BMW 320d Touring – Ensaio Teste

By on 19 Maio, 2020

BMW 320d Touring

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

O melhor BMW da atualidade?

A BMW virou, mesmo, uma página pouco solar da sua longa existência, recuperando o seu ADN e, sobretudo, equilibrando melhor aquilo que a tradição da marca de Munique e a necessidade de piscar o olho a novos mercados. Não é, de todo, uma carrinha absolutamente bela, mas tem bom aspeto, seduz por isso este será o BMW com melhor estilo dos que tem á venda, e este ensaio vai determinar se este é o melhor BMW da atualidade.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Interior, Comportamento, Qualidade      

Menos:

Bagageira (quase) inalterada, Habitabilidade traseira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10

O desenho do 320d Touring é, na minha opinião, o carro mais interessante da gama BMW até porque com o fecho do terceiro volume e a adição de mais um vidro, a traseira pouco feliz da berlina de 4 portas – demasiado inspirada na Lexus – dá-lhe carácter, individualidade e, enfim, sedução. Depois, há detalhes que perpetuam a classe deste 320d: o óculo traseiro abre independentemente do portão de acesso à bagageira, o acesso voltou a ser colocado mais abaixo e o degrau de acesso à mala é agora de apenas 8 mm. São impressionantes 5 cm a menos. Quer isto dizer que a carga entra quase a direito. A qualidade subiu face ao anterior.

Interior

Pontuação 8/10

Como tem sucedido com os mais recentes BMW, o interior deste 320d é um autêntico festival de tecnologia. O painel de instrumentos é digital – não, não vou voltar a dizer que os grafismos são feios e pouco legíveis… mas é a minha opinião! – e na versão de topo tem 12,3 polegadas e toneladas de informação. Depois, há o ecrã central com 10.25 polegadas onde habita o sistema operativo “BMW OS 7.0” que oferece o “BMW Intelligent Personal Assist”, ou seja, “olá BMW!” Sim, é um sistema de controlo de voz que fala connosco. Há “head up Display”, o tabliê não é um exercício de estilo fantástico – a zona dos comandos da climatização e das saídas da ventilação, são peças de estilo e pouco práticas – mas tem qualidade e, sobretudo, recuperou aquilo que sempre foi uma tradição na BMW, tudo o que é informação que não esteja á sua frente, fica inclinado para o condutor. Nem tudo foi remetido para as funções digitais e ainda há um bom número de botões físicos. Menos feliz é a opção da BMW em oferecer cinco formas diferentes de fazer a mesma função. Confuso sem necessidade. O sistema de controlo por voz funciona muito bem, tal como o sistema de navegação, com a particularidade de poder alterar a saudação “Olá BMW” para “Olá qualquer coisa” que entenda. Por exemplo, pode dar um nome ao seu carro ou à voz que o assiste. A BMW permite fazer isso.

A posição de condução é simplesmente excelente, com uma multiplicidade de ajuste que permite encontrar, facilmente, a posição que nos serve, desde muito baixo até bem cá em cima. A insonorização é excelente e tudo está pensado no interior para que a viagem seja o mais confortável possível. A bagageira aumentou com 500 litros (mais 5) e 1510 no total (mais 10 litros) face ao anterior modelo. Fica, assim, ao nível dos rivais. Como já referimos, o óculo traseiro abre independentemente do portão, o acesso e o desenho da bagageira são mais favoráveis- Há espaços debaixo dos bancos e no piso do carro com mais capacidade, o banco traseiro tem mais espaço para arrumar as pernas dos passageiros, há mais espaço para a cabeça e na bagageira há barras anti derrapagem para que a carga não ande aos trambolhões. É uma opção, mas estas barras de metal com borracha são brilhantes. Quando fecha o portão da bagageira – com acionamento elétrico – as zonas de borracha ganham vida e tudo o que estiver entre as barras fica preso. Uma solução engenhosa e que tem o fator “wow”, mas se não ligar a isso e não quiser gastar dinheiro… uma rede faz o mesmo efeito.

Equipamento

Pontuação 6/10

O equipamento num BMW é sempre algo que no oferece uma enorme dor de cabeça e abre-nos a carteira com um vigor inusitado. Começa tudo na escolha da variante: Advantage, Line Sport (2.200 euros), Line Luxury (3.900 euros) e M (4.790 euros), sendo que a diferença entre o primeiro e o último ronda os 5 mil euros! As jantes de 19 polegadas vão dos 1.060 aos 2.050 euros, enquanto a pintura metalizada vai dos 930 aos 2.050 euros. Se quiser as capas do espelho em preto, são 110€, os estofos em pele ficam por 1.500 euros. Se decidir escolher alguma coisa da BMW Individual, os estofos em couro vão dos 2.700 aos 4.500 euros. Seguem-se os pacotes: Pacote Business (pacote de espelhos interiores e exteriores, Live Cockpit Plus e serviços digitais Plus) por 1.320 euros, pacote Travel (pack de arrumação na bagageira, teto de abrir panorâmico e cortinas manuais nos vidros traseiros) custa 1.950 euros, o pacote Comfort custa 2.200 euros (sistema de acesso Comfort com o telemóvel, vidros com proteção acústica, apoio lombar para os bancos dianteirós e ajuste elétrico dos bancos da frente com memória para o do condutor, pode juntar bancos dianteiros aquecidos por 400 euros ou bancos dianteiros e traseiros aquecidos), o Pacote Connectivity (serviços digitais profissionais, hotspot WiFi, Live Cockpit Professional, ligação de aparelhos por Bluetooth, USB e carregamento wireless e alarme) por 3.050 euros, o Pacote Business Plus a custar 3.200 euros e o pacote Innovation, uns fortes 7.100 euros. Depois há uma longa série de opções que pode escolher, mas o melhor é ir até www.bmw.pt e configurar o seu carro.

Consumos

Pontuação 7/10

A BMW reclama para o bloco 2.0 litros turbodiesel com 190 CV um consumo de 4,8 l/100 km e a verdade é que sendo judicioso com o acelerador e com a zona de utilização do motor (entre as 1750 e as 4000 rpm), é possível consumos de 5,3 a 5,7 l/100 km. Se formos menos judiciosos, os consumos aumentam e facilmente chegamos aos 7 ou 7,5 l/100 km. A média final ficou nos 6,1 l/100 km. Por mim… perfeito!

Ao volante

Pontuação 9/10

Lá está, a BMW regressou a casa e ao invés de oferecer carros sensaborões, temos direito a verdadeiros BMW. Para lá da caixa parecer ser capaz de aprender a forma como conduzimos, sendo que esta versão com tração traseira, mesmo ainda estando afinada para evitar as saídas de traseira, desligando o ESP, conseguimos nos divertir. Muito! Com uma via dianteira mais larga 43 mm, mais 21 mm na traseira e um peso a recuar devido à utilização de alumínio (menos 10 kgs), o comportamento deste 320 d Touring está a anos luz do anterior. A distribuição de peso 50/50 ajuda bastante tal como a estrutura ser 25% mais rígida. Apesar da direção não ser um exemplo de comunicação com o condutor, o carro está tão bem equilibrado que a condução é excelente. Os modos de condução adicionam mais ou menos “picante” à condução. Não adiante assim muito, mas os níveis de aderência mudam um pouco. Seja como for, a aderência da frente e da traseira é enorme a eficácia brilhante. Enfim, sabendo o que se está a fazer, o 320d Touring envolve-nos num laço de prazer de condução que estava há algum tempo arredado da BMW.

Concorrentes

Audi A4 Avant 40 TDI 1968 c.c. turbo diesel; 190 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 7,6 seg,; 230 km/h; 5,3 l/100 km, 131 gr/km de CO2; 55.530 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

Mercedes C220d 1950 c.c. turbo diesel; 195 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 7,0 seg,; 233 km/h; 5,0 l/100 km, 123 gr/km de CO2; 50.100 euros

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Motor

Pontuação 8/10

É um motor quase lendário, excelente, muito suave e redondo, ou seja, recupera facilmente aceleração, não tem zonas onde as passagens de caixa tenham hesitação – a caixa automática Steptronic é uma excelente ajuda – e a performance final é mais que suficiente para uma utilização quotidiana, sendo um motor que está pensado para ser robusto e resistente, capaz de ajudar a devorar quilómetros com baixos consumos. De todos os motores da gama diesel do Série 3 este é o melhor e a melhor escolha, sem dúvida.

Balanço final

Pontuação 8/10

Para quem conhece a marca há mais de três décadas, os últimos anos têm sido dececionantes, mas a BMW está de regresso e esta 320d Touring é um excelente automóvel. Para mim não vale a pena estar hesitante entre o 320d e o 330d: melhor o carro com o motor de 4 cilindros. O problema são os extras… mas a melhor praticabilidade, o excelente comportamento e, já agora, um estilo mais interessante e sedutor, compensam até o preço final.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, turbodiesel com intercooler

Cilindrada (cm3): 1995

Diâmetro x Curso (mm): 84 x 90

Taxa de Compressão: 16,5 Potência máxima (CV/rpm): 190/4000

Binário máximo (Nm/rpm): 400/1750 – 2500

Transmissão: traseira com caixa automática de 8 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 7,4

Velocidade máxima (km/h): 225

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,3/5,2/4,6

Emissões CO2 (gr/km): 121

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4709/1827/1445

Distância entre eixos (mm): 2851

Largura de vias (fr/tr mm): 1573/1567

Peso (kg): 1640

Capacidade da bagageira (l): 500/1510

Deposito de combustível (l): 40 Pneus (fr/tr): 225/50 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 71265€
Preço da versão base (Euros): 50670€