Ensaio: BMW SÉRIE 2 M2

By on 30 Maio, 2016

A tração traseira continua a ser um dos melhores argumentos de (quase) todos os BMW. Com 370 cv e 465 Nm, o M2 leva-a ao extremo. Numa palavra: viciante!

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As formas volumosas da carroçaria deixam-nos a salivar assim que nos confrontamos com ele. O impacto é imediato, até porque a agressividade é a nota dominante deste BMW, visível no difusor traseiro e na dupla ponteira de escape, mas também nas jantes, cavas das rodas, pára-choques e entradas de ar. Tudo é exageradamente delicioso, e ainda mais por se encontrar compactado. É um brinquedo da ‘micro machines’, mas apenas nas dimensões, que curiosamente (como o tempo muda!) estão próximas do primeiro M3. Em tudo o resto revela-se um cocktail de emoções complexas, a pedir a intervenção de um adulto…

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PURO DESEJO
Sucessor do fabuloso 1M Coupé, que por razões óbvias não poderia chamar-se M1, uma vez que já existia um modelo com esse nome, a BMW lança agora o M2 – a (re)entrada no mais desejado dos seus mundos, mas que nada tem de ‘aperitivo’. Queremos com isto dizer que, embora se trate efetivamente do primeiro degrau de entrada no universo da sigla desportiva que tantos adeptos chama até si, esta nova geração em nada fica a dever aos ‘irmãos’ nos capítulos da potência, desempenho e, acima de tudo, diversão ao volante.

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Debaixo do capot mantém-se o famoso seis cilindros em linha, agora com 370cv contra os 340 do 1M Coupé, alimentado por um turbo de dupla fase para possibilitar que a subida às 7000 rpm aconteça de forma vertiginosa. O binário máximo de 465 Nm (500 Nm em função ‘overboost’) garante força em todos os regimes e permite-nos brincar com ele assim que se coloca a caixa em modo Sport+ (‘Comfort’ e ‘Sport’ são as outras opções disponíveis). Com este selecionado, o DSC, vulgo controlo de tração, passa para MDM (‘M’ Dynamic Mode), influenciando o bloqueio do diferencial traseiro e soltando a retaguarda, além de permitir passagens de caixa (muito) mais rápidas. A bordo, tudo é bom. O volante é copiado de outros modelos como o M4, enquanto a direção apresenta o toque ‘pesado’ característico dos BMW e dos carros de competição. Já os bancos, posto do condutor e revestimentos são respetivamente ergonómicos e confortáveis, e de excelente qualidade e montagem. ‘Grandes’ pormenores abrilhantam os assentos em couro, como a sigla ‘M’ – mais um sinal do seu cariz especial e que nos entrega a convição de que este M2, à imagem do antecessor, rapidamente se tornará num objeto de culto admirado por muitos e longos anos. O motor ‘vitaminado’ encontra um chassis soberbo, mas sempre com a noção de que tudo tem de ser doseado com cuidado. Se abusarmos, o M2 há-de virar-se contra nós de forma impediosa, lembrando que é preciso ‘respeitinho’ na eterna luta do homem contra a máquina.

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HERANÇA ‘M’
A aceleração deve ser progressiva se o objetivo é evitar que a traseira se ‘passe’. Mas se a ideia é sair da garagem em grande estilo, então dificilmente encontrará um exemplar de quatro rodas que corresponda melhor a esse intuito. Baixo, largo e ‘ameaçador’, é tudo aquilo que queremos encontrar num pequeno compacto desportivo, mas com a elegância de quem aposta no charme de um coupé em detrimento do ar, por vezes ‘tosco’, de um ‘hatchback’ repleto de anabolizantes. Gostos, como habitualmente, não se discutem.

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Mas este BMW parece-nos sem dúvida uma excelente interpretação do conceito ‘diversão e bom-gosto’ ao volante, sem esquecer o som que se fixa à epiderme e causa arrepios de cada vez que carregamos no pedal do acelerador. Tendo por base a tecnologia que carrega consigo, herdando nomeadamente o esquema de suspensão M3/M4 e o motor de 3.0 litros que serve estes dois e o M235i (mais potente do que o segundo – 370 contra 326 cv – mas com algumas diferenças para baixar o custo em relação aos primeiros), as credenciais emocionais do Série 2 mais radical de sempre só podiam ser elevadas. Daí que o percurso até aos 100 km/h seja realizado em meros 4,7s (o M4 fá-lo em 4,3s e tem 431 cv) e que os 12 cm a menos na distância entre eixos lhe entreguem uma manobrabilidade que o irmão maior não consegue atingir. É por isso que acreditamos que as sensações M2 são ainda mais ‘cruas’, e que o envolvimento com o carro e a condução acaba por ser superior a outros espécimes ‘M’, mesmo que os números relativos à potência sejam de outro gabarito. Obter uma das melhores encarnações de um ‘pocket rocket’ está à distância de 68.199€ ou 80.936€, a versão ‘carregadinha de opcionais’ que ensaiámos, e que inclui indispensáveis à comodidade como a câmara de estacionamento traseira (343€) ou o sistema de navegação (1756€). Os valores podem assustar para um carro de três portas com lugar para quatro passageiros (embora estes até viajem relativamente desafogados), mas a boa notícia é que tudo o que vem de série chega e sobra para uma das experiências de condução mais ricas do universo!

Preço base: 68 199 €

Motor: 6 cil., Gasolina, turbo dupla fase, inj. dir., 2979 cc
Potência: 370 cv
Binário: 465 N.m./1400-5550 rpm
Transmissão: Traseira, Auto. De 7 vel.
Suspensão: McPherson à frente e multibraços atrás com molas helicoidais
Travagem: DV/DV
Peso: 1595 kg
Mala: 390 l
Depósito: 52 l
Vel. Máx.: 250 km/h (limitados eletron.)
Aceleração 0 aos 100 km/h: 4.3s
Consumo médio: 7.9 l/100 km
Consumo médio AutoSport: 9.8 l/100 km
Emissões de CO2: 185 g/km