Primeiro ensaio Renault Captur: renovado a cem por cento!

By on 30 Outubro, 2019

Líder de vendas no segmento dos SUV desde que chegou ao mercado, o Renault Captur prepara-se para entrar no mercado agora na sua segunda geração, apresentada aos jornalistas nas estradas gregas, à beira de Atenas, onde também nós nos deslocámos para conhecer este modelo marcado por um enorme “mais” em tudo… ou quase.

Depois de ter vendido 1,2 milhões de unidades desde o lançamento, em 2013, o Captur reiventa-se para um resultado mais atlético e dinâmico, disponível para mais mercados, nomeadamente o chinês, no qual este novo Captur passará a ser comercializado tirando partido de um ponto de produção naquele país.

Com um design exterior transformado, dando conta de um ADN de SUV reforçado, uma secção traseira elevada num conjunto mais robusto, e este complementado por um habitáculo onde os materiais também eles merecem um sinal “mais” pela qualidade que apresentam e pela montagem à primeira vista irrepreensível, a primeira apreciação global é francamente positiva.

Os plásticos, que naturalmente continuam a existir, são agora bem mais macios, até na consola central, e com isso a qualidade global surge claramente superior, num conjunto em que os ruídos parasitas terão certamente muito mais dificuldade em aparecer.

Personalizável ao gosto do cliente

Neste primeiro ensaio do Renault Captur por terras helénicas fomos encontrar a variante Initiale Paris, para um modelo que, por entre as 11 cores disponíveis da carroçaria, quatro opções para o tejadilho e três cores possíveis para as protecções inferiores dos para-choques permite, de acordo com o construtor, 90 combinações de personalização exterior ao gosto do cliente Renault que aposte no Captur. Se a isto juntarmos a capacidade de personalização do habitáculo, encontramos aqui o total de sete “packs” interiores que permitem decorar os arejadores e a base da alavanca de velocidades, mas também as faces interiores das portas, o painel de bordo e os estofos, para um total de 18 configurações para a harmonia interior.

Para conseguirmos estar conectados em permanência com aquilo que nos rodeia na condução deste novo Renault Captur, o construtor francês propõe os sistemas Easy Drive, para uma completa ajuda à condução, e Easy Connect, exactamente para que a conectividade multimédia ganhe aqui outra dimensão a bordo deste novo Captur. O construtor pretende mesmo que até 2022 toda a sua gama de propostas sejam conectados, sendo este Captur desde já capaz de responder a esta pretensão.

O novo Renault Captur, aliás, responde aos três pilares da mobilidade do futuro, nomeadamente a conectividade, mas também a autonomia, num modelo que será um dos pioneiros, a par do novo Clio, na introdução das tecnologias de assistência que conduzirão à condução autónoma e que serão generalizadas em modelos do segmento B, e ainda a mobilidade eléctrica, isto porque este novo Renault Captur será o primeiro modelo do construtor a beneficiar de uma motorização híbrida recarregável E-Tech Plug-in, resultante de uma tecnologia desenvolvida pela marca. Deste modo, o novo Renault Captur híbrido Plug-in poderá ser carregado numa ficha eléctrica normal das nossas casas, não podendo este modelo, quando estiver disponível, só na segunda metade de 2020, ser carregado num normal posto de carregamento mas tão só numa instalação eléctrica “caseira”.

Suspensão algo seca em pisos mais danificados

Assente sobre a plataforma CMF-B, o novo Renault Captur integra assim as últimas evoluções tecnológicas para um comportamento quase irrepreensível. Num modelo mais comprido em 10 centímetros comparativamente com a geração que termina agora o seu ciclo de vida útil, para os 4,23 metros, as jantes são agora de 18 polegadas num automóvel que apresenta uma maior distância entre eixos (2,63 m, +2 cm), para uma clara identificação do modelo com a percepção que o mercado possui da realidade de um SUV.

Ao volante, verificámos a suavidade que marca o rolar do novo Captur e a eficácia perante situações de alguma pressão. Pisando um pouco mais o acelerador e levando este novo Renault Captur aos limites, facilmente conseguimos manter o veículo controlado mesmo quando parece querer perder a traseira no momento em que esta parece escorregar em situação de curva e contra-curva cumprida em maior velocidade.

Perante um piso mais irregular, a suspensão apresenta-se algo seca, e nem sempre consegue filtrar da melhor forma um qualquer contacto imediato do primeiro grau com um buraco mais profundo ou uma tampa de esgoto mais saliente, acabando por ser este o detalhe que nos deixou algumas dúvidas na apreciação global final. Já agora, e a propósito de dúvidas, não temos a certeza que a enorme gaveta que a Renault mantém a servir o lugar do pendura do Captur, tal como já fazia na geração anterior, possa ser a melhor solução de arrumação naquele espaço. É que, qualquer que seja o pendura, certamente levará com a gaveta nas pernas no momento em que a abrir, podendo mesmo não a conseguir abrir de forma eficaz.

À noite, a assinatura luminosa em forma de C (C-shape) permitida pelos conjuntos ópticos com tecnologia 100% LED logo no primeiro nível de equipamento, resulta da operação dos faróis, complementados por segmentos adicionais: quatro segmentos frontais (2 por farol) que prolongam os elementos decorativos cromados da grelha, para oferecer ao novo Captur um olhar mais expressivo e elegante.

Notas finais para a capacidade de deslocar longitudinalmente o banco traseiro para ganhar um pouco de espaço para as pernas de quem viajar naqueles lugares, ou, em alternativa, para permitir maior capacidade de arrumação na bagageira, mas também para um detalhe curioso que surge como um opcional: a colocação de uma luz inferior sob o veículo nas faixas laterais do mesmo, para uma melhor visibilidade nas acções de aproximação ao veículo por parte do condutor e passageiros ao novo Captur.

Veredicto

Tendo sido testado nesta viagem pela Grécia o motor TCE a gasolina, desenvolvido pela Renault em parceria com a Daimler, ficou a convicção de que se trata de um motor assertivo, eficaz e com uma elevada capacidade de resposta quando necessário, esteja este acoplado a uma caixa manual de seis relações para uma potência de 130cv, ou a uma caixa automática de sete velocidades EDC7 para 155cv de potência.

Em ambos os casos a prestação deste novo Renault Captur revelou-se sempre sedutora, ficando em nós a convicção de que estamos perante uma segunda geração de um modelo que tem tudo para manter a condição de best-seller para a Renault e, porventura, de líder de um segmento cada vez mais concorrencial e recheado de players.

Ágil, seguro e capaz de permitir bons níveis de conforto, mesmo com a suspensão mais seca como referimos atrás, este novo Captur assente sobre a plataforma modular CMF-B estreada no novo Clio deu indicação de ser um bom estradista, revelando-se igualmente ágil em ambiente urbano, num modelo que promete ter um adjetivo na sua classificação: polivalente.

Jorge Reis

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