BMW X1 sDrive16d – Ensaio Teste

By on 3 Junho, 2020

BMW X1 sDrive16d – Ensaio Teste

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

BMW fez um bom crossover

Pode a BMW ter chocado alguns quando lançou o X1, mas a verdade é que o carro que se assemelhava muito ao Série 1 e cumpriu um ciclo de vida de seis anos com mais de 820 mil unidades. Isto com um carro que não era dos mais atraentes, tinha um comportamento que não estava á altura dos pergaminhos da BMW e alguma falta de requinte que não se perdoa a uma marca como a Bayerisch Motoren Werk, a BMW. Claramente, o primeiro X1 foi um rascunho mal amanhado que poderia ter feito mais mal que bem à marca alemã. Foi um período estranho da BMW, que está a tentar com produtos cada vez mais perto daquilo que é o ADN da casa de Munique. A segunda geração é um carro muito diferente e, também, muito melhor e neste ensaio á versão mais baixa em termos de motor diesel, isso fica evidente.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Praticabilidade, qualidade, versatilidade

 

 

Menos:

Alguns ruídos, performance

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

O facto de ter o motor longitudinal e com tração dianteira é uma enorme vantagem em termos de arrumação, logo, de estilo. A frente longa e o corpo desequilibrado do primeiro X1, deu lugar a um carro com uma frente mais curta. Enfim, está equilibrado e apesar de estar maior, parece mais pequeno, entrando de forma perfeita no grupo de modelos como o Nissan Qashqai. E foi uma alternativa ao Série 1 até este passar. A ter tração à frente, passar a ser muito mais interessante. A qualidade está lá e olhando para o X1, vemos, claramente, um ar de família com os outros modelos X como o X3 e o X5. Bom trabalho por parte da BMW.

Interior

Pontuação 8/10

A mudança mecânica foi fundamental para dar ao X1 melhores argumentos na luta dos crossover. Com o motor transversal e a plataforma UKL, a BMW encontrou mais espaço interior, de tal forma que o X1 tem mais espaço interior que um Qashqai. Vamos sentados 30 mm mais acima que no anterior X1, mas o espaço oferecido impressiona, tanto em altura como em largura e para arrumar as pernas. E como o banco desliza sobre calhas, podemos ficar com um verdadeiro salão. Com as costas do banco traseiro a rebaterem na proporção 40/20/40 e o movimento do banco, a bagageira é enorme. E como pode optar pelo rebatimento das cotas do banco do pendura, o X1 toca todas as necessidades em termos de versatilidade e funcionalidade. O plano da bagageira fica totalmente plano e há 505 litros de capacidade. Os materiais utilizados são de qualidade, suaves ao toque seja plástico ou alumínio e descendo até á consola central, aos forros das portas, coluna de direção e outros locais, essa qualidade mantém-se. Em locais que raramente atingimos ou sequer conseguimos ver, há plástico de menor valia, mas que não criam problemas de ruído. Há muitos espaços para arrumação, mas já começa a sentir-se a necessidade de renovar o interior, pois não há espaço para algumas coisas. Nomeadamente, mais ligações USB, AUX e tomada de energia de 12 volts, carregamento sem fios, enfim, algo mais moderno. Mesmo assim, nota alta para o interior do X1.

 

Equipamento

Pontuação 5/10

Como sempre, um BMW tem de ser construído em redor dos opcionais. De série temos as jantes de 18 polegadas, o ar condicionado automático, fecho automático da bagageira, barras de tejadilho, versão XLine, luzes de nevoeiro LED, faróis LED, sensores de estacionamento à frente e atrás, cruise control com função de travagem. Depois há muitos opcionais: a caixa Steptronic de dupla embraiagem custa 1.603 euros, vidros com proteção solar (341 euros), bancos dianteiros desportivos (422 euros), informação de trânsito em tempo real (134 euros), conectividade de aparelhos móveis Bluetooth e USB com carregamento sem fios (341 euros), versão XLine Business (5.040 euros) são alguns dos equipamentos que a versão ensaiada tinha consigo. Mas a lista de opcionais tem muito mais onde gastar o seu dinheiro.  

Consumos

Pontuação 7/10

O bloco turbodiesel da BMW não deixa créditos por mãos alheias e mesmo que “maltratado” em percursos onde puxei muito pelo motor, nunca me maltratou exibindo consumos sempre abaixo dos 8 litros de gasóleo por cada centena de quilómetros. Contas feitas, o valor final ficou em 6,1 l/100 km.

Ao volante

Pontuação 8/10

Quem deseja comprar um crossover tem algumas prioridades: não gostam dos compromissos exigidos pelos SUV de maiores dimensões no que toca ao comportamento, mantendo a vontade de contar com espaço e posição de condução dominante. E pagam mais por isso! O que a BMW fez foi, finalmente, compreender o tipo de cliente do X1 e oferecer um carro que sendo maior que uma berlina e menos ágil que um cinco portas, “esconde” essas dificuldades com um controlo da carroçaria extraordinário. A outra face da moeda chama-se conforto, no X1 menos conseguido que em outros carros menos eficazes no que toca ao comportamento. Não é um BMW puro e duro que se atira para as curvas e sai de lá com uma bela escorregadela e um sorriso na face do condutor. Nada disso! Mas face a outros crossovers, o X1 é melhor e mais fácil de conduzir.

Concorrentes

Range Rover Evoque

1999 c.c. turbo diesel; 150 CV; 380 Nm; 0-100 km/h em 10,5 seg,; 201 km/h; 5,4 l/100 km, 143 gr/km de CO2; 53.640 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volvo XC40 D3

1969 c.c. turbo diesel; 150 CV; 350 Nm; 0-100 km/h em 10,4 seg,; 200 km/h; 5,4 l/100 km, 137 gr/km de CO2; 46.925 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10

O bloco de 3 cilindros acaba por ser muito agradável de utilizar, “escondendo” com uma boa insonorização o habitual matraquear dos blocos com número ímpar de cilindros. A potência pode parecer pouca, mas é suficiente para mexer a tonelada e meia deste X1 e nunca me senti naquela situação em que me faltou o motor. A caixa de dupla embraiagem onera o preço do carro em mais 1.600 euros, mas é um dinheiro muito bem gasto, acredite. Seja como for, não é motor para grandes aventuras nem torna o X1 num crossover desportivo.

Balanço final

Pontuação 8/10

Se tem ou teve um BMW X1, prepare-se para uma experiência totalmente diferente: este X1 é um carro agradável á vista, espaçoso, versátil, flexível e económico. Está mais perto de um verdadeiro BMW com um preço interessante, arruinado pelos muitos extras que são necessários comprar para compor minimamente o equipamento. Tem qualidade ao nível dos pergaminhos da BMW, porém, tem os seus defeitos. O comportamento é aceitável, mas não é de excelência como seria de esperar, tem qualidade superior, mas não tem o refinamento que se exigia a um carro da casa bávara. O que é uma pena, porque os pontos favoráveis são muitos, mas não podemos ignorar os aspetos menos favoráveis deste X1.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros em linha, injeção direta “common rail”, turbo

Cilindrada (cm3): 1496

Diâmetro x Curso (mm): 84 x 90

Taxa de Compressão: 16,5

Potência máxima (CV/rpm): 116/5700

Binário máximo (Nm/rpm): 270/4000

Transmissão: dianteira com caixa automática de 7 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/independente eixo multibraços

Travões (fr/tr): discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 11,5

Velocidade máxima (km/h): 190

Consumos misto (l/100 km): 4,2 – 4,4

Emissões CO2 (gr/km): 107 – 116

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4447/1821/1598

Distância entre eixos (mm): 2670

Largura de vias (fr/tr mm): 1561/1562

Peso (kg): 1500

Capacidade da bagageira (l): 505/1550

Deposito de combustível (l): 51

Pneus (fr/tr): 225/55 R17

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 50582€
Preço da versão base (Euros): 39270€