Primeiro ensaio Suzuki Vitara SHVS 48V: inevitável híbrido

By on 17 Fevereiro, 2020

Regressei ao Vitara para recordar como é uma pena o carro chamar-se Suzuki e a marca olhar o mercado europeu com algum distanciamento. Agora com uma mecânica “mild hybrid” que é, realmente, económica, o Vitara é ainda mais interessante com o preço a arrancar nos 23.956 euros.

O nome Vitara é sobejamente conhecido e mesmo que numa forma mais adaptada aos tempos que vivemos, é o modelo mais emblemático da Suzuki no mercado nacional. Depois da boa surpresa chamada Jimny, eis que a casa japonesa nos oferece mais um bom momento com este Vitara… híbrido. Afastados os blocos a gasóleo, ficara as mecânicas a gasolina e agora esta versão mais ao gosto dos dias que correm. Mas, vamos primeiro aos preços e depois à parte técnica e prática.

Preços arrancam nos 23.956 euros

A gama do Vitara híbrida contempla apenas dois níveis de equipamento (GLE e GLX) e tração dianteira ou integral AllGrip. Quer isto dizer que há quatro modelos diferentes: 1.4 GLE Hybrid (23.956€), 1.4 GLE AllGrip Hybrid (25.835€), 1.4 GLX Hybrid (26.243€) e 1.4 GLX AllGrip hybrid (28.122€). Tudo graças a uma campanha de lançamento de 1.300 euros e pode ainda usufruir de mais 1.400 euros, caso opte por fazer o financiamento com a Suzuki.

Híbrido suave com tecnologia 48 volts

Curiosamente, a Suzuki oferece dois tipos de híbridos na sua gama, um com tecnologia de 12 volts para o bloco 1,0 litros Boosterjet, este, mais recente, com a tecnologia de topo de 48 volts (sim é a mesma usada pelas marcas Premium como a Audi, por exemplo). Com injeção direta, uma taxa de compressão de 10,9:1, sincronização elétrica variável das válvulas de admissão e melhoria na recirculação dos gases de escape (EGR), este bloco turbo de 1.4 litros é avançado tecnologicamente e oferece o sistema híbrido da Suzuki, o SHVS (Smart Hybrid Veihcle by Suzuki). Tem um motor de arranque gerador com tecnologia de 48 volts, uma bateria de iões de lítio e um conversor de 48V para 12V DC/DC. O SHVS oferece 14 CV estra ao bloco térmico com 129 CV. É o motor elétrico que faz o motor rodar ao “ralenti”, fornece assistência elétrica em caso de necessidade de mais potência e na desaceleração desliga o motor térmico e recupera a energia cinética da desaceleração. E pronto, em termos técnicos é esta a grande diferença do Vitara para os restantes modelos da gama, mantendo a caixa manual de seis velocidades. Os consumos reduzem-se 1,2 l/100 km e as emissões recuam cerca de 15%.

Dizer que a Suzuki vende o VItara com tração dianteira ou integral AllGrip, um sistema que permite selecionar quatro modos de utilização (Auto, Sport, Snow e Lock) e cuja diferença de preço para o tração dianteira é muito curta. O primeiro faz, automaticamente, do Vitara um carro de tração dianteira e sempre que há uma roda a mexer-se mais do que deve, liga as quatro rodas. O segundo modo transforma o Vitara num jipe 4×4 permanente para máxima tração. O modo “Snow” é para andar em superfícies com pouca aderência e o derradeiro modo liga as quatro rodas motrizes e tenta ajudar-nos a sair dos problemas em que nos metemos.

Claro que o Vitara conta com a ajuda em descida em declive (HDC), anti bloqueio dos travões, controlo de estabilidade e controlo e tração, assistência à travagem, enfim, tudo aquilo que hoje é oferecido num veiculo moderno. E tudo funciona harmoniosamente para lá daquilo que é habitual num SUV com perfeita capacidade para andar fora de estrada, conforme pude comprovar neste primeiro ensaio feito nos arredores de Madrid.

Mais equipamento

O Vitara está muito bem equipado no que toca às últimas tecnologias. Especialmente de segurança, com o DSBS (Dual Sensor Brake Support) que inclui alerta da mudança inadvertida de faixa, assistente de mudança de faixa e alerta anti fadiga. Tem reconhecimento dos sinais de tráfego, monitorização do ângulo morto e alerta de tráfego posterior, travagem de emergência autónoma com reconhecimento de peões e o cruise control adaptativo.

Disponível em apenas duas versões, GLE e GLX, o Vitara oferece muito por aquilo que pede. Além de faróis LED em todas as versões, a GLE adiciona a tudo aquilo que foi dito, ecrã multifunções, sensores de luz e chuva, 7 airbags, câmara traseira, jantes de liga leve de 17 polegadas, bancos aquecidos, barras no tejadilho, enfim, um completo equipamento. A mais cara versão GLX acrescenta jantes polidas, “smart key” de acesso e arranque mãos livres, indicadores de mudança de direção incluídos nos espelhos, sistema de navegação, estofos com inserções de pele. Para os que gostam de personalizar o seu carro, há os pacotes “Rugged” e “Urban”. Um detalhe importante: o VItara seja 4×2 ou 4×4, é sempre Classe 1 nas portagens.

Comportamento seguro

O chassis, as suspensões e tudo o resto rimam na perfeição para oferecer um comportamento honesto e de qualidade ao Vitara, autorizando, até, alguma diversão em estrada de montanha com um ritmo que chega para envergonhar alguns modelos de segmentos diferentes. Circula em estrada aberta ou em autoestrada com tranquilidade e com um refinamento que é excelente. A direção poderia ser uma nadinha mais pesada e a insonorização também poderia ser melhor, mas como não há carros perfeitos… Andar fora de estrada também não coloca problemas pois o sistema AllGrip é eficaz na maioria das situações e o Vitara tem a justa altura ao solo para escapar a pedra e buracos sem danificar o fundo ao carro, mas sem parecer que, parado, está com botas cardadas. O limite acaba por ser os pneus, pois são pensados para andar em estrada e não fora dela.

Excelentes consumos

Já tinha ficado muito bem impressionado com o Vitara e com este motor 1.4 Boosterjet, mas desta feita a coisa foi ainda melhor. A Suzuki reclama consumos combinados de 5,7 l/100 km e eu, ao volante, com um percurso que subiu e desceu montanhas, passou pela autoestrada e andou em estradas nacionais, fiquei boquiaberto quando cheguei ao local do almoço (e está aí a foto para o provar): 5 l/100 km. Melhor que o anunciado e sem andar a “pisar ovos”, cumprindo, mais ou menos, os limites de velocidade. Impressionante! O sistema híbrido funciona bem e permite, então, que hajam poupanças sensíveis em termos de consumo de gasolina.

Veredicto

O Vitara é um excelente automóvel, acreditem no que vos digo, mesmo que não tenha o refinamento de alguns modelos do segmento. É uma pena chamar-se Suzuki, mas apesar disso merece estar na lista de escolhas se procura um SUV compacto. Como disse, o Vitara é um SUV com qualidade suficiente – não, não é um Premium e por isso há mordomias e detalhes que não existem no VItara – um refinamento excelente, comportamento seguro e divertido, capaz de ir fora de estrada muito mais longe que a maioria dos rivais e um estilo que não sendo ganhador de prémios de beleza, é agradável e, sobretudo, equilibrado. É, também, um carro versátil e prático. E se lhe disser que este Vitara 1.4 Boosterjet com caixa manual, tração integral AllGrip e, ainda, o topo de equipamento onde não falta nada, custa menos de 30 mil euros?! E se optar pela versão GLE de entrada, perde, apenas, o sistema de navegação, a entrada e arranque mãos livres e os sensores de estacionamento, o GLE fica abaixo dos 24 mil euros! É que a Suzuki oferece 1300 euros de campanha e se optar pelo financiamento Suzuki, são mais 1.400 euros. Ou seja, pode comprar um Suzuki VItara 1.4 Boosterjet GLE por 23.956 euros e um AllGrip por menos de 1.900 euros!! Não é um excelente negócio?! 

FICHA TÉCNICA

Suzuki Vitara 1.4T GLE Hybrid AllGrip 

Motor4 cilindros em linha, injeção direta, turbo e sistema híbrido 48V; Cilindrada (cm3)1373; Diâmetro x curso (mm)73,0 x 82,0; Taxa compressão10,9; Potência máxima (cv/rpm)129/5500; Binário máximo (Nm/rpm)235/2000 – 3000; Transmissão e direçãoTração integral, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão(fr/tr)Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos(mm)Comp./largura/altura 4175/1775/1610; distância entre eixos 2500; largura de vias (fr/tr) 1535/1505; travõesfr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg)1245; Capacidade da bagageira (l)375 / 710 / 1120; Depósito de combustível (l)47; Pneus (fr/tr)205/60 R16; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) nd; velocidade máxima (km/h) 190; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) nd/nd/6,2 (consumo real medido 5,0 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 141; Preço da versão ensaiada (Euros)25.835

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