Ensaio Mini John Cooper Works: Regresso à infância

By on 25 Janeiro, 2016

O novo Mini John Cooper Works é um rebuçado carregado de sabores explosivos que nos deixam simultaneamente desconcertados e com uma vontade tremenda de repetir a dose. Experimente-o. Vai ver que não quer outra coisa

O relógio marca as 12h00 e nada melhor do que um potente Mini John Cooper Works  para chegar depressa à Malveira e a um almoço que se pretende demorado… As ironias da vida! O trajeto escolhido? Serra de Sintra via Peninha, com a sucessão de curvas que esse percurso carrega. Equipado com 231 cv e um corpo que pesa apenas 1280 kg (com condutor), garantimos que essa viagem é feita num abrir e fechar de olhos!

Vamos às diferenças: além de ter crescido nas dimensões em todos os quadrantes (comprimento, largura e altura), fruto de uma nova plataforma, a versão John Cooper Works prescindiu do motor 1.6 turbo de 211 cv da geração anterior para adotar um novo biturbo de 231 cv – o bloco já utilizado no novo Cooper S, mas que aqui conta com mais uns pozinhos de binário (+20 Nm) e potência (+39 cv). A frente, mais dramática, com entradas de ar em vários pontos do para-choques (laterais, para arrefecer os travões, e dianteira para que o ar seja canalizado para o intercooler), distingue-o logo à partida dos outros Mini, até pela ausência dos faróis de nevoeiro, dispensáveis devido às óticas LED de série.

Mini JCW

Nas prestações também existem mudanças, embora superficiais tendo em que conta que partimos de uma base muito boa: 246 km/h contra 238 km/h de velocidade máxima, e 6,3s contra 6,5s na aceleração até aos 100 km/h. Mas enquanto no anterior JCW o binário máximo de 260 Nm fazia-se sentir entre as 1850 e as 5600 rpm, os 320 Nm da nova geração surgem mais cedo, entre as 1 50 e as 4800 rpm. Ou seja, a sensação de força é ainda mais vertiginosa, compensando a estabilidade acrescida pelas revisões efetuadas no tamanho, estabilidade e suspensões do sucessor.

Mini JCW

O interior do Mini John Cooper Works está recheado de apontamentos que indicam o seu caráter desportivo. Como é habitual na marca, não faltam opcionais

Um dos argumentos que a Mini mais utiliza para convencer os clientes a aderirem à marca passa pelo ‘go-kart feeling’ dos seus modelos – no fundo, a sensação de estarmos diariamente a conduzir um pequeno kart que irá tornar cada contacto com o carro nas nossas incursões diárias numa experiência incrivelmente divertida. Os R55 e R56 da segunda geração ‘made by BMW’ eram efetivamente assim em todas as suas versões, mas habituaram-nos tão mal (ou bem, dependendo da perspetiva) que, quando o F56 – o nome de código da atual linhagem da marca – aterrou no mercado nacional, tudo nos pareceu mais completo, refinado e adulto. Mas também mais filtrado, quando na verdade tudo o que se quer é que o Mini mantenha a sua identidade e continue a ser diferente de todos os outros.

É claro que a condução das versões ‘normais’ provam que ele continua a ser, ainda assim, um automóvel incomparavelmente mais alegre do que o utilitário convencional. Só que é difícil esquecer o romantismo do anterior, até porque a esse perdoávamos todos os defeitos – a pureza do design servia para tudo!

SORRISO NO ROSTO
A entrada na idade adulta, e da consequente filtragem mencionada, deriva também de um tempo em que a segurança é – e bem – rainha. Um valor que se mantém presente em absoluto neste JCW, com outras vantagens: quase sem comprometer nada, a não ser um bocadinho do conforto e o que temos de tirar da carteira para o ter (e mantê-lo!), é ele o grande responsável por trazer essa ‘carolice’ de volta e a certeza de entrarmos novamente numa era em que as memórias ao volante perduram mais tempo, tudo à conta do prazer de condução proporcionado.

É certo que a função de bloqueio eletrónico do diferencial entrega-nos um comportamento mais neutro, evitando pelo caminho as perdas de tração. Mas o Mini JCW continua a ser um cocktail de emoções difíceis de igualar para quem gosta verdadeiramente de conduzir, com a forma como o atiramos para cada curva (e a velocidade a que saímos delas) a desenhar sistematicamente nos nossos rostos um enorme sorriso, tão impossível de disfarçar como os litros de combustível que desaparecem assim que se aperta ‘a sério’ com ele, em particular no modo ‘Sport’ que afeta a resposta do acelerador e da direção elétrica.

Mini JCW

Ainda assim, 12,8 litros numa condução ‘full power’ ou 7,4 litros (contra os 6,7 litros anunciados) numa toada mais civilizada, auxiliados pelos modos ‘Normal’ ou ‘Eco’ que nos ajudam a consumir menos, parecem-nos aceitáveis perante tudo aquilo que nos é oferecido em troca.

Face a um Mini convencional, a versão JCW é naturalmente mais rija e dura, até pelas jantes de 17 polegadas que pintam as rodas. O interior apresenta plásticos de qualidade, elementos em couro e acrílicos com espírito ‘racing’. Um dos melhores exemplos está no padrão ‘bandeira de xadrez’ que reveste o ecrã da consola central – hoje um verdadeiro centro multimédia, carregado de funções e pequenos caprichos, como a possibilidade de acompanharmos ao vivo a potência e binário que estão a ser utilizados. Os bancos revelam um excelente apoio e a caixa um toque muito agradável e preciso, enquanto o novo sistema de travagem da Brembo é determinante para evitar sustos maiores à medida que nos entusiasmamos.

Se é bom? É. Se faz bem à alma? Faz, com certeza. A questão que se impõe é apenas uma – o preço: 34.700 €, sem opções, ou 37.299 €, se quiser coisas como o controlo dinâmico do amortecimento, sensores de estacionamento traseiro, faixas pretas no capot ou o ‘cockpit chrono package’ – um cronómetro para as aventuras em circuito devidamente acompanhado por dois indicadores da pressão do óleo e do turbo.

Existem alternativas mais acessíveis, como o VW Polo GTI – igualmente eficaz, inferior no preço (27.652 €) e na potência (192 cv extraídos de um motor de 1.8 litros a gasolina contra os 231 cv do 2.0 do JCW), embora também sem a pujança e o arrojo visual deste. Mas se gosta de conduzir e o dinheiro não lhe fizer falta, vai ver que o investimento compensa. Com o JCW, a paixão Mini atinge o seu extremo.

André Bettencourt Rodrigues

Ficha:

Preço 34 700€ Motor 4 cil em linha; inj direta, biturbo, intercooler, gasolina, 1998 cc Potência 231 cv/4750-6000 rpm Binário 320 Nm entre 1250-4800 rpm Transmissão dianteira cx. Manual 6 vel. Suspensão McPherson à frente com barra estabilizadora e molas helicoidais, paralelogramo deformável com molas helicoidais Travagem DV/ Discos Peso 1280 kg Mala 211-731 litros Depósito 44 litros Vel. Máxima 246 km/h Acel. 0 a 100 km/h 6,3s Consumo médio 6,7 l/100km Emissões CO2 155 g/km Consumo médio Autosport 7,4 l/100 km

O Auto+ pode ajudá-lo na escolha do seu carro novo.

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!

wpDiscuz