ENSAIO: DS 4 Crossback Sport Chic 2.0 BlueHDI

By on 12 Fevereiro, 2016

Tal como já tinha acontecido ao DS 5, agora foi a vez do DS 4 deixar de lado qualquer ligação estética à marca Citroën e tornar-se um modelo próprio. Para isso, o DS 4 não só adotou o mesmo desenho da grelha frontal do topo de gama da marca de luxo do Grupo PSA, como viu a família crescer com um segundo modelo, o DS 4 Crossback.

Este é mais um SUV urbano, com elementos decorativos que dão a impressão de ser um veículo preparado para todo-o-terreno, mas que não afetam (negativa ou positivamente) as capacidades dinâmicas do carro. Neste caso, a transformação num SUV urbano até deixa o Crossback mais distinto que o DS 4, pois o carro tinha um ar demasiado clássico, demasiado parecido com um Citroën normal, para ser integrado numa marca que pretende evoluir para atrair um público mais premium.

E, apesar de ser um crossover, a ilusão de um SUV também é reforçada pela posição de condução elevada no interior do Crossback. O DS 4 Crossback tem um habitáculo confortável nos lugares dianteiros, com um excelente apoio lombar para o condutor e para o passageiro. Apenas a linha de cintura demasiado elevada afeta um pouco a visão para o exterior. Os bancos traseiros são confortáveis no que diz respeito ao espaço para as pernas, mas revelam ser um pouco mais apertados na largura para os ombros.

A bagageira não desilude, ainda que seja mais alta que profunda. Avançando para o equipamento, o DS 4 Crossback também utiliza o ecrã tátil de sete polegadas com todas as opções de informação, entretenimento e climatização centralizadas num só sistema, que pode ser conectado a um smartphone. Em opção, o sistema também pode ser usado para uma câmara de estacionamento. Na gama DS 4 Sportback, a versão de topo é a Sport Chic, que está equipada em exclusivo com o motor 2.0 BlueHDi, que com as evoluções para cumprir os critérios Euro 6, vê a potência subir para os 181 cv, enquanto o binário máximo salta para os 400 N.m, disponíveis às 2000 rpm.

Mesmo assim, já se sente que o motor progride rapidamente mesmo entre as 1500 e as 2000 rpm. Mesmo com a subida de potência, o 2.0 BlueHDi está mais eficiente no capítulo dos consumos, sendo perfeitamente viável atingir valores na casa dos 6 litros baixos sem muitas dificuldades. A caixa de velocidades automática tem trocas de mudança suaves, mas gostávamos de experimentar este carro com caixa manual, que não está disponível no mercado nacional. Uma coisa que não mudou é o conforto do DS 4.

Como é habitual no Grupo PSA, a suspensão foi alvo de bastante cuidado na fase de conceção do carro, absorvendo todas as irregularidades quase por completo, sem que um passageiro se aperceba, enquanto a direção do carro francês também é bastante precisa. No entanto, com um centro de gravidade demasiado alto, o Crossback não se sente tão à vontade nos limites, obrigando a que o controlo de tração intervenha em algumas ocasiões.

Com o motor 2.0, o DS 4 Crossback fica com um preço superior a 40 mil euros, algo exagerado para o seu segmento, e também se considerarmos que o carro francês ainda é um jogador novo na divisão premium. Tendo em conta as características do mercado nacional, talvez não fosse inapropriado disponibilizar o nível Sport Chic com o motor 1.6 para mostrar a um público mais abrangente aquilo que a marca DS é capaz de fazer em termos de luxo.

DS 4 Crossback
Preço 41 243 €

Motor: 4 cil., 16 v., common-rail e turbo, 1997 cm3
Potência: 181 cv/3750 rpm
Binário: 400 N.m/2000 rpm
Transmissão: Dianteira, cx. automática 6 vel.
Suspensão: Independente McPherson à frente e eixo de torsão atrás
Travagem: DV/D
Peso: 1495 kg
Mala: 359-385 litros
Depósito: 60 l
Velocidade máxima: 205 km/h
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,3 s
Consumo médio: 4,4 l/100 km
Consumo médio AutoSport: 6,3 l/100 km
Emissões CO2: 115 g/km