BMW 620d Gran Turismo – Ensaio Teste

By on 7 Março, 2019

BMW 620d Gran Turismo 190 cv

Texto: André Duarte ([email protected])

Competente

O BMW 620d Gran Turismo chegou ao mercado em 2017 e no último ano recebeu uma nova motorização de entrada, com 190 cv, justamente aquela que levámos para a estrada…


Mais:

Espaço / Conforto / Comportamento

Menos:

Relação Peso-Potência / Condução pouco envolvente / Direção / Excesso de equipamento opcional

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 6/10

O série 6 Gran Turismo impressiona desde logo pelas suas dimensões. Um comprimento superior a cinco metros (5,09m) e uma distância entre eixos com mais de três (3,07m) fazem deste um carro de grande respeito. Esteticamente a maior nota vai para a silhueta de coupé e para a dupla saída de escape na traseira. No caso da versão ensaiada, as jantes M de 20 polegadas (à frente 245/40R20 T e 275/35R20
 atrás) – opcional de 943€ – também constituíam um acrescento visual importante. No seu todo, são as dimensões que chamam a atenção, numa carroçaria que espelha o ADN da marca que ostenta.

Interior

Pontuação 8/10

O habitáculo é o clássico da BMW: boa qualidade de materiais, sóbrio sem deslumbrar e com todos os botões e funcionalidades à mão. No interior, nos lugares da frente, acaba por ser algo encolhido. Tablier, consola central e os próprios bancos com apoio lombar tornam tudo muito ‘cheio’ e com pouca margem.

Já os lugares atrás são muito espaçosos e fazem-nos sentir numa sala de estar, ainda que o lugar do meio seja desconfortável, tanto no sentar como na zona das costas, que baixa e faz descobrir lugar para dois copos e uma pequena mesa. O espaço para a cabeça também impressiona. Os bancos traseiros rebatem-se na proporção 40:20:40, com a bagageira a passar dos 610l para os 1800l. Os espaços de arrumação no interior são bons e a sigla GT gravada junto dos puxadores traseiros são um belíssimo pormenor.

O ecrã central de 10.25 polegadas permite-nos aceder a: rádio; telemóvel; sistema de navegação; notificações do veículo; dados de viagem; serviços ConnectedDrive (assistente BMW; serviços concierge; mensagens BMW; meteorologia; informações de trânsito em tempo real; pesquisa online; wiki local; notícias;).

Equipamento

Pontuação 5/10

Característico da BMW é o grande leque de equipamento opcional, que obriga quem compra um modelo a gastar “obrigatoriamente” mais para o equipar a rigor. Este caso não é exceção.

O presente modelo incorpora de série: sistema de navegação profissional; serviços connected drive; leitor de CD; hotspot WiFi; serviços remote; ar condicionado automático; assistente de estacionamento.

Entre a vasta lista de equipamento opcional temos, por exemplo: BMW Night Vision com reconhecimento de pessoas (2100€); estacionamento remoto (530€); assistente de condução (1150€); luzes adaptativas (520€); suspensão pneumática adaptativa (2050€); volante desportivo M em pele (230€).

Destacamos ainda estes três packs:

Pack Comfort (1500€): luz ambiente interior; apoio lombar para bancos dianteiros; sistema de acesso Comfort.

Pack Travel (2020€): teto de abrir elétrico panorâmico; tomadas 12 V adicionais; Cortinas dos vidros laterais traseiros.

Pack Innovation (2330€): BMW Head-Up Display; painel de instrumentos multifuncional;controlo por gestos; assistente de estacionamento plus; chave BMW com display;

Mais informação AQUI

Consumos

Pontuação 7/10

Os consumos médios ficam na casa dos 6,5l, o que, dado o peso do conjunto, 1765 kg, acaba por nem ser muito. Nota para um registo conseguido num ensaio a solo.

Ao volante

Pontuação 6/10

O 620d é um carro com 1765 kg e, no caso da versão ensaiada, com pneus com jantes 245/40R20 T à frente e 275/35R20
 atrás, características que marcam e acompanham toda a condução, nesta versão com motor 2.0l a gasóleo com 190 cv.

É por isso uma proposta que se revela competente e interessante, mas não entusiasmante. Temos quatro modos de condução – Eco pro; Comfort; Sport; Adaptive. Em todos eles o conforto é algo que sobressai, principalmente, como é óbvio, no Comfort, que tem duas opção: standard e plus. No entanto, nunca deixamos de sentir as dimensões das rodas e o seu pisar, ainda que este não seja penalizador para os ocupantes.

A direção revela-se não muito direta e informativa, mesmo no modo Sport, o que deixa a desejar, porque a reação às nossas indicações através do volante não têm a celeridade esperada. Já a caixa automática de 8 velocidades é bastante eficaz. Pelas suas características é uma boa proposta para grandes viagens, em que não esteja no prazer de condução ou na rapidez os intuitos e sim no desfrutar de umas horas a velocidades cruzeiro, sem preocupações. Em curva voltamos a sentir os efeitos do seu peso e dimensões, sendo por isso não muito ágil, apesar de, à luz das suas dimensões, não deixar de ser eficiente e equilibrado, mas, na verdade, quando se ‘nasce’ com determinadas características, não se podem pedir milagres. É de facto uma proposta Gran Turismo, que justifica muito de tudo isto, mas não é o modelo mais envolvente em condução.

Concorrentes

Este modelo, pela sua fisionomia e motorização, não encontra concorrentes diretos no mercado.

Motor

Pontuação 6/10

O bloco de quatro cilindros diesel com 190 cv e tração traseira, apesar de anunciar 7,9s dos 0 aos 100 km/h e ter um binário máximo de 400 Nm a partir das 1750 rpm, tal não transparece em condução. Em todos os modos a resposta é apenas interessante, não existindo vitalidade e frescura para ficarmos fascinados. Transparece sim que o modelo reage de forma linear, mas que os 190 cv são suficientes e não a potência ideal para este conjunto. A resposta, através das patilhas do volante, melhora, mas nunca é fulgurante. No entanto, esta é a versão de entrada, existindo propostas Diesel com 265 e 320 cv, que mudarão por completo este parecer. A gasolina o figurino é semelhante, com blocos com 258 e 340 cv.

Balanço final

Pontuação 6/10

O BMW 620d Gran Turismo é um modelo talhado para grandes viagens, em que mais que a rapidez, seja o desfrutar o desejo. Equipado com o bloco 2.0l de 190 cv é uma proposta competente e interessante, embora longe de ser o BMW mais apaixonante. Porém, esta é a proposta de entrada, existindo motorizações bem mais expressivas que tornarão a sua condução bem mais fresca e envolvente. Para quem procure conforto, tranquilidade e muito espaço, com uma estética condigna, é uma opção com uma palavra a dizer.

Ficha técnica

Motor

Tipo – gasóleo, 4 cil. em linha, injeção direta, turbo e admissão de geometria variável, intercooler

Cilindrada (cm3) – 1995

Diâmetro x curso (mm) – 84,0 x 90,0

Taxa de compressão – 16,5:1

Potência máxima (cv/rpm) – 190/4000

Binário máximo (Nm/rpm) – 400/1750 – 2500

Transmissão e direcção – Traseira, transmissão automática de 8 velocidades; pinhão cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – Eixo Multibraços à frente e atrás

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 7,9s

Velocidade máxima (km/h) – 220 km/h

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 4,6/5,4/4,9

Emissões de CO2 (g/km) – 127

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) – 5091/1902/1538

Distância entre eixos (mm) – 3070

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1615/1647

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos ventilados

Peso (kg) – 1765

Capacidade da bagageira (l) – 610 até 1800 (c/ bancos traseiros rebatidos)

Capacidade do depósito (l) – 66

Pneus (fr/tr) – 225/60 R17

 

 

 

 

 

 

 

Preço da versão base (Euros): 64.960€