Volvo V60 D4 – Ensaio Teste

By on 11 Setembro, 2018

Um enorme desafio aos alemães

Texto José Manuel Costa ([email protected])

A carrinha V60 é linda! Desculpem a franqueza, mas é verdadeiramente espetacular! Olhando uma e duas e mais vezes, percebemos que é uma espécie de V90 à escala, mas assume uma personalidade própria que mescla pormenores daquela com detalhes vindos do XC60. Como ambos são excelentes exemplos de bom gosto em termos de estilo, não estou enganado quando digo que a carrinha Volvo V60 é… linda! Enfim, um automóvel bonito com muita qualidade que por dentro espelha o que se passa no exterior, embora aqui pudesse haver um pequeno rasgo, vá lá, um lampejo de originalidade. Mas nos dias que correm, outras questões se levantam e por isso decalcar o que é bom não deve ser censurado. Depois fica a tecnologia embarcada, muita e boa onde se destaca o Pilot Assist – condução autónoma com mãos no volante, muito útil com o cruise control adaptativo – a monitorização do ângulo morto, enfim, tudo aquilo que possa imaginar e mais um par de tecnologias que são inéditas. Esta é uma carrinha muito especial que se os portugueses quiserem, vem dar muitas dores de cabeça aos alemães, donos e senhores, acreditam, do segmento. Porque o Volvo V60 é, na verdade, um excelente carro!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.

 


Mais:

Estilo, Tecnologia, Comportamento, Bagageira e habitabilidade

Menos:

Alguns materiais, preços

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Caminhando numa fina linha entre o estilo “matrioska” de Audi, BMW e Mercedes e um ADN próprio que lhe confere uma personalidade vincada, o V60 não prescinde dos faróis “Martelo de Thor” e dos farolins traseiros muito semelhantes aos do XC60, além de muitas semelhanças no que toca à forma como a superfície vidrada é desenhada, pese embora no V60 seja 15 mm mais estreita do que no V90. E esse detalhe permite-lhe escapar ao tal estilo “matrioska”que os rivais germânicos insistem em produzir. Esse e mais alguns como a lateral do carro mais ornamentada e, finalmente, os 18 centímetros a menos no comprimento. Fazem uma enorme diferença, dando ao V60 um aspeto mais compacto que lhe assenta de forma perfeita. A qualidade dos paneis, o acerto nas folgas e a precisão com que os plásticos vivem com a chapa da carroçaria, deixam claro que este é um produto de qualidade e classe.

Interior

Tecnologia não falta no interior com muitas ajudas à condução, apostando a Volvo no minimalista e suave estilo escandinavo. Detalhes como os botões de arranque/desligar o motor, do controlo dos modos de condução, o friso de botões que comanda o sistema de áudio – uma redundância pois é controlado, também, através do ecrã de 9,3 polegadas colocado na consola central – e os forros das portas, são típicos da Volvo. De tal forma que são iguais aos restantes modelos da gama, pois volante, painel de instrumentos, tudo, ou quase, é igual.

O V60 está muito bem construído, é sólido, mas… os detalhes são o demónio! A sensação de qualidade é enorme e nesta variante forrada a pele, é quase impossível encontrar um plástico à mostra. Ele está lá, na consola central e, logo por azar, não é dos melhores! Isto não chega para criticar a qualidade do V60, mesmo que não chegue ao nível de excelência dos alemães, mas a falta de alguma originalidade – é que é tudo, praticamente, igual ao V90, XC60 – sim, merece uma nota de ligeiro desagrado. Porém, à luz da lógica empresarial e compreendo o alcance económico desta opção, seria injusto ir por ai. Até porque não há muitos que consigam a qualidade de estilo de um habitáculo como a Volvo.

O V60 é muito bem servido por um par de bancos confortáveis e espaçosos e que espaço é coisa que não falta. São mesmo bons e qualquer um, alto, baixo, magro ou de maior gabarito, não terão qualquer problema para se encaixar nos bancos, tanto à frente como atrás. É verdade que o túnel de transmissão incomoda um bocadinho, mas três pessoas viajam à vontade no banco traseiro do V60 e a Volvo reclama que o espaço para os joelhos é o melhor do segmento. E o V60 explica porque é assim, exibindo uma distância entre eixos de 2872 mm, mais 62 mm que, por exemplo, um BMW Série 3 Touring, mais 52 mm que o Audi A4 Avant e 32 mm mais que o Mercedes Classe C. Ou seja, o V60 dá cartas na habitabilidade, algo que é importante no que toca a este tipo de carros.

Para complementar o espaço no habitáculo e a capacidade de transportar cinco pessoas, a bagageira oferece 529 litros que se podem esticar até aos 1441 litros com o rebatimento do banco traseiro. E aqui, uma vez mais, a Volvo esfrega na cara dos seus rivais a maior mala do segmento, muito por culpa de um estilo que sendo moderno não deixa de defender os valores da Volvo. E as carrinhas Volvo sempre foram muito espaçosas no que toca à bagageira. O portão traseiro esta bem mais horizontal que os rivais, algo que sempre caracterizou as carrinhas da casa sueca. A forma da superfície vidrada dá a entender que não é assim, mas basta comparar com os rivais.

Enfim, um carro que tendo qualidade superior, aqui e ali perde fôlego contra os rivais alemães, recuperando-o de imediato quando se fala de habitabilidade e de capacidade da bagageira. Nestes dois aspetos e na qualidade de vida a bordo, a Volvo V60 está acima dos alemães. Pena a falta de originalidade e alguns plásticos, escondidos, é certo, que acabam por trair um interior que segue os padrões do exterior.

Equipamento

O Volvo V60 está disponível em três versões diferentes: base, Momentum e Inscription. O modelo ensaiado estava equipado com o nível mais elevado e por isso oferece um nível de equipamento completo. Do ar condicionado automático ao fecho central de portas, passando pelo sensor de humidade, os filtros “CleanZone”, estofos em couro, apoio lombar elétrico de 4 vias, volante em couro, sensores de chuva e luminosidade, limitador e regulador de velocidade, ajuda ao arranque em declove, bancos dianteiros com proteção contra o “golpe de coelho” em caso de embate na traseira, barras no tejadilho, faróis LED, jantes de liga leve de 18 polegadas, enfim, uma completa dotação de equipamento que é complementada por uma lista de opcionais.

As cores metalizadas vão dos 892 aos 1.630 euros, a maior qualidade do couro dos bancos custa-lhe 2.060 euros, os vidros escurecidos custa 431 euros e a ponteira de escape dupla por 233 euros. Caso queira dar ainda mais expressão á sua V60, pode optar pelo Pacote de Estilo Exterior que custa 1373 euros. No interior, a única opção é o volante desportivo que fica por 123 euros.

Depois, a Volvo oferece seis pacotes diferentes de equipamento. O Winter Pro (aquecimento dos bancos traseiros, volante aquecido e aquecimento estacionário) 1.427 euros, o Business Connect (sistema de navegação, integração do Smartphone) 1.230 euros, IntelliSafe Pro (Cruise Control adaptativo e monitorização do ângulo morto ou BLIS) 1.722 euros, Versatility (rede de proteção de carga, portão da bagageira elétrico e tomada de 12 volts na traseira) 554 euros, Winter (bancos dianteiros aquecidos, orifícios dos lava vidros aquecidos) 369 euros, e o Light (faróis de nevoeiro, lava faróis, espelhos anti encadeamento exterior e interior e faróis LED High) 1.009 euros.

Ainda no equipamento opcional, pode optar pelo teto de vidro (1.538 euros), fecho de segurança elétrico das portas traseiras (98 euros), câmara 360 graus (1.076 euros) e mais uma série de opcionais que pode consultar aqui.

Consumos

Com este motor 2.0 litros turbodiesel com 190 CV, a versão D4 do V60 revela-se equilibrada no que toca a consumos. A Volvo reclama um consumo de 4,8 litros a cada centena de quilómetros. Não fiquei perto desse valor, pois nas medições efetuadas, os valores rondaram, sempre, os seis litros de gasóleo, tendo em algumas ocasiões tocado os sete litros. Cifras perfeitamente aceitáveis perante um bloco com 190 CV que permitem chegar dos 0-100 km/ em 7,9 segundo e alcança os 220 km/h. A caixa automática de 8 velocidade é um dos contribuintes para este bom resultado em termos de consumos do V60.

Ao volante

Confesso sem problemas que gostei mais da versão a gasolina do V60 que esta diesel D4 com o bloco de 2.0 litros com 190 CV e caixa automática. Porquê? Primeiro, porque o motor a gasolina é mais refinado e silencioso. O que não quer dizer que bloco a gasóleo não seja dos melhores do segmento, mas nota-se mais o ruído especialmente a frio ou quando somos forçados a puxar pelo motor em situação de ultrapassagem ou numa subida mais íngreme. Depois, porque em termos de performance, o motor a gasolina é melhor que o diesel em todas as vertentes. Finalmente, a suavidade do conjunto motor/caixa é maior na versão a gasolina. Obviamente que o bloco diesel é mais económico que o propulsor a gasolina e isso é o fator chave para que a escolha recaia nesta versão diesel.

Que no que toca ao comportamento, é excelente com o chassis a responder de forma fiável e segura, com um comportamento sem falhas ou criticas, pois num segmento mais familiar, não é importante ser a rainha das performances, nem ser capaz de fazer um tempo canhão no Autódromo do Estoril. Confortável, eficiente em todas as situações, com uma caixa automática excelente, o Volvo V60 tem nota muito positiva, também, no capítulo da condução.

Concorrentes

Audi A4 Avant 2.0 TDi, 190 CV, 400 Nm, 0-100 km/h 7.2, 4,4 l/100 km, 114 gr/km CO2, a partir de 42.359€

BMW 320d Touring, 190 CV, 400 Nm, 0-100 km/h 7,8, 226 km/h, 4,5 l/100 km, 113 gr/km CO2, a partir de 50.140€

Mercedes C220d Station, 170 CV, 400 Nm, 0-100 km/h 9,7s, 235 km/h, 4,4 l/100 km, 112 gr/km CO2,

Balanço final

A gasóleo ou a gasolina, o Volvo V60 tem tudo o que é necessário para enfrentar os seus rivais Premium do segmento e olhar olhos nos olhos para o Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes Classe C. Muita qualidade, muita tecnologia, estilo de qualidade, interior muito espaçoso e uma bagageira líder do segmento, além de um excelente comportamento, são pilares de um modelo cuja única pecha será não ter a qualidade de materiais e de montagem dos rivais. Seja como for, o V60 é um carro obrigatório na lista de compras.

Ficha técnica

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel

Cilindrada (cm3): 1969

Diâmetro x Curso (mm): 82 x 93,2

Taxa de Compressão: 15,8

Potência máxima (CV/rpm): 190/4250

Binário máximo (Nm/rpm): 400/1750 – 2500

Transmissão: Tração dianteira, caixa automática de 8 vel.;

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente tipo McPherson; independente multibraços; amortecedores pilotados

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 7,9

Velocidade máxima (km/h): 220

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): – /- /4,8

Emissões CO2 (gr/km): 117

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4761/1850/1427

Distância entre eixos (mm): 2872

Largura de vias (fr/tr mm): 1610/1610

Peso (kg): 1710

Capacidade da bagageira (l): 529/1441 (bancos rebatidos)

Deposito de combustível (l): 55

Pneus (fr/tr): 235/60 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 55.278€
Preço da versão base (Euros): 43.842€