Porsche 911: revisitar 7 gerações

By on 15 Agosto, 2019

A Porsche vai revelar ao mundo a oitava geração do 911 já no próximo dia 27 de novembro, no Salão de Los Angeles. Depois de 55 anos e mais de 1.000.000 de unidades vendidas, recordamos o percurso que permitiu ao modelo chegar até aqui.


1963 a 1973
Nº de veículos produzidos: 81.100

À semelhança do 356, o 911 rapidamente caiu nas boas graças dos amantes de carros desportivos. O protótipo foi primeiramente revelado no Salão de Frankfurt, em 1963, como 901, sendo posteriormente renomeado de 911 quando foi lançado em 1964. Na altura o modelo equipava um motor 2.0 litros de seis cilindros, refrigerado a ar, e debitava 130 cv. A velocidade máxima era de 210 km/h. Em 1966 surge o 911S, com 160 cv, e o primeiro com jantes Fuchs.

O 911 Targa surgiu no final de 1966, aparecendo mais tarde as variantes E e S. Com o passar dos anos, a marca aumentou a potência dos seus modelos, com versões 2.2 litros a partir de 1969 e 2.4 litros depois de 1971. Em 1972 lançou o 911 Carrera RS 2.7, com 210 cv e um peso abaixo dos 1000 kg. O carro tornou-se um ícone e ainda hoje faz sonhar. Foi o primeiro modelo de produção a surgir com um spoiler traseiro, que ficou conhecido como ‘bico de pato’.


1973 a 1989
Nº de veículos produzidos: 198.414

O modelo G é protagonista da mais longa geração na história da marca, estando nas linhas de montagem entre 1973 a 1989. Caracterizava-se pelos pára-choques de generosas dimensões, uma opção para ir ao encontro dos mais recentes padrões dos testes de embate da altura nos EUA. Os modelo passou a incorporar de série cintos de segurança de três apoios e encostos de cabeça.

Em 1974 a marca revela o 911 Turbo com motor 3.0 litros e 260 cv, ostentando também um grande spoiler traseiro. Um modelo veio adensar a ideia de desejo e performance da Porsche. Em 1977 aparece o 911 Turbo com motor 3.3 litros e 300 cv, números que o tornavam o melhor da classe. Segue-se o 911 Carrera SC em 1983, com motor 3.2 litros e 231 cv. A versão cabriolet do 911 ficou disponível a partir de 1982. Mais tarde, em 1989, surge o 911 Carrera Speedster.


1989 a 1993
Nº de veículos produzidos: 74.008

Prevendo-se o final de uma era, e ao cabo de 15 anos de produção, a plataforma do 911 foi revista na sua quase totalidade, sendo introduzidos 85% de novos componentes. A Porsche lançou o 911 Carrera 4 (964). Com motor 3.6 litros refrigerado a ar debitava então 250 cv. O novo modelo pretendia agradar aos futuros clientes, não só no capítulo desportivo, mas também em termos de conforto. Surgiu por isso com ABS, caixa Tiptronic, direção assistida e airbags. Mas o maior marco foi o Carrera 4, de tração integral.

O irmão, Carrera 2, chegou ao mercado seis meses depois. Mais tarde, vieram também as versões Carrera Coupé, Cabriolet e Targa e, a partir de 1990, o 964 Turbo começou por ter um motor 3.3 litros. O bloco 3.6 litros de 360 cv chegou em 1992. Hoje, o 911 Carrera RS, 911 Turbo S e 911 Carrera 2 Speedster são dos modelos mais procurados e apreciados entre os colecionadores.


1993 a 1998
Nº de veículos produzidos: 67.535

O 911 (993) surgiu esteticamente melhorado. Os pára-choques menos expressivos e mais elegantes e uma secção dianteira mais baixa que os antecessores. Com o modelo vinham associadas as ideias de confiança e segurança. A versão Turbo foi a primeira a incorporar um motor biturbo. O 911 GT2 teve como objetivo chegar ao coração dos puristas que ansiavam por grandes velocidades. O 911 Targa inovou ao surgir com um tejadilho de vidro com abertura elétrica. Mas um dos grandes fascínios desta geração, entre 1993 a 1998, é que foi a última a sair com motores refrigerados a ar.


1998 a 2004
Nº de veículos produzidos: 179.163

O 911 (996) representou para a marca a maior viragem na história do seu modelo. Mantendo a sua linhagem, mas apresentando um novo carro. A começar, era o primeiro com refrigeração a água. Com um motor com quatro válvulas por cilindro e 300 cv, o barulho, emissões de CO2 e consumos eram reduzidos. Exteriormente a marca optou por fazer uma reinterpretação das linhas clássicas do 911, mas com um coeficiente de arrasto de 0.30. O habitáculo também foi revisto, com o conforto em condução a aumentar. Nesta fase, o 911 GT3, lançado em 1999, tornou-se um dos pontos altos e fazia por manter viva a tradição do Carrera RS. O 911 GT2, o primeiro modelo equipado de série com travões de cerâmica, era uma referência entre os desportivos quando saiu no outono de 2000.


2004 a 2011
Nº de veículos produzidos: 215.092

2004 trouxe ao mundo as novas gerações do 911 Carrera e 911 Carrera S, ‘referenciados’ como 997. Um dos destaques eram os grupos óticos dianteiros em forma oval. Era um modelo de alta performance: motor 3.6 litros e 325 cv ou 3.8 litros e 355 cv na versão S. O chassis também foi melhorado e a versão S surgiu com o Porsche Active Suspension Management de série. O 911 Turbo veio em 2006 e incluía um turbo de geometria variável. No outono de 2008 recebeu um sistema de injeção direta e transmissão de dupla embraiagem. As opções faziam perder-se a conta, variando entre o Carrera, Targa e Cabriolet, tração traseira ou integral, Turbo, GTS, modelos especiais e versões de estrada de carros de corridas GT. O 911 tinha 24 variantes e nunca antes havia conhecido uma gama tão alargada.


2011 até ao presente
Nº de veículos produzidos (até ao final de 2016): 152.659

O 911 (991) conheceu um chassis completamente novo, com a distância entre eixos modificada, um interior ergonómico para uma condução, em simultâneo, mais desportiva e confortável. Os consumos eram ainda mais baixos mas os carros surgiam como melhores argumentos sob o capot. O tamanho do bloco de 3.4 litros do Carrera foi reduzido em tamanho, mas a potência aumentada em 5 cv face ao 997. Através da utilização de materiais como aço e alumínio, o peso foi também reduzido. A par disso falamos também da inclusão do Porsche Dynamic Chassis Control e da transmissão manual de 7 velocidades. Em termos de design, o 991 caracterizava-se pela silhueta baixa e delgada. Em 2013 veio o novo Targa com o tejadilho a passar a poder ser aberto ou fechado através de um simples toque no botão.

Em 2015 o novo motor de seis cilindros 3.0 litros biturbo produzia 370 cv no 911 Carrera e 420 cv no 911 Carrera S. Em ambos os casos falamos de um incremento de potência de 20 cv face aos seus antecessores, a que se juntava uma redução dos consumos na casa dos 12%. O novo 911 surgia então 911 mais potente e melhorado – através do Porsche Active Suspension Management (PASM) e do opcional eixo traseiro direcionado. No selo de garantia dado pela clássica volta ao traçado de Nürburgring-Nordschleife, os registos espelham o trabalho da casa alemã: uma volta em 7.30m, 10 segundos abaixo do seu antecessor. Claro que este registo já ‘lá vai’ há algum tempo. Recentemente o 911 GT3 estabeleceu uma nova marca, 7.12,7m. No fundo, esperemos que estes sejam apenas os primeiros 54… de muitos mais anos vindouros.

André Duarte

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