Primeiro ensaio Mercedes GLB 200: confortável e refinado

By on 27 Novembro, 2019

Fui até Marbella conhecer o novo GLB, um carro que a Mercedes diz ter afinidades com o Classe G, mas destinado a clientes urbanos que tenham a necessidade de sete lugares. Será que a Mercedes conseguiu fazer sair do “shaker” um carro diferente dos restantes do segmento?

A razão mais óbvia do GLB reside no desejo da Mercedes em ter uma gama muito completa de modelos em todos os segmentos do movimento SUV e com este são já oito as propostas da Mercedes. O nome do carro não engana, o GLB é a versão SUV do monovolume Classe B e naqueles sete companheiros de gama, situa-se entre o futuro GLA e o GLC. Enfim, o Mercedes GLB vem fechar um espaço que existia entre aqueles dois modelos, tentando desta maneira a casa de Estugarda não perder vendas para os rivais de Munique.

Fusão de conceitos

Como disse acima, a Mercedes pegou num “shaker” e mandou lá para dentro os motores mais recentes da sua cooperação técnica com a Renault, um estilo que faz lembrar uma cópia à escala do GLS, um interior do Classe A/B, caixas manual, automática, tração integral ou apenas a duas rodas, capacidades fora de estrada e a versatilidade de um monovolume. Abanou, abanou, abanou e saiu de lá o GLB.

Que oferece a possibilidade de ter sete lugares graças a um carro alongado e com estilo próprio. E aqui tenho de vos dizer que a Mercedes, segundo Gorden Wagener, decidiu dar ao GLB uma presença mais forte com linhas direitas, uma frente que simula um carro mais largo e uma linha de cintura subida e onde há um ligeiro degrau para quebra o comprimento do carro. Enfim, parece uma cópia à escala do GLS.

Confesso que não é o exercício mais feliz da Mercedes e se o carro tem uma volumetria que o encosta ao GLC, a sua presença não é tão vincada como se poderia esperar. Dependendo do ângulo que se olhe o GLB, há semelhanças com vários carros da concorrência. Gostos!

Interior igual ao Classe A

Para o interior, a Mercedes não hesitou e se o que oferece no Classe A funciona, o GLB tem a mesma configuração, com dois ecrãs de generosas dimensões, um volante cheio de botões e com dois “touch pad” para controlo das mais diversas funções, comandos da ventilação físicos e saídas de ar do sistema de climatização já sobejamente conhecidas. O MBUX (Olá Mercedes!) está presente e o GLB tem a particularidade de além de oferecer Apple Car Play e Android Auto, permite o pagamento de estacionamento e capacidade de descarregar aplicações ou serviços via inernet. Ou seja, no GLB a única diferença para um Classe A são os bancos, a possibilidade de ter sete lugares e a posição de condução mais elevada.

Espaço não falta dentro do GLB com a segunda fila de bancos a oferecer generoso espaço para as pernas e graças ao tejadilho direito, uma boa altura entre o banco e o teto. Este banco pode ser movido para a frente ou para trás, oferecendo mais espaço para pernas ou para a bagageira. Ou então, para a terceira fila de bancos que é um bocadinho acanhada. Aliás, dificilmente conseguirão adultos viajar nesses bancos e convirá deslizar a segunda fila de bancos para diante, pois se assim não for não há, literalmente, espaço para arrumar as pernas. Portanto, os sete lugares do GLB são, na realidade, 5+2 servindo aquela necessidade inesperada de transportar cinco adultos e duas crianças.

Com os sete lugares em utilização, a bagageira desaparece! Há espaço para, vá lá, uma escova de dentes ou um par de sacos meio cheios. Em contrapartida, se não precisar dos sete lugares – rebatendo os dois bancos para o fundo do carro com um único gesto – o GLB oferece uma bagageira com 570 litros. A qualidade de construção é ótima, os materiais são ótimos até chegarmos à parte inferior do tabliê, onde como sucede com o Classe A e B, os plásticos são de menor valia, mas permitem poupar muito dinheiro. E quando digo de menor valia, tem a ver com a sensibilidade do toque, ásperos e com pouco requinte. É mau? Não, pois todos os construtores fazem o mesmo e acredito que a Mercedes não tenha colocado plástico não duráveis dentro do GLB. Portanto, não é defeito, é feitio.

Motores de 4 cilindros 

Para conseguir oferecer os sete lugares e manter a mesma plataforma do Classe A (MFA2), a Mercedes recorreu à faceta modular para conseguir esticar a distância entre eixos e o tamanho geral do carro. Algo que foi conseguido sem dificuldades e sem prejuízo do equilíbrio do modelo. Naturalmente que tendo a mesma plataforma o GLB tem os mesmos motores do Classe A e Classe B, ou seja, blocos de 4 cilindros. A casa de Estugarda tinha para ensaio o bloco a gasolina com 1.3 litros para o GLB 200, alvo deste primeiro ensaio, os motores turbodiesel do GLB 200 e 220d (experimentei este último) e o quatro cilindros com 2.0 litros do A35 AMG, com 305 CV, que também tive a oportunidade de experimentar.

Como é o GLB200 a gasolina?

Depois de experimentar o 220d, acredito de forma plena que o melhor motor do GLB é este pequeno 1.3 litros turbo a gasolina. Apesar do carro pesar mais de tonelada e meia (1555 kgs, mais precisamente) o bloco desenhado pela Aliança Renault Nissan em colaboração com a Daimler permite uma boa desenvoltura. Os 163 CV são ajudados pelos 260 Nm de binário disponíveis logo a partir das 1620 rpm, num motor que sobe de rotação, alegremente, até ás 6000 rpm. Ou seja, rimando de forma perfeita com a caixa de dupla embraiagem com sete velocidades, rápida e suave, o bloco consegue boas performances e uma boa agradabilidade de condução.

Se está a pensar no GLB como um SUV desportivo, pode tirar o cavalinho da chuva. Apesar da plataforma MFA2 oferecer rodas independentes no eixo traseiro e haver a opção pela suspensão com amortecedores adaptativos, o GLB gosta de estradas lisas e percurso com baixa sinuosidade ou então nos grandes espaços com curvas longas e amplas. Nestas condições, o GLB é excelente: refinado, suave, silencioso. Quando chegamos às estradas mais sinuosas, percebemos que o novo SUV da Mercedes não é um carro particularmente entusiasmante, porém, tem aderência suficiente no eixo dianteiro para manter a trajetória que queremos. A direção, sem sensibilidade, é progressiva e permite-nos dar ordens precisas ao carro. E a verdade é que mesmo nas zonas mais sinuosas, desde que o piso não esteja muito degradado, o GLB é competente. E mesmo à chuva – tivemos azar com o tempo em Marbella – os índices de aderência são bons.

A suspensão controla eficazmente os movimentos da carroçaria e os dois eixos ajudam-se quando exageramos no ritmo, mitigando a tendência para sair de frente, normal num carro que só está disponível, com motor a gasolina, com tração dianteira. Como disse, não é um carro entusiasmante de conduzir até porque nos limites faz sentir o peso e a menor agilidade, mas para um carro deste peso e com estas dimensões, o GLB é mais ágil do que parece.

Veredicto

A Mercedes tenta com o GLB petiscar os clientes que andam por aí órfãos dos monovolumes que ofereciam espaço e sete lugares, com um carro que aparenta ser SUV mas tem tiques de monovolume. A versatilidade dos sete lugares é boa, mas são dois lugares extra que pouco adiantam, apenas serve para apaziguar as mentes que dizem sempre “pode fazer falta”. Não custa acreditar que poderá, apesar da diferença de preço de 5.900 euros, canibalizar as vendas do Classe B, pois cruza o monovolume dentro do qual ninguém quer ser visto e o SUV que todos querem ter. É um carro inteligente, de qualidade e refinado que casa o melhor de dois mundos. Ou seja, o GLB tem apelo suficiente para ser encarado como alternativa ao Classe A e ao Classe B, mesmo que os preços sejam bem menos simpáticos, pois este GLB200 custa 42.900 euros, ou seja, 10 mil euros mais que um Classe A e mais 5.900 euros que o B. Vale a diferença?

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