Primeiro ensaio Smart ForTwo EQ Power: transição

By on 27 Janeiro, 2020

A promessa estava feita, a venda de metade da marca surgiu depois, havia um espaço de transição a cobrir, trabalho feito com esta renovação do Smart ForTwo e do For Four, exclusivamente elétricos.

É verdade que nem um nem outro modelo mudaram assim tanto, mas a Smart está a mudar e muito. Primeiro porque a marca foi “partida” ao meio pela Daimler e agora pertence em parte iguais à Mercedes e à chinesa Geely (que já tem no portfolio a Volvo, a Lotus e, provavelmente, a Aston Martin). Depois, porque passou a ser uma marca exclusivamente elétrica. Finalmente, esta venda permite que os futuros Smart sejam produzidos no China. Esses vão chegar só em 2022 com estilo Mercedes e tecnologia Geely, e vão alargar presença com outras propostas.

Será um período muito complicado para a Smart, pois contas feitas às vendas mundiais, dos 118 mil carros vendidos em 2019, apenas 18 mil são unidades elétricas. Mas olhando ao que se vai passando, a decisão da Daimler e da Geely pode ser ousada e perturbadora até á chegada dos novos modelos, mas este seria, provavelmente, o único rumo a tomar. Porque não sendo ousada e não escolhendo a mobilidade elétrica, sendo uma marca essencialmente de modelos urbanos, o futuro poderia estar hipotecado.

Portanto, nesta transição, a Smart tem para oferecer três modelos: Smart ForTwo EQ Power, Smart ForTwo Cabrio EQ Power e o Smart ForFour EQ Power. Três novos modelos que, na realidade, são exatamente os mesmo que até agora a Smart vendia. Os motores de combustão interna desapareceram, a grelha dianteira mudou e o interior recebeu novos revestimentos. Ficou o motor elétrico síncrono de 80 CV e 160 Nm alimentado por uma bateria de 17,6 kWh. Era assim que a Smart vendia o modelo elétrico, é assim que o vai vender e não haverá novidades nenhumas para os atuais modelos até 2022.

Como marca virada para o digital e para o pensamento fora da caixa, a Smart, desde que foi comprada pela Daimler em 1994 (sim já lá vão 26 anos), manteve-se como o braço do gigante alemão para testar tecnologias de mobilidade pessoal para o futuro. A coisa acabou por não ser assim e com sucessivas evoluções, foi se mantendo no segmento B evitando fazer a Mercedes descer abaixo do Classe A (não é por acaso que assim se chama o modelo) numa oferta cada vez mais alargada. Em termos de engenharia e estilo nunca foi uma marca de vanguarda e a célula Tridion terá sido o maior contributo tecnológico da Smart. 

Já na parte digital as coisas são bem diferentes e os “novos” Smart trazem consigo algumas novidades neste particular. A primeira delas o fim da relação com a TomTom, o que são boas notícias. Depois, porque o sistema de info entretenimento foi atualizado para um sistema mais moderno e mais veloz, com compatibilidade Apple Car Play e Android Auto. Depois há os serviços “Ready to” que inclui, também, a possibilidade de criar um grupo de pessoas e dar acesso ao seu carro a outros indivíduos. Ou seja, você pega no seu ForTwo, vai até, por exemplo, Lisboa e para o carro num local especifico previamente combinado. Outra pessoa que precisa de circular em Lisboa enquanto você trabalha, pode, através de um código e uma aplicação, pode levar o seu carro (com o seu acordo, claro) e até pode cobrar a essa pessoa ao minuto a utilização do carro. Modernices.

Apesar de não haver alterações de monta, o Smart ForTwo continua a ser original numa floresta de carros semelhantes, a caminho de uma maioria SUV, o que o torna sempre apetecível, mais que o mais anónimo ForFour. Manteve-se como até agora, ou seja, continuamos sentado muito altos para ter o domínio da estrada, os bancos são amplos e com o suporte lateral suficiente para o que fazemos em cidade. Há mais uns espaços para arrumação de objetos, mais algumas redes a oferecer mais possibilidade de arrumação, mas tudo o resto ficou igual, até os painéis que foram sendo criticados pela qualidade menor se mantiveram. 

A Smart simplificou a gama – pode ler, clicando aqui, tudo sobre a gama do ForTwo e do ForFour e também os preços – e oferece um Ediiton One que tem os decalques dos Mercedes AMG e recebe vários elementos da Brabus, a casa alemã que oficialmente tem as peças para personalizar os Smart.

Um dos problemas, para além dos preços que arrancam nos 22.845 euros, será, sempre, a autonomia. Posso argumentar com o facto de uma deslocação pendular casa trabalho casa, na Europa, não excede os 40 quilómetros e por isso o Smart ser capaz de funcionar durante dois dias sem carregamento. Posso dizer, também que o carregador interno do Smart permite que ligado a uma “Wall box” de 22 kW, a bateria vá de 10 a 80% de carga em apenas 40 minutos. Mas tudo isto não esconde que o carro não tem capacidade de carga rápida (os custos, sempre os custos) e que a autonomia medida pelo anterior protocolo NEDC, otimista, chega aos 158 km, mas que segundo o WLTP, fica nos 145 km. Em utilização normal, anda entre os 115 e os 130 km.

Em andamento, o Smart ForTwo continua igual, ou seja, com uma direção leve, um raio de viragem absurdamente curto, o que oferece uma agilidade sem precedentes no casco urbano. A suspensão é dura e o conforto ressente-se disso, mas com uma distância entre eixos tão curta, era inevitável. Mas apesar, o carro não nos massacra e nas rotundas a paródia consegue ser alguma. Nos arranques nos semáforos, o binário imediato permite ser dos primeiros a sair disparado. O acesso é excelente, mas as enormes portas são uma dor de cabeça nos estacionamentos. 

Veredicto

Percebo a ideia da Smart, percebo a necessidade de seguir este rumo para sobreviver, mas dá a ideia que foi dado o tiro de partida quando ainda se estavam a atar os atacadores. Ou seja, a Smart virou elétrica cedo demais e os próximos dois anos não serão nada fáceis, co o já referi acima, olhando para as vendas. Em Portugal será uma travessia no deserto, pois os preços e as autonomias então nos polos opostos (altos os preços, baixas as autonomias) e perante rivais do segmento, com mais portas e muito mais autonomia (acima dos 300 km), o Smart ForTwo como o ForFour terão grandes dificuldades.

Smart ForTwo EQ Power

Potência máxima (cv/rpm)82; Binário máximo (Nm/rpm)160; Suspensão(fr/tr)Independente tipo McPherson; independente; Dimensões e pesos(mm)Comp./largura/altura 2695/1664/1554; distância entre eixos 1872; largura de vias (fr/tr) 1469/1430; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg)nd; Capacidade da bagageira (l)nd; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 11,6; velocidade máxima (km/h) 130; emissões de CO2 (g/km) 0; Preço da versão ensaiada (Euros)22.845

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