ENSAIO: Audi S1, quem o apanha?

By on 16 Fevereiro, 2016

Na guerra dos pequenos desportivos, a Audi era uma carta fora do baralho até há bem pouco tempo. Mas com o lançamento do S1, entrou forte no jogo e deixou os adversários… à beira de um ataque de nervos!

A sigla S1 reporta-nos a uma viagem no tempo. Tempo dos antigos Super Grupo B de ralis, onde a Audi fabricou a versão S1 do Quattro, um dos maiores ícones da história dos ralis pelas suas agressivas linhas, brutais performances ou capacidade de fazer tremer o chão à sua passagem. Praticamente 30 anos depois, a marca de Inglostadt recuperou a sigla mas ‘domesticou-a’. Aplicada ao modelo A1, a fórmula aparece ‘civilizada’ no ADN do carro que a marca escolheu para defender os pergaminhos no segmento B como resultado evidente da evolução dos tempos mas também das necessidades. O Audi S1 não é um carro de ralis (mas até tem uma boa base para o ser), mas tem todas as caraterísticas para se salientar no meio da família dos pequenos compactos desportivos, que, a partir de agora, com o ‘sobreolho franzido’ para ele têm que olhar. Mesmo na versão Sportback (de cinco portas) – visualmente menos atraente que a de três mas mais prática de utilizar no dia-a-dia em termos de acessibilidade aos lugares traseiros – estão reunidos todos os condimentos para se ter um desportivo de gema, capaz de oferecer momentos de condução excitantes e sensações fortes ao volante. A concorrência não lhe faz a vida fácil. Mas, na hora da verdade, Opel Corsa OPC, Renault Clio RS 200 EDC, Peugeot 208 GTI, Citroën DS3 Racing e MINI John Cooper Works, ficam sem fôlego para acompanhar o S1. Com um motor dois litros, turbo, com sistema de alimentação de injeção mista (direta e indireta) ou seja, o mesmo propulsor que equipa o Golf R mas menos vitaminado, o pequeno foguete alemão coloca 231 cv debaixo do pé direito, algo que nenhum dos seus concorrentes consegue fazer. Depois, como se a potência não fosse um argumento suficientemente arrebatador em carros cujo peso anda entre os 1200 e os 1400 kg, o S1 estica ainda os limites da superioridade, colocando no asfalto um trunfo que mais ninguém tem na manga: o sistema Quattro. Com a potência e o binário do 2.0 TFSI espalhados pelos dois eixos, não há, nesta categoria, nenhum carro que consiga parar o cronómetro antes dos 6,0s à passagem dos primeiros 100 km/h como o Audi, nem ter a sua capacidade de recuperações a médios regimes (esmagar o acelerador a fundo em sexta velocidade, a 100/120 km/h, chega a ser impressionante!) com os 370 Nm de binário disponibilizados. Mas se quanto a acelerações e uma velocidade máxima que chega a uns incríveis (atendendo às reduzidas dimensões do carro) 250 km/h estamos conversados, será que o S1 é apenas avassalador a andar para a frente?

Não conte com isso. Fruto do sistema Quattro e do bloqueio inteligente do diferencial, a competência a lidar com as curvas pode ser posta à prova em praticamente todo o tipo de piso, mais liso ou mais irregular, mais abrasivo ou mais escorregadio, pois a motricidade é sempre elevada e é difícil fazer a carroçaria perder a sua compostura. Claro que há limites, mas para um carro de reduzidas dimensões e de curta distância entre eixos, o S1 faz a maior parte das curvas sobre carris, expondo uma saudável sensação de segurança que o ESP está sempre pronto a confirmar. De qualquer modo, há dois modos de ativação deste ‘sistema anti-surpresas’, que dão mais ou menos liberdade criativa na condução, que combinados com a configuração Dynamic do Audi Drive Select (onde a resposta do motor é mais rápida e sensível e o amortecimento da suspensão é menos tolerante) podem dotar este S1 de argumentos ainda mais fortes ao nível da eficácia dinâmica. Com uma direção precisa e suficientemente transparente a passar a informação e os travões de discos ventilados à frente e maciços atrás (com pinças vermelhas que não dispensam a inscrição S1) perfeitamente adequado ao nível de performances, só a caixa de seis velocidades manual se poderia apresentar com relações ligeiramente mais curtas, sem falar que, em tempos evoluções tecnológicas, o módulo DSG sequencial com patilhas no volante, apresentar-se-ia, seguramente, como um melhor cartão de visita para um carro que nasceu já na era ‘playstation’.

Aproveitando a presença no interior, vale a pena dizer que o S1 não é especialmente aprazível em termos de habitabilidade (sobretudo nos lugares traseiros onde as pernas entram facilmente em conflito com as costas dos bancos dianteiros), mas oferece bancos em pele com excelente apoio lateral e boa capacidade de manobrabilidade até se chegar à posição ideal de condução. Nesse ponto, a raça desportiva do mais nobre dos A1’s passa a estar à vista em cada detalhe, que vai desde os pedais de aço, até ao volante ‘cortado’ na parte inferior, passando pelo posponto vermelho dos bancos, volante, fole da alavanca de velocidades e travão de mão. Menos prático do que a Audi habituou os seus clientes é agora a disposição do controlo MMI que está integrado no botão do rádio e não na consola central como é habitual nos modelos dos quatro aneis. Resta falar da linha exterior, onde o S1 é talvez até discreto para aquilo que é capaz de fazer na estrada, exceção feita à grelha frontal de grandes dimensões com a discreta sigla ‘S1’, aos espelhos retrovisores da cor do teto e aos quatro grossos escapes que dão um ‘cantar’ poderoso ao mini-compacto mais desportivo da Audi. Depois há que contar com 39 540 € para o ter totalmente à sua disposição. Barato não é, mas se se lembrar que há pouco tempo apareceu um S1, com os tais 30 anos, à venda por mais de 500 mil €, não há maneira de ter um carro com o nome de uma lenda por tão pouco… Filipe Pinto Mesquita

Preço: 39 540 € (consultar www.audi.pt)

Motor 4 cil., inj.direta e indireta, turbo, 1984 cm3 Potência 231 cv/6000 rpm Binário 370 N.m/1600-3000 rpm Transmissão Integral, cx. Manual de 6 vel. Suspensão Independente McPherson à frente e independente multibraços atrás Travagem DV/D Peso 1410 kg Mala 210-860 litros Depósito 45 litros Velocidade máxima 250 km/h Aceleração 0 a 100 km/h 5,9 segundos Consumo médio 7,1 l/100 km Consumo médio AutoSport 9,4 l/100 km Emissões CO2 166 g/km