Ensaio: Mercedes-AMG GLE 63 S 4MATIC Coupé

By on 19 Maio, 2016

Potência galopante, barulho encorpado e quilómetros de prazer. Tudo isto está garantido neste Mercedes, que nos faz entrar na esfera paradisíaca das máquinas de mais de 500 cv… e não querer sair!

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Imponente desde o primeiro contacto, é assim o Mercedes-AMG GLE 63 S 4MATIC Coupé. As siglas AMG dão-lhe um toque distintivo que aumenta a curiosidade quando lemos V8 biturbo nas laterais. No habitáculo somos recebidos por um estilo sóbrio, mas de laivo desportivo. O olhar memoriza um interior que nos faz sentir alguns palmos acima da terra, e não só de altura. Paira uma aura, a de sermos os eleitos ao passearmos o Mercedes, como se de uma estrela de Hollywood na passadeira vermelha se tratasse. A exclusividade AMG é conhecida, mas quando se trata de um carro com 585 cv, sentimos que chegámos ao patamar ‘plus’ da distinção.

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DOCE ‘OLÁ’
Ligamos a ignição e, de imediato, do escape emana uma explosão de gasolina, num rouco, curto e cheio, aceno de boas vindas. Uma comunicação que nunca desaparece e se transforma num leve e sonoro borbulhar, compassado, ao ralenti, que coloca todos os nossos sentidos em alerta e nos abre o sorriso no rosto, fazendo de todas as viagens um verdadeiro prazer. A audição fica focada no robusto barulho saído da dupla ponteira de escape. O palato fica a salivar de curiosidade e o tato pronto a perceber o que poderá ter em mãos. O olhar foca-se na dianteira e o olfato… bem, também não é preciso tudo!

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ADEUS MUNDO
À garbosa imagem e ao orquestral ruído, junta-se uma condução poderosa em que, pela primeira vez desde há muito, nos chega às mãos um carro sem o modo Eco, um ‘habitué’ em qualquer veículo dos nossos dias. Winter; Individual; Comfort; Sport; e Sport+ são a oferta. O primeiro ‘dispensámos’, o segundo permite-nos personalizar as opções a nosso gosto e no Comfort as suspensões têm um grau de absorção irrepreensível, não penalizando nos demais modos.

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No Sport passamos para outro mundo e o clímax atinge-se no Sport+. Aí tudo se desvanece, sentimos uma avalanche de potência – 4,2s dos 0 aos 100 km/h a deslocar 2350 kg – ao alcance do nosso pé chega a meter medo, com o ponteiro a escalar o velocímetro com uma rapidez inaudita, acompanhado pelo rugido do escape, a gasolina em excesso a queimar e a fazer-nos não querer parar, a prolongar a sensação, o prazer, o Mundo! Tudo isto com uma celeridade muito maior que o leitor levou a ler esta linha. É algo que todos deveriam poder experimentar, pelo menos, uma vez na vida. Até que somos despertados pelos três elevados dígitos no conta quilómetros que nos apelam à parte racional, nos tocam na consciência da emoção e nos fazem aplicar um firme pisar de travão, em que se sente, na perfeição, as pinças em sobressalto, sem mãos a medir, a exercerem a sua função com toda a eficácia e destreza que lhe são possíveis. Sensações conseguidas a troco de médias de 20 l/100 km. Se conduzirmos com extrema delicadeza, leia-se, com o nosso pé a encostar-se com a máxima suavidade e cuidados ao acelerador, conseguimos consumos médios de 13,6 l km/100 km. Algo a que chegamos com dificuldade, dado implicar o cumprimento dos limites de velocidade que, com sinceridade, se revela uma tarefa árdua. Na fatura, tudo isto é obtido por 183 200 €.

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Preço base: 183 200 €

 

Motor: V8 gasolina, inj. direta, admissão variável, turbo, intercooler, 5.461 cm3
Potência: 585 cv/5500 rpm
Binário: 760 N.m./1.750 – 5.250 rpm
Transmissão: Integral permanente, Cx. Auto de 7 vel.
Suspensão: Triângulos duplos à frente e Multi-Link atrás
Travagem: Discos ventilados com furações à frente e atrás
Peso: 2350 kg
Mala: 650 l
Depóstio: 93 l
Vel. Máx.: 250 km/h
Aceleração dos 0 aos 100 km/h: 4.2s
Consumo médio: 11.9 l/100 km
Consumo médio AutoSport: 13.6 l/100 km
Emissões CO2: 278 g/km