Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio – Ensaio Teste

By on 18 Outubro, 2020

Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio

Texto: João Isaac

Conduzir um SUV pode ser mágico. Este é prova disso

Se o nome termina em Quadrifoglio, é de certeza um Alfa Romeo muito rápido. Mas nada nos prepara para quando carregamos a fundo no acelerador deste Stelvio com motor biturbo de seis cilindros e 510 cavalos de potência. Um SUV familiar cheio de qualidades e argumentos nesse campo, mas que nesta versão topo de gama passam para segundo plano, passando o foco a ser o seu irrepreensível comportamento dinâmico e a autêntica bomba atómica a que a Alfa Romeo chama de motor.


Mais:

Motor; comportamento dinâmico; espaço; imagem.

Menos:

Visibilidade traseira; colocação dos retrovisores dificulta visibilidade na base do pilar A.

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (9/10) As emoções começam a vir ao de cima só de nos aproximarmos do Stelvio Quadrifoglio. Combina a elegância já reconhecida das versões menos musculadas com uma impressionante presença, mesmo estático, em grande parte explicada pela muita largura da carroçaria, pelas aberturas no capot e pela pintura Vermelho Competizione, um opcional de 2800 euros que lhe assenta que nem uma luva. Nesta mais recente atualização, passou a contar com novos elementos negros, tal como os emblemas, a grelha e as lentes dos farolins traseiros. As jantes de 20 polegadas são uma autêntica obra de arte e são uma delícia para os olhos de qualquer fã de automóveis. As jantes e o que se esconde, pouco, atrás delas: os travões com enormes discos perfurados e pinças vermelhas.

Interior

Interior (8/10) A bordo do Stelvio, o ambiente resulta também de uma combinação de requinte e conforto, com uma inspiração puramente “racing” graças aos muitos acabamentos em fibra de carbono e aos excelentes bancos capazes de proporcionar imenso suporte lateral, útil quando atiramos o Stelvio para as curvas. O volante, com o chamativo botão vermelho para arranque do motor, bem como o manípulo da caixa automática de 8 velocidades são novos. Também a consola central foi alvo de modificações e conta agora com mais arrumação e são vários os pontos de carga aqui existentes. Quanto à qualidade dos materiais, o Stelvio passa com distinção, pois são poucos aqueles menos agradáveis ao toque e no que diz respeito a rigor de construção, apesar da rigidez do conjunto e da utilização intensiva a que esta unidade de ensaio é constantemente submetida, não detetámos quaisquer ruídos parasitas. Para quem viaja no banco de trás, muito conforto proporcionado por um assento com comprimento adequado e bastante espaço livre para as pernas e cabeça. A bagageira dispõe de 525 litros de capacidade.

Equipamento

Equipamento (8/10) A lista é extensa e dela fazem parte elementos como a suspensão ativa, o ar condicionado bizona, os faróis bi-xenon e as luzes traseiras em LED. A compatibilidade com Apple Car Play, Android Auto e o carregador sem fios para smartphones são também de série. Relativamente a itens de segurança, este Stelvio dispõe do aviso de colisão frontal, do sistema autónomo de travagem de emergência, alerta de saída da faixa de rodagem e regulação automática dos máximos, bem como de outros assistentes como os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e a muito útil câmara traseira. Quanto a opcionais da unidade ensaiada, há que mencionar o pack Driver Assistance Plus – adiciona, por exemplo, assistente ativo de ângulo morto, cruise control adaptativo com travagem automática e reconhecimento de sinais de trânsito – e ainda o sistema de som premium da Harman/Kardon e os obrigatórios (na nossa opinião) cintos de segurança vermelhos.

Consumos

Consumos (7/10) Falar de consumos de uma proposta como este Stelvio, com um motor de cilindrada, praticamente, três litros, duplamente sobrealimentado e capaz de uma performance de outro mundo, bem patente nos seus impressionantes registos contra o cronómetro, não parece fazer sentido algum e, na verdade, não faz. Ainda assim, para além da curiosidade, que era muita, não podíamos deixar de o fazer e num circuito misto, mas maioritariamente urbano, conseguimos manter o computador de bordo a mostrar uma média de 13 l/100 km. Considerando o que anda, nada mau!

Ao volante

Ao volante (9/10) Para além do motor, é impossível não ficar imediatamente impressionado com a agilidade demonstrada por um automóvel cujo corpo, volumoso e pesado, não deveria de conseguir responder com tanta acutilância aos inputs que lhe damos via pedais e volante. A direção é, e permitam-me utilizar um termo repetitivo quando o assunto é Giulia/Stelvio, telepática. A rapidez com que o eixo dianteiro responde requer até algum hábito, sendo necessário dar bastante menos ângulo de volante para obter das rodas dianteiras aquilo que normalmente requer um pouco mais dos braços. A suspensão adaptativa faz também um trabalho excelente, anulando movimentos excessivos da carroçaria, e o sistema de tração integral Q4, bem como a vetorização de binário ativa garantem níveis de motricidade absolutamente fenomenais quando sob fortes acelerações ou à saída das curvas.

Concorrentes

Porsche Macan Turbo, 2894 cc, gasolina, 440 cv, 550 Nm; 0-100 km/h em 4,5 seg,; 270 km/h; 12 l/100 km, 260 gr/km de CO2; 129 429 euros

Jaguar F-Pace R-Dynamic HSE P400, 2996 cc, gasolina, 400 cv, 550 Nm; 0-100 km/h em 5,4 seg,; 250 km/h; 9,8 l/100 km, 221 gr/km de CO2; 104 030 euros

Motor

Motor (10/10) Sim, este motor é um 10 em 10. A sonoridade é arrepiante, sempre rouco, sempre pujante, sempre lá, para contribuir para a experiência, ainda mais presente se selecionado um dos modos mais desportivos. A disponibilidade é imediata, ainda antes das 2500 rpm, regime em que os 600 Nm ficam disponíveis e nos empurram contra os bancos. O poder de recuperação e aceleração é impressionante, com o sprint de 0 a 100 km/h a fazer-se, segundo a Alfa Romeo, em menos de nada, ou seja, em 3,8 segundos. Os 510 cavalos continuam a puxar as quase duas toneladas do Stelvio até atingida a velocidade máxima de 283 km/h. Outro elemento muito importante para o desempenho deste Quadrifoglio é a caixa automática de 8 velocidades, capaz de realizar passagens em 150 milissegundos se selecionado o modo Race.

Balanço final

Balanço Final (9/10) As opiniões relativas à estética são sempre subjetivas, mas o Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio é um daqueles automóveis que fica tão bem numa galeria de arte como numa grelha de partida de um qualquer circuito. Junta, num só carro, a habitabilidade e equipamento de conforto que se espera de um SUV deste segmento com um motor e capacidades dinâmicas que, por outro lado, não se espera encontrar nesse mesmo segmento. A Alfa Romeo pede mais de 145 mil euros por este super especial Stelvio e o motor V6 pede, sem problemas, uns 15 litros de gasolina para fazer 100 quilómetros. No entanto, este carro é muito mais do que preço, muito mais do que eficiência no consumo de combustível. É emoção, eficácia e performance, em formato SUV, mas ao melhor estilo Alfa Romeo. Só para quem pode, mas soberbo.

Ficha técnica

Motor Tipo: 6 cilindros em V, injeção direta, biturbo, gasolina Cilindrada (cm3): 2891 Diâmetro x Curso (mm): n.d. Taxa de Compressão: n.d. Potência máxima (CV/rpm): 510/6500 Binário máximo (Nm/rpm): 600/2500-5000. Transmissão: automática de 8 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): Alfa Link – independente, triângulos duplos/independente, multibraços Travões (fr/tr): discos ventilados/discos ventilados Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 3,8 Velocidade máxima (km/h): 283 Consumos misto (l/100 km): 11,5 Emissões CO2 (gr/km): 261 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4702/1955/1681 Distância entre eixos (mm): 2818 Largura de vias (fr/tr mm): n.d. Peso (kg): 1830 Capacidade da bagageira (l): 525 Deposito de combustível (l): 64 Pneus (fr/tr): 255/45 R20 / 285/40R20 Preço da versão base (Euros): 132.500 Preço da versão ensaiada (Euros): 145.718

Preço da versão ensaiada (Euros): 145718€
Preço da versão base (Euros): 132500€