Mercedes-Benz EQE 350+ – Ensaio Teste

By on 28 Junho, 2022

Conta, peso e medida

Era uma expressão mais usada pelos nossos pais ou avós e que significava que conseguíamos precisamente o que queríamos, mas mesmo à justa, sem exageros, mas também sem nada em falta. E é precisamente o que achámos do novo Mercedes-Benz EQE. Depois do ensaio efetuado ao EQS, ficámos com a ideia de que era demasiado grande e com um desenho pouco expressivo. Com o novo EQE, tudo parece ter sido desenvolvido para este tamanho mais compacto, o que resulta numa excelente configuração, seja em termos de proporções, mas também de desenho. E nesta versão de acesso à gama, o EQE 350+ ganha ainda mais trunfos que amplificam esta ideia.

Texto: André Mendes


Mais:

– Conforto;
– Silêncio a bordo;
– Espaço atrás;
– Autonomia;

Menos:

– Bagageira mais compacta;
– Alguns comandos táteis;

Exterior

8/10

O novo Mercedes-Benz EQE é muitas vezes apontado como uma miniatura do mais imponente EQS. E existem, de facto, diversos motivos para que isso aconteça. Há inúmeras linhas semelhantes, mas também a imagem de uma nova família de modelos que a marca não quer afastar uns dos outros, ao mesmo tempo que os pretende diferenciar de toda a sua restante oferta. As maiores diferenças estão mesmo nos detalhes. O enorme painel dianteiro de cor negra, por exemplo, tem um desenho diferente, que já não inclui o friso central em LED como no EQS. E as óticas, equipadas com o sistema Digital Light, apresentam uma assinatura visual mais elaborada. Lá atrás, o desenho do sistema de iluminação em LED também inclui pequenas diferenças, além das dimensões mais compactas.

Menos visível, no entanto, é a forma como acedemos à bagageira, que no EQS é feita através de uma quinta porta de abertura conjunta com o vidro traseiro e no EQE conta com uma solução mais semelhante à de um modelo com carroçaria de três volumes, em que apenas a tampa da bagageira abre.

Interior

9/10

A bordo do EQE não há como não fazer algumas comparações com o EQS. Afinal, esta é uma espécie de versão mais compacta do topo de gama da família EQ de modelos totalmente elétricos. Nesta versão de acesso à gama, o MBUX Hyperscreen não está disponível, nem como opção, o que acaba por ser positivo, mas além disso, encontramos um volante de desenho mais desportivo e pequenos detalhes. A posição de condução é quase perfeita e o espaço disponível continua a ser muito amplo. É que, apesar do EQE estar destinado a um segmento diferente do EQS, e de ter 27 centímetros a menos na medida do comprimento, apenas nove foram retirados à distância entre eixos, o que se traduz num espaço muito amplo, especialmente para quem viaja nos lugares traseiros.

Na unidade ensaiada, predominam os tons mais escuros, que, apesar de tudo contam com uma boa iluminação, fornecida pela presença do teto de abrir panorâmico. E a qualidade de acabamentos e de materiais não fica muito afastada do que encontrámos no EQS. Menos positivo, é a capacidade da bagageira, que se viu limitada a 430 litros e alguns dos comandos táteis com os quais não conseguimos simpatizar e que requerem bastante habituação.

Equipamento

8/10

Uma vez que o MBUX Hyperscreen (o sistema que combina três monitores no tablier como se fosse um único) não se encontra disponível para esta versão, nem sequer como opção, ficámos a conhecer a opção “normal” deste modelo. E a verdade é que, apesar de gostarmos do impacto proporcionado pelo Hyperscreen, a verdade é que esta solução consegue ser mais simples, mais minimalista, mas não menos tecnológica. O monitor tátil que se prolonga da consola central até quase ao topo do tablier é o mesmo que encontramos num Classe S, por exemplo, e a instrumentação totalmente digital e personalizável cumpre a sua função na perfeição.

O ambiente a bordo continua num patamar muito elevado e a unidade ensaiada contava com os assentos multi-contorno, com aquecimento, ventilação e até massagens, o que resultou na perfeição para os momentos com mais trânsito. E para terminar, ainda tivemos oportunidade de melhorar todo o ambiente com o sistema de iluminação em LED do habitáculo e com o sistema de som mais desenvolvido, da autoria da Burmester.

Consumos

7/10

Iniciar a condução com um valor próximo dos 600 quilómetros elimina quase por completo a ansiedade da autonomia. Mais ainda quando começamos a perceber que o EQE consegue aproveitar cada metro para ir tentando regenerar energia para a bateria do sistema, especialmente quando está selecionado o modo de regeneração automático, que mede a distância para o carro da frente e ajusta a regeneração em função disso, chegando mesmo a parar o carro, sem que sejamos nós a carregar no pedal do travão. A velocidades, muito reduzidas, claro.

Os valores registados pelo computador de bordo do EQE numa utilização convencional, andaram quase sempre em torno dos 18 kWh, havendo alguns momentos acima dos 20 e outros quase a descer dos 17. Numa utilização fluida e com algumas descidas à mistura, chegámos a ver 12,6 kWh, mas numa utilização pouco real. No final do ensaio, o valor foi de 18,7 kWh.

Ao Volante

8/10

Logo nos primeiros quilómetros ao volante do EQE percebemos que um dos seus grandes trunfos é mesmo o silêncio a bordo, até porque também não há ruído de motor e diversos cuidados com a insonorização, alguns deles incluindo opcionais como o vidro laminado isolante de calor, com isolamento sonoro e refletor de infravermelhos. Além disso, a suspensão pneumática Airmatic também contribui para que a grande maioria das irregularidades do piso não se notem a bordo, deixando-nos deslizar por ruas de empedrado ou asfalto mais rugoso.

Os modos de condução existentes incluem um Sport, mais desportivo, mas a maioria tem a enorme missão de nos convencer a prolongar a autonomia ao máximo, havendo mesmo um menu que nos ajuda a otimizar o gasto de energia, oferecendo soluções de sistemas que podemos desligar ou atenuar, ou simples premir um comando para que seja o sistema a fazer tudo isso. Depois de quase 200 quilómetros percorridos, o indicador de carga da bateria ainda nem sequer estava a meio, o que nos fez desejar ter uns dias livres para conseguir estender a marcação do empréstimo do EQE e nos fazermos à estrada para explorar esta autonomia da melhor forma.

Motor

8/10

Para fazer locomover o EQE 350+ está presente uma única motorização elétrica, instalada no eixo posterior, para onde passa também a tração. Estão disponíveis 292 cavalos de potência, que se revelaram mais do que suficientes para o dia-a-dia, ou mesmo para deslocações em autoestrada, deixando-nos apenas a tentar imaginar como será a versão AMG deste modelo, com dois motores e 476 cavalos.

Balanço Final

8/10

A versão compacta do EQS, como já foi apelidado, revelou ser uma solução mais “à medida”. Não em termos de preço, mas sim de uma forma geral. É um automóvel elétrico luxuoso, com um elevado nível de conforto, espaço no habitáculo, um motor competente e uma autonomia que nos faz querer conduzi-lo durante mais tempo. E tudo por um valor que ainda fica longe dos seis algarismos, desde que não haja grande entusiasmo com a lista de opcionais disponíveis. Caso contrário, acontece o mesmo que na unidade ensaiada.

Concorrentes

Porsche Taycan
Motor: Elétrico; 408 cavalos; Tração traseira; Autonomia: 432 km; Velocidade máx.: 230 km/h; Consumo combinado: 20,4 kWh/100 km; Preço 90.268 €

Ficha Técnica

Motor
Tipo: Elétrico
Cilindrada (cm3): n.d.
Potência máxima (CV/rpm): 292/n.d.
Binário máximo (Nm/rpm): 565/n.d.
Tração: Traseira
Transmissão: Automática de relação única
Direção: Assistida eletricamente
Suspensão (ft/tr): Multibraços / Multibraços
Travões (fr/tr): discos ventilados / discos ventilados

Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s): 6,4
Velocidade máxima (km/h): 210
Consumos misto (kWh/100 km): 15,9
Autonomia máxima – WLTP (km): 654

Dimensões e pesos
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.946/1.961/1.510
Distância entre eixos (mm): 3.120
Largura de vias (fr/tr mm): 1.637/1.647
Peso (kg): 2.280
Capacidade da bagageira (l): 430
Pneus (fr/tr): 255/45 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 105.700 €
Preço da versão base (Euros): 73.800 €

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O novo Mercedes-Benz EQE é muitas vezes apontado como uma miniatura do mais imponente EQS. E existem, de facto, diversos motivos para que isso aconteça. Há inúmeras linhas semelhantes, mas também a imagem de uma nova família de modelos que a marca não quer afastar uns dos outros, ao mesmo tempo que os pretende diferenciar de toda a sua restante oferta. As maiores diferenças estão mesmo nos detalhes. O enorme painel dianteiro de cor negra, por exemplo, tem um desenho diferente, que já não inclui o friso central em LED como no EQS. E as óticas, equipadas com o sistema Digital Light, apresentam uma assinatura visual mais elaborada. Lá atrás, o desenho do sistema de iluminação em LED também inclui pequenas diferenças, além das dimensões mais compactas.

Menos visível, no entanto, é a forma como acedemos à bagageira, que no EQS é feita através de uma quinta porta de abertura conjunta com o vidro traseiro e no EQE conta com uma solução mais semelhante à de um modelo com carroçaria de três volumes, em que apenas a tampa da bagageira abre.

Interior

A bordo do EQE não há como não fazer algumas comparações com o EQS. Afinal, esta é uma espécie de versão mais compacta do topo de gama da família EQ de modelos totalmente elétricos. Nesta versão de acesso à gama, o MBUX Hyperscreen não está disponível, nem como opção, o que acaba por ser positivo, mas além disso, encontramos um volante de desenho mais desportivo e pequenos detalhes. A posição de condução é quase perfeita e o espaço disponível continua a ser muito amplo. É que, apesar do EQE estar destinado a um segmento diferente do EQS, e de ter 27 centímetros a menos na medida do comprimento, apenas nove foram retirados à distância entre eixos, o que se traduz num espaço muito amplo, especialmente para quem viaja nos lugares traseiros.

Na unidade ensaiada, predominam os tons mais escuros, que, apesar de tudo contam com uma boa iluminação, fornecida pela presença do teto de abrir panorâmico. E a qualidade de acabamentos e de materiais não fica muito afastada do que encontrámos no EQS. Menos positivo, é a capacidade da bagageira, que se viu limitada a 430 litros e alguns dos comandos táteis com os quais não conseguimos simpatizar e que requerem bastante habituação.

Equipamento

Uma vez que o MBUX Hyperscreen (o sistema que combina três monitores no tablier como se fosse um único) não se encontra disponível para esta versão, nem sequer como opção, ficámos a conhecer a opção “normal” deste modelo. E a verdade é que, apesar de gostarmos do impacto proporcionado pelo Hyperscreen, a verdade é que esta solução consegue ser mais simples, mais minimalista, mas não menos tecnológica. O monitor tátil que se prolonga da consola central até quase ao topo do tablier é o mesmo que encontramos num Classe S, por exemplo, e a instrumentação totalmente digital e personalizável cumpre a sua função na perfeição.

O ambiente a bordo continua num patamar muito elevado e a unidade ensaiada contava com os assentos multi-contorno, com aquecimento, ventilação e até massagens, o que resultou na perfeição para os momentos com mais trânsito. E para terminar, ainda tivemos oportunidade de melhorar todo o ambiente com o sistema de iluminação em LED do habitáculo e com o sistema de som mais desenvolvido, da autoria da Burmester.

Consumos

Iniciar a condução com um valor próximo dos 600 quilómetros elimina quase por completo a ansiedade da autonomia. Mais ainda quando começamos a perceber que o EQE consegue aproveitar cada metro para ir tentando regenerar energia para a bateria do sistema, especialmente quando está selecionado o modo de regeneração automático, que mede a distância para o carro da frente e ajusta a regeneração em função disso, chegando mesmo a parar o carro, sem que sejamos nós a carregar no pedal do travão. A velocidades, muito reduzidas, claro.

Os valores registados pelo computador de bordo do EQE numa utilização convencional, andaram quase sempre em torno dos 18 kWh, havendo alguns momentos acima dos 20 e outros quase a descer dos 17. Numa utilização fluida e com algumas descidas à mistura, chegámos a ver 12,6 kWh, mas numa utilização pouco real. No final do ensaio, o valor foi de 18,7 kWh.

Ao volante

Logo nos primeiros quilómetros ao volante do EQE percebemos que um dos seus grandes trunfos é mesmo o silêncio a bordo, até porque também não há ruído de motor e diversos cuidados com a insonorização, alguns deles incluindo opcionais como o vidro laminado isolante de calor, com isolamento sonoro e refletor de infravermelhos. Além disso, a suspensão pneumática Airmatic também contribui para que a grande maioria das irregularidades do piso não se notem a bordo, deixando-nos deslizar por ruas de empedrado ou asfalto mais rugoso.

Os modos de condução existentes incluem um Sport, mais desportivo, mas a maioria tem a enorme missão de nos convencer a prolongar a autonomia ao máximo, havendo mesmo um menu que nos ajuda a otimizar o gasto de energia, oferecendo soluções de sistemas que podemos desligar ou atenuar, ou simples premir um comando para que seja o sistema a fazer tudo isso. Depois de quase 200 quilómetros percorridos, o indicador de carga da bateria ainda nem sequer estava a meio, o que nos fez desejar ter uns dias livres para conseguir estender a marcação do empréstimo do EQE e nos fazermos à estrada para explorar esta autonomia da melhor forma.

Concorrentes

Porsche Taycan
Motor: Elétrico; 408 cavalos; Tração traseira; Autonomia: 432 km; Velocidade máx.: 230 km/h; Consumo combinado: 20,4 kWh/100 km; Preço 90.268 €

Motor

Para fazer locomover o EQE 350+ está presente uma única motorização elétrica, instalada no eixo posterior, para onde passa também a tração. Estão disponíveis 292 cavalos de potência, que se revelaram mais do que suficientes para o dia-a-dia, ou mesmo para deslocações em autoestrada, deixando-nos apenas a tentar imaginar como será a versão AMG deste modelo, com dois motores e 476 cavalos.

Balanço final

A versão compacta do EQS, como já foi apelidado, revelou ser uma solução mais “à medida”. Não em termos de preço, mas sim de uma forma geral. É um automóvel elétrico luxuoso, com um elevado nível de conforto, espaço no habitáculo, um motor competente e uma autonomia que nos faz querer conduzi-lo durante mais tempo. E tudo por um valor que ainda fica longe dos seis algarismos, desde que não haja grande entusiasmo com a lista de opcionais disponíveis. Caso contrário, acontece o mesmo que na unidade ensaiada.

Ficha técnica

Motor
Tipo: Elétrico
Cilindrada (cm3): n.d.
Potência máxima (CV/rpm): 292/n.d.
Binário máximo (Nm/rpm): 565/n.d.
Tração: Traseira
Transmissão: Automática de relação única
Direção: Assistida eletricamente
Suspensão (ft/tr): Multibraços / Multibraços
Travões (fr/tr): discos ventilados / discos ventilados

Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s): 6,4
Velocidade máxima (km/h): 210
Consumos misto (kWh/100 km): 15,9
Autonomia máxima – WLTP (km): 654

Dimensões e pesos
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.946/1.961/1.510
Distância entre eixos (mm): 3.120
Largura de vias (fr/tr mm): 1.637/1.647
Peso (kg): 2.280
Capacidade da bagageira (l): 430
Pneus (fr/tr): 255/45 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 105.700 €
Preço da versão base (Euros): 73.800 €

Preço da versão ensaiada (Euros): 105700€
Preço da versão base (Euros): 73800€