Audi A6 Allroad 3.0 TDI – Ensaio/Teste

By on 22 Junho, 2017

Texto: João Botelho

Audi A6 Allroad 3.0 V6 TDI 320 cv quattro tiptronic

Numa análise meramente estática, o que mais impressiona na Audi A6 Allroad 3.0 V6 TDI 320 cv quattro tiptronic são os números. Quase 100.000 euros de preço base, mais de duas toneladas de peso, perto de cinco metros de comprimento e um motor Diesel capaz de produzir 320 cv e uns imensos 650 Nm de binário. Não menos impressionante é o valor de 5,5 segundos declarado para a aceleração 0-100 km/h.

Não fossem os números a garantir que estamos perante um automóvel de certa especial, seria a imagem a fazê-lo. Nesta combinação da carroçaria pintada em preto Mythos, com o interior revestido a cor Castanho Santos, a que ainda se juntam umas imponentes jantes de 20”, esta Audi A6 Allroad não deixa ninguém indiferente, conseguindo misturar um ar radical com uma aparência indiscutivelmente premium, capaz de fazer inveja a muito SUV deste faixa de preço.
O habitáculo segue a mesma bitola e, não sendo particularmente arrojado no desenho, deixa-nos completamente convencidos com o rigor de construção empregue, seja pela execução exímia ou pelos materiais de primeira linha, sendo ainda de destacar a excelente visibilidade, ergonomia e a extremamente versátil e confortável posição de condução.

Quer isto dizer, portanto, que, sem sequer darmos ordem de marcha ao motor, estamos perfeitamente convencidos das muitas qualidades da Audi A6 Allroad, até porque não falta espaço para os cinco ocupantes e respectiva bagagem, capaz de ser alojada nos 565 litros de capacidade da bagageira.

Mas nada isto é uma particular novidade, nem mesmo com o restyling de que a gama A6 foi alvo no final do ano passado. Novidade é, isso sim, o último estágio de potência do bloco 3.0 V6 TDI biturbo, que chega agora aos já referidos 320 cv. Assim que pressionamos o botão “start engine”, somos brindados com um som possante, que nos deixa claro estarmos perante um motor Diesel muito especial. Não há matraquear, nem qualquer ruído desagradável. Não é um motor a gasolina, é certo, mas fica anos-luz à frente da maioria dos motores Diesel, no que toca à questão sonora. Agradável é também a forma como são percorridos os primeiros metros, numa clara demonstração da simbiose perfeita entre o imenso binário disponível e a imensa suavidade e rapidez da caixa automática ZF de oito velocidades, que resulta numa total facilidade e comodidade na condução. A ritmos baixos, a suspensão pneumática funciona de forma muito eficaz, seja qual for o modo definido no Audi Drive Select, só transmitindo algumas irregularidades por intermédio do peso não-suspenso causado pelas jantes de 20”.

Apesar das generosas dimensões da carroçaria, a condução citadina é sempre fácil, até porque há sensores de estacionamento e a direcção é, no modo Confort, bastante leve. E, mais uma vez, a imensa disponibilidade do motor permite serpentear facilmente por entre o tráfego urbano. A resposta só não é tão lesta quando o Audi Drive Select está definido no modo Efficiency, pois o pedal do acelerador fica um pouco inerte, tirando brilho aos 320 cv disponíveis, para além de reduzir bastante a capacidade de arrefecimento do ar condicionado.

Naturalmente, e por todas as suas características, a urbe não é propriamente o ambiente mais adequado para a Audi A6 Allroad, que implora por viagens longas, sem fim à vista. Seja em auto-estrada ou estrada nacional, a suspensão pneumática continua a apresentar elevados índices de conforto para todos os passageiros, mas o mesmo não se pode dizer do controlo dos movimentos da carroçaria. Em qualquer estrada contorcida, mesmo com o Audi Drive Select apontado para o modo Dynamic, basta aumentarmos um pouco o ritmo, o que é bastante fácil com este motor, para ser brindados com um generoso rolamento da carroçaria, o que nos leva a descrever grande parte das curvas a uma velocidade digna de automóveis bem menos dotados tecnicamente, sob pena de provocarmos enjoo nos passageiros. Mesmo com tracção integral e imensa aderência por parte dos Pirelli Pzero na medida 255/40 R20, o condutor nunca se sente especialmente confortável a praticar ritmos muito céleres, ficando mais focado em encruar as rectas.

Tal comportamento leva-nos facilmente a concluir que as auto-estradas serão o terreno de eleição da carrinha germânica, mas tal pensamento não é completamente verdadeiro. É certo que, aqui, é mais fácil controlar o adornar da carroçaria, mas não é menos verdade que o mesmo se torna generoso se tirarmos todo o potencial do portentoso motor 3.0 TDI, que mantém velocidades de cruzeiro acima do dobro permitido nas nossas auto-estradas, seja qual for o grau de inclinação. Facilmente damos por nós a reduzir o ritmo em virtude da generosa inclinação da carroçaria, já que nem mesmo o acerto Dynamic da suspensão consegue conter as mais de duas toneladas de tara.

Já fora de estrada, graças ao generoso curso da suspensão e do bom funcionamento do sistema de tracção integral, a Audi A6 Allroad supreende pelas suas capacidades trialeiras, tendo em conta que não se trata, sequer, de um SUV. Estradões de terra-batida são ultrapassados como uma pequena brincadeira, mesmo com irregularidades de tamanho generoso. Em lama, a principal limitação surge da parte dos pneus de vocação 100% asfalto, que facilmente ficam com o seus sulcos preenchidos, reduzindo a aderência para perto de zero. Nada que não aconteça com a maioria dos SUV, portanto.

No final de contas, olhando para a gama Audi A6 allroad, constatamos que, por uma diferença de cerca de 17.000 euros, podemos aceder à versão 3.0 TDI 218 cv s tronic. São menos 102 cv, mas a verdade é que os 320 cv da versão biturbo não são explorados a 100%, fruto da incapacidade do chassis para lidar com o elevado peso do conjunto. O diferencial de preço nem sequer chega para todo o equipamento opcional montado na unidade ensaiada, que muito faz pela sensação premium, o que torna esta portentosa esta versão 3.0 TDI Biturbo uma escolha muito pouco racional.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 6 cilindros em V, long., inj. common-rail, biturbo  

Cilindrada (cm3) – 2967

Diâmetro x curso (mm) – 83,0×91,4

Taxa compressão – 15,5:1

Potência máxima (cv/rpm) – 320/3900-4600

Binário máximo (Nm/rpm) – 650/1400-2800

Suspensão (fr/tr) – Paralelogramo deformável, pneumática/paralelogramo deformável, pneumática

Transmissão e direcção – Integral; cx. de 8 vel. automática; pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 5,5

Velocidade máxima (km/h) – 250

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 5,8/7,7/6,5

Emissões de CO2 (g/km) – 172

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) – 4938/1898/1451

Distância entre eixos (mm) – 2905

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1631/1596

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/discos ventilados

Peso (kg) – 2030

Capacidade da bagageira (l) – 565-1680

Depósito de combustível (l) – 73

Pneus – 235/55 R18

Pneus versão ensaiada – 255/40 R20