Audi e-tron GT quattro – Ensaio Teste

By on 20 Abril, 2022

O poder do design

A elegância do Audi e-tron GT está naquele patamar de contemplação que nos obriga a demorar um pouco mais de tempo antes de aceder ao habitáculo. A elegância das suas linhas transmite a vontade de o conhecer melhor, independentemente da tecnologia que inclui e do motor que o equipa. Mas no caso do e-tron GT, até essa parte é interessante, uma vez que o novo modelo da Audi partilha alguns dos componentes com um outro modelo produzido mais para os lados de Estugarda e tem para nos oferecer uma das soluções mais desenvolvidas do momento em termos de automóveis elétricos, mesma na versão base da sua gama.

Texto: André Mendes


Mais:

– Estética
– Prestações
– Conforto

Menos:

– Preço dos opcionais
– Acesso aos lugares traseiros

Exterior

8/10

Este é um dos maiores trunfos do Audi e-tron GT. É claro que voltamos à conversa de que é uma questão de gosto e vai haver sempre alguém a jogar nas equipas opostas, mas a verdade é que a Audi se saiu muito bem com este GT e isso nota-se quando andamos em cidade e percebemos as reações das pessoas e dos outros condutores. As dimensões da carroçaria chegam quase aos cinco metros de comprimento e aos dois de largura, mas com uma altura abaixo de 1,4 metros graças à presença da suspensão pneumática adaptativa, como é o caso da unidade ensaiada. E depois, com flancos bem delineados, uma linha de tejadilho descendente ao jeito dos melhores coupés e com a presença das jantes de 20 polegadas, mal percebemos a altura mais reduzida das janelas e o tamanho das portas, que tentam esconder visualmente os quase três metros de distância entre eixos.

Interior

7/10

Apesar da generosa distância entre eixos, o espaço a bordo não é um colosso em termos de dimensões, ou pelo menos, não como estamos habituados em alguns dos SUV do mercado. É certo que apenas vamos sentir algumas dificuldades ao aceder aos lugares traseiros, pois é preciso algum cuidado para não bater com a cabeça, mas depois, conseguimos ficar sentados numa posição confortável e com espaço para as pernas e em largura. E a presença do teto panorâmico também dá uma ajuda, dando a ideia que o habitáculo é ainda mais amplo e não tão escuro.

Sentados ao volante, a posição de condução é excelente e tal como acontece nos modelos mais recentes da marca, todos os componentes e monitores estão direcionados para o condutor, melhorando a experiência. Os comandos táteis do sistema de som e do comando das luzes não são dos mais práticos, mas como têm alternativas, ou funções automáticas que nos fazem não ter de os usar com frequência, acabam por não ser um problema.

Mais atrás, a bagageira apresenta uma volumetria ligeiramente acima dos 400 litros, o que soa a muito pouco para um modelo destas dimensões. Mas para compensar, há também uma bagageira na parte da frente, por baixo do capot, com 85 litros de capacidade, suficiente para guardar todos os cabos destinados ao carregamento do e-tron GT e ainda outros objetos de dimensão mais reduzida.

Equipamento

6/10

Tal como costuma acontecer na Audi, muitos dos equipamentos fazem parte da lista de opcionais e não do equipamento de série, ainda que este não seja dos mais despidos. De qualquer forma, os elementos que acabam mesmo por melhorar a experiência, estão incluídos em pacotes de equipamento, que podem influenciar bastante o preço final do e-tron GT. Um dos exemplos é o Pacote Essencial, por exemplo, que inclui os faróis matrix de LED com indicadores dinâmicos, as jantes de liga leve de 20 polegadas, o sistema de som desenvolvido pela Bang & Olufsen e a suspensão pneumática adaptativa. Todos estes equipamentos têm o dom de melhorar a experiência de utilização, mas requerem um investimento de 5.315 euros.

Além deste, há ainda um outro pacote de equipamento que também o eixo traseiro autodireccional, perfeito para as manobras mais apertadas e o diferencial traseiro com bloqueio eletrónico, que dá uma ajuda nos traçados mais sinuosos.

Consumos

6/10

Com quase 2,3 toneladas e 476 cavalos à disponibilidade do pé direito, as médias de consumo tinham tudo para alcançar valores mais complicados, especialmente assim que entrássemos em autoestrada, onde as hipóteses de regeneração de energia são muito mais escassas, mas para este “problema”, os responsáveis da Audi (e também os da Porsche, uma vez que o sistema é o mesmo), criaram uma solução muito interessante e que ainda não é muito comum no mundo dos automóveis 100% elétricos. Em vez do sistema contar apenas com uma relação única, o e-tron GT tem uma caixa de duas velocidades, o que favorece bastante as médias de consumo numa utilização mais ao ritmo de autoestrada. No final do ensaio, e depois de um percurso misto com bastante cidade e uma boa dose de autoestrada em torno dos 120 km/h, a média de consumo final indicada pelo computador de bordo foi de 24,7 kWh para cada 100 quilómetros percorridos, sendo que depois de 200, a autonomia indicada era de 152 km.

Ao Volante

8/10

A experiência ao volante do Audi e-tron GT é um dos outros trunfos, logo a seguir à estética. Elétrico ou não, este é um modelo que nos desafia a conduzir mais. Sabe bem somar quilómetros ao totalizador e os valores da autonomia não desaparecem a uma velocidade ao ponto de nos deixar preocupados com esse tema. Nas acelerações mais bruscas, que tentam comprovar os 4,5 segundos declarados pela marca para a aceleração dos 0 aos 100 km/h, é possível perceber o momento em que a relação de caixa muda para a que está mais destinada a velocidades elevadas. Mas numa utilização convencional, é o silêncio que impera, seja o que é proporcionado pela insonorização cuidada do habitáculo, ou que o sistema elétrico não produz, fazendo com que fiquemos mais alertas a ruídos aerodinâmicos ou de rolamento, ou dando mais atenção às capacidades do sistema de som da Bang & Olufsen presente na unidade ensaiada.

Motor

8/10

Uma vez que a bateria de 93,4 kWh está alojada sob o piso do habitáculo, tirando aquela parte que está destinada aos pés dos passageiros traseiros, não é possível integrar um veio de transmissão entre o eixo dianteiro e o posterior, com o objetivo de instalar um verdadeiro sistema de tração integral, mas como está presente um motor elétrico em cada eixo, a passagem de potência faz-se à mesma nas quatro rodas, sendo que o sistema é totalmente gerido pela eletrónica. E em termos de potência, os dois motores elétricos conseguem um valor máximo de 476 cavalos, chegando mesmo aos 530 nos momentos de overboost, mais do que suficiente para alimentar este Audi e-tron GT quattro, mesmo quando o seu peso já fica próximo das 2,3 toneladas.

Balanço Final

7/10

Linhas apaixonantes, um motor (ou dois) bastante competentes e capazes de oferecer prestações que nos deliciam, num ambiente sofisticado e tecnológico muito ao estilo da Audi, fazem com que a receita inclua diversos argumentos para nos fazerem querer passar mais tempo a conduzir. No entanto, uma autonomia máxima abaixo dos 500 quilómetros, um rival com um logo de peso e um preço bastante elevado, que ainda precisa de um bom conjunto de opcionais para o deixar mais ao gosto de cada cliente, podem fazer com que este e-tron GT não salte diretamente para o topo da lista de preferências, mas não conseguimos negar que nos deixámos apaixonar pela sua estética original.

Concorrentes

Porsche Taycan 4S – Motor: Elétrico; 530 cv e 640 Nm de binário; Autonomia: 464 km; 0-100 km/h: 4,0 seg.; Velocidade máx.: 250 km/h; Consumo combinado: 21,0 kWh/100 km; Preço: 110.866 €

Ficha Técnica

Motor
Tipo: Elétrico, síncrono de imã permanente
Cilindrada (cm3): n.d.
Potência máxima (CV/rpm): 476/n.d.
Binário máximo (Nm/rpm): 630/n.d.
Tração: Integral
Transmissão: Automática de duas velocidades
Direção: Eletromecânica de assistência váriavel
Suspensão (ft/tr): Triângulos sobrepostos/Multibraços
Travões (fr/tr): discos ventilados / discos ventilados

Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5
Velocidade máxima (km/h): 245
Consumos misto (kWh/100 km): 19,9
Emissões CO2 (gr/km): 0

Dimensões e pesos
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.989/1.964/1.413
Distância entre eixos (mm): 2.900
Largura de vias (fr/tr mm): 1.710/1.694
Peso (kg): 2.276
Capacidade da bagageira (l): 405
Deposito de combustível (l): n.d.
Pneus (fr/tr): 245/45 R20 | 285/40 R20

Preço da versão ensaiada (Euros): 131.853 €
Preço da versão base (Euros): 108.203 €

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Este é um dos maiores trunfos do Audi e-tron GT. É claro que voltamos à conversa de que é uma questão de gosto e vai haver sempre alguém a jogar nas equipas opostas, mas a verdade é que a Audi se saiu muito bem com este GT e isso nota-se quando andamos em cidade e percebemos as reações das pessoas e dos outros condutores. As dimensões da carroçaria chegam quase aos cinco metros de comprimento e aos dois de largura, mas com uma altura abaixo de 1,4 metros graças à presença da suspensão pneumática adaptativa, como é o caso da unidade ensaiada. E depois, com flancos bem delineados, uma linha de tejadilho descendente ao jeito dos melhores coupés e com a presença das jantes de 20 polegadas, mal percebemos a altura mais reduzida das janelas e o tamanho das portas, que tentam esconder visualmente os quase três metros de distância entre eixos.

Interior

Apesar da generosa distância entre eixos, o espaço a bordo não é um colosso em termos de dimensões, ou pelo menos, não como estamos habituados em alguns dos SUV do mercado. É certo que apenas vamos sentir algumas dificuldades ao aceder aos lugares traseiros, pois é preciso algum cuidado para não bater com a cabeça, mas depois, conseguimos ficar sentados numa posição confortável e com espaço para as pernas e em largura. E a presença do teto panorâmico também dá uma ajuda, dando a ideia que o habitáculo é ainda mais amplo e não tão escuro.

Sentados ao volante, a posição de condução é excelente e tal como acontece nos modelos mais recentes da marca, todos os componentes e monitores estão direcionados para o condutor, melhorando a experiência. Os comandos táteis do sistema de som e do comando das luzes não são dos mais práticos, mas como têm alternativas, ou funções automáticas que nos fazem não ter de os usar com frequência, acabam por não ser um problema.

Mais atrás, a bagageira apresenta uma volumetria ligeiramente acima dos 400 litros, o que soa a muito pouco para um modelo destas dimensões. Mas para compensar, há também uma bagageira na parte da frente, por baixo do capot, com 85 litros de capacidade, suficiente para guardar todos os cabos destinados ao carregamento do e-tron GT e ainda outros objetos de dimensão mais reduzida.

Equipamento

Tal como costuma acontecer na Audi, muitos dos equipamentos fazem parte da lista de opcionais e não do equipamento de série, ainda que este não seja dos mais despidos. De qualquer forma, os elementos que acabam mesmo por melhorar a experiência, estão incluídos em pacotes de equipamento, que podem influenciar bastante o preço final do e-tron GT. Um dos exemplos é o Pacote Essencial, por exemplo, que inclui os faróis matrix de LED com indicadores dinâmicos, as jantes de liga leve de 20 polegadas, o sistema de som desenvolvido pela Bang & Olufsen e a suspensão pneumática adaptativa. Todos estes equipamentos têm o dom de melhorar a experiência de utilização, mas requerem um investimento de 5.315 euros.

Além deste, há ainda um outro pacote de equipamento que também o eixo traseiro autodireccional, perfeito para as manobras mais apertadas e o diferencial traseiro com bloqueio eletrónico, que dá uma ajuda nos traçados mais sinuosos.

Consumos

Com quase 2,3 toneladas e 476 cavalos à disponibilidade do pé direito, as médias de consumo tinham tudo para alcançar valores mais complicados, especialmente assim que entrássemos em autoestrada, onde as hipóteses de regeneração de energia são muito mais escassas, mas para este “problema”, os responsáveis da Audi (e também os da Porsche, uma vez que o sistema é o mesmo), criaram uma solução muito interessante e que ainda não é muito comum no mundo dos automóveis 100% elétricos. Em vez do sistema contar apenas com uma relação única, o e-tron GT tem uma caixa de duas velocidades, o que favorece bastante as médias de consumo numa utilização mais ao ritmo de autoestrada. No final do ensaio, e depois de um percurso misto com bastante cidade e uma boa dose de autoestrada em torno dos 120 km/h, a média de consumo final indicada pelo computador de bordo foi de 24,7 kWh para cada 100 quilómetros percorridos, sendo que depois de 200, a autonomia indicada era de 152 km.

Ao volante

A experiência ao volante do Audi e-tron GT é um dos outros trunfos, logo a seguir à estética. Elétrico ou não, este é um modelo que nos desafia a conduzir mais. Sabe bem somar quilómetros ao totalizador e os valores da autonomia não desaparecem a uma velocidade ao ponto de nos deixar preocupados com esse tema. Nas acelerações mais bruscas, que tentam comprovar os 4,5 segundos declarados pela marca para a aceleração dos 0 aos 100 km/h, é possível perceber o momento em que a relação de caixa muda para a que está mais destinada a velocidades elevadas. Mas numa utilização convencional, é o silêncio que impera, seja o que é proporcionado pela insonorização cuidada do habitáculo, ou que o sistema elétrico não produz, fazendo com que fiquemos mais alertas a ruídos aerodinâmicos ou de rolamento, ou dando mais atenção às capacidades do sistema de som da Bang & Olufsen presente na unidade ensaiada.

Concorrentes

Porsche Taycan 4S – Motor: Elétrico; 530 cv e 640 Nm de binário; Autonomia: 464 km; 0-100 km/h: 4,0 seg.; Velocidade máx.: 250 km/h; Consumo combinado: 21,0 kWh/100 km; Preço: 110.866 €

Motor

Uma vez que a bateria de 93,4 kWh está alojada sob o piso do habitáculo, tirando aquela parte que está destinada aos pés dos passageiros traseiros, não é possível integrar um veio de transmissão entre o eixo dianteiro e o posterior, com o objetivo de instalar um verdadeiro sistema de tração integral, mas como está presente um motor elétrico em cada eixo, a passagem de potência faz-se à mesma nas quatro rodas, sendo que o sistema é totalmente gerido pela eletrónica. E em termos de potência, os dois motores elétricos conseguem um valor máximo de 476 cavalos, chegando mesmo aos 530 nos momentos de overboost, mais do que suficiente para alimentar este Audi e-tron GT quattro, mesmo quando o seu peso já fica próximo das 2,3 toneladas.

Balanço final

Linhas apaixonantes, um motor (ou dois) bastante competentes e capazes de oferecer prestações que nos deliciam, num ambiente sofisticado e tecnológico muito ao estilo da Audi, fazem com que a receita inclua diversos argumentos para nos fazerem querer passar mais tempo a conduzir. No entanto, uma autonomia máxima abaixo dos 500 quilómetros, um rival com um logo de peso e um preço bastante elevado, que ainda precisa de um bom conjunto de opcionais para o deixar mais ao gosto de cada cliente, podem fazer com que este e-tron GT não salte diretamente para o topo da lista de preferências, mas não conseguimos negar que nos deixámos apaixonar pela sua estética original.

Ficha técnica

Motor
Tipo: Elétrico, síncrono de imã permanente
Cilindrada (cm3): n.d.
Potência máxima (CV/rpm): 476/n.d.
Binário máximo (Nm/rpm): 630/n.d.
Tração: Integral
Transmissão: Automática de duas velocidades
Direção: Eletromecânica de assistência váriavel
Suspensão (ft/tr): Triângulos sobrepostos/Multibraços
Travões (fr/tr): discos ventilados / discos ventilados

Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5
Velocidade máxima (km/h): 245
Consumos misto (kWh/100 km): 19,9
Emissões CO2 (gr/km): 0

Dimensões e pesos
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.989/1.964/1.413
Distância entre eixos (mm): 2.900
Largura de vias (fr/tr mm): 1.710/1.694
Peso (kg): 2.276
Capacidade da bagageira (l): 405
Deposito de combustível (l): n.d.
Pneus (fr/tr): 245/45 R20 | 285/40 R20

Preço da versão ensaiada (Euros): 131.853 €
Preço da versão base (Euros): 108.203 €

Preço da versão ensaiada (Euros): 131.853€
Preço da versão base (Euros): 108.203€