Emissões de CO2 atingem máximos de 2014 com a perseguição ao diesel

By on 5 Março, 2020

Olhando para os números da Jato, várias conclusões são evidentes e mostram como o caminho para a sustentabilidade e a defesa do ambiente não se faz com radicalismos.

Associações ambientais – e em Portugal com muito afinco a Quercus e a Zero Zero – políticos e outros ditos “expert” na matéria ambiental, foram contribuintes para esta situação. O volume médio de emissões de CO2 medido em 2019 conheceu aumento pelo terceiro ano consecutivo, com os veículos elétricos a se manterem como marginais no volume global de vendas, sendo totalmente ineficazes para inverter a tendência experimentada nos últimos anos.

Fustigada pelas decisões políticas de um punhado de tecnocratas, a indústria automóvel continua a ser colocada num torniquete que faz as marcas sangrarem com consequências imprevisíveis. A defesa do ambiente e do planeta não passa pela pressão inusitada que os Governos estão a fazer á indústria automóvel.

Há muitos outros grupos que emitem muito mais CO2 que os automóveis. Há hábitos e vícios que contribuem muito mais para a morte do planeta. Os políticos são uma das espécies que têm levado a esta situação. Senão, vejamos.

A União Europeia decidiu reduzir drasticamente o limite de emissões de CO2 numa fasquia colocada nas 95 gr/km e que irá ser ainda mais baixa daqui a cinco anos. Contestar esta medida? Por um lado, sim, pois o que a União Europeia e os governos de cada país se deviam preocupar era em acabar com os veículos existentes com mais de 10 anos e que são verdadeiros poluidores ambulantes. Por exemplo, se Portugal se preocupasse mais em reduzir para 10 anos a idade mediados veículos em circulação, teríamos um benefício ambiental impressionante.

Optaram todos, em primeiro lugar e abrigados à sombra do Dieselgate, por diabolizar os motores criados pelo engenheiro alemão Rudolf Diesel. Se era verdade que havia um exagero de motores diesel no mercado, mas os números galopantes de CO2 mostram que banir os motores a gasóleo é solução.

Basta olhar para a trajetória das emissões de CO2 desde 2007. Nesse ano, a média era de 159,1 gr/km de CO2. Até 2016, a trajetória foi sempre descendente até atingir o mínimo de 117,8 gr/km naquele ano. Espoletou-se o DIeselgate, começaram os rumores sobre os motores diesel e o efeito dominó acabou com o resto: declarações profundamente infelizes, para não dizer outra coisa, de políticos como João Pedro Matos Fernandes, ministro do ambiente português, anunciando a morte e a desvalorização dos modelos diesel em quatro anos. 

Ora, o desmando dos governantes e a ansia de satisfazerem as suas necessidades eleitorais, levou a que as emissões de CO2 tenham estado em trajetória ascendente desde 2016: 118,1 gr em 2017, 120,5 em 2018 e 121,8 gr/km em 2019, voltando aos valores de 2014.

Fica evidente que a culpa deste resultado é das políticas erradas sobre o ambiente, que mostram absoluta impreparação dos políticos. Mas o eu mais espanta é o desconhecimento dos ambientalistas que fazem fraca figura perante estes números. A combinação de redução de vendas de motores diesel e um lento arranque das vendas de modelos elétricos, está a conduzir-nos para mais poluição. 

E felizmente que o aumento de vendas de veículos elétricos mitigou o aumento de CO2, pois entre 2017 e 2018 o aumento foi de 2,4 gr, enquanto entre 2018 e 2019 esse crescimento foi de 1,3 gr/km de CO2. Mas é claro e evidente que o afastamento do diesel foi um erro absoluto com impacto negativo que não pode ser compensado. Alem disso, convirá dizer, de forma muito clara!, que os veículos elétricos emitem CO2. A média de emissões de CO2 dos modelos EV vendidos em 2019 foi de 63,2 gr/km. A vantagem é que este valor é metade das emissões de veículos a gasolina ou a gasóleo. Por isso, serão necessários muitos mais veículos elétricos para inverter a situação. Mas, olhando ao mercado e os vários estudos independentes realizados até agora, os consumidores continuam muito céticos e se a autonomia vai deixando de ser a maior resistência, o tempo de recarga é barreira que será complicada de derrubar a médio prazo.

Olhando aos veículos, os SUV dominam o mercado e as emissões com uma média de 131,5g/km, muito acima dos citadinos (107,7g/km), utilitários (109,2g/km), compactos (115,3g/km), médios (117,9 g / km) e topos de gama (131g/km). Além disso, os SUV`s representam 38% do total das vendas na União Europeia a 18.

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