Ensaio: Opel Adam Rocks S

By on 31 Outubro, 2016

Desportivo ou SUV? Porque não um pouco de ambos? É o que a Opel pretende com o divertido Adam Rocks S

À primeira vista, um citadino compacto com um pequeno motor de 1.4 litros a gasolina parece pouco credível na arte de entusiasmar os adeptos de automóveis desportivos. A evolução tem destas coisas, e com o galopante crescimento dos cavalos na última década (o que antes era a potência de um supercarro no final dos anos 90 encontra-se hoje facilmente em qualquer veículo do segmento C, como o Mercedes A45 AMG ou o BMW M2) habituamo-nos a exigir mais e mais para nos sentirmos satisfeitos. Mas também houve um tempo em que os Saxo Cup, 106 GTI ou Corsa GSI entusiasmaram como poucos os amantes da velocidade, apenas com a sua capacidade de reunirem três fatores: serem leves, ágeis e compactos. Já me esquecia: ter um motor (no caso do Saxo) com 1.6 litros a gasolina, de 16 válvulas e injeção direta, com 120 cv, também ajudava…

VITAMÍNICO

‘Fast-forward’ para o século XXI – a era do sustentável, do híbrido e do elétrico, e das energias alternativas, seja o gás ou o hidrogénio. Pequenos e (muito) desportivos, os chamados ‘pocket-rockets’ desapareceram paulatinamente com a exigência do mercado (e da União Europeia) por modelos de maior dimensão, encorpados e pesados, no mesmo instante em que as emissões e o consumo de combustível, sempre de mãos-dadas, se tornaram imperativos para o sucesso dos carros com motores a gasolina. Tudo parecia perdido para os que viveram essa época-rainha em que o “shot de energia em formato de quatro rodas” pautava o imaginário dos recém ou futuros-encartados. Mas eis que, num momento em que o Diesel ganhava cada vez mais força, até nos segmentos mais baixos, a democratização da tecnologia turbo aliada à injeção direta veio revitalizar os modelos que se alimentam de 95 e 98 octanas. Um grande exemplo? Este Opel Adam Rocks S que vê nas imagens.

O mais pequeno desportivo da casa alemã, chamemos-lhe assim, não tem a pujança de um Corsa OPC, muito menos o arrojo tecnológico personificado no maravilhoso sistema de diferencial autoblocante que nos permite atirar com o ‘mano’ mais velho para as curvas com a brutalidade de um mestre-de-obras e ainda acelerar progressivamente sem medo de nos espetarmos contra uma parede. Mas é precisamente por ser muito menos filtrado do que o Corsa, e outros modelos semelhantes, do Clio R.S. ao 208 GTI, que o Adam Rocks na versão S manifesta um apelo diferente.

SÓ PARA ADULTOS

Conduzi-lo faz lembrar as pistas de carrinhos telecomandados que marcaram a nossa infância – pequenas o suficiente para caber na sala, ou neste caso, para o Adam circular à vontade na cidade; e em que os bólides em miniatura, tal como o modelo em causa, eram tão ágeis e rápidos ao ponto de nos deixarem absolutamente vidrados com o que tínhamos em mãos.

Nesta versão para adultos, retenha que o Adam consegue suprimir essa aparente limitação do tamanho (mede apenas 3,7 metros de comprimento) graças à elasticidade do motor 1.4, que afinal recorre a um turbo para entregar 150 cv de potência muito ‘risonhos’. Mas também por contar com uma suspensão 15mm mais baixa e o sistema de travagem do anterior Corsa OPC, do qual fazem parte discos ventilados de 308 mm (à frente). O aspeto dramático é completado pela enorme asa traseira e as jantes de liga leve de 17 ou 18 polegadas (o último, um elemento da carteira de opcionais no valor de 800€, integrado em pneus 225/235, ao contrários dos 215/45 das jantes de 17’).

Ao pretender marcar a diferença num sub-segmento (o dos ‘mini-crossovers), o Rocks S é naturalmente mais musculado do que o Adam convencional, recebendo vias mais largas à frente e atrás (de 1472 mm e 1464 mm, respetivamente) – outro fator a contribuir para o seu bom comportamento. Mas essa busca pela glorificação à conta do fator ‘novidade’ parece forçada: deixa-se ver com muitos elementos cromados e proteções da carroçaria que o poderiam identificar como um pequeno SUV ou crossover, mas é demasiado ‘raçudo’ para poder ser vendido dessa forma, até porque as dimensões reduzidas não lhe permitem sobressair verdadeiramente como um modelo virado para a aventura ou o fora-de-estrada, mesmo que a Opel tenha optado por diferenciá-lo do Adam S. Tal não nos impede de gostar dele enquanto pequeno desportivo, a única forma como deve ser encarado, apesar de as prestações não serem propriamente avassaladoras: demora 8,5s a atingir os 100 km/h (um valor curiosamente muito próximo dos ‘pocket-rockets’ do passado já referidos) e anuncia uma velocidade máxima de 210 km/h (PS: o ESP pode ser desligado!). O preço de 22 990 € é o seu maior calcanhar de Aquiles, já que não muito longe estão alternativas que podem fazer pender a balança da decisão de compra como o Fiesta ST (proposto por 25 683€ com campanha de financiamento) ou o VW Polo GTI (27 997€), ambos mais espaçosos, potentes e entusiasmantes, sem esquecer o próprio Opel Adam S (20 990€) ou o Abarth 595 (21 500€ para a versão de 145 cv).

DESTAQUES

Personalizável: o Adam Rocks S oferece ao cliente a escolha de um total de dez pinturas da carroçaria e cinco cores diferentes para o tejadilho. A capota de lona é de série nesta versão.

O sistema IntelliLink permite o emparelhamento do smartphone com o sistema multimédia do carro. Espaço em altura nos assentos traseiros e bagageira de 170 litros (663 litros com o rebatimento dos bancos traseiros) são aspetos a reter

Ficha técnica:

Motor 4 cilindros, turbo, inj. direta, intercooler, 1364 cm3;

Potência 150 cv/4900-5500 rpm

Binário 220 Nm/2750-4500 rpm

Transmissão Dianteira, CX. Manual 6 Vel.

Suspensão: Mpherson à frente e eixo de torção atrás

Travagem: DV/D

Peso 1178 kg

Mala 170-663

Depósito: 35 L

Vel.Máx. 210 km/h

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