Primeiro ensaio Mazda CX-30 Skyactiv X: carro e motor rimam na perfeição

By on 6 Setembro, 2019

Curto ensaio, é verdade, tal como o primeiro ensaio ao CX-30 com motor a gasolina, mas ficou claro que a Mazda foi inteligente e soube, desta feita, adiantar-se a alguns rivais.

O ser humano é algo de muito especial e, sobretudo, peculiar e na questão dos automóveis, a racionalidade só se aplica quando olhamos para os bolsos e percebemos que não sendo de plástico, a liquidez tem tendência a fugir. O preço continua a ser fator decisivo. Porém, a moda dos SUV tem trazido alguma diferenças na hora de comprar carro. 

Não será por acaso que a Nissan necessita urgentemente de revitalizar o Qasqhai – já ninguém o copia como antigamente – e os crossover pequenos continuam a crescer. Percebe-se pelos números que entre os SUV há categorias que vão desaparecendo ou esfumando-se com a erosão do tempo. Ora, a Mazda oferece dois SUV com talento como o CX-3 e o CX-5, e já percebeu que o caminho não será por aí e com o CX-30 encontraram um lugar na gama entre aqueles dois SUV para colocar este crossover na luta direta com carros como o BMW X2, Audi Q2, Lexus UX, VW T-Roc ou ainda o Toyota C-HR. E a verdade é que se a Mazda chegou tarde ao segmento, meus amigos, chegou em fanfarra!

Já tive o privilégio de conduzir o CX-30 em outra ocasião e ficou claro – como podem ler no primeiro ensaio que publiquei uma vez mais, agora que fui à apresentação oficial do carro – que deixou uma boa impressão. A Mazda reclama que o CX-30 tem o espaço do CX-5 com o tamanho aproximado do CX-3. O interior tem uma qualidade impressionante que o coloca ao nível dos Premium destacando-se, claramente, dos outros rivais do segmento. Se na primeira vez tinha ficado impressionado, confirmei o experimentado e bestas versões já de produção em série, o CX-30 é realmente um produto de enorme qualidade.

Tudo isto é, depois, embrulhado numa carroçaria desenhada com muito bom gosto, com proporções, diria perfeitas, com detalhes que ajudam a aumentar o fator desejo: as cavas das rodas musculadas com proteções em plástico preto de qualidade, a parte inferior dos para choques em preto e jantes de dimensões generosas, o pilar A inclinado, a traseira com o óculo muito inclinado, as linhas arredndadas que se misturam com ângulo vivos, enfim, um carro a fazer lembrar, muito, o excelente exercício feito no Mazda 3. Um crossover muito bonito!

Como sabem, o CX-30 partilha com o Mazda 3 a plataforma e muitas das coisas que estão no habitáculo, pelo que há muita virtude e alguns defeitos também, sendo que um ou outro a Mazda tenta mandar para debaixo do tapete. O habitáculo não é assim tão espaçoso como a casa japonesa quer fazer crer: há espaço em altura para a cabeça à frente e atrás, mas quem segue atrás não tem muita folga para arrumar convenientemente e em largura também não há muito para desperdiçar.

Atrás dos bancos, na bagageira, o CX-30 oferece 430 litros e um alçapão que oferece mais uns litros, num sistema inteligente que permite “esconder” itens debaixo dessa base que serve de alçapão. Bem sentados ao volante, não demasiado altos, mas com um banco algo estreito, passemos ao que interessa, o motor Skyactiv-X.

Sim, vai ser mais caro que o CX.30 com o motor a gasolina com 2.0 litros. Mas a grande vantagem está nos consumos, pois se o Skyactiv G consegue, facilmente, médias de 6,2 l/100 km, o Skyactiv-X consegue menos e com muito mais à vontade. Eu explico!

O CX-30 com o motor a gasolina de 2,0 litros consegue ritmos interessantes, mas falta-lhe potência e disponibilidade para responder a uma necessidade. Já o Skyactiv-X é vem diferente, 

O motor Skyactiv X com SPCCI é um bloco de quatro cilindros com 2.0 litros que quando funciona com cargas leves ou em velocidade de cruzeiro sem necessidade de muita aceleração, produz uma mistura ar/gasolina muito pobre que é empurrada para o cilindro com uma compressão enorme, à imagem dos diesel, de 16,3:1. Quando o pistão sobe e comprime a mistura, é esguichada uma micro mistura mais rica em gasolina junto à vela. A faísca desta faz explodir esta pequena mistura, aumenta a pressão e a mistura pobre acaba por se inflamar também, promovendo assim uma queima mais limpa e mais eficiente. Quando precisamos de mais potência e carregamos no acelerador, o bloco Skyactiv-X funciona como um comum motor a gasolina.

Para ajudar a oferecer ainda mais eficiência, a Mazda incluiu neste revolucionário bloco um sistema híbrido suave com tecnologia de 24 volts e que combina um motor de arranque/gerador que recolhe energia quando se desacelera. Esta energia pode ser usada para ajudar o motor na aceleração, por exemplo, no arranque. Ou quando é preciso mais potência.

Contas feitas a tudo isto, são 180 CV debitados às 6000 rpm, sem recurso à sobrealimentação, um binário, pequenino, de 223 Nm obtidos às 3000 rpm, reclamando a Mazda emissões de CO2 de apenas 100 gr/km e consumo de 5,5 l/100 km. Impressionante! Convirá dizer que estas cifras são alcançadas com a caixa manual de seis velocidades e as rodas de 16 polegadas. Caso opte pela caixa automática e pelas belíssimas jantes de 18 polegadas, os valores mudam: as emissões sobem para as 125 gr/km e o consumo aproxima-se dos seis litros de gasolina por cada centena de quilómetros. 

Confesso que esperava alguma coisa diferente, mas a verdade é que o motor Skyactiv-X é absolutamente… normal! Carrega-se no botão e o barulho é igual a qualquer outro motor. Normal! A coisa muda de figura quando a agulha do conta rotações passa as 1500 rpm e parece que na faixa ao lado está um carro diesel a acelerar, para votar ao registo normal quando passamos das 4500 rpm. Ou seja, temos uma sinfonia de sons que não são desagradáveis, com o excelente sistema stop/start a funcionar de forma quase impercetível. E na verdade, o motor é bem mais suave e sossegado que um motor diesel. Ou seja, não é um diesel nem um gasolina, fica ali pelo meio e, provavelmente, a Mazda poderá arranjar um sintetizador de som para dar uma sonoridade mais agradável. Sugestão minha, claro!

Em utilização, não esteja á espera de um carácter como nos motores diesel, pois não há subida repentina de rotação, não há picos de binário – até porque ele não é muito – e a verdade é que me pareceu aquilo que é, ou seja, um motor de média capacidade atmosférico e a gasolina. Tendo mesmo uma característica contrária ao que hoje é habitual: os motores diesel e gasolina sobrealimentados têm o pico de binário entre as 1500 e as 2000 rpm, o motor da Mazda só alcança esse pico às 3000 rpm.

Curiosamente, o motor Skyactiv-X consegue chegar ás 7000 rpm, mas depois da potência máxima alcançada ás 6000 rpm, de pouco vale puxar mais pelo bloco. Não há fôlego e o consumo acaba por se ressentir, não acrescentando nada às performances que, diga-se, não são nada más, olhando às características do motor, chegando dos 0-100 km/h em 8,2 segundos. Convirá dizer que pela forma como o motor funciona e pelo seu carácter, é necessário recorrer mais vezes á caixa de velocidades do que o habitual, mas a Mazda, ciente dessa situação, melhorou a unidade manual de seis marchas que é um regalo utilizar. Pode optar por uma unidade automática se assim entender, também ela de excelente qualidade.

Na estrada o CX-30 é aquilo que já tinha referido anteriormente: refinado com uma direção com a assistência certa, bom controlo dos movimentos da carroçaria, ampla aderência do eixo dianteiro nesta versão de duas rodas motrizes, curva de forma competente e tem um conforto que não sendo angelical, não nos obriga a ir ao osteopata. Na minha opinião, é dos melhores crossover do mercado.

Veredicto

Se for um apaixonado pelos monovolumes, será preferível olhar para outro lado, pois o CX-30 não é um substituto desses veículos hoje em vias de extinção. Se quer um desportivo, também vai ter de olhar para outro lado. O CX-30 é um crossover de excelente qualidade, de construção, de materiais, no comportamento e na forma como pisa a estrada. O CX-30 é um carro lindíssimo que sendo da raça dos SUV, nem parece, o que hoje em dia é uma vantagem. Finalmente, pode não ter um emblema de topo na grelha, mas faça um favor a si mesmo: vá ver o carro e depois decida. Verá que está perante um carro que pede meças aos Audi, BMW e Mercedes, sendo um fortíssimo rival do Toyota C-HR, modelo que veio perturbar as águas do segmento. E na minha opinião, o CX-30 é melhor que o Toyota. E sem ter um preço que o obrigue a rebentar com o mealheiro, mas com consumos – por mim verificados – inferiores a muito SUV a gasóleo com uma media de 6,3 l/100 km.

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