Mercedes-Benz E 300 de – Ensaio Teste

By on 16 Dezembro, 2019

Mercedes-Benz E 300 de

Texto: Francisco Cruz

A perfeita união dos mundos opostos

Numa altura em que muitos vaticinam a morte do Diesel, a Mercedes-Benz dá-lhe novo fôlego, através da sua conjugação com o hoje em dia entendido como “combustível do futuro”, a Eletricidade. Desta união, a roçar a perfeição, nasceu o Mercedes-Benz E 300 de, um sedan do qual é difícil não gostar…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Autonomia em modo eléctrico; Prestações; Consumos    

Menos:

Aproveitamento da bagageira; Susceptibilidade da autonomia eléctrica; Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10 Referência entre as berlinas do segmento E premium, o Mercedes Classe E tem, há muito, um lugar muito próprio na frente deste campeonato. Mercê, desde logo, de uma certa imagem clássica e estatutária, especialmente difícil de igualar. No caso específico do E 300 de, esta mesma imagem acaba reforçada, nomeadamente, com a inclusão de um importante número de opcionais, mas sem custos acrescidos. Como é o caso da linha de design exterior AMG com suspensão Agility Control e afinação conforto, além de estética AMG, alargadores em plástico dos guarda-lamas, faróis LED, luzes de travão adaptativas e jantes em liga leve AMG de cinco raios e 18″. Surpreendido com tanta oferta?… Não se preocupe, porque, tirando a pintura metalizada (849,31€) e os vidros escurecidos (406,05€), opcionais que têm de ser pagos à parte, tudo resto já está reflectido no preço!

Interior

Pontuação: 10/10 Inquestionavelmente charmoso e estatutário na imagem exterior, o Mercedes-Benz Classe E consegue elevar essas mesmas impressões, no interior do habitáculo. Onde, a par de uma qualidade de construção e solidez sem mácula, acresce um cuidado nos revestimentos e acabamentos, que simplesmente nos fazem querer estar no seu interior. Igualmente a contribuir para esta sensação, uma ergonomia e funcionalidade superiores, resultado não somente de vários e bons espaços de arrumação, mas também da correcta colocação e funcionamento da generalidade dos comandos e botões. Ainda que, neste último caso, não sem algumas reticências relativamente ao exagero de botões e comandos no volante (é certo que são de fácil assimilação, mas, ainda assim…), assim como à consola do sistema de infotainment, entre os bancos. Porquê? Principalmente, porque o touchpad surge integrado precisamente no apoio de mão, levando a que, por vezes, accionemos comandos sem querer… Excelente, o toque tecnológico dado pelo “gigante” painel digital de 12,3″, disposto na frontal do tablier, com a instrumentação de condução e o ecrã (não-táctil) do sistema de info-entretenimento integrados. Solução aqui de série e que é uma verdadeira delícia para a visão, fruto não apenas do bonito layout, como também da intuitividade que revela no funcionamento. Tornando ainda mais desejada a posição de condutor, a roçar a perfeição devido a um banco de inspiração desportiva revestido a couro e alcântara, com assento extensível e óptimos apoio laterais, tão ou mais arrebatador que o volante de pega excelente e, tal como o primeiro, com todos os ajustes recomendados. Contribuindo, assim, para que, apenas a visibilidade traseira possa fazer aparecer algumas reticências… prontamente eliminadas pela excelente definição da câmara de marcha-atrás com Active Parking Assist; ambos, pasme-se, também de série nesta motorização… Mas se as sensações a bordo são de claro luxo e exclusividade, tal deve-se igualmente à habitabilidade e conforto, com o Classe E a oferecer espaço bastante para cinco adultos. E com os três ocupantes dos lugares traseiros, a não se sentirem particularmente incomodados com a presença de um túnel de transmissão saliente. Até porque, em contrapartida, as costas dos bancos podem ser reguladas 40/20/40 na inclinação, para maior conforto. Ou então totalmente rebatidas na horizontal… ainda que sem grande aproveitamento; com uma capacidade inicial anunciada de 400 litros, a bagageira conta, também e junto aos bancos, com um enorme obstáculo sob o qual ficam as baterias do sistema híbrido. O qual acaba condicionando fortemente qualquer aproveitamento, para transporte de cargas maiores, da possibilidade de rebatimento, através do accionamento de manípulos no tecto da bagageira, das costas dos bancos traseiros…

Equipamento

Pontuação: 9/10 É certo que não se trata de carro para qualquer um, até porque e desde logo, custa mais de 70 mil euros; no entanto e pelo menos no equipamento com que se apresenta de série, este Mercedes justifica muitos dos euros por si pedidos! Senão, vejamos: exceptuando pormenores como a pintura metalizada (Cinzento Iridium, no caso da nossa unidade…), com um custo extra de 894,31€; os vidros escurecidos, por 406,50€; e da linha de design AMG, sinónimo de consola central em madeira de freixo preto porosa, acabamentos interiores em alumínio e embaladeiras das portas dianteiras iluminadas, tudo por 1.138,21€; o resto vem de fábrica – desde e no capítulo da segurança, do sistema PRE-SAFE, Active Brake Assist, sistema de monitorização da pressão dos pneus, protecção para peões e Mercedes-Benz Emergency Call Systema, até ao e no domínio do Conforto, ar condicionado automático, linha de design interior AMG (relógio analógico + pack de luz ambiente premium + volante desportivo multifunções em pele Confort + tablier em pele Artico + tapetes AMG), pack Parking com Câmara de Marcha-Atrás (e com Active Parkins Assist), pack Bancos Conforto  (com apoio lombar de quatro vias) e pack Advantage (assistente de ângulo morto + cockpit panorâmico + display central de 12,3″ + bancos dianteiros aquecidos). Ou ainda e já falando de tecnologias de Comunicação, Multimédia e Som, do pack integração de smartphone, Apple CarPlay e Android Auto, MB Entry Navigation, pré-instalação para Live Traffic Information, pré-instalação para rádio digital,  pré-instalação de pack Conectividade (serviços de definição do veículo + serviços de monitorização do veículo + módulo de comunicações Mercedes me connect 4G + áudio 20 com maior display), touchpad, , tomada para carregamento e 2 portas USB na traseira. Tudo isto, sem esquecer mais-valias como o sistema de modos de condução Dynamic Select, a caixa de velocidades automática 9G-Tronic com patilhas desportivas integradas no volante,  ou ainda os cabos de carregamento para Wallbox, estações de carregamento público tipo 2 e tomadas domésticas de tipo E/F – tudo muito bem arrumadinho em sacos próprios e fixos no piso da bagageira…

Consumos

Pontuação: 9/10 Mas se o funcionamento do sistema propulsor híbrido Diesel/Elétrico surpreende, e muito, a verdade é que os consumos não o fazem menos. Com a Mercedes-Benz a anunciar, inclusivamente, uma média oficial de 1,6 l/100 km, a qual, mesmo descontado o sempre presente exagero (deste, e de todos os restantes construtores…), continua a ser merecedora de elogios! No nosso caso em concreto, a devolução da unidade Mercedes-Benz E 300 de que nos foi cedida para este ensaio, aconteceu com uma média de consumo perto dos 2,5 l/100 km, obtida numa utilização maioritariamente em trânsito citadino e utilizando todas as capacidades deste híbrido alemão. Mas que, sujeita a uma viagem mais longa e com a utilização maioritária do motor de combustão (fazendo auto-estrada, por exemplo…), também pode subir para perto dos 7/100 km…

Ao volante

Pontuação: 9/10 Equipado com um sistema de propulsão pouco vulgar, a verdade é que o Mercedes-Benz E 300 de não podia ter um desempenho dinâmico mais “vulgar” e idêntico ao dos restantes irmãos equipados com motores apenas de combustão – eficaz na forma como se faz à estrada, dócil na condução, além de extremamente confortável, seja qual for o piso que tenha pela frente. Exibindo um pisar invariavelmente aveludado, e que não perde nem mesmo quando optamos por um dos modos de condução mais reactivos, impressionante torna-se, também, a agilidade revelada por uma berlina que, mercê da opção por um propulsor híbrido, passa a pesar mais das duas toneladas. Mas que, depois, pouco ou nada deixa “transpirar” para a condução, mantendo sempre, não somente uma elevada estabilidade e precisão em estrada, como também um elevado prazer na condução… e muita segurança na travagem!

Concorrentes

BMW 530e iPerformance Auto, 252cv, 6,2s 0-100 km/h, 235 km/h, 1,9 l/100 km, 37 g/km CO2, 64.400€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Lexus ES 300h F Sport, 218cv, 8,9s 0-100 km/h, 180 km/h, 4,4 l/100 km, 131 g/km CO2, 66.588€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Volvo S90 T8 Geartronic Inscription, 390cv, 5,1s 0-100 km/h, 250 km/h, 2,5 l/100 km, 57 g/km CO2, 75.071€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)  

Motor

Pontuação: 10/10 Esteticamente apelativo, fortemente estatutário e, ainda por cima, bem equipado, a verdade é que tudo isto acaba tornando-se secundário, face àquilo que é verdadeiramente importante neste Mercedes-Benz E 300 de: o sistema de propulsão híbrido de carregamento (também) em tomada, ou PHEV. Composto por um turbodiesel quatro cilindros 2,0 litros com 194 cv de potência e que é também a razão do “d” na designação “de”, ao qual se junta depois um motor elétrico de 90 kW e uma bateria de iões de lítio com uma capacidade útil de 9,4 kWh, estes dois últimos representados pelo “e”, o sistema de propulsão híbrido conta ainda com a ajuda de uma transmissão automática de 9 velocidades 9G-Tronic ligeiramente alterada, para assim oferecer 306 cv e 700 Nm de binário, além de um funcionamento extremamente agradável, suave e quase imperceptível. A não ser, claro está, quando, após seleccionado no Dynamic Select um dos modos de funcionamento mais desportivo – Sport, Sport+ ou o totalmente configurável Individual -, decidimos afundar o acelerador, com o Classe E a responder de forma pronta e especialmente vigorosa. Confirmada, aliás, numa aceleração dos 0 aos 100 km/h em não mais que 5,9s… Já a pensar naqueles para quem o Ambiente é a maior preocupação, a possibilidade de optar por circular com recurso apenas e só ao motor elétrico, seleccionando a opção E-Mode (velocidades até 140 km/h), num botão que disponibiliza mais três hipóteses: Hybrid, ou seja, circular utilizando o motor de combustão, com o motor eléctrico a apoiar; E-Save, ou a possibilidade de manter sempre a mesma percentagem de carga nas baterias, para utilização futura; e Charge, ou seja, utilizar o motor de combustão, não apenas para circular, como também para recarregar as baterias. Sendo que, a apoiar nesta missão, surge sempre, neste ou noutro qualquer modo, o sistema de recuperação de energia despendida na travagem, vantajoso pela forma como consegue repor alguns quilómetros… Já com as baterias totalmente carregadas e o E-Mode seleccionado, surpreendente é, sem dúvida, a autonomia anunciada pelo E 300 de. A qual, no nosso caso e aquando do levantamento do veículo nas instalações da Mercedes-Benz Portugal, surgia fixada, no painel de instrumentos, nos 65 quilómetros. Ainda que e uma vez colocada à prova numa utilização real, também tenhamos notado alguma susceptibilidade deste valor ao tipo de condução realizado, levando a acreditar que, pelo menos 40 km, estarão sempre garantidos! Assim como numa autonomia gasóleo + eletricidade, a roçar os 1.500 quilómetros… Finalmente e quanto aos tempos de carregamento, a Mercedes-Benz anuncia 1,5 horas, quando realizado em Wallbox, e cerca de cinco horas, quando em tomada doméstica. Sendo que, no caso dos carregamentos em postos públicos, não nos foi possível fazer o teste, uma vez que unidade por nós ensaiada não trazia o respectivo cartão para fazer o carregamento…

Balanço final

Pontuação: 9/10 Primeiro entre os demais no segmento das berlinas médias de luxo, o Mercedes-Benz Classe E 300 de vem demonstrar, com esta motorização híbrida, que o Diesel, não só não morreu, como tem um longo futuro à sua frente; assim os decisores políticos o permitam! A justificá-lo, surge o excelente desempenho e eficácia desta solução Diesel/Elétrica, a qual, unindo de forma (quase) perfeita duas concepções à primeira vista opostas, resulta numa hipótese de futuro, para o imediato. Isto, claro está, caso o preço baixe…  

Ficha técnica

Motor de combustão Tipo: quatro cilindros em linha, injecção directa Common-Rail, turbocompressor de geometria variável e intercooler Cilindrada (cm3): 1.950 Diâmetro x curso (mm): 82 x 92,3 Taxa compressão: 15,5:1 Potência máxima (cv/rpm): 194/3.800 Binário máximo (Nm/rpm): 400/1.600-2.800 Motor eléctrico Função: Impulsionar o veículo / gerar corrente eléctrica Bateria/Capacidade útil (kWh): Iões de lítio/9,3 Potência máxima (cv/kW): 122/90 Binário máximo (Nm): 440 Potência combinada motor de combustão + motor elétrico (cv/kW): 306/225 Binário máximo combinado motor de combustão + motor eléctrico (Nm): 700  Transmissão e direcção Transmissão: Traseira, com caixa automática de nove velocidades Direcção: cremalheira, eléctrica Suspensão (fr/tr): Independente do tipo multibraços; Independente do tipo multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos ventilados Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 5,9 Velocidade máxima (km/h): 250 Consumo combinado (l/100 km WLTP): 1,7 Emissões de CO2 (g/km): 38 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,923/1,852/1,475 Distância entre eixos (mm): 2,939 Largura das vias fr/tr (mm): 1,605/1,609 Peso (kg): 2.060 Capacidade da bagageira (l): 400 Depósito de combustível (l): 66 Pneus (fr/tr): 245/45 R18 / 245/45 R18  

Preço da versão ensaiada (Euros): 72903€
Preço da versão base (Euros): 69900€