ENSAIO: Mercedes-Benz GLE 350d 4Matic Coupé

By on 31 Janeiro, 2016

Com o aumento da “febre SUV”, e o inequívoco êxito que tem caracterizado a carreira do BMW X6, não sobrava à Mercedes outra opção que não fosse criar um modelo capaz de competir com o seu opositor bávaro, para mais quando já é sabido que também a Audi se prepara para lançar proposta semelhante, na forma do futuro Q6. E assim nasceu o GLE Coupé, numa altura em que a casa de Estugarda opera também uma alteração de fundo na nomenclatura dos seus modelos, no caso dos SUV estabelecendo um paralelismo notório entre estes e as propostas da sua gama dita “convencional” (assim se justificando a troca da antiga ML pela nova GLE). Em análise está aqui o GLE 350d 4Matic Coupé, para já a única variante da gama animada por um motor a gasóleo, e como todas as outras dotada de tração integral permanente (tal como acontece com o BMW X6, também ele só proposto com o sistema xDrive). Numa análise assente numa observação estritamente visual, é lícito afirmar que as opiniões se dividem relativamente ao novo GLE Coupé (ainda que não, propriamente, em partes iguais…).

Os mais puristas não deixarão de sublinhar que o novo SUV da marca da estrela é quase uma cópia grosseira do seu rival de Munique, não no sentido das linhas exteriores propriamente ditas, mas do conceito – que, efetivamente, parece quase decalcado do modelo da BMW, inclusive em termos das suas proporções, depois pontilhado pelos elementos estilísticos típicos da Mercedes-Benz, que acabam por lhe conferir o seu próprio caráter. Já os restantes (a esmagadora maioria), e também a avaliar pelas reações do público em geral, quando com ele se cruza, parecem confirmar que a Mercedes seguiu o caminho certo, por pouco inventivo que tenha sido, com a sua novel criação, tal a facilidade com que rapidamente se torna no centro das atenções.

O habitáculo, seguramente, será alvo de menos críticas. Apesar de um certo ar revivalista, como hoje vai sendo tendência a este nível, patente em elementos como os inúmeros botões de comando rotativo cromados, o interior é não só moderno, como muito luxuoso e exibindo uma qualidade geral de excelente nível. O espaço habitável, não sendo uma referência (para quem tal seja uma prioridade, existe sempre a versão “normal” do GLE), está ao nível do oferecido pelo BMW X6, o mesmo sucedendo com a capacidade da mala, com as ligeiras diferenças entre ambos, neste particular, a não serem, de todo, decisivas, se bem que favoráveis ao GLE Coupé – que oferece ainda a vantagem de dispor de um banco traseiro regulável longitudinalmente, que permite fazer variar o espaço para pernas e a capacidade da mala em função das necessidades do momento. Prova da forte aposta da Mercedes no seu novo SUV, e também da necessidade de compensar outro tipo de handicap (já lá chegaremos…), é a generosa oferta de equipamento de série patenteada pelo GLE 350d 4Matic Coupé, nitidamente em oposição ao que é habitual na marca (como nas suas conterrâneas).

Para além do considerado fundamental a este nível, o modelo conta já com jantes de 20”; faróis dianteiros por LED adaptativos com assistente de máximos; suspensão Agility Control; sistema Dynamic Select (permite optar entre os modos de condução Comfort, Sport, Individual e baixa aderência, atuando sobre a direção, transmissão, caixa de velocidades, resposta do motor e auxiliares de condução); bandos dianteiros desportivos com regulação elétrica; sistema Pre-Safe; assistente de sinais de trânsito; sistema de navegação; volante desportivo multifunções; sistema de controlo de descidas fora de estrada; portão traseiro de operação elétrica; sistema de navegação. Como referido de início, este 350d 4Matic é, para já, a única versão a gasóleo disponível na gama do GLE Coupé, ‘curiosamente’ perfeitamente alinhada, em termos de potência, com o X6 xDrive 30d, a variante Diesel mais acessível do seu grande rival.

A combinação do motor V6 biturbo de 3,0 litros com a caixa automática 9G-Tronic de nove relações é bastante feliz, garantindo prestações de nível superior, sobretudo nas retomas de velocidade, conjugadas com consumos dentro do esperado para um modelo desta categoria. A resposta às solicitações do acelerador é sempre pronta, para o que muito contribui o excelente binário de 620 Nm, disponível logo a partir das 1600 rpm, com o motor a subir de regime sem dificuldade de maior, tendo como único ponto mais criticável um excesso de ruído que acaba por tornar-se incómodo ao fim de algum tempo a circular-se a regimes mais elevado. De regresso ao tal handicap… Por muito que pareça uma novidade a olho nu, a verdade é que o GLE Coupé não é muito mais do que uma variante de aparência mais dinâmica do GLE, que por sua vez se limita a ser uma atualização, fundamentalmente, estilística do antigo ML, originalmente lançado em 2011. Ou seja, não é, de todo, um automóvel completamente novo, e a idade está patente em algumas das suas características, a começar pelo… peso.

De facto, são 2250 kg anunciados, ou seja, quase 200 kg mais do que o X6 30d, o que ajuda a explicar, desde logo, as acelerações menos brilhantes do GLE 350 4Matic Coupé. Ao mesmo tempo, este atributo, conjugado com um centro de gravidade mais elevado do que o ideal, acaba por ditar uma diferença evidente entre GLE Coupé e X6 quando se pretende adotar um ritmo de condução mais empenhado, em particular naqueles traçados mais tortuosos, onde vêm ao de cima as reais capacidades das máquinas e dos condutores. Forçando a nota, vem ao de cima a sua tendência mais prematura para a subviragem, que uma traseira menos reativa, e uma eletrónica que não permite grandes veleidades, nem autoriza ações mais intempestivas, a quem vai ao volante, impedem de compensar com um rodar do eixo posterior que, no BMW, é quase natural.

Dinamicamente, a favor do Mercedes, só mesmo o notável conforto de marcha em qualquer circunstância. Temos, assim, que, apesar da imagem exterior muito desportiva, agressiva até, o GLE 350d 4Matic Coupé acaba por oferecer uma dinâmica de condução aquém da principal concorrência, e do que a sua aparência promete, o que não significa que as suas competências neste particular sejam desprezíveis. Bem pelo contrário. Mesmo que haja quem valorize sobremaneira esta característica (e por isso compra um SUV coupé, menos espaçoso e versátil do que a versão normal de que deriva), quase certamente que a maioria se preocupará mais com a imagem, com a tal promessa de desportividade, independentemente de esta ter, ou não, absoluta correspondência na prática. E esses têm garantidamente satisfeitos os seus anseios: o GLE Coupé é daqueles automóveis que faz virar cabeças por onde passa… E, para já, os €97 350 pedidos pela Mercedes pelo GLE 350d 4Matic Coupé (um pouco acima do que custa o BMW X6 30d, mas compensado pelo generoso equipamento de série) nem parecem ser o maior problema, tal a procura que o modelo da Mercedes vem registando!

Texto: António de Sousa Pereira

Mercedes-Benz
Preço €98 000

Motor: 6 cil. em V a 90°, inj. direta common-rail, biturbo+intercooler, Diesel, 2987 cm3
Potência: 258 cv/3600 rpm
Binário: 620 N.m/1600-2400 rpm
Transmissão: integral perm., cx. Auto 9 veloc.
Suspensão: Independente com triângulos sobrepostos à frente, Independente multibraços atrás
Travagem: DV/DV
Peso: 2250 kg
Mala 650-1720 l
Depósito: 93 l
Vel. máxima: 226 km/h
Aceleração 0-100 km/h: 7,0s
Consumo médio: 7,2 l/100 km
Consumo médio AutoSport 8,9 l/100 km
Emissões de CO2: 187 g/km