Rolls-Royce conta-nos a original história das origens do nome Spectre

By on 15 Outubro, 2022

Spectre é o nome escolhido para o primeiro automóvel elétrico da Rolls-Royce que chegará em 2023 ao mercado, mas o mais interessante é descobrir as origens deste nome.

Escolher o nome de um novo modelo nunca é uma tarefa simples para qualquer construtor, mas para a Rolls-Royce, tudo fica ainda mais complicado, uma vez que são obrigatórias a presença de toda a sua tradição e a ligação aos seus restantes elementos. No caso do Cullinan, por exemplo, o SUV da marca de Goodwood, foi-lhe atribuído o nome do maior diamante em bruto alguma vez descoberto, mas todos os nomes como Ghost, Dawn ou Wraith têm sempre histórias interessantes que acabam por justificar a sua escolha.

Tal como nos é explicado pela marca, usando um antigo provérbio chinês, “o princípio da sabedoria passa por chamar as coisas pelos seus nomes verdadeiros”, que se refere à nossa necessidade enquanto seres humanos de identificar e classificar objetos para que tudo faça mais sentido. Ainda antes da primeira guerra mundial, as pessoas deslocavam-se essencialmente usando cavalos e quem tinha dinheiro para comprar um Rolls-Royce, certamente que já tinha usado cavalos nas suas deslocações, sendo perfeitamente natural que surgisse a possibilidade de dar um nome ao seu novo carro, tal como fazia antes com o seu cavalo favorito.

Esta ideia revelou-se com um potencial enorme na mente de Claude Johnson, o diretor comercial da marca. Entre os anos 1905 e 1913, em conjunto com os clientes, ele concebeu pessoalmente nomes individuais para quase 50 dos carros que a empresa produziu, sendo que o mais famoso foi o lendário “Silver Ghost”, criado para o London Motor Show de 1907. A sua pintura metalizada brilhante seduziu todos os que o viram pessoalmente, levando a que a marca adotasse o nome de “Silver Ghost” como o nome oficial para todos os modelos com o chassis 40/50 H.P. até ao ano 1925, em que foi apresentado o novo Phantom.

No caso do novo Spectre, que será o primeiro automóvel 100% elétrico da Rolls-Royce, a sua escolha está relacionada com esta ligação genética à tradição de 118 anos desta marca, mas também com o entrar num novo território, definido pela inovação e pelo progresso, tal como vamos descobrir já de seguida.

‘THE SILVER SPECTRE’ (CHASSIS 1601, 1910)

O primeiro registo de utilização do nome Spectre na Rolls-Royce data de agosto de 1910, o ano em que foi construído o chassis 1601, e que Johnson utilizou como carro de ensaios. Cinco anos mais tarde, este mesmo chassis foi vendido ao gabinete de guerra e o seu último paradeiro conhecido data de 1933, a cargo de uma empresa de engenheiros de motores de Sheffield. Ainda que o destino final deste modelo permaneça mais ou menos obscuro, a verdade é que nenhum Rolls-Royce volta a ostentar o nome Spectre durante mais de 20 anos.

THE EXPERIMENTAL PHANTOM III ‘SPECTRE’ CARS (1934-7)

Ainda muito no início da sua história, a Rolls-Royce criou uma designação específica para os seus modelos experimentais, atribuindo-lhes um EX no final do seu número de chassis. O primeiro foi o 1EX, em 1919, sendo que também houve um 45EX em 1957. Eram modelos de desenvolvimento e por isso sujeitos a uma utilização mais intensa, com cada um deles a percorrer mais de 800 milhas por dia nas retorcidas estradas francesas, no trânsito de Londres e pelas zonas rurais britânicas. A designação EX ainda se mantém nos dias de hoje sendo um exemplo recente o incrível 103EX de 2016, que já anunciava uma experiência de propulsão elétrica.

Tal como costuma acontecer com diversos novos projetos, manter o segredo era comercialmente crítico, especialmente para um novo motor V12, pelo que, além do número de chassis com as letras EX, este modelo tinha também o nome de código “Spectre”. Seguiram-se mais nove automóveis com este mesmo nome de código, antes deste carro entrar em produção como Phantom III, em 1936. Estes testes e aperfeiçoamentos realizados com os “Spectre” contribuíram para que o Phantom III conseguisse manter a reputação da marca, estabelecida pelo “Silver Ghost” de 1907 como “O melhor carro do mundo”.

ROLLS-ROYCE SPECTRE (2023-)

Tal como os EX do passado, também o novo Spectre representa uma mudança significativa e a aposta numa nova tecnologia, sendo uma evolução ainda maior que a introdução do primeiro motor V12, a configuração que, quase 80 anos depois, ainda é utilizada em todos os modelos da Rolls-Royce.

O nome Spectre alinha-se com o Ghost, o Phantom e o Wraith, como uma evocação ao silêncio, requinte e mistério, de algo que fica muito além das experiências mais comuns. Apesar de ter feito parte da designação de alguns modelos experimentais, o nome “Spectre” nunca foi adicionado a um modelo de produção, pelo que é mais do que justificada esta escolha para um automóvel de tão singular e histórica importância.

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