AUDI Q8 50 TDI – Ensaio Teste

By on 6 Março, 2019

Audi Q8 50 TDI

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Inteligente e interessante

O Q8 é o topo da gama SUV da Audi e pelos adjetivos que a casa de Ingolstadt utilizou para descrever o SUV com pele de coupé, estamos perante um carro pensado para utilizadores que pretendem um SUV inteligente, diferente do comum e que consiga, apesar da forma, ser pratico o suficiente para não ir buscar um Q7. Valerá este Q8 a diferença de preço face ao Q7? Vamos ver.


Mais:

Tecnologia / Estilo / Inesperada praticabilidade

Menos:

Preço / Consumos

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

O Q8 segue o estilo do A8, o modelo que corre a seu lado na gama da Audi. O Q8 é, claro, um topo de gama e parece, no estilo, um automóvel caro. Porquê? O Q8 tem quatro portas sem molduras nas portas e uma traseira muito inclinada que desenha a forma coupé. A enorme grelha dianteira marca a frente do carro, adicionando-se cavas das rodas generosas e musculadas, faróis e farolins LED, com uma barra luminosa a ligar os farolins traseiros, completam um estilo musculado que não é nada aborrecido, bem antes pelo contrário, mas incapaz de promover unanimidade. Literalmente, há quem adore e quem odeia o estilo do Q8.

Interior

Pontuação 8/10

A Audi sempre fez interiores de qualidade e de muito bom gosto e não falhou com o Q8. Simplesmente fabuloso o habitáculo do Q8, forrado a pele e com um conjunto de três ecrãs que se complementam: um que funciona como painel de instrumentos (Virtual Cockpit), outro que alberga o sistema de info entretenimento e um terceiro onde, entre outras coisas, está o controlo do sistema de climatização. Os comandos são fabulosos ao toque, servindo uma ligeira resistência que adiciona a sensação de qualidade. Mergulhar nos vários menus dos sistemas pode ser assustador numa primeira abordagem, mas rapidamente percebemos como tudo funciona.

Vamos muito bem sentados com bancos de qualidade, confortáveis e com ótimo suporte. Há muito espaço dentro do Q8, inclusive no banco traseiro e uma bagageira muito aceitável, mas que tem o acesso sacrificado pela forma do acesso e da parte traseira do carro. O banco traseiro pode ser rebatido para alargar a capacidade da bagageira. Evidentemente que não há os dois lugares extras do Q7 e a mala é mais pequena, mas acredito que se quer um Q8 não está preocupado com as questões práticas, com a capacidade da mala ou até a falta de dois lugares extras.

Equipamento

Pontuação 7/10

Como sucede habitualmente, o equipamento de um Audi é um jogo de paciência para coordenar tudo aquilo que é oferecido de série e o que passa a estar nos pacotes de equipamento e nos opcionais. Assim, de série, o Q8 oferece jantes de liga leve de 19 polegadas, faróis LED, assistente de máximos, farolins traseiros LED, luzes diurnas LED, regulação dos faróis, pacote Audi Exclusive negro, capas dos espelhos na cor da carroçaria, spoiler traseiro, vidros com isolante térmico, bancos com apoio lombar elétrico, rebatimento do banco em 40/20/40, volante de três raios com patilhas, ar condicionado automático bizona, espelhos exteriores com regulação elétrica, rebatíveis e aquecidos, bagageira com portão elétrico, Audi Virtual Cockpit, sistema MMI com rádio Plus, sistema de navegação Audi connect Navigation & Infotainment, Smartphone interface e Blutooth, Audi pre Sense dianteiro, câmara multifuncional, câmara traseira, sistema de estacionamento Plus, cruise control com limitador de velocidade, chassis com amortecimento de comando eletrónico, traão integral quattro, controlo de amortecimento na suspensão, reconhecimento de ocupação do banco, quatro anos de garantia ou 80 mil quilómetros e mais uma mão cheia de coisas. Tudo isto dentro do preço de 117.520 euros.

A partir daqui temos uma caixa de pandora e será mais útil consultar o sítio de internet https://www.audi.pt/pt/web/pt/modelos/q8/q8/packages.html. As opções são tantas e o cruzamento entre os diversos pacotes é tão grande que seria um desperdício de tempo estar aqui a enumerar todos os opcionais.

Consumos

Pontuação 6/10

A Audi reclama para o Q8 50 TDI – equipado com o V6 de 3.0 litros com 286 CV – um consumo misto de 6,6 litros por cada centena de quilómetros. Impossível! Nunca consegui menos de 7,3 l/100 km e a média final do ensaio ficou 7,6 l/100 km. Um resultado ainda assim muito interessante. Apertando com o andamento, chegar aos dois dígitos não é tarefa complicada. Porém, perfeitamente admissível num carro que pesa nada menos que 2145 quilogramas.

Ao volante

Pontuação 7/10

Como seria de esperar, o AudI Q8 nesta versão 50 TDI com o motor V6 mais potente, é rápido apesar de mover mais de duas toneladas de peso. Mas, sobretudo, é um automóvel muito confortável que está perfeitamente á vontade a devorar quilómetros. E mesmo com as enormes jantes com pneus puramente de estrada (apesar de ser um SUV, às malvas os pneus mistos) o conforto não é tocado. O reverso da medalha é que o Q8 não tem particular emoção a conduzir, faz tudo bem, mas sem centelha de emoção. O que não é mau, pois ninguém espera que um SUV deste tamanho tenha características desportivas. Eu não esperava isso! Talvez quando chegar a versão RS tudo seja diferente, mas não me parece ser esse o desígnio do Q8.

Há vários modos de condução, no sistema Audi Driver Assist, sendo que o meu preferido é o Comfort, mas pode optar pelo Dynamic, que endurece as suspensões e rebaixo o carro cerca de 40 mm. Há um modo “Off Road”que, por sua vez, eleva o carro 50 mm. Ou seja, há uma amplitude de 90 mm entre o modo Sport e o Off Road, ficando o Comfort a meio.

A direção não é um exemplo de sensibilidade, mas a verdade é que sendo o Q8 um carro grande e pesado, consegue-se colocar a frente onde desejamos, sem grandes dificuldades e com um peso correto. Ponto positivo: apenas três voltas de topo a topo, o que é uma bênção nas manobras e, também, em estradas mais sinuosas. Se optar pela direção ás quatro rodas, terá de se habituar a esta pois o carro fica ligeiramente mais ágil.

O sistema quattro de tração integral é inteligente e graças à função de vectorização de binário no eixo traseiro, consegue colocar, sempre, o binário na roda certa. Binário esse que é dividido entre os dois eixos por um repartidor que envia 70% para o eixo dianteiro e 85% para o traseiro.

Apesar de ser um carro grande e largo e, ainda por cima, devido ao estilo coupé, ter algumas zonas onde não se vê absolutamente nada, o Audi Q8 é um carro fácil de conduzir e, como já disse, muito confortável, com um interior onde dá gosto viver.

Concorrentes

BMW X6 xDrive 30d 2993 c.c. turbo diesel; 258 CV; 560 Nm; 0-100 km/h em 6,7 seg,; 230 km/h; 6,0 l/100 km, 158 gr/km de CO2; 116.450 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Mercedes GLE 300d Coupé 1950 c.c. turbo diesel; 245 CV; 500 Nm; 0-100 km/h em 7,2 seg,; 225 km/h; 5,1 l/100 km, 162 gr/km de CO2; 116.535 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Range Rover Velar 1999 c.c. turbo diesel; 240 CV; 500 Nm

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10

O conhecido motor V6 do grupo Volkswagen, com 3.0 litros e aqui numa versão mais potente com 286 CV e 600 Nm de binário, serve que nem uma luva ao Q8. Consegue levar as mais de duas toneladas do Q8 50 TDI dos 0-100 km/h em muito respeitáveis 6,3 segundos, não é um sorvedor de gasóleo, sendo refinado e muito agradável de utilizar, acoplado á caixa automática Tiptronic com oito velocidades, que explora o muito binário existente entre as 2250 e as 3250 rpm. Penso que é o motor certo para este Q8, pois a versão menos potente que a Audi não oferece em Portugal, com 231 CV não deverá ser tão agradável.

Balanço final

Pontuação 8/10

O rival do BMW X6 e do Mercedes GLW Coupé, é um carro que não se revela imediatamente. Num primeiro olhar, pensei “pronto, lá vem mais uma esquisitice alemã” com o seu estilo alternativo e fraturante – que pode melhorar ou piorar com a escolha de cores – e um interior que pede meças a modelos como o A8 ou os seus rivais alemães. Porém, depois de passar algum tempo com o Q8, tenho de dizer que este é um SUV cuja forma não sacrifica, em demasia, a função, está carregado de tecnologia (desde que tenha bolsos fundos o suficiente para os muitos opcionais), tem um interior que é um regalo e não é um beberrão de gasóleo. Não é um carro para quem adora conduzir, mas não fica envergonhado face a outros modelos e com a habitabilidade que exibe, ultrapassa o BMW X6 sem grande dificuldade. É, realmente, como digo no título deste ensaio, um carro inteligente por parte da Audi, cuja maior pecha é mesmo o preço acima dos 115 mil euros.

Tecnologia / Estilo / Inesperada praticabilidade

Ficha técnica

Motor

Tipo: V6 com injeção direta turbo diesel com intercooler

Cilindrada (cm3): 2967

Diâmetro x Curso (mm): 83 x 91,4

Taxa de Compressão: 16:0

Potência máxima (CV/rpm): 286/3500 – 4000

Binário máximo (Nm/rpm): 600/1750 – 3000

Transmissão: Integral permanente com caixa de 8 velocidades automática

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente, multibraços, pneumática

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 6,3

Velocidade máxima (km/h): 245

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 6,4/7,0/6,6

Emissões CO2 (gr/km): 178

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4986/1995/1705

Distância entre eixos (mm): 2995

Largura de vias (fr/tr mm): 1679/1691

Peso (kg): 2145

Capacidade da bagageira (l): 605/1755

Deposito de combustível (l): 75 (AdBlue: 24 lts)

Pneus (fr/tr): 265/55 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 140.452€
Preço da versão base (Euros): 116.270€