Volvo XC60 Polestar – Ensaio Teste

By on 21 Fevereiro, 2020

Volvo XC60 Polestar

Texto: Jorge Reis ([email protected])

SUV quase perfeito

Se há marca que tem garantido uma evolução surpreendente da sua gama de produto, ao nível do design, mas também no desenvolvimento tecnológico, sem dúvida que essa marca é a sueca Volvo, num momento em que pode tirar o melhor partido de um excelente ciclo de produto com modelos cativantes e de uma qualidade percetível que, tal como o algodão, não engana. Com estes predicados, a família dos SUV da Volvo, apelidados de XC, vem colocar cada uma das três propostas — XC40, XC60 e XC90 — no patamar do objeto do desejo e capaz de se baterem com as diversas, que são muitas, propostas das marcas concorrentes. Dos três modelos, acaba assim por ser a proposta intermédia em termos de tamanho, o XC60, aquela que mais facilmente agrada a gregos de bom gosto e troianos de boas posses, e se o XC60 for este T8 híbrido Plug-in com 405 cv de potência permitido pela “assinatura” Polestar, damos connosco a esquecer as dimensões deste modelo e a sentirmo-nos um qualquer modelo desportivo, ágil e desenvolto, capaz de nos surpreender e viciar para uma viagem que pode ter mais e mais quilómetros como sinónimo de prazer e nunca de cansaço.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Conforto, Espaço, Materiais e Eficácia Dinâmica  

Menos:

Preço, Autonomia Elétrica

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10 Mexer numa gama automóvel ao nível do design e conseguir um produto consensualmente atraente e de design cativante nem sempre é fácil, mas a Volvo conseguiu cumprir essa receita com esta última geração do Volvo CX60, um modelo que apesar do tamanho não intimida quem dele se aproxima, e muito menos quem o conduz, também por força da facilidade com que se deixa levar com um dinamismo impressionante. Se olharmos para o agradável e já Carro do Ano Volvo XC40 e quisermos algum um pouco maior, com mais espaço e mais conforto mas sem cair no exagero do XC90, o resultado ideal é mesmo este XC60, um modelo que chama para si o estatuto de modelo mais vendido da marca, aparecendo no mercado como a proposta SUV dos modelos S ou V60.  

Interior

Pontuação 8/10 O atual XC60 da Volvo, lançado em 2018, tira o melhor partido da plataforma SPA que partilha com a família 90 da marca, utilizando os mesmos blocos de quatro cilindros a gasolina e gasóleo feitos pela marca sueca que está a tirar o melhor partido do investimento e da vontade de conseguir resultados por parte da Geely, a entidade que tem a seu cargo o comando dos destinos da Volvo. Com um requinte quanto baste sem exageros nem ostentações, mas onde a qualidade é visível e surge com uma preocupação evidente a cada centímetro de espaço. Os bancos em couro nubuk sport carvão, com os cintos num dourado que se destacam sobre o negro requintado que marca o ambiente no habitáculo deste XC60. O habitáculo é revestido a materiais de muito boa qualidade, os bancos permitem um excelente apoio lateral, e através das várias regulações disponíveis facilmente conseguimos encontrar a posição mais confortável num habitáculo com imenso espaço e onde conforto não é apenas uma palavra de retórica. Num modelo com uma bagageira capaz de receber qualquer  coisa como 505 litros, a tranquilidade de sabermos que podemos transportar quase tudo, desde as coisas dos miúdos até às bagagens de maior dimensão numa viagem de férias mais prolongadas.  

Equipamento

Pontuação 7/10   O equipamento é muito completo e com muita tecnologia num modelo que faz justiça à tradição da Volvo apostando num pacote de segurança ativa e passiva particularmente completa. Inserções decorativas Metal Mash, volante em couro multifunções, alavanca das mudanças R-Design em couro, e ainda um conjunto de Packs opcionais que complementam o ambiente requintado a bordo em que se incluem o fecho de segurança elétrico das portas traseiras, encostos de cabeça traseiros rebatíveis eletricamente, porta luvas com trancamento, acesso ao habitáculo sem chave – “Keyless Entry” – e fecho de segurança elétrico das portas traseiras., um pack disponível por mais 726 euros. Nota ainda para o pack Intellisafe pro que inclui Cruise Control adaptativo e ainda o sistema BLIS – Aviso de presença de viaturas no ângulo morto para uma condução tranquila, desde as velocidades mais lentas até às de autoestrada. Este pack terá um valor suplementar de 1.796 euros, ao qual pode ainda pode ser adicionado o sistema Park assist, por 677 euros, que inclui sensores de ajuda ao estacionamento, atrás e à frente, e câmara traseira. Tem ainda a possibilidade de equipar este XC90 com Park Assist Pilot e câmara 360 graus. Equipamento como o sistema de lavagem de faróis ou faróis de ‘LED high’ são também opcionais disponíveis, sendo que tudo isto aumenta o valor final da aquisição. Mas afinal, qualidade e valor… pagam-se!  

Consumos

Pontuação 7/10 Recordando tratar-se este modelo XC60 de uma proposta Plug-in, facilmente se percebe que os níveis de consumo prometidos pelo construtor são particularmente reduzidos, tendo o construtor homologado o veículo com um consumo de 2,1 litros e avançando com a referência à média de consumo de 3,2 l/100 km em circuito combinado. É claro que para isso estamos “proibidos” de optar pelo modo Polestar de condução e somos “obrigados” à melhor gestão da autonomia elétrica disponível porque se tentar ter o melhor dos dois mundos rapidamente irá verificar que isso é uma completa utopia. Ainda assim, ao procurar colocar os 405 cv sobre o asfalto, e perante a resposta da máquina, rapidamente vai esquecer esse detalhe que é o consumo face ao prazer permitido pelas sensações de condução. De certeza!  

Ao volante

Pontuação 9/10 Estar ao volante do XC60 T8 Polestar e poder pisar um pouco mais o acelerador, sentindo a reação do bloco e a colocação da potência sobre o asfalto, é qualquer coisa de fenomenal e cativante, que explica, afinal, o porquê das boas impressões deixadas por este SUV que transporta o orgulho sueco bem visível na porta da bagageira. O peso do conjunto, e porque não há milagres, resulta em alguma tendência subviradora que, ainda assim, nunca é excessiva nem sequer chega a permitir qualquer espaço para surpresas, acabando as trajetórias por serem cumpridas com total facilidade e conforto.  

Concorrentes

BMW X3 M40d Auto 2993 c.c. turbo diesel; 326 CV; 0-100 km/h em 4,9 seg,; 250 km/h; 6,4 l/100 km, 194 gr/km de CO2; 94.500 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Mercedes Benz GLC 300 4Matic 1991 c.c. turbo a gasolina; 258 CV; 0-100 km/h em 6,2 seg,; 240 km/h; 8,2 l/100 km, 186 gr/km de CO2; 66.000 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Audi Q5 40 TDI 1968 c.c. turbo diesel; 190 CV; 0-100 km/h em 7,9, seg,; 218 km/h; 5,5 l/100 km, 189 gr/km de CO2; 69.090 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)  

Motor

Pontuação 8/10 Equipado com o bloco T8 405 cv PHEV Polestar Engineered, que resulta da junção de dois motores, o resultado não terá sido perfeito, principalmente porque a autonomia do bloco elétrico é de pouco mais de três dezenas de quilómetros, e mesmo assim nem poderá pisar o pedal do acelerador em demasia nem optar pelo modo Polestar mais desportivo de condução, senão essa autonomia fica seriamente comprometida. Em termos práticos, o sistema de motorização T8 Twin Engine combina um bloco a gasolina 2.0 capaz de debitar 334 cv com um motor elétrico com 87 cv. Deste modo, o conjunto surge capaz de um binário de 680 Nm para uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 5,5 segundos, para aquele que, em face destas características, é o carro mais potente que a marca sueca já produziu. Ao recorrer exclusivamente ao motor elétrico, o Volvo XC90 T8 promete uma autonomia anunciada para 43 quilómetros, o que resulta num consumo homologado de 2,1 litros, um valor que naturalmente não conseguimos concretizar . Ainda assim, não será uma marca fácil de atingir na chamada “condução real” num automóvel para o qual a Volvo anuncia um consumo em circuito combinado de 3,2 litros a cada centena de quilómetros, a potência de 405 cv e, ao nível das emissões de CO2, apenas 73 gramas por quilómetro, um valor que pode impressionar se nos lembrarmos que estamos perante um modelo automóvel com um peso bem superior às duas toneladas e meia (2.660 Kg).  

Balanço final

Pontuação 8/10 Se o primeiro Polestar da Volvo foi, assumo, um dos automóveis que mais me impressionou nos últimos anos, nomeadamente pela forma quase impercetível com que colocava a potência na estrada e nos levava a patamares de velocidade proibitivos mas sempre com enorme sensação de segurança efetiva, este XC60 T8 Polestar voltou a permitir recordar essa sensação de um automóvel completo, com espaço para tudo e todos, que pesa particularmente pouco na carteira em termos de consumos e em que o tamanho não impede o gozo de uma presença e de uma condução mais desportiva. É claro que tem o reverso da medalha já que estamos a falar de um automóvel com um preço final bem acima dos 80 mil euros, e isto sem falarmos nos pacotes opcionais que podemos pretender. Contudo, quem quer qualidade, design e até algum exclusivismo tem que saber que tudo isso se paga… e de que maneira!  

Ficha técnica

Motor Tipo: Quatro cilindros em linha V8 com injeção direta e turbo Cilindrada (cm3): 1969 Diâmetro x Curso (mm): 82 x 93,2 Taxa de Compressão: 10,3 Potência máxima (CV): 405 Binário máximo (Nm): 240+430 Combustível: Elétrico + Gasolina Transmissão: Integral permanente com caixa Geartronic de 8 velocidades automática Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 5,4 Velocidade máxima (km/h): 230 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): –/–/3,2 Emissões CO2 (gr/km): 73 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4688/1902/1658 Distância entre eixos (mm): 2865 Largura de vias (fr/tr mm): 1653/1657 Peso (kg): 2660 Capacidade da bagageira (l): 598 Deposito de combustível (l): 70 Preço da versão base (Euros): 84.921 Preço da versão Ensaiada (Euros): 88.968

Preço da versão ensaiada (Euros): 88968€
Preço da versão base (Euros): 84921€