Audi Q2 1.6 TDI 115 – Ensaio

By on 20 Junho, 2017

 

Por José Manuel Costa

O mais interessante Q2 tem motor a gasolina, mas como todos gostam de ter um carro a gasóleo, o AutoSport ensaiou a versão turbodiesel com o motor 1.6 TDI 115 CV. Um carro engraçado, mas com um preço pouco convidativo

Membro da família Q de SUV da Audi, o Q2 é importante para a Audi e, sobretudo, teve o condão de levar a casa alemã a sair da sua zona de conforto, desbravando novos caminhos ao encontro de clientes bem diferentes do habitual. O Q2 não é para o executivo, para a família de sucesso ou para o cinzentam que gosta de tudo muito certo e sem espalhafato.

O Q2 é o SUV mais pequeno que a casa alemã já fez e, para apimentar mais as coisas, decidiu inovar no estilo para o deixar coladinho ao Mercedes GLA e, sobretudo, ao seu maior rival, o Mini Countryman. É a este que o Q2 quer roubar vendas e para isso arma-se do motor 1.6 TDI 115 CV e de uma série de interessantes coisas.

Se olhar para o lado e vir o Seat Ateca, o VW Tiguan só para falar dos modelos do grupo, poderá encontrar carro bem mais acessíveis e mais bem equipados. Porém, se tivesse de optar entre o Audi Q2, o Mini Countryman ou um Audi A3, a escolha ia direitinha para o Q2. Mas com o motor a gasolina!

Naturalmente que se procura consumo baixos, a versão TDI do Q2 é a mais apelativa, pois pede emprestado o bloco 1.6 TDI com 116 CV ao A3 sendo bem mais económico que as versões a gasolina. Claro está que para ganhar na bomba, paga à cabeça cerca de 2.500 euros mais (sem contar com pacotes de equipamento) e uma manutenção complicada e onerosa. Já fez as contas? Pois…

Como sucede na maioria dos atuais Audi, o interior do Q2 é fantástico e muito prático, com qualidade insuspeita. A bagageira acolhe muita tralha sem problemas, ajudando-o graças à baixa altura a solo e à ampla abertura do portão traseiro. O espaço a bordo impressiona e o conforto também, com todos os comandos à mão e tudo feito de forma capaz e, sobretudo, eficaz. A posição de condução é excelente e não custa nada estar um par ou dois de horas ao volante que o Q2 não nos castiga as costas. Depois há o sistema MMI, muito completo, eficaz e, sobretudo, intuitivo.

Colocado em marcha, o bloco TDI devolve o típico ruído dos diesel, amarfanhado pela insonorização, mas ainda assim capaz de chegar ao habitáculo. O motor não tem uma potência extraordinária, mas como o Q2 não é um peso pesado, as cifras debitadas pelo bloco 1.6 TDI são mais que suficientes. Mas o motor TDI do grupo VW não é dos mais silencioso ou refinados do mercado.

Consegue ser um motor suave nos baixos regimes, mas que se revela mais agreste quando carregamos a fundo no acelerador. Ai, chega mais barulho ao interior, mas sem incomodar ao ponto de irritar ou colocar em causa o conforto do habitáculo. A excelência dos interiores da Audi permite disfarçar a propensão vocal do bloco 1.6 TDI.

Outra preocupação dos homens da Audi foi reduzir a máximo as vibrações através da coluna de direção e dos pedais, algo comum a esta plataforma do grupo VW. É verdade que quando ligamos o motor ambos abanam ligeiramente e sempre que o sistema stop/start entra em ação, lá surge uma abanadela da coluna de direção, mas nada de preocupante ou sequer incomodativo.

No que concerne o comportamento, a Audi colocou as “mangas de fora” e numa provocação direta à Mini e ao seu “go kart feeling” do Mini, decidiu dizer que o Q2 é compacto e pensado para oferecer uma sensação de… “go-kart”!

Mais olhos que barriga, pois o Q2 não consegue chegar tão longe como um Mini, embora consiga desafio-lo sem medo. É eficaz em curva com excelente equilíbrio entre conforto e comportamento tendo na direção progressiva uma ajuda preciosa. Ficando mais rápida e direta consoante andamos mais depressa, ajuda muito na perseguição a um Countryman.

Veredicto

Acredito que na Europa, o Q2 possa ser uma agradável surpresa e consiga transformar-se num “best seller”. É muito prático, tem uma enorme bagageira, está feito com grande qualidade, merecendo o rótulo Premium e com este motor a gasóleo, ainda exibe o trunfo dos baixos consumos, que, no meu caso, se situaram nos 5,1 l/100 km. Claro que se olhar para o lado e vir o Seat Ateca, o VW Tiguan só para falar dos modelos do grupo, poderá encontrar carro bem mais acessíveis e mais bem equipados. Porém, se tivesse de optar entre o Audi Q2, o Mini Countryman ou um Audi A3, a escolha ia direitinha para o Q2. Mas com o motor a gasolina!

FICHA TÉCNICA

Audi Q2 1.6 TDI 116

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 1598; Diâmetro x curso (mm) 79,5 x 80,5; Taxa compressão 16,2:1; Potência máxima (cv/rpm) 116/3250 – 4000; Binário máximo (Nm/rpm) 250/1500 – 3200; Transmissão e direcção Tracção dianteira, caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente McPherson fr/ eixo de torção tr; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4191/1794/1508; distância entre eixos 2601; largura de vias (fr/tr) 1547/1541; travões fr/tr. Discos ventilados/discos; Peso (kg)1310; Capacidade da bagageira (l) 405/1050; Depósito de combustível (l) 50; Pneus (fr/tr) 215/60 R16; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,3; velocidade máxima (km/h) 197; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,1/4,9/4,4; emissões de CO2 (g/km) 114.