Mazda MX-30 First Edition – Ensaio Teste

By on 2 Novembro, 2020

Mazda MX-30 First Edition

Texto: João Isaac

Design, funcionalidade e autonomia são fatores-chave

Depois de termos estado na apresentação nacional, tínhamos prometido um ensaio mais detalhado àquele que é o primeiro modelo 100% elétrico da Mazda, o MX-30. Nesse dia ficámos agradados com as primeiras sensações, mas só agora pudemos testá-lo convenientemente, explorando, até onde possível, como é viver com um dos modelos mais importantes para as ambições e futuro da marca japonesa.

Mais do que um elétrico, o Mazda MX-30 é um elétrico cheio de personalidade, com um estilo único que o distingue do restante parque automóvel. E para isso não precisa de chocar, como outros tentaram. Bem pelo contrário. O MX-30 tem um design muito original, com soluções que o distinguem dos demais, mas com a suavidade habitual das linhas Mazda, aqui ligeiramente mais vincadas, sem dúvida.


Mais:

Preço; condução; imagem.

Menos:

Autonomia limitada vs. rivais; acessibilidade ao banco traseiro em espaços limitados.

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (8/10) Não é para todos. Foi esta a sensação com que ficámos após os quatro dias que o MX-30 passou na redação do Automais. Foram em maior número os sinais de aprovação, mas o MX-30 não agradou a todos aqueles que com ele se cruzaram. Na nossa opinião, é de aplaudir a coragem de colocar no mercado um automóvel assumidamente diferente, com um formato distinto e com uma imagem que combina, bastante bem, robustez com elegância. Gostámos também do regresso da solução das portas traseiras de abertura invertida, só que…

Interior

Interior (6/10) Continuando o raciocínio do parágrafo dedicado ao exterior, por muita nostalgia que as portas traseiras tragam, não facilitam na hora de aceder ao habitáculo. Isto porque, caso o MX-30 esteja estacionado entre dois outros automóveis, há toda uma dança entre os dois passageiros, o da frente e o de trás, para que a entrada ocorra com normalidade. O primeiro a entrar no corredor entre os dois carros tem de ser o passageiro que vai viajar atrás. Caso contrário, nada feito: o da frente abre a sua porta, recolhe o banco, abre a porta de trás e o terceiro passageiro não consegue passar. O problema tem solução fácil, recomeçando, é verdade. Mas o design foi a prioridade e não a facilidade de utilização.

Já lá dentro, o espaço atrás não abunda mas também não limita o transporte de pessoas de até 1,8 metros de altura, sensivelmente. O problema é mesmo a pouca luz natural que entra pelas duas pequenas janelas, um desconforto que será maior, quanto mais pequenos os passageiros, garantidamente. Para quem viaja à frente, tudo muito melhor. A habitual sensação de solidez da Mazda, num ambiente idêntico ao de um pequeno e confortável lounge, com a utilização de materiais de diferentes cores e texturas, inclusivamente cortiça. A climatização possui um ecrã tátil dedicado, mas felizmente é complementada por botões físicos. Importa ainda mencionar a boa capacidade da bagageira, com 366 litros, bem como a possibilidade de criar um plano de carga ininterrupto com o rebatimento dos bancos.

Equipamento

Equipamento (7/10) A gama do MX-30 divide-se em apenas dois níveis de equipamento, o já habitual Excellence, de topo e para o qual estão disponíveis mais opções, e este First Edition que conduzimos, com preço base de 34 540 euros. Por este valor, a Mazda inclui elementos como as jantes de liga leve de 18 polegadas, a luzes LED adaptativas, os vidros escurecidos, bancos elétricos e aquecidos e ainda os retrovisores com recolhimento automático. No campo da segurança, o MX-30 está também bem recheado, com um extenso pacote com os habituais assistentes à condução.

Consumos

Consumos (8/10) O nosso primeiro contacto com o MX-30, aquando da sua apresentação nacional, não nos permitiu chegar a grandes conclusões relativamente ao consumo de energia. Nesse dia, o curto trajeto no coração de Lisboa não nos deixou trazer a média para os valores esperados, o que conseguimos neste ensaio, com bastante sucesso, diga-se. A nosso melhor registo foi 13,2 kWh/100 km, mas terminámos o nosso ensaio com cerca de 14,5 kWh/100 km, valor com que o devolvemos à Mazda e exatamente aquele declarado no ciclo urbano.

Ao volante

Ao volante (8/10) Sendo um Mazda, ainda que elétrico, não seria de esperar um comportamento pouco dinâmico ou menos ágil do que os dos demais modelos da marca. O MX-30 é mais um bom exemplo de como a marca japonesa continua focada em desenvolver automóveis capazes de oferecer boas sensações a quem está ao volante. Para isso, conta com uma boa posição de condução e volante, bem como com um acerto de suspensão bem julgado, suficientemente confortável sob mau piso ou calçada como a que percorremos em Lisboa, e também capaz de lhe conferir reações ágeis e seguras.

Concorrentes

Hyundai Kauai EV, elétrico, 204 cv, 395 Nm; velocidade máxima de 167 km/h; autonomia: 449 km; 15.4 kWh/100 km; 39 105 euros

Renault Zoe ZE40 R110, elétrico, 108 cv, 225 Nm; velocidade máxima de 135 km/h; autonomia: 313 km; 17.2 kWh/100 km; 32 240 euros

Motor

Motor (7/10) O MX-30 dispõe apenas de um motor na sua gama e o seu desempenho está mais do que à altura da utilização puramente citadina a que o 100% elétrico da Mazda aponta. São 145 cavalos e 270 Nm que chegam para uma aceleração de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. A velocidade máxima está limitada a 140 km/h. A resposta, como seria de esperar, é imediata e garantia de que o MX-30 está muito bem preparado para a correria diária na cidade, entre semáforos e rotundas. Já a intensidade da travagem regenerativa é controlada pelas patilhas atrás do volante.

A bateria tem 35,5 kWh de capacidade e pode ser carregada em modo AC até 6,6 kW ou em modo DC para carregamentos rápidos. A Mazda declara um tempo de carregamento em AC de cerca de 3 horas para levar o nível de 20 a 80% ou de 36 minutos em DC. A autonomia, ainda que assumido pelos responsáveis da marca porque sabem que este é um carro de cidade, é algo limitada perante outras opções no mercado. Com carga completa, o MX-30 consegue percorrer cerca de 200 quilómetros, extensíveis a 265 em ambiente puramente citadino.

Balanço final

Balanço final (7/10) A autonomia algo reduzida pode vir a limitar o desempenho comercial do MX-30, principalmente se consideradas outras opções do mercado, de preço equivalente ou ligeiramente inferior e com maior alcance de utilização, e não tanto porque os 35,5 kWh não cheguem para os cerca de 50 quilómetros conduzidos, em média, por dia. O design está muito bem conseguido e, para muitos, pode ser esse o fator-chave para tomarem a decisão de optar por um MX-30. O primeiro elétrico do símbolo de Hiroshima não é um produto isento de falhas ou de compromissos mal definidos como as muito bonitas e originais mas pouco práticas portas traseiras, mas considerando igualmente a solidez de construção, equipamento e boas sensações ao volante, o MX-30 é um bom e competente primeiro elétrico da Mazda e, assim, uma boa opção a ter em conta no segmento.

Ficha técnica

Motor Tipo: elétrico Capacidade da bateria (kWh): 35,5 Potência máxima (CV/rpm): 145/nd Binário máximo (Nm/rpm): 270/nd Transmissão: automática de 1 velocidade Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/barra de torção Travões (fr/tr): discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 9,7 Velocidade máxima (km/h): 140 Consumos misto (kWh/100 km): 19 Emissões CO2 (gr/km): na Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4395/1795/1555 Distância entre eixos (mm): 2655 Peso (kg): 1645 Capacidade da bagageira (l): 366 Pneus (fr/tr): 215/55 R18 Preço da versão base (Euros): 34.540 Preço da versão Ensaiada (Euros): 34.540

Preço da versão ensaiada (Euros): 34540€
Preço da versão base (Euros): 34540€