Recorda-se dos melhores carros lançados há 50 anos?

By on 16 Agosto, 2019

Recuando 50 anos até 1969 do século passado, muitos foram os acontecimentos que marcaram esses doze anos, o maior deles o sucesso da missão Apolo 11 que conseguiu levar Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin à lua, sendo os primeiros humanos a colocar pé no solo lunar. Mas houve mais: os Beatles fizeram, nesse ano, o seu último concerto no telhado da Apple Records; o Concorde efetuou o primeiro voo de teste em França; o Boeing 747 Jumbo Jet cumpriu a sua estreia; o festival Woodstock recebeu mais 400 mil pessoas; membros de um culto liderado por Charles Manson, assassinou cinco pessoas.

Acontecimentos marcantes de 1969

No que toca aos automóveis, o ano de 1969 deu-nos o Ford Capri ou o Nissan Skyline GT-R, uma linhagem que continua até hoje. Mas há outros modelos, melhores e piores, que foram lançados em 1969.

ASTON MARTIN DBS V8

A Aston Martin sempre quis que o DBS utilizasse um motor V8, mas não havia um bloco desses em Gaydon e por isso o carro sempre utilizou um seis cilindros até ao ano de 1969. O DBS recebeu uma atualização de estilo e um motor V8 com 5.3 litros, novinho em folha, que durou até aos anos 90. Com 290 CV, este bloco debitava mais de 325 CV em outros modelos. O DBS V8 é raro e muito procurado, especialmente com a caixa manual, pois a caixa automática Torqueflite de origem Chrysler.

AUSTIN MAXI

Hoje, o Austin Maxi é olhado de soslaio devido à fama que o modelo ganhou devido a problemas de qualidade e uma falta de rima entre o motor e a caixa de velocidades. O bloco 1.5 litros com 75 CV era mau demais e, ainda por cima, a relação demasiado longa da caixa não ajudava nada o motor. Caixa essa que tinha, coisa rara na época, cinco velocidades. Para piorar as coisas, a caixa tinha um comando por cabos que era uma desgraça. O sistema foi alterado, a caixa modificada e os motores reforçados, mas o mal já estava feito. O Maxi tinha algumas curiosidades: foi dos primeiros carros com portão traseiro e rebatimento do banco traseiro, libertando bastante espaço. A Austin reclamava que havia espaço para uma cama de casal. O sistema Hydrolastic, depois passou ao sistema Hydragas, tinha um nível de conforto muito elevado. Apesar de tudo isto, o Austin Maxi dificilmente conseguiu alcançar os objetivos de vendas.

CHEVROLET BLAZER

Saiu dos Estados Unidos apenas por importação particular, pelo que é pouco conhecido fora daquele país, mas o Chevrolet Blazer foi uma das coisas boas que o ano de 1969 deu á industria automóvel. Até porque foi o primeiro todo o terreno que deixou de estar confinado aos agricultores e aos jovens que queriam ser diferentes. A primeira geração do Blazer tinha como rival o Bronco da Ford e por isso oferecia a opção entre um seis cilindros de 4,1 litros ou o Hemi V8 de 5.7 litros. Os primeiros modelos tinham tração integral, mas a Chevrolet ofereceu a opção de tração traseira e também oferecia a opção entre caixa manual ou automática. Sendo hábil em estrada e fora de estrada, o Blazer conheceu várias variantes de carroçaria, e pick up a carrinha, uma ampla gama que permitiu ao Blazer ser um sucesso e, ainda hoje, um carro muito valorizado, 50 anos depois.

FERRARI DINO 246

Começou por se chamar apenas Dino, homenageando o filho de Enzo Ferrari, precocemente desaparecido, até que ganhou o direito de exibir o nome Ferrari, ao ter volume de vendas aceitável e ser reconhecido como membro de pleno direito da marca de Modena. O 246 substituiu o 206 em 1969 (o 206 foi o primeiro Ferrari de estrada com motor central traseiro) e foi um tremendo sucesso, com 2487 GT (coupé) vendidos e 1274 GTS (Spider) comercializados. Recordamos que o 206 vendeu, apenas, 152 carros. Um carro lindíssimo que apesar devido a não ser tão raro como o 206, continua a valer bastante dinheiro.

FORD CAPRI

O Capri é, hoje, um carro procurado pelos amantes da marca da oval azul. Mas nasceu como uma espécie de compensação para a recém criada Ford Europe, que ficou “invejosa” do sucesso do “muscle car” americano da Ford, o Mustang. O carro não veio para a Europa (curiosamente só há um par de anos é que a marca americana fez um Mustang global) e a Ford fez o Capri. Mais pequeno que o Mustang, o Capri foi um imenso sucesso com mais de 1,2 milhôes de unidades vendidas, da primeira geração, entre 1969 e 1974. Um dos segredos estava no estilo do carro e na gama que ia do modesto 1.3 litros ao V6 de 3.0 litros. E, claro, o Capri ilustrou-se na competição com a Ford a lançar os modelos de homologação RS2600 e RS3100. Hoje são carros raros e muito procurados, mas os restantes Capri continuam em alta no mercado dos clássicos.

FORD MUSTANG BOSS 429

Não foi fácil para a Ford substituir a primeira geração do Mustang. Lá surgiu um carro com uma distância entre eixos alongada 10,1 cm e muitas semelhanças em termos de estilo, embora surgindo mais largo e baixo. Não era um carro bonito e por isso a Ford tentou compensar com músculo mecânico a menor elegância do Mustang. Nascia, assim, o Boss 429 equipado com o motor Cobra Jet V8 com 7 litros e 380 CV. Conseguia chegar dos 0-100 km/h em menos de seis segundos e acabou por ser requisitado para a Nascar. Porque precisava de muito ar e de refrigeração, o Mustang Boss 429 tinha a maior entrada de ar jamais feita à saída da fábrica. Carro raro, está a ser negociado acima dos 250 mil euros, com alguns modelos a subirem até aos 300 mil euros.

FIAT 130

Foi a primeira tentativa da Fiat em lançar um modelo capaz de lutar com a Mercedes ou Lancia, marcas de luxo da época. Por baixo de uma carroçaria que não foi o momento mais feliz da casa italiana, estava um excelente chassis que utilizava barras de torção nos dois eixos, permitindo um pequeno efeito direcional passivo do eixo traseiro. O seu avanço face à época era de tal ordem que tinha travões de disco nas quatro rodas. Mas… o carro chamava-se Fiat e por isso, o mercado foi demasiado cauteloso e a casa de Turim só conseguiu vender 15 mil unidades durante os oito anos que viveu, antes da Fiat acabar com a agonia. Mesmo quando a Fiat desviou o V6 do Dino para o 130, e Enzo Ferrari ter utilizado um 130 e ter encomendado um 130 Coupé, o mercado não aderiu. Apesar da raridade e da qualidade, o 130 não é um carro cobiçado e é relativamente fácil comprar um em Itália por menos de 7 mil euros. 

HONDA 1300

Mais um carro que não é muito conhecido, mas que foi importantíssimo para a Honda. Não pelo sucesso de vendas, já que o carro era caríssimo, tinha mecânica refrigerada a ar e conheceu muitos atrasos de produção, devido ás muitas alterações que Soichiro Honda foi fazendo ao carro. Mas deixou as fundações para o sucesso industrial da Honda, pois ensinou valiosas lições para o futuro, foi o motivo para acabar com os motores refrigerados a ar e permitiu que, daqui, nascessem as famílias Civic e Accord, os modelos que deram á Honda o estatuto de um dos maiores construtores mundiais. Hoje é um carro raro, já que o aço japonês era fraco e muitos, literalmente, desfizeram-se.

MANIC GT

Um carro raríssimo e pouco conhecido, porque é algo que não é habitual no Canadá: um desportivo desenhado e construído localmente. O Manic GT nasceu da mente de Jacques About. Acabado de sair da Renault, pegou na caixa e no moto do Renault 8 e fez o Manic. O carro até tinha bom aspeto e depois de ser apresentado em alguns salões, começaram a chegar encomendas. Mas a Renault sentiu-se ameaçada pelo facto do Manic GT ser rival do Alpine A110, igualmente feito com peças do Renault 8, a relação com o seu ex-colaborador era péssima e, por isso, dificultou o fornecimento de peças. Perante esta situação, o Manic GT acabou por não ir muito longe, pois apenas 160 carros foram feitos, ao contrário dos previstos 200 carros por ano. Encontrar um Manic GT é o mesmo que encontrar uma agulha num palheiro.

MITSUBISHI GALANT

Chegou mesmo no final de 1969, mas marcou uma era. O Galant foi o primeiro Mitsubishi a ser vendido através de um concessionário, chamado Galant Shop. Com um estilo anormalmente limpo e simples, para um carro japonês, foi um enorme sucesso, também, pela oferta de carroçaria de 4 portas e carrinha. Os motores eram os blocos 1.3 e 1.5 litros, para mais tarde serem substituídos pelos motores 1.4 e 1.6 litros. O Galant foi o primeiro carro a ser vendido pela Mitsubishi nos EUA, mas não com o nome da casa japonesa, mas sim como Dodge Colt, parte de um acordo com a Chrysler para ter acesso á sua rede de vendas. A verdade é que a gama Galant viveu de 1969 até 2012!

NISSAN SKYLINE GT-R

O Skyline nasceu em 1969, mas, curiosamente, surgiu como GT-R nas dentro de uma berlina de quatro portas. O coupé de duas portas só chegou depois. Curiosamente, foi a berlina de 4 portas é que forjou a fama do carro na competição automóvel. Claro que a aplicação de um motor de seis cilindros em linha com 2.0 litros e 160 CV, ajudava e na primeira corrida, ficou apenas atrás de um Porsche 904 GTS. O carro era muito avançado para a época: caixa manual de cinco velocidades, diferencial autoblocante mecânico e travões de disco. Só foram produzidAs 1945 unidades, algumas delas perdidas para a competição, e encontrar um modelo em boas condições é quase impossível e os preços andam acima dos 100 mil euros.

PEUGEOT 304

A base é a mesma do obsoleto 204, mantendo o motor dianteiro transversal. Com mais 15,2 cm de comprimento, oferecia uma mala maior e tinha uma carroçaria mais elegante e moderna, que se sublimava nas versões coupé e cabriolet. Mas essas só chegaram em 1970. Todos os 304 tinham suspensão independente na traseira, pelo que eram carros muito confortáveis e seguros. Foi utilizado na competição com sucesso, exatamente devido ao chassis e às suspensões. Não é um carro colecionável e a maioria está me mau estado, mas é um carro que vale a pena ter numa hipotética coleção.

PORSCHE 914

O 914 é um carro divertido, giro e muito interessante, tendo servido de inspiração para o Bosxter. Compacto, tinha o motor boxer de quatro cilindros emprestado pela Volkswagen, suficiente para um desempenho aceitável, pois pesava apenas 900 quilos. Mas o mais desejado dos 914 é a versão 914-6, equipada com o boxer de seis cilindros do 911, com 110 CV. Mas desses, só foram feitos 3360 unidades, sendo hoje um carro raro e caro. Já do 914 foram produzidas 115 646 unidades. Era um carro equilibrado e eficaz em estrada e hoje começa a despertar o interesse do mercado clássico. Se os 914-6 são quase impossíveis de encontrar, o 914 já subiu acima dos 18 mil euros.

RENAULT 12

Foi um carro muito importante para a Renault, pois marcou o fim da utilização de motores na traseira e tração ás rodas traseiras. O último desse capítulo foi o Renault 10. O 12 surgiu depois do 16, tendo a mesma implantação mecânica, mas constrangimentos de espaço não permitiam que usasse a caixa de cinco velocidades. A Renault fez uma versão Gordini, muito divertida e que foi usada na competição, com um motor de 110 CV com 1.6 litros. Com uma arrumação diferente, já utilizava uma caixa de cinco velocidades. O carro tinha um estilo peculiar e acabou a sua vida na Roménia com o nome Dacia. O Renault 12 não tem valor colecionável, à exceção do Gordini, mas esse é raro.

SKODA 100

Simples e eficaz: berlina de quatro portas com motor e tração atrás e uma bagageira colocada na frente. O motor era um bloco 1.0 litros (1.1 litros para o 110), durou oito anos e foram vendidos mais de um milhão de unidades. É um carro importante pois foi o primeiro Skoda a vender nessa ordem de grandeza. Depois, nasceu o 110R Coupe, com 55 CV graças á utilização de dois carburadores e, posteriormente, o 130 R Coupé, carro muito utilizado na competição e hoje raríssimo, mas o mais procurado.

TRIUMPH TR6

O TR6 não tinha um grande comportamento – a carroçaria aparafusada ao chassis e uma suspensão rudimentar eram limitações – mas foi o primeiro carro de estrada a popularizar a injeção de combustível. Curiosamente, os carros para os EUA, mantinham os carburadores Stromberg, mesmo que o motor tivesse menos potência que os utilizados no Velho Continente. O motor de seis cilindros tinha 150 CV, foi “descafeinado” mais tarde, mas oferecia um bom binário. O carro era muito bonito, desenhado pela Karmann, descapotável e com “hardtop” opcional. Hoje, continuam a ser alvo de culto e encontrar um em boas condições é complicado e com custos acima dos 20 mil euros.

VOLKSWAGEN K70

Não sendo particularmente emocionante, o K70 é um carro muito importante para a Volkswagen. Porque marcou o corte do cordão umbilical com o Carocha, o carro do povo que tinha motor refrigerado a ar colocado na traseira. Mas o K70 acabou por ser um acidente, pois a VW comprou a NSU devido á sua capacidade industrial e não pelos modelos. Querendo afastar-se do Carocha, os responsáveis da VW tiraram o nome NSU do K70 e começaram a vendê-lo como Volkswagen K70. Equipado com motores de 1.6 e 1.8 litros, suspensão independente nas quatro rodas e um excelente conforto e comportamento. O resto do carro tinha pouco interesse e talvez por isso não foi um sucesso de vendas. Mas o mais importante ficou anotado e hoje o K70 começa a ser procurado pelos adeptos de carros com história.

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