Citroën C4 – Ensaio Teste

By on 25 Abril, 2021

Citroën C4 – Ensaio Teste

Texto: Guilherme André

Marcar pela diferença

A Citroën decidiu entrar “a pés juntos” com a nova geração do C4. Numa clara transformação face ao antecessor, chega como o porta-estandarte de uma nova linguagem de estilo e inovação extremamente importante para o futuro da Citroën. Num conceito diferente e disruptivo, o novo Citroën C4 posiciona-se entre os compactos tradicionais do segmento C e os SUV, ou seja, quer marcar pela diferença. Neste ensaio testámos o motor três cilindros de 1.2 litros a gasolina com o nível de potência intermédio, 130 cv. Será esta a melhor versão do novo C4?


Mais:

Imagem exterior; soluções práticas no interior; conforto

Menos:

Demasiados plásticos duros ao toque

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (9/10) Basta olhar para as fotos para percebermos que a Citroën apostou forte na vertente estética do novo C4. Num claro “rasgar” de tudo o que conhecemos hoje, o C4 diferencia-se por não ter apenas um conceito. De facto, é um carro capaz de satisfazer os clientes que procuram um compacto tradicional, mas também “pisca o olho” aos fãs de SUV e crossovers. Relativamente a estilo, apresenta uma nova assinatura de luz e, para além disso, o “double chevron” chega aos extremos da dianteira através de barras cromadas. Já as cavas de roda estão munidas de proteções em plástico preto, plástico esse também presente na parte inferior do para-choques, algo que confere um aspeto mais robusto ao Citroën C4. Tudo isto acompanhado por um tejadilho descendente, numa clara inspiração retiradas dos clássicos Citroën GS e CX. De um modo geral, o novo Citroën C4 tem um aspeto bastante apelativo, o que torna a imagem exterior num dos principais pontos fortes do modelo francês.

Interior

Interior (8/10) Passando para o interior, encontramos um “pulo” face ao antecessor. Com um design moderno e irreverente, destaca-se pelas mais variadas soluções e funcionalidades ajustadas à atualidade. Exemplo disso é o suporte em frente ao passageiro dianteiro que é acompanhado por uma capa para tablet, um detalhe inovador e interessante. Para além dos vários espaços de arrumação, encontramos ainda um espaço muito bom para joelhos nos bancos traseiros, contudo, a distância da cabeça para o tejadilho é algo reduzida devido ao estilo de carroçaria. No que toca à construção, não há grandes apontamentos a fazer, mas a qualidade dos materiais utilizados poderia ter sido melhor, visto que predominam os revestimentos duros ao toque, por exemplo, na parte superior do tablier.

No capítulo da tecnologia, o condutor tem à sua frente um painel de instrumentos digital com um aspeto contemporâneo e distinto dos restantes modelos da marca francesa. No entanto, de referir que o mesmo deixa um pouco a desejar ao nível de personalização, não tanto pela quantidade, que é boa, mas sim pela diversidade de informações. Ao centro surge um ecrã central de 10 polegadas que transmite as informações do mais recente sistema de infotainment que, durante o nosso ensaio, mostrou ser rápido e fácil de utilizar. 

Equipamento

Equipamento (8/10) A unidade em ensaio está equipada com o nível Shine, o terceiro mais recheado da gama. Assim, encontramos de série coisas como banco de condutor com regulação do apoio lombar, travão de estacionamento elétrico, modos de condução, sensores de estacionamento, ar condicionado automático, painel de instrumentos digital, ecrã central com navegação, volante revestido em cabedal. Os clientes podem ainda contar com uma lista de opcionais onde é possível melhorar a oferta de assistentes à condução ou personalizar o C4 a gosto.

Consumos

Consumos (7/10) Relativamente a consumos, a Citroën anuncia uma média de 5,8 l/100 km. Durante o nosso ensaio percebemos que, a um ritmo contido, é possível realizar um consumo combinado de 6 l/100 km. Contudo, ao explorar um pouco mais do motor 1.2 litros do C4, os consumos sobem com facilidade para perto dos 7 l/100km.

Ao volante

Ao volante (8/10) Como é comum na Citroën, a suspensão com batentes hidráulicos progressivos está presente, algo que torna o C4 extremamente confortável, mesmo quando o piso se encontra degradado. Quando esta suspensão é submetida a situações de compressão ou extensão excessiva, não cria instabilidade em demasia. Em trajetos sinuosos registámos algum adornar de carroçaria, mas sempre de forma controlada. No entanto, é neste tipo de percurso que percebemos que os bancos, que apesar de bastante suaves e confortáveis, podiam ter um apoio lateral ligeiramente melhor. Seja como for, a par da imagem exterior, o conforto é um dos principais atributos do novo Citroën C4.

Concorrentes

Opel Mokka – Motor: três cilindros, 1.2 litros, turbo, gasolina; potência: 130 cv; transmissão: automática de oito velocidades; preço base: 25 150€

Ford Focus Active – Motor: três cilindros, 1.0 litros, turbo, gasolina; potência: 125 cv; transmissão: automática de 8 velocidades; preço base: 28 061€

Toyota C-HR – Motor: quatro cilindros, 1.8 litros, turbo, gasolina + sistema híbrido; potência: 122 cv; transmissão: automática; preço base: 29 360€

Volkswagen T-Roc – Motor: quatro cilindros; 1.5 litros, turbo, gasolina; potência: 150 cv; transmissão: automática de 7 velocidades; preço base: 31 696€

Motor

Motor (8/10) Debaixo do capot encontramos o motor três cilindros de 1.2 litros turbo que debita 130 cv e 230 Nm de binário. Com esta solução o C4 acelera de forma enérgica desde baixa rotação, um dado que facilita a utilização em cidade. Já em autoestrada tem potência suficiente para manter o C4 nos limites de velocidade. Destaque ainda para a suave transmissão automática EAT8 que ajuda a melhorar a experiência e conforto de utilização.

Balanço final

Balanço final (8/10) Em suma, o Citroën C4 é um produto irreverente e que pretende satisfazer as necessidades de um vasto leque de clientes, ao mesmo tempo que garante uma imagem forte e um interior recheado de soluções inteligentes e contemporâneas. A motorização 1.2 litros turbo a gasolina com 130 cv é talvez a mais equilibrada da gama, ao ser enérgica o suficiente para todo o tipo de utilização, sem aumentar em demasia os consumos de combustível. Tudo isto é acompanhado por um preço base de ligeiramente superior a 20 mil euros.

Ficha técnica

Motor                                                                            

Tipo: 3 cilindros em linha, turbo, gasolina

Cilindrada (cm3): 1199

Diâmetro x Curso (mm): n.d.

Taxa de Compressão: n.d.

Potência máxima (CV/rpm): 130/5000

Binário máximo (Nm/rpm): 230/1750

Tração: dianteira

Transmissão: Automática de oito velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira, assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson / barra de torção

Travões (fr/tr): discos ventilados / discos

Prestações e consumos 

Aceleração 0-100 km/h (s): 9,4

Velocidade máxima (km/h): 210

Consumos misto (l/100 km): 5,8

Emissões CO2 (gr/km): 130

Dimensões e pesos 

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4360/1800/1525

Distância entre eixos (mm): 2670

Largura de vias (fr/tr mm): n.d.

Peso (kg): 1250

Capacidade da bagageira (l): 380

Deposito de combustível (l): 50

Pneus (fr/tr): 195/60 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 27516€
Preço da versão base (Euros): 25157€