Primeiro ensaio Honda CR-V Hybrid: inteligente e interessante

By on 26 Março, 2019

O primeiro Honda híbrido desde há muito tempo revelou-se um carro interessante e, sobretudo, prático com um sistema inteligente onde tudo faz sentido. Primeiro ensaio a um SUV deveras interessante.

A casa japonesa esteve na vanguarda dos híbridos com um Civic de quatro portas que conheceu relativo sucesso entre nós, insistiu com um coupé que de desportivo tinha pouco e arrumou numa prateleira os híbridos, apostando na pilha de combustível com hidrogénio. À mingua de resultados com essa tecnologia, a Honda arrepiou caminho e aqui está de regresso à eletrificação, neste caso, com um SUV que atinge a sua quinta geração, mostrando maturidade e mais preocupação da Honda com o mercado do Velho Continente.

Pragmatismo é palavra de ordem na Honda e o CR-V espelha isso mesmo: um automóvel prático, totalmente virado para a família e para o conforto e sem nenhuma, mas mesmo, nenhuma pretensão em discutir arranques nos semáforos ou ser reconhecido como desportivo. Já tecnologicamente, a Honda decidiu seguir o caminho da complicação, à imagem dos mestres relojoeiros, e criou um sistema híbrido não recarregável, por enquanto, que, tenho de o dizer, funciona muito bem.

i-MMD: complexidade que funciona

O sistema ficará conhecido como i-MMD e, curiosidade, a Honda não revela qual a potência máxima combinada. Resta saber se é por uma questão de pudor ou porque não sabe bem o que vale o sistema. Que é composto por dois motores elétricos, um motor de combustão interna e uma bateria de iões de lítio. O propulsor elétrico responsável pelo movimento do carro te 184 CV de potência e 315 Nm de binário, enquanto o motor de combustão interna é um bloco de 4 cilindros com 2.0 litros de cilindrada, ciclo Atkinson e variação do tempo de abertura das válvulas (i-VTEC), com uma potência de 145 CV.

Até aqui tudo simples, a complicação chega depois. O conjunto propulsor do CR-V, o i-MMD, tem vários modos de condução que alteram de forma substancial o funcionamento do carro. E aqui a coisa fica mais interessante pois o sistema híbrido da Honda é diferente daquilo que a marca já fez e outras marcas fazem. 

Primeiro, o motor de combustão interna não funciona paralelamente ao motor elétrico, estando a montante do propulsor elétrico. Depois, porque não tem uma transmissão comum e o CR-V utiliza uma só relação (não uma caixa CVT) que está acoplada ao motor térmico através de uma embraiagem controlada eletronicamente, finalmente, porque o motor de combustão interna não está ligado às rodas quando funciona no modo híbrido. O sistema funciona desta maneira nos modos EV e Hibrido, restando o modo “Sport” onde o bloco a gasolina liga-se, mecanicamente, à caixa de uma única velocidade para ajudar nas situações mais exigentes ou em carga maior.

Porém, e isto é a grande diferença, a esmagadora maioria do tempo é o motor elétrico quem se ocupa de movimentar o carro. Ou seja, caso tivesse uma bateria maior, o CR-V seria capaz de ir além dos 5 quilómetros em modo EV, funcionando o motor 2.0 litros Atkinson como carregador das baterias e auxílio em casa de necessidade.

Como tudo funciona em estrada?

Muito bem, diga-se. Os predicados do CR-V são muitos: muito espaço interior, muito conforto e uma sensação de solidez e qualidade de todo o conjunto. Sim, claro que não é tão fantástico como o interior de um Audi ou de um BMW, mas tem qualidade suficiente para nos deixar muito satisfeitos. Para não roubar habitabilidade, a bateria de iões de lítio do CR-V está localizada por baixo do piso da bagageira. Penaliza o espaço desta (“apenas” 497 litros) e impede que possa encomendar o CR-V com sete lugares ou ter roda suplente. Sacrifícios em prol da causa…

Porque o carro foi pensado tendo como prioridade o conforto e agradabilidade de utilização, a insonorização é brilhante, o refinamento mecânico ótimo e o conforto excelente. E como disse acima, a mecânica híbrida surpreende com a suavidade de funcionamento e a eficácia, não perdendo capacidade de resposta na busca do melhor rendimento em termos de consumos e emissões.

O arranque é sempre em modo elétrico, proporcionando uma suavidade impressionante e sem soluços, cortesia da transmissão com uma só relação. Claro está que este arranque em modo EV dura muito pouco, não só porque só há 5 quilómetros de autonomia elétrica, mas também porque o sistema é sensível à pressão no acelerador. Ou seja, o arranque é assegurado e mal o CR-V começa a mover-se, escutamos o rumor, lá bem ao fundo, do motor de combustão interna. A utilização de uma única relação faz com que o ruído escutado dentro do carro rime, mais ou menos, com a velocidade que circulamos. O motor está sempre a funcionar e só mesmo quando carregamos até ao fundo no pedal do acelerador é que o bloco Atkinson se torna mais vocal. Mas nada que possa incomodar o conforto a bordo.

Comportamento tranquilo

O CR-V tem um chassis e suspensões que estão pensados para o conforto. O primeiro ensaio a esta Honda foi curto, mas deu para perceber que em cidade e a baixas velocidades, controla de forma perfeita os movimentos da carroçaria, mas assim que entramos em território agreste para as suas características, o CR-V permanece seguro e fácil de conduzir, mas menos controlado, pelo que rapidamente voltamos ao registo mais tranquilo onde o CR-V é um dos melhores. Melhor opinião fica reservada para o ensaio ao modelo dentro em breve.

Veredicto

O cliente Honda é muito peculiar e gosta de se manter fiel à sua marca. Se foi daqueles que comprou o Civic Hybrid contra a opinião de todos, parabéns, tem aqui um digno sucessor. O CR-V Hybrid é tranquilo, muito confortável tem muito espaço interior e a capacidade de rolar em modo híbrido assegura que os consumos são reduzidos. Neste primeiro ensaio o computador de bordo devolveu-me um consumo de 6,8 l/100 km. Nada mau! Se procura um SUV espigado, então dê já meia volta aos sapatos e procure outra coisa qualquer. Porque o CR-V não é e está muitíssimo longe de ser um SUV com aspirações desportivas. É um carro sensato e depois deste primeiro ensaio tenho de reconhecer que serão 40 mil euros bem gastos, que ainda trazem agarrada a fiabilidade dos produtos japoneses. Enfim, um carro muito interessante e agradável.

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Honda CR-V Hybrid

Preço €38.500; Motor 4 cil. híbrido 1993 c.c.; Potência 145 CV / 184 CV (elétrico), combinada 215 CV/3500 rpm (total); Binário 175 Nm (gasolina), 315 Nm; Transmissão dianteira, caixa com uma única relação; Suspensão independente McPherson fr./independente mutibraços tr. Travagem Discos vent fr/Discos tr; Peso 1614 kgs Mala 497/1697 lts; Depósito 57 litros; Vel.máx 180 km/h; Acel.0-100 km/h 8,8 s Consumo médio 4,4 l/100 km; Emissões CO2 120 gr/km

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