Primeiro ensaio Suzuki Vitara: uma boa opção entre os SUV

By on 16 Novembro, 2018

Depois de ter cumprido este primeiro ensaio ao renovado Suzuki Vitara, não consegui deixar de esboçar um sorriso e pensar co o seria tudo bem diferente se a casa japonesa olhasse para o mercado europeu com outros olhos!

O nome Vitara é sobejamente conhecido e mesmo que numa forma mais adaptada aos tempos que vivemos, é o modelo mais emblemático da Suzuki no mercado nacional. Depois da boa surpresa chamada Jimny, eis que a casa japonesa nos oferece mais um bom momento com este Vitara, pouco renovado, é verdade, mas com alterações suficientes para redobrado interesse.

Diesel out, só gasolina

O atual modelo está no mercado desde 2015 (o original nasceu em 1988) e apesar das alterações ligeiras a que foi submetido, continua a ser um SUV simpático, com um excelente pisar na estrada, elegante o suficiente para se afastar totalmente de alguns “desastres” de estilo que polvilham a história da Suzuki, oferecendo reais capacidades fora de estrada. Algo que a maioria dos SUV deste segmento nem sequer sabe o que é.

A gama do Vitara abandona os motores a gasóleo e voltamos ao passado com oferta de blocos a gasolina. Desta feita com muito mais qualidade e capacidade que permitem quase esquecer o motor diesel. Temos assim o propulsor de 1.0 litros Boosterjet, já conhecido da gama Suzuki e, depois, o 1.4 Boosterjet que se estreou no Suzuki Swift Sport.

Este é um motor moderno e eficiente que oferece muito mais do que se poderia esperar de um motor 1.4 litros. É um bloco com resposta pronta e eficaz, sobe facilmente de rotação, mas sempre com suavidade e não aos supetões e se for preciso puxar, verdadeiramente, por ele, há potencia e binário bem distribuídos pela gama de rotações disponível.

Confesso que fiquei impressionado com os valores de consumo do Vitara 1.4 Boosterjet. A Suzuki reclama 6,3 l/100 km em ciclo combinado. Ora, cumpri quase uma centena de quilómetros compostos por estradas nacionais e autoestrada e, no final, o computador de bordo dizia-me que tinha gasto 6,7 l/100 km. Muito bom!

Consegui experimentar as duas versões com o motor 1.0 itros e, claro, o 1.4 litros. Confesso que gostei dos dois ficando o VItara equilibrado com ambas as propostas. É verdade que o bloco de 1.0 litros perde o fôlego mais depressa e deixa claro que debaixo do capô está um motor pequenino. E também é verdade que o consumo do 1.0 litros é mais elevado que o do 1.4 litros, apenas porque a caixa de velocidades, automática nos dois carros que experimentei, trabalha muito mais para o ritmo exigido, especialmente se a estrada empinar ou for demasiado sinuosa.

Em Portugal, o Vitara será vendido com e sem tração integral, mas parece-me que a versão com tração AllGrip será a mais interessante. E fique tranquilo que o carro é, sempre, Classe 1 nas portagens.

Tração integral é mais valia no segmento

Dizia, então, que o VItara AllGrip me parece o carro mais interessante, pois o sistema de tração integral da Suzuki é do tipo automático, antecipando as situações em que se requer tração total. Mas para que não fique entregue apenas à eletrónica, o sistema oferece quatro modos de condução, a saber, Auto, Sport, Snow (neve) e Lock (bloqueio). O primeiro faz, automaticamente, do Vitara um carro de tração dianteira e sempre que há uma roda a mexer-se mais do que deve, liga as quatro rodas. O segundo modo transforma o Vitara num jipe 4×4 permanente para máxima tração. O modo “Snow” é para andar em superfícies com pouca aderência e o derradeiro modo liga as quatro rodas motrizes e tenta ajudar-nos a sair dos problemas em que nos metemos.

Claro que o Vitara conta com a ajuda em descida em declive (HDC), anti bloqueio dos travões, controlo de estabilidade e controlo e tração, assistência à travagem, enfim, tudo aquilo que hoje é oferecido num veiculo moderno. E tudo funciona harmoniosamente para lá daquilo que é habitual num SUV com perfeita capacidade para andar fora de estrada.

Estilo agradável, interior melhorado

Com novas jantes e uma frente que agora é igual ao do anterior Vitara S, o novo Vitara está ainda mais apelativo. Os vidros fumados e os farolins traseiros em LED, são as novidades do exterior que acaba por ser um típico produto japonês – mas fabricado na Europa, na Hungria – mas com mais classe que outras realizações da Suzuki.

Há muito equipamento oferecido de serie distribuído por três níveis de equipamento, a saber, GL, GLE e GLX, num habitáculo acolhedor e com uma qualidade bem melhor que no passado. A bagageira não é referencial, mas a verdade é que este Vitara é arejado, tem espaço interior suficiente para pedir meças aos rivais, a maioria deles, acanhados.

Comportamento seguro

O chassis, as suspensões e tudo o resto rimam na perfeição para oferecer um comportamento honesto e de qualidade ao Vitara, autorizando, até, alguma diversão em estrada de montanha com um ritmo que chega para envergonhar alguns modelos de segmentos diferentes. Circula em estrada aberta ou em autoestrada com tranquilidade e com um refinamento que é excelente. A direção poderia ser uma nadinha mais pesada e a insonorização também poderia ser melhor, mas como não há carros perfeitos…

Andar fora de estrada também não coloca problemas pois o sistema AllGrip é eficaz na maioria das situações e o Vitara tem a justa altura ao solo para escapar a pedra e buracos sem danificar o fundo ao carro, mas sem parecer que, parado, está com botas cardadas. O limite acaba por ser os pneus, pois são pensados para andar em estrada e não fora dela. Acredito que com umas borrachas mais radicais e desenhadas para andar fora de estrada, o Vitara iria mais longe.

Veredicto

O Vitara é um excelente automóvel. Pena chamar-se Suzuki pois vai repelir alguns que acreditam que os produtos da marca japonesa não são bons. Não podem estar mais errados! O Vitara é um SUV com qualidade suficiente – não, não é um Premium e por isso há mordomias e detalhes que não existem no VItara – um refinamento excelente, comportamento seguro e divertido, capaz de ir fora de estrada muito mais longe que a maioria dos rivais e um estilo que não sendo ganhador de prémios de beleza, é agradável e, sobretudo, equilibrado. É, também, um carro versátil e prático. E se lhe disser que este Vitara 1.4 Boosterjet com caixa manual, tração integral AllGrip e, ainda, o topo de equipamento onde não falta nada, custa menos de 30 mil euros?! Pois é, se comprar um Vitara a Suzuki oferece 1300 euros de campanha e se optar pelo financiamento Suzuki, são mais 1.400 euros. Ou seja, pode comprar um Suzuki VItara 1.4 Boosterjet GLX All Grip por 28.030 euros! Não é um excelente negócio?!

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