Sucesso dos SUV pode ser um problema para as políticas ambientais

By on 14 Janeiro, 2020

Não há como não dar pelo elefante na sala: o cada vez maior número de adeptos de modelos SUV e crossover choca de frente com as políticas ambientais.

A “luta” entre os defensores do ambiente, os governos ávidos de satisfazer as hordas de reconvertidos à defesa do ambiente e a indústria automóvel mundial, está a escalar e ameaça mudar de tom muito em breve. De um lado, uma indústria essencial que emprega milhões de pessoas, do outro Governos que querem enfrentar as alterações climáticas sem um plano definido, apenas redução das emissões de CO2, forçando o investimento na mobilidade elétrica.

Para se perceber a dimensão do problema, a BMW tem na sua gama X de SUV e Crossovers, 44% das vendas globais! A BMW viu as suas vendas crescerem em 2019 para 2,17 milhões de unidades, muito por culpa dos SUV. A Mercedes, líder do segmento Premium em todo o mundo, vendeu um SUV a cada três carros comercializados em 2019, e a Volvo viu os SUV e crossover assegurarem 63% das vendas.

Perante isto, o confronto é mais que evidente, ainda por cima quando a manutenção do foco nos veículos elétricos faz gastar milhares de milhões de euros em carros que, apesar do crescimento experimentado, poucos são os clientes que os querem. A clara preferência pelos SUV e crossover, podem anular os esforços feitos com os veículos elétricos, com a “Internacional Energy Agency” (IEA) a avisar que a preferência pelos SUV e a mudança do diesel para a gasolina, levou as emissões de CO2 a crescerem para 0.7 gigatoneladas de CO2. 

Os SUV são o segundo maior contribuinte para o aumento do CO2 desde 2010, na frente da indústria pesada e até da aviação. Neste momento há mais de 200 milhões de SUVem todo o mundo, o que comparando com os 35 milhões registados em 2010, significa um aumento de 60%. Se as coisas continuarem como estão e a popularidade dos SUV crescerem, será necessário juntar mais 2 milhões de barris de petróleo, por dia, á previsão de consumo de petróleo até 2040.

Veremos como as coisas vão correr em 2020, mas acreditamos que no final do primeiro semestre, muita coisa deverá ser alterada: vêm aí os despedimentos na ordem dos milhares, especialmente, na Alemanha; estão a caminho da supressão de gamas e modelos; clientes vão em busca de um modelo e não vão poder comprá-lo; a hemorragia financeira irá continuar com os investimentos na mobilidade elétrica a sorver dinheiro para produzir modelos que a maioria não quer comprar; alguns grupos podem passar por muitas dificuldades, especialmente se algum deles acabar a pagar os tais 95 euros por grama a mais de CO2, e por carro.

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