysticks” colocados nos braços do volante, complementados por vários botões. Uma verdadeira babilônia que só o tempo lhe vai permitir controlar e conseguir evitar baralhar toda a configuração, pois é facílimo tocar nestes “joysticks” ou “touch pads” como quiser. Para os amantes dos “gadgets” o A35 AMg está equipado com o MBUX (Olá Mercedes!) e pode se entreter a falar com o carro. Ou seja, pode falar com ele, pedir-lhe coisas e verificar que há várias duplicações de função, sendo que algumas dessas funções são complicadas de gerir através dos botões e dos menus, mas simples pelo comando de voz. Acaba por ser um bocadinho confuso, mas acabamos por nos habituar. Onde não há dúvidas é na qualidade do interior, com a Mercedes a ter dado um salto generoso do anterior para esta Classe A. Top!

Equipamento

Pontuação 7/10 O A35 AMG oferece muito equipamento de série. Destacamos a câmara traseira, assistente de faixa de rodagem, sensores de luz e chuva, active brake assist, MBUX, skstema de navegação Mercedes, 3 anos de atualizações de mapas, ar condicionado automático, faróis LED alta performance, acesso e arranque sem chave, volante AMG em pele, assistente de estacionamento, estofos em pele, cruise control e modo de comunicação Mercedes Me, entre outros. Como opcionais, destacamos o pacote Premium (4.000€), a pintura semi mate Ciinzento Mountain Magno (2.300€), suspensão com sistema de amortecimento seletivo (1.250€), pacote AMG Night (950€), os bancos performance AMG (2.400€) o pacote AMG Aerodynamic (1.450€) e as jantes de liga leve de 19 polegadas AMG (1.200€).

Consumos

Pontuação 7/10 Devido ao protocolo WLTP, os registos do A35 AMG são piores que os do A45. Mas isso na cifra de homologação que é de 7,3 l/100 km. Pois muito bem, não cheguei perto disso, mas sem grandes preocupações o A43 AMG gastou entre 8,2 e 8,7 l/100 km, com um pico de 10,9 l/100 km quando decidi experimentar aquilo que vale o A35 AMG ali na Serra de Sintra. Seja como for, valores bem interessantes para um carro com mais de 300 CV.

Ao volante

Pontuação 8/10 Os rapazes da AMG remexeram, totalmente, o Classe A de uma forma inédita, mais ainda do que quando a Mercedes lançou o A45 AMG. Sendo muito mais rígido que o anterior, o novo Classe A foi um bombom para os especialistas do chassis, suspensões, enfim, aquilo que faz um carro ser desportivo ou aspirante a desportivo. Mesmo assim, a AMG inseriu um painel de alumínio por baixo do berço do motor para ainda maior rigidez da dianteira do carro, juntou mais alguns apoios na suspensão. Logo aqui foi com seguida uma muito maior rigidez torsional o que teve impacto, imediato na precisão da direção e na forma como a suspensão faz o seu trabalho. Para os adeptos da tecnologia, dizer que no eixo traseiro está uma embraiagem multidiscos com acionamento eletro-mecânico (e não eletro-hidráulico) que se encarrega de levar binário ás rodas traseiras de uma forma muito mais rápida. Além disso, tem capacidade preditivas, ou seja, é capaz de determinar quando é necessário levar binário para as rodas traseiras. Anteriormente, o sistema era passivo, ou seja, apenas quando as rodas da frente perdiam aderência é que o sistema enviava binário para as rodas traseiras. Desde que se mantenha o ESP ligado, o carro mantém-se no modo “Comfort”, mas quando passamos o ESP para o modo Sport ou desliga o ESP, o carro passa para o modo Sport. O AMG Dynamic Select conta com os programas de condução “Comfort”, “Sport”, “Sport+” e o novo “Slippery”. Este modo foi otimizado para condições de baixa aderência, reduzindo a potência e o binário, achatando a curva de binário para evitar escorregadelas. A caixa trabalha mais suavemente e o sistema stot/start ajuda na condução. Finalmente, pode optar pelo modo “Individual” onde o condutor acerta os parâmetros individualmente. Mas há mais! O AMG Dynamics é um sistema de controlo em curva integrado no ESP. Em curva, de forma quase impercetível, o AMG Dynamics aplica força de travagem no eixo traseiro, ajudando a curvar de forma mais precisa. O sistema tem o modo “Basic” e o “Advanced”, sendo que o primeiro está ligado aos modos “Comfort” e “Slippery”, privilegiando a estabilidade absoluta, o segundo é ativado com os modos “Sport” e “Sport +”, revelando-se neutral, mas com maior agilidade em curva graças a uma maior intervenção dos travões. No modo “Individual” o condutor pode escolher que modo assume o AMG Dynamics.  Como opcional surge o AMG Ride Control, amortecedores adaptativos que funcionam de forma totalmente automática, de acordo com os modos de condução escolhidos e também o estado da estrada, pois o sistema adapta-se em milésimos de segundo. Para melhorar o comportamento, a AMG montou o eixo traseiro com casquilhos rígidos, substituindo os casquilhos de borracha por unidades rígidas nos triângulos do eixo dianteiro. Dizer, também, que o escape foi trabalhado e se no arranque não faz muito barulho, no modo Sport é mais vocal e há mesmo alguns “broaapp paww”, “Pawww” á mistura. Discretos, mas audíveis. A verdade é que o carro, em zonas sinuosas, se mostrou muito ágil e muito divertido, aquilo que faltava ao A45 AMG. Percebe-se o carro rígido, leve e a responder de forma imediata aos impulsos no volante, com uma direção veloz e muito precisa. Não tem grande sensibilidade, mas o A35 AMG faz aquilo que lhe dizemos e o eixo dianteiro mantém-se fiel à trajetória que escolhemos. Depois, os pneus Pirelli PZero agarram-se á estrada de uma forma impressionante. O carro é simpático quando o atiramos para dentro de uma curva, com um ligeiro escorregar quando exageramos um nadinha, e suporta mudanças de direção sem grandes dificuldades. Com pisos ligeiramente húmidos, o A35 AMG exige ser controlado como um tração dianteira, ou seja, sacrificar a velocidade de entrada para uma saída limpa. Mexendo nos modos de condução, conhecemos vários A35 AMG no mesmo carro, embora haja um traço comum: o conforto não é dos melhores e há rivais que são mais benignos com as costas, até porque o Mercedes parece um cão pisteiro e “fareja” todas as imperfeições da estrada.

Concorrentes

Audi S3 1984 c.c. turbo a gasolina; 310 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 4,6 seg,; 250 km/h; 6,6 l/100 km, 152 gr/km de CO2; nd (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   BMW M140i 2998 c.c. turbo a gasolina; 605 CV; 700 Nm; 0-100 km/h em 4,4 seg,; 250 km/h; 7,4 l/100 km, 169 gr/km de CO2; 70.950€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10 Por baixo do capô, lá está o bloco de quatro cilindros com 2.0 litros de cilindrada, um turbocompressor de geometria variável, enfim, o mesmo do A45 AMG. Mas “descafeinado” e com muitas alterações internas para melhorar o desempenho. São “só” 306 CV e 400 Nm de binário que chegam ás rodas da frente, num primeiro momento, através de uma caixa de dupla embraiagem com sete velocidades, estando o A35 AMG equipado com tração integral 4Matic que faz chegar até 50% das capacidades do motor ao eixo traseiro. O sistema de tração integral da Mercedes é um nadinha limitado pois não tem vectorização de binário o que impede o carro de ser mais adaptável ás situações enfrentadas. É mau? Muito longe disso e está melhor que o A45 AMG, até porque o ESP também está bem melhor.

Balanço final

Pontuação 8/10 Gostei muito deste A35 AMG. Não é tão veloz como o anterior A45 AMG, com uma aceleração 0-100 km/h em 4,7 segundos, mas é bem mais capaz com um comportamento entusiasmante, seguro e, em cima disso, oferece a qualidade de um Mercedes. E consegue ser, ainda assim, divertido. O único senão é que, para mim, é demasiado refinado, demasiado Premium. Pode parecer uma parvoíce, mas gostava do A35 AMG mais másculo e menos refinado. Custa 63 mil euros e por isso se percebe que a Mercedes não tenha querido descurar a qualidade e o refinamento do carro. Talvez tenha dificuldades em acompanhar um Honda Civic Type R ou um Re ault Megane Trophy numa estrada sinuosa, mas que é uma enorme evolução pace ao anterior A45 AMG, disso não tenham dúvidas. E a segunda geração do A45 AMG está a caminho.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo Cilindrada (cm3): 1991 Diâmetro x Curso (mm): nd Taxa de Compressão: 10,0 Potência máxima (CV/rpm): 306/5800 Binário máximo (Nm/rpm): 400/3000 Transmissão: Tração integral, caixa automática dupla embraiagem de 7 vel. Direção: direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 4,7 Velocidade máxima (km/h): 250 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 6,2/9,5/7,3 Emissões CO2 (gr/km): 169 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4436/1797/1405 Distância entre eixos (mm): 2729 Largura de vias (fr/tr mm): 1573/1570 Peso (kg): 1116 Capacidade da bagageira (l): 370/1210 Deposito de combustível (l): 51 Pneus (fr/tr): 235/40 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 76058€
Preço da versão base (Euros): 63000€