BMW 218i Cabrio Luxury – Ensaio

By on 10 Janeiro, 2018

BMW 218i Cabrio Luxury

Texto: Francisco Cruz

Para todas as estações

Em época de Reis, agarrámos naquele que seria um “presente” muito especial e fomos para a estrada com o BMW 218i Cabrio. Proposta em que, mais do que o tricilíndrico a gasolina de 136 cv ou até mesmo a meteorologia, é a família que impõe limitações!

Proposta que é também de entrada no exclusivo mundo dos descapotáveis da marca de Munique, o BMW Série 2 Cabrio é, hoje em dia e a par do Audi A3 Cabriolet, uma das poucas soluções premium do género, disponíveis no mercado. Que, especialmente após o restyling aplicado, ainda em 2017, a toda a família Série 2, viu modernizada a sua imagem, melhorada a qualidade dos materiais e enriquecido o equipamento. Mantendo, contudo, os argumentos que lhe são vulgarmente reconhecidos, a começar na vertente descapotável e, principalmente, no desempenho dinâmico superior – qualidades que nem mesmo a pouca vocação para transportar mais do que os passageiros dos lugares da frente, ou até mesmo um mais modesto tricilíndrico a gasolina, ainda que a debitar a “estonteante” potência de 136 cv, parecem, à partida, suficientes para colocar em causa…

Exterior

Exibindo exteriormente todos os predicados já conhecidos da nova família Série 2, a começar nas linhas, dimensões e pormenores estéticos, a variante Cabrio acaba por apresentar como principal elemento diferenciador, o óbvio – ou seja, a capota. Que, por exemplo, ao contrário do que acontece no “mais crescido” Série 4, é proposta em lona, de duas camadas, com o sistema de rebatimento/colocação a fazer-se de forma totalmente automática, através do simples pressionar de um botão específico, sobre o túnel de transmissão. Não demorando mais que 20 minutos, além de podendo ser realizado mesmo com o carro em andamento, desde que a velocidades até 50 km/h.

Garantia logo à partida de óptima estanquicidade e até insonorização, a única crítica que poderá fazer-se à opção tomada pelos responsáveis da BMW, será mesmo a forma como a capota acaba condiciona a capacidade da bagageira. Com o espaço a anunciar inicialmente uma convincente (para o segmento) capacidade de carga de 335 litros (mais que, por exemplo, num A3 Cabrio), ainda que com um acesso alto e um pouco apertado, além de mal iluminada, para depois ver esse valor decrescer para uns bem mais reduzidos 280 litros, quando com a capota arrumada em espaço próprio para o efeito, na parte superior da bagageira.

Aliás e especialmente para aqueles que pensam em fazer algumas viagens um pouco mais longas, importa referir que nem mesmo o facto das costas dos bancos traseiros rebaterem praticamente na horizontal, algo não muito vulgar em descapotáveis, serve de atenuante para a redução do espaço para as bagagens, provocada pela necessidade de acomodar a capota. Desde logo, porque a transposição entre espaço de carga e habitáculo, que poderia permitir o aproveitamento para transporte de objectos de dimensões um pouco maiores ou de algumas malas mais, é feita através de uma estreita “janela”!

Interior

Mas se a bagageira impõe limitações quanto às naturais ambições de qualquer potencial interessado num Série 2 Cabrio em fazer viagens longas, com toda a bagagem necessária, e de cabelos ao vento, a verdade é que, no caso de estar a pensar levar mais do que uma companhia, talvez seja mesmo melhor pensar duas vezes! Isto porque não só a acessibilidade aos lugares traseiros não é propriamente algo de que o modelo se possa orgulhar, mesmo quando com o sistema de avanço dos bancos dianteiros Comfort (sair, então, ainda é mais difícil), como, uma vez ultrapassada esta primeira dificuldades, os ocupantes estão obrigados a encaixar-se num espaço em que falta espaço para pernas e pés (especialmente, debaixo dos assentos dianteiros), em que as laterais demasiado salientes “empurram-nos” para o meio e os assento demasiado baixos obrigam a viajar numa posição pouco confortável, com os joelhos mais altos que as ancas. Sem esquecer uma outra limitação: mais de dois ocupantes atrás, esqueça, pois este Cabrio é um verdadeiro e assumido 2+2. O que faz com que os bancos laterais traseiros estejam separados, não por uma espécie de banco mais estreito e saliente, mas antes por uma prateleira onde é possível, inclusivamente, encaixar um porta-copos.

Já no que diz respeito aos bancos dianteiros, um panorama bem diferente, com um acesso baixo a ser compensado por uma óptima habitabilidade em todos os sentidos, a que se junta depois as óptimas sensações transmitidas pela qualidade na construção e materiais, pela excelente ergonomia em termos de acesso a comandos e visibilidade de todos os mostradores, assim como pela funcionalidade, valorizada pela disponibilização de vários espaços de arrumação, abertos e fechados.

Quanto ao condutor, não deixará, certamente, de apreciar a já proverbial óptima posição de condução que a maioria dos BMW tende a oferecer e que este Série 2, embora tratando-se de um modelo de entrada, não deixa de garantir. Desde logo, graças um volante de óptima pega e um banco desportivo (414,63€) com bons apoios laterais e idêntico apoio lombar (195,12€), ambos multireguláveis, a que só falta proporcionar uma pelo menos aceitável visibilidade traseira – deficiência que só a inclusão dos sensores de estacionamento traseiros (e dianteiros), enquanto parte do nível de equipamento Line Luxury (2.430,89€) que o “nosso” carro ostentava, consegue atenuar.

Equipamento

Aliás e já que falamos de equipamento, é caso para dizer que, com um investimento extra de perto de dez mil euros em opcionais, não faltavam argumentos ao nosso Série 2 Cabrio para, pelo menos, sobressair. Fruto, desde logo, da opção por uma cor exterior Prata Glacier metalizada (581,30€), conjugada com uma capota em antracite com efeito prateado (211,38€), mas, acima de tudo, pela já referida linha de equipamento Line Luxury. Sinónimo da inclusão, entre outros, de aplicações cromadas no exterior, jantes em liga leve de 17″ com pneus Runflat de medidas 225/45, volante desportivo em pele, Servotronic, frisos em madeira nobre com acabamentos em pérola, Cruise Control com função de travagem e pack de luzes. Sendo que, a estes, juntavam-se ainda, enquanto opcionais propostos às parte, o volante aquecido (162,60€), ajuste eléctrico do banco com memória para o condutor (804,88€), ar condicionado automático (463,14€), sistema de navegação Business (804,88€), sistema de som Harman Kardon (666,67€) e até um painel de instrumentos com conteúdo alargado (126,02€).

Motores

Disponível no mercado nacional com três motorizações a gasolina (preços a partir de 39.079€) e três a gasóleo (preços a começarem nos 46.659€), o motor de entrada tem, tanto num caso como noutro, uma e só designação: 218. Ainda que, no caso do diesel, a ter como base o mesmo quatro cilindros do 320d, embora com menos potência (150 cv), ao passo que, no gasolina, com o bloco a traduzir-se num pequeno três cilindros, equipado com injecção directa, turbo e intercooler, que dessa forma consegue anunciar uma potência máxima de 136 cv, a par de um binário de 220 Nm. Embora e neste último caso, logo a partir das 1.250 rpm, graças à utilização da tecnologia TwinPower Turbo.

De resto e também graças ao apoio de uma competente e convincente caixa manual de seis velocidades, a verdade é que, nem mesmo as limitações naturais de um bloco pequeno como é o caso de um tricilíndrico, acabam sendo suficientes para evitar que este 218i acabe exibindo-se em plano agradável. Convencendo, em particular, pela forma como se faz notar, logo a partir dos regimes mais baixos (mais, até do que pela ponta final), revelando, inclusivamente e logo aí, uma certa desenvoltura. Mas que, infelizmente, acaba por cobrar a sua factura nos consumos, com as médias registadas a rondarem os 8,0 l/100 km. Mesmo com uma utilização em cidade marcada pela opção de circulação com o mais poupado modo Eco Pro accionado, após selecção no botão Experiência de Condução. Onde, de resto, também é possível seleccionar mais dois modos de “configuração” da resposta do motor: Comfort, que adopta por defeito; e Sport, o qual permite dotar o motor, o chassis, ou ambos, de um desempenho mais desportivo.

Ainda assim, um motor claramente mais para disfrutar, do que propriamente para espicaçar, à procura de ambições mais desportivas ou emocionantes.

Comportamento

Mas se o motor não será, decididamente, a escolha indicada para quem procura um Série 2 Coupé mais emocionante e envolvente na condução, a verdade é que, mesmo com este pequeno e razoavelmente expedito 218i, as qualidades dinâmicas do chassis, a excelente distribuição de pesos (melhor, inclusive, que no Série 1!), a firmeza e feeling da suspensão, o peso e tacto da direcção, continuam presentes e a mostrar capacidade para muito mais. Restando, por isso, tentar retirar ao máximo daquilo que o motor possa ter para dar, porque, da parte do conjunto, a estabilidade, a eficácia e até um certo envolvimento na condução, não faltará apoio! Sendo mesmo, em algumas situações, suficiente para sentirmos um tudo-nada daquilo que são as sensações que só um tracção traseira é capaz de dar!

Já em cidade, mantém-se a estabilidade e agilidade que marcam a postura do conjunto, com o 218i Cabrio a mostrar-se uma óptima opção até mesmo para os finais de tarde de regresso a casa, em pleno trânsito citadino e de capota recolhida, quiçá, a recordar, mesmo que não seja o caso (basta, tão só, que não chova…), àquelas noite mais quentes de Primavera. Confirmando que, mesmo não sendo uma solução para as saídas em grupo, este não deixa de ser um Cabrio para todas as estações…

Resumindo…

Esteticamente atraente, além de ajudado pela imagem desportiva decorrente da própria marca, assim como pelo facto sex-appeal que praticamente só os descapotáveis têm, o Série 2 Cabrio torna-se assim numa proposta que facilmente cai no goto de qualquer condutor. Isto, claro está, desde que livre de quaisquer responsabilidades familiares ou obrigatoriedade de transportar mais do que um “pendura”; a melhor forma, aliás e neste caso, de saborear os prazeres de um descapotável e, quem sabe, até conseguir, mesmo naqueles dias mais chuvosos, fazer um figuraço em frente à namorada!

 

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo: três cilindros em linha, injecção directa, turbocompressor e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.499

Diâmetro x curso (mm): 82×94,6

Taxa compressão: 11:1

Potência máxima (cv/rpm): 136/4.400

Binário máximo (Nm/rpm): 220/1.250-4.300

Transmissão, direcção, suspensão e travões

Transmissão e direcção: Traseira, com caixa manual de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com molas helicoidais; Multi-link com molas helicoidais

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,4

Velocidade máxima (km/h): 207

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 6,9/4,7/5,5

Emissões de CO2 (g/km): 129

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,432/1,774/1,413

Distância entre eixos (mm): 2,690

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.521/1.556

Peso (kg): 1.575

Capacidade da bagageira (l): 335 (280 litros com tecto recolhido)

Depósito de combustível (l): 52

Pneus (fr/tr): 205/55 R16 / 205/55 R16

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