Ensaio: Peugeot 308 GTI

By on 21 Janeiro, 2016

Construir uma identidade necessita de preparação. A Peugeot está a tentar tornar-se uma marca mais exclusiva, e, com dois caminhos em perspetiva, o do luxo e o da performance, preferiu este último. A Peugeot até tem tido alguns modelos desportivos nos últimos anos, mas tem-se mantido afastada de algumas ‘batalhas’ na guerra dos hot hatches. Isso muda com a chegada do Peugeot 308 GTi by Peugeot Sport. O uso do nome da divisão de competição da marca francesa não é meramente decorativo.

Para começar, o 308 ganha um coração novo. Com 270 cv, o motor 1.6 THP já era conhecido do coupé RCZ, mas passa a ser usado pela primeira vez numa berlina. O ‘casamento’ faz-se sem quaisquer problemas. O motor turbo está à vontade tanto numa utilização normal no caminho de casa para o trabalho como levado aos limites, revelando recuperações rápidas a partir das 2000 rpm sem necessitar de recorrer à caixa ou sem ser necessário pressionar muito o pedal do acelerador, mas a rotações mais elevadas a Peugeot conseguiu simular a entrega de potência mais típica de um motor atmosférico, ou seja, tendo eliminado o turbo lag, consegue mesmo assim dar a sensação daquele choque típico de um motor mais potente a acelerar.

Com um motor 1.6, quando a concorrência tem quase toda motores de 2 litros, os 270 cv podem parecer pouco. Na verdade, se fosse um motor de 2 litros, teria 330 cv de potência. Mas o mais importante é que o 308 não precisa de um motor de 2 litros, pois mesmo com o 1.6 consegue ter uma das melhores relações peso/potência do mercado, graças ao baixo peso de 1025 kg.

Combinando este baixo peso com o baixo centro de gravidade proporcionado por uma suspensão compacta, o 308 GTi oferece uma excelente agilidade em curva, com um comportamento fácil de controlar, com ou sem controlo de tração. A direção é bastante precisa, em quaisquer circunstâncias, ainda que possa pecar, para os mais puristas, por ser demasiado assistida. A suspensão também tem uma afinação que parece ser demasiado virada para o conforto em condições normais, mas na prática não filtra em demasia o contacto do condutor na estrada. O sistema de travagem, com discos de carbono perfurados e pinças de grandes dimensões, é bastante eficiente, mas há espaço de manobra para o tornar ainda mais espetacular.

No interior, o 308 GTi tem uma decoração condizente com a sua personalidade desportiva, com vários elementos em vermelho e em alumínio, mas o mais importante é garantir o apoio em condição desportiva, e nesse aspeto o reforço do apoio lombar mantém o piloto… perdão, o condutor estável, numa boa posição para observar a estrada e sempre seguro no assento.

Mas o carro francês também pode ser utilizado como qualquer automóvel civilizado. O habitáculo tem o mesmo nível de conforto do 308 normal, com o condutor a ter acesso ao sistema de informação e entretenimento num ecrã de 9,7 polegadas no tabliê, enquanto outros ocupantes beneficiam do facto do 308 GTi utilizar uma carroçaria de cinco portas. A bagageira também tem as mesmas dimensões do modelo normal, com um volume bem superior a 400 litros. Finalmente, em utilização normal, sem acelerar, é possível manter os consumos nos oito litros baixos de média.

Ficha Técnica

Preço 40 650 €

Motor 4 cil., 16 v., inj. direta e turbo, 1598 cm3 Potência 270 cv/6000 rpm Binário 330 N.m/1900 rpm Transmissão Dianteira, cx. manual 6 vel. Suspensão Pseudo-McPherson à frente e eixo de torsão atrás Travagem DV/DV Peso 1205 kg Mala 420 litros Depósito 53 litros Velocidade máxima 250 km/h Aceleração 0 a 100 km/h 6,0 segundos Consumo médio 6,0 l/100 km Consumo AutoSport 8,2 l/100 km Emissões CO2 139 g/km