Bentley Bentayga V8 – Ensaio Teste

By on 7 Setembro, 2018

Bentley Bentayga V8

Texto e fotos: José Manuel Costa

Inglesa de nascimento, a Bentley há muito que está nas mãos de alemães pragmáticos que viram nos SUV a oportunidade de crescer, oferecendo aos seus requintados clientes a possibilidade de desfrutar da sumptuosidade de um Bentley com as capacidades de um fora de estrada. Com o motor V8 a gasolina, o Bentayga ficou ainda melhor. Neste ensaio vou tentar explicar porquê.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Refinamento; Interior requintado; V8 é motor certo; Performance inesgotável

 

 

Menos:

Preço, Preço das opções; Peso; Estilo (?)

Exterior

/10

Sabem aqueles fatos de corte italiano que nos retiram anos de vida e invariavelmente nos assentam como uma luva? O Bentley Bentayga é um bocadinho assim, pois até o mais feio e sensaborão fica brilhante e com um sorriso nos lábios ao volante deste enorme SUV. Que veio parar ás minhas mãos durante uma mão cheia de dias, não com o motor W12 ou com o bloco turbodiesel, mas com o propulsor que na minha opinião melhor lhe serve, o V8 a gasolina de 4.0 litros sobrealimentado. Lá está, parece fato feito á medida para o Bentayga. Grande, mas elegante, feio ou bonito é a escolha que deixo consigo. As fotos não fazem justiça ao conjunto de um carro que não deve ter sido fácil de desenhar tendo em conta todo o ADN de estilo da Bentley que foi preciso implementar num carro deste gabarito. Ao vivo o carro em mais bom aspeto mesmo neste amarelo vibrante que dá mais nas vistas que outra coisa. Acredito que se tiver 322 mil euros para comprar um Bentayga V8 irá optar pelo mais conservador cinza escuro ou até um preto que esconde quase tudo.

Interior

/10

Abrir a porta do Bentayga confere-nos o acesso a um mundo onde a pele, a madeira e o requinte estão de mãos dadas para nos fazer inspirar e pensar “estudasses!!”. Como disse acima, há muitas coisas que pertencem ao caixote de peças comuns do grupo VW, particularmente da Audi, mas tudo está bem integrado com um bom gosto que se funde com o rigor germânico. É verdade que não faz muito sentido ter as mesmas patilhas no volante que um Audi A3 ou até as mesmas manetes que acionam faróis e limpa para brisas de um A7, mas… descontamos isso perante o mar de pele e madeira que nos rodeia. Perante bancos confortáveis, envolventes e com centenas de regulações mais aquecimento e refrigeração individuais.

A consola central é volumosa e quem desenhou o interior decidiu que além da alavanca da caixa automática de 8 velocidades, lá deveria estar um botão rotativo que comanda os modos de condução e dá ordem ao motor para se colocar em funcionamento ou desligar. Não dá muito jeito, pois acabamos a tentar mudar a fonte de áudio do sistema de entretenimento no botão que passa de desportivo a fora de estrada. A música não muda, mas o Bentayga sim.

Se for muito egoísta e não quiser levar mais de duas pessoas no imenso espaço que fica entre os bancos dianteiros e a bagageira com 471 litros (1774 litros de rebater os bancos na versão de cinco lugares) pode comprar a configuração de 4 lugares com bancos Comfort atrás (com regulação elétrica e ventilação individual) por módicos 8.760 euros. Fica caro, mas é uma ótima desculpa para deixar a sogra em casa ou aquele chato que tem a mania de cravar boleias. Dito isto, tenho de enaltecer o conforto excelente a bordo – as suspensões pneumáticas merecem todo o crédito – e a qualidade de construção, apesar de aqui e ali encontrar alguns detalhes que não ficam bem num carro de 300 mil euros.

Equipamento

/10

É um verdadeiro mistério o equipamento de um carro destes. Não só porque não há uma lista de equipamento de série definitiva e a lista de opcionais é mais longa que os cantos dos Lusíadas. Posso lhe dizer que o Bentayga que ensaiei tinha qualquer coisa como 82.590 euros de opcionais! Os mais caros e ainda sem IVA? Bom, a configuração de 4 lugares com bancos Comfort (9.760 euros), o sistema de som Naim (6.685 euros), o relógio Breitling com mostrador em madrepérola (3.025 euros), o sistema de entretenimento traseiro com dois “tablets” (5.690 euros) ou Bentley Dynamic Ride (3.925 euros). Mais baratinhas as mesas de picnic em madeira (1.655 euros), a pedaleira em alumínio perfurado (700 euros) ou o volante de três raios aquecido (400 euros). Para ter o pesponto a amarelo como a cor exterior, basta pagar 1.575 euros e para ter os logótipos Bentley nos encostos de cabeça, são mais 535 euros a que se juntam os 395 euros para uns tapetes que dizem Bentley. E se não quiser sujar as mãozinhas para abrir a tampa da bagageira, desembolsa mais 690 euros e fica resolvido.

Consumos

/10

Com mais de 2300 quilos de peso e um V8 de 4.0 litros a puxar debaixo do capô motor, não pode estar á espera que o Bentayga seja um pisco no que toca ao consumo. Se andar muito em cidade, não há sistema de anulação de cilindros (que o transforma num V4 quando temos uma dúzia de ovos entre o nosso pé e o pedal do acelerador e não podemos partir um único ovo) ou “stop&start” que valha ao apetite voraz do V8 e a média oficial é de 15,6 litros por cada centena de quilómetros. Não sei se parti os ovos todos ou se estava particularmente desinspirado, mas o computador de bordo nunca baixou, em cidade, dos 18 litros. Já em estrada aberta, tudo foi diferente e consegui aproximar-me daquilo que a Bentley reclama: 11,7 contra 9,0 l/100 km. Contas feitas aos mais de 300 quilómetros feitos ao volante deste Bentayga V8, a média ficou nos 12,8 l/100 km, quando a Bentley diz que o carro gasta 11,4 l/100. E consegui, sem partir ovos e com um V4, em autoestrada a 130 km/h, ter no computador de bordo valores abaixo dos dois dígitos.

Ao Volante

/10

Esquecendo, para já, as questões relacionadas com preços, opcionais, consumos e demais cifras, olhemos para o Bentayga como um SUV com capacidade para andar fora de estrada com o mesmo á vontade, reclama a Bentley, que um Range Rover ou um Audi Q7. Se quanto ao primeiro é algo arrogante pensar asim, no caso do segundo é legítimo pois a base é a mesma, a plataforma MLB. E já agora, que ninguém nos ouve, sabia que no interior o que não faltam são peças oriundas dos Audi? Mas não diga nada, pois ficam muito bem no sumptuoso Bentayga e pouparam uns cobres aos homens da Bentley.

Dizia eu que a marca de Crewe reclama para o Bentayga capacidade fora de estrada que, acreditem, o carro até tem pois comprovei isso. Porém, quem é o louco que dá 5.010 euros para ter as especificações todo o terreno e, depois, o leva para o meio do mato?! Eu não o faria, até porque a Bentley sempre reclamou para o Bentayga ser o SUV de produção em série mais veloz e mais caro disponível no mercado. Esta catedral com mais de cinco metros de comprimento, dois metros de largura e um metro e oitenta de altura que pesa mais de 2300 quilos, está pensada para a passadeira vermelha, para o salto alto, para o vestido do costureiro da moda, para o fato italiano. Não para botas de borracha e calças de ganga.

O V8 que equipa o Bentayga é melodioso e cheio de tecnologia. Para evitar que fique escandalizado com os valores de consumo, o bloco está equipado com o sistema de anulação de cilindros pelo que, em carga mínima no acelerador (mas rem de ser mesmo mínima) fica com um V4. Mesmo assim a média deste ensaio não desceu dos 12 litros por cada centena de quilómetros. Acha muito? Como se alguém que compra um Bentayga fique preocupado com os gastos do cartão de combustível…

Com 550 CV e 770 Nm de binário, é fácil a este bloco V8 mexer as mais de 2,3 toneladas de peso que exibe na báscula. Aliás, isso está refletido nos 4,5 segundos que faz dos 0-100 km/h e nos quase 300 km/h de velocidade de ponta.

Naturalmente que não tentei comprovar nenhuma destas cifras, mas posso dizer que o Bentayga ganha velocidade de uma forma impressionante. A caixa de velocidades automática é um regalo.

Não terá sido fácil para os engenheiros encontrar forma de colocar esta riquíssima catedral a curvar depressa e com qualidade. Depois da apresentação em 2016, a Bentley reagiu às críticas feitas à direção e para o V8 oferece uma unidade com maior sensibilidade. Não conheço o modelo original, mas se esta é a direção melhor, há ainda algum trabalho a fazer, particularmente quando se circula em pisos que não são mesas de bilhar.

Com a mesma afinação de suspensão que o W12, o Bentayga V8 oferece a possibilidade de termos quatro alturas ao solo e os tais modos de condução que vão do Comfort ao Sport, passando pelo modo Bentley que é igual ao modo automático do drive select da Audi. Bom… estes são os mesmos modos do Audi Q7. PO segredo para que o Bentayga não se incline que nem doido nas curvas e coloque problemas em domar a enorme massa que tem, está nas barras estabilizadoras ativas, que permitem curvar com o carro, praticamente, a direito. Calma! Não quer isto dizer que está ao volante de um Continental GT! Até forças laterais de 0,6G, as barras funcionam, a partir dai, o sistema permite que o carro comece a adernar um pouco, lembrando ao condutor que “enough is enough”

Balanço Final

/10

Belíssima posição de condução, luxo por todo o lado, um motor que é capaz de me levar até à marginal a ronronar ou para uma estrada sinuosa com garantia de sair de lá sem pecado e uma imagem poderosa com um estilo do género “amor – ódio”, eis o Bentley Bentayga. A sumptuosidade britânica do passado está presente, mas transformou-se num luxo germânico onde o rigor e a tecnologia estão muito bem integrados. O elefante na sala são os mais de 300 mil euros do preço e o facto do Bentayga não ser, de todo, um SUV desportivo. Para mim o motor V8 é o que melhor o serve, mas acredito que se não olhar para o Bentayga como um SUV de elevadas prestações, será a versão diesel a que melhor lhe servirá. Tudo o resto… será inveja. Lá está, só e vem à cabeça a palavra “estudasses!”…

Concorrentes

Audi Q7 (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Maserati Levante

 

Mercedes GLS (Veja o ensaio AQUI)

 

Porsche Cayenne (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Range Rover  (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Ficha Técnica

Motor

Tipo: V8 com injeção direta e duplo turbo de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 3996

Diâmetro x Curso (mm): nd

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima (CV/rpm): 550/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 770/1960 – 4500

Transmissão: Integral permanente com caixa de 8 velocidades automática

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5

Velocidade máxima (km/h): 290

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 9,0/15,6/11,4

Emissões CO2 (gr/km): 260

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 5140/1998/1742

Distância entre eixos (mm): 2995

Largura de vias (fr/tr mm): Nd

Peso (kg): 2388

Capacidade da bagageira (l): 215 (7 lugares)/431 (4/5 lugares)/1774 (bancos rebatidos)

Deposito de combustível (l): 85

Pneus (fr/tr): 285/45 R21

Preço da versão base (Euros): nd

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Sabem aqueles fatos de corte italiano que nos retiram anos de vida e invariavelmente nos assentam como uma luva? O Bentley Bentayga é um bocadinho assim, pois até o mais feio e sensaborão fica brilhante e com um sorriso nos lábios ao volante deste enorme SUV. Que veio parar ás minhas mãos durante uma mão cheia de dias, não com o motor W12 ou com o bloco turbodiesel, mas com o propulsor que na minha opinião melhor lhe serve, o V8 a gasolina de 4.0 litros sobrealimentado. Lá está, parece fato feito á medida para o Bentayga. Grande, mas elegante, feio ou bonito é a escolha que deixo consigo. As fotos não fazem justiça ao conjunto de um carro que não deve ter sido fácil de desenhar tendo em conta todo o ADN de estilo da Bentley que foi preciso implementar num carro deste gabarito. Ao vivo o carro em mais bom aspeto mesmo neste amarelo vibrante que dá mais nas vistas que outra coisa. Acredito que se tiver 322 mil euros para comprar um Bentayga V8 irá optar pelo mais conservador cinza escuro ou até um preto que esconde quase tudo.

Interior

Abrir a porta do Bentayga confere-nos o acesso a um mundo onde a pele, a madeira e o requinte estão de mãos dadas para nos fazer inspirar e pensar “estudasses!!”. Como disse acima, há muitas coisas que pertencem ao caixote de peças comuns do grupo VW, particularmente da Audi, mas tudo está bem integrado com um bom gosto que se funde com o rigor germânico. É verdade que não faz muito sentido ter as mesmas patilhas no volante que um Audi A3 ou até as mesmas manetes que acionam faróis e limpa para brisas de um A7, mas… descontamos isso perante o mar de pele e madeira que nos rodeia. Perante bancos confortáveis, envolventes e com centenas de regulações mais aquecimento e refrigeração individuais.

A consola central é volumosa e quem desenhou o interior decidiu que além da alavanca da caixa automática de 8 velocidades, lá deveria estar um botão rotativo que comanda os modos de condução e dá ordem ao motor para se colocar em funcionamento ou desligar. Não dá muito jeito, pois acabamos a tentar mudar a fonte de áudio do sistema de entretenimento no botão que passa de desportivo a fora de estrada. A música não muda, mas o Bentayga sim.

Se for muito egoísta e não quiser levar mais de duas pessoas no imenso espaço que fica entre os bancos dianteiros e a bagageira com 471 litros (1774 litros de rebater os bancos na versão de cinco lugares) pode comprar a configuração de 4 lugares com bancos Comfort atrás (com regulação elétrica e ventilação individual) por módicos 8.760 euros. Fica caro, mas é uma ótima desculpa para deixar a sogra em casa ou aquele chato que tem a mania de cravar boleias. Dito isto, tenho de enaltecer o conforto excelente a bordo – as suspensões pneumáticas merecem todo o crédito – e a qualidade de construção, apesar de aqui e ali encontrar alguns detalhes que não ficam bem num carro de 300 mil euros.

Equipamento

É um verdadeiro mistério o equipamento de um carro destes. Não só porque não há uma lista de equipamento de série definitiva e a lista de opcionais é mais longa que os cantos dos Lusíadas. Posso lhe dizer que o Bentayga que ensaiei tinha qualquer coisa como 82.590 euros de opcionais! Os mais caros e ainda sem IVA? Bom, a configuração de 4 lugares com bancos Comfort (9.760 euros), o sistema de som Naim (6.685 euros), o relógio Breitling com mostrador em madrepérola (3.025 euros), o sistema de entretenimento traseiro com dois “tablets” (5.690 euros) ou Bentley Dynamic Ride (3.925 euros). Mais baratinhas as mesas de picnic em madeira (1.655 euros), a pedaleira em alumínio perfurado (700 euros) ou o volante de três raios aquecido (400 euros). Para ter o pesponto a amarelo como a cor exterior, basta pagar 1.575 euros e para ter os logótipos Bentley nos encostos de cabeça, são mais 535 euros a que se juntam os 395 euros para uns tapetes que dizem Bentley. E se não quiser sujar as mãozinhas para abrir a tampa da bagageira, desembolsa mais 690 euros e fica resolvido.

Consumos

Com mais de 2300 quilos de peso e um V8 de 4.0 litros a puxar debaixo do capô motor, não pode estar á espera que o Bentayga seja um pisco no que toca ao consumo. Se andar muito em cidade, não há sistema de anulação de cilindros (que o transforma num V4 quando temos uma dúzia de ovos entre o nosso pé e o pedal do acelerador e não podemos partir um único ovo) ou “stop&start” que valha ao apetite voraz do V8 e a média oficial é de 15,6 litros por cada centena de quilómetros. Não sei se parti os ovos todos ou se estava particularmente desinspirado, mas o computador de bordo nunca baixou, em cidade, dos 18 litros. Já em estrada aberta, tudo foi diferente e consegui aproximar-me daquilo que a Bentley reclama: 11,7 contra 9,0 l/100 km. Contas feitas aos mais de 300 quilómetros feitos ao volante deste Bentayga V8, a média ficou nos 12,8 l/100 km, quando a Bentley diz que o carro gasta 11,4 l/100. E consegui, sem partir ovos e com um V4, em autoestrada a 130 km/h, ter no computador de bordo valores abaixo dos dois dígitos.

Ao volante

Esquecendo, para já, as questões relacionadas com preços, opcionais, consumos e demais cifras, olhemos para o Bentayga como um SUV com capacidade para andar fora de estrada com o mesmo á vontade, reclama a Bentley, que um Range Rover ou um Audi Q7. Se quanto ao primeiro é algo arrogante pensar asim, no caso do segundo é legítimo pois a base é a mesma, a plataforma MLB. E já agora, que ninguém nos ouve, sabia que no interior o que não faltam são peças oriundas dos Audi? Mas não diga nada, pois ficam muito bem no sumptuoso Bentayga e pouparam uns cobres aos homens da Bentley.

Dizia eu que a marca de Crewe reclama para o Bentayga capacidade fora de estrada que, acreditem, o carro até tem pois comprovei isso. Porém, quem é o louco que dá 5.010 euros para ter as especificações todo o terreno e, depois, o leva para o meio do mato?! Eu não o faria, até porque a Bentley sempre reclamou para o Bentayga ser o SUV de produção em série mais veloz e mais caro disponível no mercado. Esta catedral com mais de cinco metros de comprimento, dois metros de largura e um metro e oitenta de altura que pesa mais de 2300 quilos, está pensada para a passadeira vermelha, para o salto alto, para o vestido do costureiro da moda, para o fato italiano. Não para botas de borracha e calças de ganga.

O V8 que equipa o Bentayga é melodioso e cheio de tecnologia. Para evitar que fique escandalizado com os valores de consumo, o bloco está equipado com o sistema de anulação de cilindros pelo que, em carga mínima no acelerador (mas rem de ser mesmo mínima) fica com um V4. Mesmo assim a média deste ensaio não desceu dos 12 litros por cada centena de quilómetros. Acha muito? Como se alguém que compra um Bentayga fique preocupado com os gastos do cartão de combustível…

Com 550 CV e 770 Nm de binário, é fácil a este bloco V8 mexer as mais de 2,3 toneladas de peso que exibe na báscula. Aliás, isso está refletido nos 4,5 segundos que faz dos 0-100 km/h e nos quase 300 km/h de velocidade de ponta.

Naturalmente que não tentei comprovar nenhuma destas cifras, mas posso dizer que o Bentayga ganha velocidade de uma forma impressionante. A caixa de velocidades automática é um regalo.

Não terá sido fácil para os engenheiros encontrar forma de colocar esta riquíssima catedral a curvar depressa e com qualidade. Depois da apresentação em 2016, a Bentley reagiu às críticas feitas à direção e para o V8 oferece uma unidade com maior sensibilidade. Não conheço o modelo original, mas se esta é a direção melhor, há ainda algum trabalho a fazer, particularmente quando se circula em pisos que não são mesas de bilhar.

Com a mesma afinação de suspensão que o W12, o Bentayga V8 oferece a possibilidade de termos quatro alturas ao solo e os tais modos de condução que vão do Comfort ao Sport, passando pelo modo Bentley que é igual ao modo automático do drive select da Audi. Bom… estes são os mesmos modos do Audi Q7. PO segredo para que o Bentayga não se incline que nem doido nas curvas e coloque problemas em domar a enorme massa que tem, está nas barras estabilizadoras ativas, que permitem curvar com o carro, praticamente, a direito. Calma! Não quer isto dizer que está ao volante de um Continental GT! Até forças laterais de 0,6G, as barras funcionam, a partir dai, o sistema permite que o carro comece a adernar um pouco, lembrando ao condutor que “enough is enough”

Concorrentes

Audi Q7 (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Maserati Levante

 

Mercedes GLS (Veja o ensaio AQUI)

 

Porsche Cayenne (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Range Rover  (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Balanço final

Belíssima posição de condução, luxo por todo o lado, um motor que é capaz de me levar até à marginal a ronronar ou para uma estrada sinuosa com garantia de sair de lá sem pecado e uma imagem poderosa com um estilo do género “amor – ódio”, eis o Bentley Bentayga. A sumptuosidade britânica do passado está presente, mas transformou-se num luxo germânico onde o rigor e a tecnologia estão muito bem integrados. O elefante na sala são os mais de 300 mil euros do preço e o facto do Bentayga não ser, de todo, um SUV desportivo. Para mim o motor V8 é o que melhor o serve, mas acredito que se não olhar para o Bentayga como um SUV de elevadas prestações, será a versão diesel a que melhor lhe servirá. Tudo o resto… será inveja. Lá está, só e vem à cabeça a palavra “estudasses!”…

Ficha técnica

Motor

Tipo: V8 com injeção direta e duplo turbo de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 3996

Diâmetro x Curso (mm): nd

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima (CV/rpm): 550/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 770/1960 – 4500

Transmissão: Integral permanente com caixa de 8 velocidades automática

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5

Velocidade máxima (km/h): 290

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 9,0/15,6/11,4

Emissões CO2 (gr/km): 260

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 5140/1998/1742

Distância entre eixos (mm): 2995

Largura de vias (fr/tr mm): Nd

Peso (kg): 2388

Capacidade da bagageira (l): 215 (7 lugares)/431 (4/5 lugares)/1774 (bancos rebatidos)

Deposito de combustível (l): 85

Pneus (fr/tr): 285/45 R21

Preço da versão base (Euros): nd

Preço da versão ensaiada (Euros): 322707€