Primeiro ensaio Porsche Macan: o ótimo não é inimigo do bom

By on 12 Fevereiro, 2019

Após o seu lançamento em 2014, o Macan rapidamente subiu na hierarquia de vendas sendo hoje um sucesso, por larga margem o mais vendido e está quase, quase, a ser o primeiro Porsche a vender 100 mil ou mais unidades por mês. Este fogo de sucesso, alimentado pelas suas qualidades e, claro, pela presença da uma versão diesel tem-se mantido, apanhou um balde água quando a Porsche anunciou o fim dos motores diesel nas suas gamas e, pior, não oferecendo a opção híbrida como fez com o Panamera e o Cayenne, o refugio dos clientes da casa alemã na ausência do motor diesel.

A verdade é que esta enxurrada não arrastou o Macan, mas arrefeceu as vendas pois em 2017 foram vendidas 97.202 unidades, em 2018 o Macan ficou-se pelas 86.031 unidades, a nível global. Em Portugal, as vendas recuaram pouco, caindo de 1.214 veículos em 2017 para 1.195 carros em 2018 (19 unidades). Perante estas cifras, a Porsche não quis que o fogo se apagasse e trouxe esta renovação ligeira, porém, significativa, trazendo para posição de destaque o motor 2.0 litros sobrealimentado com quatro cilindros, unidade conhecida do anterior modelo, mas alvo de várias melhorias, fazendo-o acompanhar-se de um V6 de 3.0 litros turbo totalmente novo. Mas há mais.

O Macan recebe subtis mudanças no estilo, mudanças mais profundas na suspensão e novidades no interior que não mudam muito um habitáculo que grita por uma renovação completa. Para já estão disponíveis estes dois motores, mas a Porsche, certamente que não deixará de oferecer um Macan Turbo (acima dos 400 CV pois o V6 já está próximo desse limite) e, quem sabe, um Macan GTS mais virado para o comportamento e menos para o requinte. Mas essas são contas de outro rosário…

Interior com mudanças… cirúrgicas

O Macan não tem grandes mudanças no habitáculo o que não é uma excelente notícia. Se o compararmos com o que a Porsche tem feito neste capítulo, percebemos que a consola central está pejada de botões e que tudo começa a parecer demasiado antigo para um carro que se pretende o mais moderno possível. Há um redesenho das saídas de ar do sistema de ventilação, forçadas pelo renovado PCM (Porsche Communication Management), dotado de um amplo ecrã sensível ao toque com 10,9 polegadas (era de 7,2 polegadas) e com várias valências como a navegação online, preparação para telemóvel, duas interfaces áudio e controlo por voz inteligente. O Porsche Connect Plus, com módulo LTE e leitor de cartões SIM, é de série tal como o hotspot WLAN e o conjunto de serviços Porsche Connect. Ou seja, nesta zona do tabliê, há modernidade e obrigou, mesmo, a redesenhar os botões colocados debaixo do ecrã e que sevem o PCM. O que não muda é a qualidade da montagem e dos materiais e se os bancos não são fabulosos em termos de apoio lombar e lateral, a posição de condução é fantástica, pois apesar de estarmos ao volante de um SUV e continuarmos a ter uma visão dominante, vamos sentados muito mais baixo que o habitual num carro destes com uma sensação de carro desportivo pouco habitual num SUV.

Ergonomicamente, não há falhas a apontar e no banco traseiro, o conforto é aceitável tal como o espaço disponível, sendo uma excelente opção para quem ter um Porsche com lugares extras e não deseja ter nas mãos o “gigante” Cayenne. Sentados no banco traseiro, ficamos um pouquinho dobrados, mas nada de grave ou demasiado incomodativo.

Estilo renovado

Mantendo muito daquilo que sempre foi o Macan, a Porsche retocou a traseira, adicionando o elemento de ligação entre os farolins, agora em LED, dando maior largura à traseira do carro. Tal como sucede com as luzes dianteiras de quatro pontos, as traseiras têm o mesmo desenho. Na frente, os faróis recebem a tecnologia LED, sendo oferecido como opcional o PDLS Plus (Porsche Dynamic Light System Plus) que distribuiu a luz de forma adaptativa. A grelha foi redesenhada bem como as entradas de ar, há quatro novas cores disponíveis e as jantes de 21 polegadas têm desenho novo. No exterior, a renovação limita-se a estes detalhes, porém, são pormenores que fazem a diferença e deixam o Macan mais sedutor.

Mudanças no chassis e na suspensão

A Porsche decidiu introduzir algumas mudanças na suspensão do Macan, ajudando os dois eixos independentes a oferecerem, ainda, melhores níveis de comportamento. A maioria dos Macan têm suspensão com molas metálicas e agora recebem o sub chassis em alumínio ao invés de aço, melhorando assim a sensibilidade na direção e o conforto. As barras estabilizadoras também foram revistas para oferecerem um comportamento ainda mais neutro e os travões dianteiros e a pedaleira fora redesenhados para oferecer mais potência de travagem e uma melhor sensação na travagem.

O Macan tem como opção às suspensões metálicas, unidades pneumáticas com controlo da altura ao solo tal como sucedia no anterior modelo, mas agora as unidades a ar têm novo desenho e recebem novos amortecedores, tudo para melhorar o comportamento e não danificar o conforto.

Comportamento de excelência

Tive a oportunidade de experimentar os dois motores e os dois tipos de suspensão. O motor 2.0 litros tem uma sonoridade algo sensaborona, faltando ali o toque dos escapes ativos da dupla Boxster/Cayman. Depois, é um bloco que estando espremido – 245 CV e 370 Nm de binário – proporciona uma boa dinâmica ao Macan (seja em que modo for, Normal, Sport e Sport Plus), mas não é entusiasmante. Felizmente que o caixa PDK de dupla embraiagem é de série, ajudando, e de que maneira, o motor a oferecer uma boa performance. Seja no modo de condução normal, seja utilizando o comando manual da caixa, a PDK é perfeita na forma como avalia as necessidades a cada momento. Já o novo V6 3.0 litros é bem mais interessante, tem o som certo para o Macan e uma resposta impressionante, que se prolonga quanto mais carregamos no acelerador, impulsionando o Macan para velocidades pouco recomendáveis. Os 354 Cv e os 480 Nm de binário fazem pensar se será necessário a Porsche recuperar o modelo Turbo e subir a fasquia para lá dos 400 CV. É que com este motor, o Macan já anda de uma forma absolutamente incrível.

Como disse, ambos os modelos têm caixa automática de dupla embraiagem com sete velocidades e sistema de tração integral não permanente com embraiagens que fazem a passagem do binário para as rodas da frente (o Macan, em condições normais, é um tração traseira) e como opção, a vectorização de binário.

A verdade é que o Macan tem um comportamento incrível. Seja com molas metálicas ou com almofadas de ar, a suspensão funciona de forma admirável e o carro roda sobre si com facilidade, curva aproveitando o peso e as transferências de massas, precisão absurda, oferecendo a sensação que não estamos ao volante de um SUV, mas de um desportivo. Consegue ser muito ágil e permite ao condutor desenhar as trajetórias sem surpresas, pois a direção e o chassis do Macan têm uma precisão que nenhum SUV possui, exceção feita, talvez, ao Alfa Romeo Stelvio.

Com um centro de gravidade baixo e dimensões compactas em termos de rácio de largura, altura e distância entre eixos, o Porsche Macan não necessita de molas e amortecedores demasiado duros para ser excelente no comportamento, dando assim espaço para mais conforto. A suspensão pneumática tem a possibilidade de escolha de duas alturas ao solo e três níveis de dureza para os amortecedores.

Cada um fará a sua escolha, mas a melhor opção é a menor altura ao solo com a suspensão no modo mais suave. Aproveitará o facto do Macan ter, agora, rodas de dimensões diferentes à frente e atrás, absorvendo as irregularidades, mas não perdendo a precisão necessária a velocidades mais elevadas.

Contas feitas, com esta afinação, ficamos com um carro que se enrola de forma perfeita nas curvas, aceita que apontemos a frente ao interior da curva, sem queixumes nem reações extemporâneas da traseira, a carroçaria mexe-se sem comprometer nada e a aderência lateral é imensa.

Veredicto

Atirado o diesel para trás das costas, a Porsche soube dar ao Macan o rejuvenescimento necessário para quase olharmos para o “novo” SUV da casa de Zuffenhausen como uma segunda geração. Não é e os mais íntimos com o Macan Diesel vão suspirar por ele. O motor 2.0 litros não o faz esquecer, já o novo bloco V6 é outra conversa. Pena que a diferença de preço entre os dois seja superior a 17 mil euros! Seja como for, por 80.282 euros terá um Porsche com lugares extras, uma bagageira com 500 litros que estica até aos 1795 litros, mas com motor 2.0 litros, quatro cilindros e 245 CV. Lá está, para ter o 3.0 V6 com 354 CV terá de desembolsar 97.386 euros. Já agora, para finalizar, o Macan com o bloco 2.0 litros fez uma média de 9.8 l/100 km, já o V6 3.0 litros, não desceu dos 11 l/100 km. Contas feitas, o Macan melhorou de uma forma serena e está mais interessante, mesmo sem diesel, continuando a ser um dos melhores SUV em termos de comportamento.

FICHA TÉCNICA

Porsche Macan e Macan S

Motor4 cilindros em linha, injeção direta e turbo / V6 com injeção direta e turbo; Cilindrada (cm3)1984 / 2995; Diâmetro x curso (mm)82,5 x 92, 8 / 84,5 x 89; Taxa compressãond / 11,2; Potência máxima (cv/rpm)245/5000 – 6750 / 354/5400 – 6400; Binário máximo (Nm/rpm)370/5000 – 6750 / 480/1360 – 4800; Transmissão e direçãoTração integral, caixa PDK dupla embraiagem com 7 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão(fr/tr)Independente multibraços; independente multibraços; Dimensões e pesos(mm)Comp./largura/altura 4696/1923/1624; distância entre eixos 2807; largura de vias (fr/tr) nd / 1655/1651; travões fr/tr. Discos vent.; Peso (kg)1795 / 1865; Capacidade da bagageira (l)500/1500; Depósito de combustível (l)65; Pneus (fr/tr)235/60 R18 e 255/55 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 6,5 / 5,3; velocidade máxima (km/h) 225 / 254; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 9.5 / 7,3 / 8,1 – 7,5 / 11,3 / 8,9 ; emissões de CO2 (g/km) 185 / 204; Preço (Euros)80.282 e 97.386 e os 52.790 euros

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