BMW 225d Coupé – Ensaio

By on 31 Dezembro, 2017

BMW 225d Coupé

Texto: Francisco Cruz

Se não é desportivo… imita muito bem!

Se está à procura um pequeno coupé, a diesel, que não revele grandes preocupações familiares, mas exiba, acima de tudo, muito estilo e, já agora, comportamento desportivo, então, o renovado BMW Série 2 pode muito bem ser o carro que ainda não encontrou! Em particular, na versão 225d, que, com os seus 224 cv e tracção traseira, se não é um verdadeiro desportivo, pelo menos, imita muito bem!

Derivação do conhecido modelo de entrada na oferta da marca da hélice, Série 1, o BMW Série 2 é também o mais acessível dos coupés do fabricante de Munique. Assumindo-se assim não apenas como uma espécie de primeira etapa, numa linhagem de coupés que tem feito história no seio do construtor, mas também como o primeiro passo daquela que é a vertente mais desportiva da BMW – afinal, não existe qualquer versão genuinamente “M” do Série 1, mas tão-só do Série 2…

Reconhecido, de resto, também pelas qualidades dinâmicas, a par de um maior equilíbrio tanto na estética como no comportamento, a verdade é que o Série 2 chega ao final de 2017 igualmente de aspecto mais moderno, actual e evoluído. Consequência de restyling que, acima de tudo, fez evoluir o design, a qualidade e a tecnologia, procurando colocá-los mais próximo daquele que continua sendo o maior argumento deste pequeno coupé – o comportamento, sinónimo de elevada diversão ao volante! Mesmo se equipado com um motor a diesel, fogoso na forma como aproveita os seus 224 cv, e que facilmente deixa qualquer condutor a acreditar que está, mesmo, ao volante de um verdadeiro desportivo! E, será que não está?…

Exterior

Rival directo de propostas como o Audi A3 Sedan ou o Mercedes-Benz CLA, pode dizer-se que o BMW Série 2 segue aquela que é a tendência inter-pares, procurando fazer do aspecto exterior, um dos seus primeiros e mais fortes argumentos. Que, com a actualização operada, passou a exibir, de resto, novos e fortes argumentos, tais como os faróis em LED (adaptativos, por 658€), a nova grelha frontal tipo rim mais larga, novos faróis de nevoeiro também em LED, um pára-choques dianteiro com entradas de ar redesenhadas, novas cores exteriores (3) e jantes (4), além de farolins igualmente retocados.

No caso específico da unidade por nós ensaiada, o apurar das formas tornava-se ainda notório, graças à inclusão da linha de equipamento “Versão Desportiva M”, que, com um custo extra de 2.471,54€, permite acrescentar jantes de 18 polegadas com pneus Bridgestone Potenza Runflat 225/40 à frente e 245/35 atrás, aplicações em cromado, além de suspensão desportiva (10 mm mais baixa) e pack aerodinâmico de origem “M”. Sem esquecer o spoiler traseiro também “M”.

Em suma, um Série 2 de aspecto muito idêntico ao das fotos que acompanham este artigo, e que, além de eficácia e melhor comportamento, garante também muito estilo!

Interior

Com 4,4 metros de comprimento, quase 1,8 m de largura e pouco mais de 1,4 de altura, o Série 2 acaba reflectindo estas dimensões exteriores, que inclusivamente já foram as do Série 3, no habitáculo. Onde, a par da elevada qualidade de construção e um design em tudo idêntico ao do Série 1, surge também uma habitabilidade que continua a privilegiar os ocupantes dos lugares da frente. Com o condutor a beneficiar de uma excelente posição de condução, graças a um volante e banco desportivos (parte do já referido pack “M”) com todos os ajustes necessários, além de concebidos para garantir uma integração quase perfeita no cockpit. Algo perceptível também na forma como o banco, em pele Dakota (1.170,73€) e com óptimos apoios laterais, sustenta o corpo do ocupante, ao mesmo tempo que oferece um acesso fácil à generalidade dos comandos e, em particular, aos comandos mais importantes para a condução. Só não conseguindo evitar uma visibilidade traseira quase nula e a agradecer a inclusão dos sensores.

Ainda assim, quase tão difícil quanto a visibilidade traseira, é aquilo que espera os ocupantes dos dois lugares traseiros (o suposto lugar do meio não existe, com o assento ocupado por uma espécie de prateleira/porta-copos), os quais, embora disfrutando de espaço em largura, são confrontados com um espaço limitado para colocar os pés, além de não muito espaço em altura – mais de 1,70 m, e a cabeça fica colada ao tejadilho. Sendo que, no momento de sair, a tarefa também não é propriamente fácil!

Melhor, sem dúvida e especialmente após o restyling, os revestimentos e aplicações, de maior qualidade; o painel de instrumentos, renovado; a consola central, agora com acabamento em preto brilhante; assim como o ecrã a cores do sistema iDrive, que já oferece função táctil, embora apenas quando com o carro imobilizado. Sem esquecer as alterações e melhoramentos feitos nas saídas de ar, porta-copos, porta-luvas e até botões de accionamento dos vidros laterais.

Na bagageira, uma capacidade de carga aumentada em 20 litros face ao Série 1 Coupé, para os 390 litros, e que torna este Série 2 mais apto para acomodar bagagens que, por exemplo, um Volkwagen Golf. Ainda que com um acesso um pouco mais apertado, devido ao próprio desenho da traseira, e alto, face ao piso interior. Onde, aliás, é possível encontrar laterais irregulares, dois pequenos alçapões junto à entrada e ganchos porta-sacos, embora muito baixos. Além da possibilidade de rebatimento 40:20:40 das costas dos bancos traseiros, no seguimento do piso, sendo apenas necessário accionar as alavancas no tecto da bagageira.

Equipamento

E já que falamos de equipamento, importa referir que, no caso da unidade por nós ensaiada, tanto a beleza das linhas, como a sensação de qualidade a bordo, acabava por derivar também da inclusão do já referido pack “Versão Desportiva M”. Que, além dos equipamentos já citados, inclui ainda argumentos como os sensores de estacionamento traseiros, Cruise Control com função de travagem, pack de luzes e forro do tecto em antracite BMW Individual. E que, somados a opcionais como os espelhos retrovisores exteriores e interior anti-encandeamento (414,63€), apoio lombar para bancos dianteiros (195,12€), ar condicionado automático (463,14€), assistente de condução (439,02€), sistema de navegação Profissional (1.560,98€) com informação de trânsito em tempo real (134,15€), sistema de som Harman Kardon (666,67€) e conectividade para aparelhos móveis, Bluetooth e USB (337,40€), acabavam “atirando” o valor investido em extras, para muito perto dos 13 mil euros.

E ainda que, por exemplo, a entrada USB já seja proposta de série, a verdade é que não deixa de ser um valor considerável…

Motores

Disponível com uma ampla gama de motorizações, tanto a gasolina como a diesel, a maior parte delas bem mais acessíveis (e procuradas!), a verdade é que o “nosso” Série 2 contava com motorização não apenas pouco vulgar entre as propostas do género, como também, à partida, pouco consentânea com uma possível aspiração desportiva. Afinal, tratava-se de um bloco a gasóleo, ainda que o mais potente à disposição no nosso mercado, a debitar qualquer coisa como 224 cv de potência às 4.400 rpm, e um binário máximo de 450 Nm, logo a partir das 1500 rpm!

Evolução do conhecido 2,0 litros turbodiesel que se tornou famoso no 320d, embora, neste Série 2, equipado com um novo turbo, de duas fases, esta motorização tem ainda a particularidade de estar disponível apenas e só com transmissão automática de oito velocidades. A qual, também ela “desvalorizada” à partida pelo facto de não ser uma solução de dupla embraiagem (mais-valia disponível apenas nos “M”…), não perde tempo em afirmar a sua elevada competência, garantindo não somente passagens invulgarmente rápidas e quase imperceptíveis, como também uma inestimável ajuda nos esforços de fazer deste Série 2 Coupé um verdadeiro desportivo – algo bem patente numa capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em não mais que 6,3 segundos, já para não falar numa velocidade máxima que fica muito perto dos 250 km/h!

Mas se as prestações são de verdadeiro desportivo, já os consumos, fazem sobressair a faceta diesel deste 225d. Com as médias a ficarem nos 7,4 l/100 km, valor perfeitamente aceitável face ao prazer de condução e adrenalina que o modelo proporciona. Tudo isto, com uma correcta filtragem, quer das vibrações, quer ainda da sonoridade do motor – algo que só os mais empedernecidos defensores dos desportivos a gasolina criticarão, seja por não ouvirem bem a sonoridade do motor, ou então, quando ouvem, por se assemelhar demasiado a um diesel!…

Ao volante

Com 224 cv de potência e 450 Nm de binário debaixo do pé direito, uma distribuição de pesos perfeita (50:50 é aquilo que o fabricante anuncia), uma suspensão desportiva, firme e informativa, e uma direcção que, pesada, é também muito precisa, torna-se quase impossível não nos deixarmos levar pela forma como este 225d se faz à estrada, aproveitando o intenso envolvimento que proporciona na condução. Mas também convidando permanentemente a andamentos um pouco mais perto dos limites, seja em auto-estrada ou nos traçados mais sinuosos, onde a competência dos pneus Bridgestone Potenza ajudam igualmente à sensação de segurança, aderência à estrada, eficácia e precisão.

Dispondo ainda do já conhecido sistema de quatro modos de condução – Comfort, Eco Pro, Sport e Sport+ -, torna-se assim fácil, em particular com um dos modos mais desportivos accionados, sentirmos a forma ágil como o Série 2 reage, com a traseira a receber, especialmente no modo Sport+, maior permissão para se manifestar. Já que, além de desligar o ESP, esta opção torna também o controlo de tracção um pouco mais permissivo, fazendo, logo aí, subir um poco mais um pouco a adrenalina. Que não deixa de se fazer igualmente sentir quando resolvemos experimentar a função “Launch Control”, especialmente indicada para arranques a fundo, sem perdas significativas de motricidade.

E se a questão for conforto, saiba que, mesmo com todo o seu arsenal direccionado para o criar de uma relação privilegiada com o condutor, o BMW 225d Coupé não deixa de mostrar alguma preocupação com o bem-estar de todos os ocupantes. E, em particular, com os dos lugares da frente. Isto, claro está, desde que não o provoquem, já que maus pisos, lombas e afins, decididamente, não são para ele!…

Resumindo…

Juntando aos atributos “naturais” e há muito reconhecidos, um menos estatutário, mas não menos vigoroso, 2,0 litros turbodiesel de 224 cv e 450 Nm, são poucos os argumentos que se podem utilizar para retirar a este BMW 225d o epíteto de desportivo. Confirmam-no, de resto, as prestações, mas também o comportamento, agora oferecido num ambiente de ainda maior qualidade, ergonomia e luxo. Ainda que, para isso, seja necessário recorrer, em demasia, à tradicionalmente demasiado extensa lista de opcionais…

Mais: comportamento; motor/Caixa; consumos.

Menos: visibilidade traseira; lugares traseiros; “obrigatoriedade” de opcionais.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – quatro cilindros em linha, injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3) – 1.995

Diâmetro x curso (mm) – 84×90

Taxa compressão – 16,5:1

Potência máxima (cv/rpm) – 224/4.400

Binário máximo (Nm/rpm) – 450/1.500-3.000

Transmissão, direccção, suspensão e travões

Transmissão e direcção – Traseira, com caixa automática de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson com molas helicoidais; Multi-link com molas helicoidais

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s) – 6,2

Velocidade máxima (km/h) – 243

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km) – 5,1/3,9/4,3

Emissões de CO2 (g/km) – 114

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm) – 4,432/1,774/1,418

Distância entre eixos (mm) – 2,690

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.521/1.556

Peso (kg) – 1.505

Capacidade da bagageira (l) – 390

Depósito de combustível (l) – 52

Pneus (fr/tr) – 205/50 R17 / 205/50 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 61480€
Preço da versão base (Euros): 48600€
cetelem

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