ENSAIO: Nissan Juke Nismo RS

By on 21 Fevereiro, 2016

Com mais de 200 cv de potência, existem poucos compactos capazes de rivalizar com o Nissan Juke Nismo RS. É um automóvel agressivo, mas também fácil de domar, que oferece ao condutor as nuances necessárias para o fazer sentir estar ao volante de um verdadeiro desportivo

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A Nissan foi das primeiras marcas japonesas a tentar estabelecer uma identidade mais desportiva fora do seu país origem, e os modelos compactos são os que mais contribuíram para esta imagem, com vários antepassados do Juke a terem carreiras desportivas ou apostarem em versões mais apimentadas para o público geral. É este último caso com o Juke, um crossover de aparência robusta, mas que não renega as suas origens, essencialmente de um carro citadino. E, no entanto, são precisamente estes automóveis que conseguem gerar alguns dos modelos desportivos mais interessantes e mais acessíveis ao grande público, neste caso com uma variante batizada com o famoso nome Nismo, de Nissan Motorsports. Transformada recentemente de Nismo para Nismo RS, a variante desportiva do Nissan Juke viu a potência máxima subir em 18 cv e o binário aumentar em 30 Nm, valores que se revelam à medida que deixamos os regimentos intermédios do motor 1.6 turbo.

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Abaixo das 2000 rpm, o Juke Nismo parece um automóvel normalíssimo, mas desde aí a resposta fica cada vez mais progressiva, até que, a partir das 3500 rpm, já se ouve o rugir do motor e já conseguimos aproveitar melhor todas as suas potencialidades. Mesmo sendo um propulsor moderno, com injeção direta e turbocompressor, de certo modo ainda se comporta como um motor atmosférico à antiga, se bem que não é muito rotativo. O motor também é fácil de controlar, pois a versão de tração dianteira dispõe de um diferencial autoblocante de série, pelo que não são necessários cuidados adicionais ao lidar com toda a potência só com duas rodas motrizes. Esta versão também tem apenas caixa manual, ao contrário da variante de tração integral (com automátia de variação contínua), revelando-se uma escolha mais acertada para reforçar o espírito desportivo e mais apropriada para um condutor que gosta de se sentir em controlo absoluto.

Nestas circunstâncias, se a pessoa ao volante quer controlar, então a Nissan procura garantir que esse controlo surja de forma natural e sem dar sobressaltos ao condutor. Com a potência adicional, a marca japonesa fez algumas alterações à afinação da suspensão e substituiu o sistema de travagem. Os discos dianteiros são bem maiores (subiram de 296 para 320 mm de diâmetro), reduzindo a distância de travagem, e os discos traseiros são ventilados, garantindo força de travagem mais uniforme às quatro rodas.

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As alterações à suspensão são pequenas, incidindo essencialmente nas molas e amortecedores, mas ampliam a sensação de segurança por parte do condutor em todo o tipo de curvas. Aliás, antes de entrarmos no carro, a altura dá a impressão de ter um centro de gravidade alto, mas o carro revela-se estável em curva, sem pregar sustos ao condutor ou ao passageiro.

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Por um preço de 26 250 €, é possível encontrar alternativas a preços mais baixos neste nicho, mas são poucos os que têm uma aparência mais original que o Nissan Juke Nismo. O equipamento de série não desilude, mas a versão Nismo RS beneficia bastante, em termos visuais, da adoção do Pack Techno +Recaro (2700 €), que inclui bancos desportivos e novos revestimentos da Recaro, uma câmara de estacionamento e faróis de xénon do Techno, tornando a utilização diária mais prática e segura, e o preço abaixo da fasquia dos 30 mil euros.

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Preço: 26 250 €

Motor: 4 cil., 16 v., inj. direta e turbo, 1618 cm3
Potência: 218 cv/6000 rpm
Binário: 280 N.m/3600-4800 rpm
Transmissão: Dianteira, cx. manual 6 vel.
Suspensão: Independente McPherson à frente e eixo de torção atrás
Travagem: DV/DV
Peso: 1390 kg
Mala: 354-1189 l
Depósito: 46 l
Velocidade máxima: 220km/h
Aceleração: 0 a 100 km/h 7,0 segundos
Consumo médio: 7,2 l/100 km
Consumo médio AutoSport: 10,4 l/100 km
Emissões CO2: 168 g/km